Traições do marido, da melhor amiga e até do próprio filho
Traições do marido, da melhor amiga e até do próprio filho
Por: Óscar Lio
Capítulo 1
O acordo de divórcio era algo que eu tinha acabado de imprimir meia hora atrás. Antes disso, eu já havia passado a noite inteira sentada no sofá da sala. Na mesa de jantar, os pratos que preparei com tanto cuidado permaneciam intactos.

O bolo temático da Disney, que eu encomendei com tanto carinho, já havia derretido, ficando irreconhecível.

Ontem foi o aniversário de Kael Bispo, nosso filho. Meu marido, Uriah Bispo, havia me pedido para preparar tudo em casa porque ele iria buscar Kael para comemorarmos juntos.

Mas, enquanto eu esperava em casa, o que recebi foi a postagem no Instagram de Vera, mostrando uma “família de quatro pessoas”.

Que ironia.

Uriah não esperava que eu fosse pedir o divórcio. Ele franziu a testa, rasgou o documento e, com um tom irritado, perguntou:

— Katia Freitas, que drama é esse agora? Só porque levei nosso filho para ver a Vera e a filha dela e esqueci de te avisar?

Enquanto falava, ele olhou para a mesa cheia de comida e, por um momento, pareceu desconfortável. Então, ele ajustou o tom de voz:

— Tá bom, foi minha culpa não ter te avisado ontem à noite. Eu deveria ter ligado. Prometo que vou prestar mais atenção no futuro. Eu limpo tudo aqui. Vai descansar um pouco. Mais tarde, levo você e o Kael para almoçar.

Ele sempre fazia isso. Me dava um golpe, depois me oferecia uma compensação rasa. Sabia que estava errado, mas nunca pedia desculpas, apenas criava uma desculpa para que eu recuasse. Se eu não aceitasse, ele fazia questão de me ignorar e me forçava a ceder.

No passado, eu sempre dava o primeiro passo. Mas, dessa vez, tirei outra cópia do acordo de divórcio da bolsa e joguei na mesa:

— Eu imprimi dezenas de cópias. Pode rasgar quantas quiser.

Uriah ficou tão furioso que quebrou um prato. Ele me lançou um olhar impaciente e disse:

— No fundo, você só está com ciúmes porque o Kael gosta mais da Vera, não é? Katia, não se esqueça de que você é quem deve algo a ela! Eu e o Kael cuidamos dela e da filha dela apenas para pagar a dívida que você tem com ela!

Dívida? Que dívida? Eu não devo nada a Vera!

Vera foi minha melhor amiga. No verão do nosso terceiro ano de faculdade, ela me chamou para sair.

Naquela noite, quando voltávamos para casa, eu queria pegar o caminho principal, mas ela insistiu em cortar caminho por uma rua lateral. Disse que um amigo a esperava na esquina. Assim, nos separamos.

Na manhã seguinte, Uriah apareceu na minha casa, segurando minha camisa pelo colarinho. Ele exigiu saber por que eu não tinha chamado a polícia, por que eu não tinha ajudado Vera.

Eu não fazia ideia do que estava acontecendo. Depois, descobri que Vera tinha sido atacada por alguns homens naquela rua. Ela disse que só tinha ido por minha causa, para afastar os agressores de mim, e acabou sendo pega. Ela estava mentindo.

Tentei me explicar, mas ninguém acreditou em mim. As câmeras de segurança estavam quebradas, e toda a culpa recaiu sobre mim.

A partir daquele momento, me tornei uma criminosa aos olhos de todos. Meus pais me chamaram de insensível. Uriah me acusou de frieza.

Todo o carinho que eles tinham por mim foi transferido para Vera, com a desculpa de que estavam “compensando” o que eu havia feito.

Eles até tiraram meu filho de mim, dizendo que eu era moralmente incapaz de criá-lo. Foi por isso que minha relação com Kael sempre foi distante.

Mas eu sempre o amei. Sempre tentei desesperadamente reconstruir o que tínhamos.

Olhei para Kael. Ele também estava olhando para mim. Havia frieza em seu olhar, misturada com um desdém que me atravessou. Ele parecia me odiar:

— Você destruiu a vida do papai e da Tia Vera. Sem você, a Tia Vera seria minha mãe.

Minhas pernas fraquejaram, e senti uma dor indescritível. Perguntei:

— Quem disse isso?

Kael franziu a testa e respondeu com indiferença:

— Não é verdade?

Virei meu olhar para Uriah. Por um momento, ainda esperei que ele explicasse algo, que dissesse que Kael estava errado. Mas ele apenas desviou o olhar e disse:

— Kael sempre achou que, se não fosse pelo que aconteceu, eu teria me casado com a Vera.

No passado, eu teria perguntado por que ele nunca desmentiu isso. Ele era meu amigo de infância. Fui eu quem apresentou Vera a ele. Eu era a namorada dele.

Mas agora, nada disso importava mais. Que Kael pensasse o que quisesse. Afinal, ele não teria mais nada a ver comigo.

Peguei minha mala e caminhei em direção à porta:

— Quando decidir, nos vemos no cartório.
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