Capítulo 2
Então, mesmo que fosse apenas uma alma, ainda assim fiquei sem ar, assustada com a cena à minha frente.

Era como se, na próxima segunda, eu fosse voltar para aquele espaço sufocante e sem saída.

Do outro lado, Olavo estava acalmando Helena:

— Não fica assustada, come mais um pouco... você já tá magrinha demais.

Ele falava suavemente, segurando a cintura dela num gesto de conforto:

— Sei que foi difícil pra você, dá pra ver. Mas em comparação, o que ela sofreu nem chega perto. Pode ficar tranquila, se ela ousou te tratar assim, vou fazer ela pagar por isso.

Eu estava ali, bem atrás dele, com o coração despedaçado.

Queria chorar, mas as lágrimas não vinham.

Fiquei presa na piscina, sofrendo como nunca.

Mas, nos olhos dele, o sofrimento que Helena passou ao engolir algumas gotas de água parecia muito mais importante.

Mas eu... eu não sabia nadar. Queria sair, tentei abrir a tampa acima da minha cabeça, mas não consegui.

Nos últimos segundos da minha vida, eu ainda estava rezando. Rezando para ele me deixar sair, rezando por um fio de esperança.

Nada aconteceu.

Me debati, bati com força, tentei empurrar a tampa com todas as minhas forças.

E tudo que ouvi foi a voz fria dele:

— Se teve coragem de deixar a Helena engolir água, agora é hora de sentir na pele o que isso significa. Quem sabe assim aprende a lição.

O medo me dominou.

Queria me livrar de qualquer culpa que ele jogasse sobre mim, desde que isso significasse que eu poderia sair dali.

Mas nada aconteceu...

Atordoada, ouvi as palavras que selaram meu destino:

— Ela tá muito agitada. Fecha a tampa e deixa ela aí pra pensar.

Olhei para ele, implorando com os olhos, mas não havia nada que eu pudesse fazer.

A tampa foi trancada. Pesada. Definitiva.

Até que... senti o sangue se espalhando na água.

Até que... o último fio de luz da minha vida se apagou.

Só depois que Helena já estava sorrindo de novo, Olavo finalmente demonstrou sua ‘generosidade’:

— Podem tirar a Tereza dali. Mas manda ela se limpar antes de vir aqui. Não quero que apareça imunda na frente da Helena.

Ele disse isso com uma expressão magnânima, como se estivesse me concedendo um grande favor.

O secretário recebeu a ordem e saiu correndo para cumpri-la.

Por outro lado, Helena segurou o braço de Olavo e fez beicinho:

— Maninho, quando a Tereza sair, não briga mais com ela, tá? Afinal, vocês dois são marido e mulher, têm que viver bem juntos. Não vale a pena ficar brigando assim...

Olavo olhou para ela com carinho, puxou-a para perto e depositou um beijo suave em sua testa.

— Fica tranquila, ela não se atreve.

Ele apertou os braços ao redor dela e continuou, num tom cheio de indignação:

— Se não fosse ela ter te jogado na piscina, você não teria engolido água. Só de pensar no medo que você passou, me dá raiva. Leninha, você sempre foi boazinha demais, por isso a Tereza se aproveitou.

Na voz dele, parecia que eu tinha cometido um crime imperdoável.

Mas para mim, essas palavras não passavam de ironia e deboche.

Porque há apenas uma semana... foi Helena quem veio atrás de mim.

Ela sorriu, venenosa:

— Ouvi dizer que você tá grávida. Mas e daí? Você acredita se eu disser que, com uma palavra minha, esse bebê nunca vai nascer?

Eu não queria discutir com ela, virei as costas e subi as escadas.

Mas ela desceu para a piscina, molhou-se de propósito.

E então, chorando, ligou para Olavo.

— Maninho, sei que a Tereza não gosta de mim, mas ela me empurrou na piscina! Fiquei com tanto medo... mas tudo bem. Se minha morte puder trazer felicidade pra vocês, prefiro me afogar aqui mesmo.

Ela fez uma pausa e continuou:

— Maninho... só quero que você seja feliz.
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