Ambos ficaram enrolando quando acordaram. Ela o tinha ajudado a preparar o café, mas não conversaram muito.
Ela parecia preocupada, um pouco desligada. Ele estava na mesma, só não queria perguntar. Tinha medo de ouvir algo que não gostasse.
Os dois eram a cara da procrastinação.
Ela tinha que voltar á nave para continuar o trabalho e ele tinha que entrar em contato com a faculdade. No entanto, os dois continuavam sentados á mesa, remexendo na comida que deixaram no prato.
Ele estava ficando maluco. Suspirou devagar. O amor o pegou e agora não sabia o que fazer direito. Precisava encorajá-la para que se animasse a continuar sua tarefa.
_ Por que está tão nervoso? _ O que acha? - gesticulou _ Eles não podem saber sobre a nave. _ Verdade - mordeu o polegar _ Mas, tudo bem, é só inventar uma história. Eles vão embora depois, não é? _ Aí é que está. Meu pai resolveu ficar aqui um tempo. _ Essa não... Temos que ter cuidado até que eu possa ir. Ele travou um pouco. _ E, você já sabe... Quando vai? - seu coração parou uma batida. _ Posso ir depois de amanhã. “Tão cedo assim”?
Puxou o ar fundo, com um pensamento perigoso. E se ele e Amina tivessem uma história para contar de quando seus filhos eram pequenos? E se os dois estivessem juntos á noite, na varanda, olhando o céu, embalando seu bebê? Isso era um pensamento triste. Para formar uma família ele precisaria ter uma vida inteira com ela e tudo o que tinha eram dias, poucas horas. Depois ela iria embora e ele ficaria ali, sozinho, como antes. Mas a família dela deveria estar aflita sem saber o que acontecera com ela.Talvez estivessem até sofrendo pela ausência. — Bom, o papo de vocês vai longe - Gisele levantou — Vou para o quarto descansar um pouco.
— O que foi, pai? - se afastou dela. — Talvez Gisele tenha ouvido demais - apertou as mãos, preocupado. — Como assim? — Ela sabe que Amina não é exatamente o que diz ser - puxou o ar fundo e soltou devagar. — E por que? - Amina cruzou os braços. — Bem, ela descobriu sua moto lá fora - gesticulou — Claro que não sabe o que é mesmo, mas está querendo chamar a polícia. — Ela não pode - Amina arregalou os olhos — Não posso ser descoberta, isso vai causar um grande problema - abriu os braços, nervosa — Para mim e para vocês também. — Pai, eles não
Parecia ironia. Quando ela chegou ali chovia muito e agora em sua partida o alvorecer começava com chuva também. Foi para a sala de comando e sentou na cadeira, prendendo bem os cintos, depois ajustou o capacete. — Módulo de partida pronto. A voz metálica de Hallo soou na cabine. Ela apertou o botão e a rampa foi recolhida. As portas se selaram, fez a checagem e a luz verde acendeu. Estava pronta para ir. — Hallo, dê início ao voo padrão. Trave a rota orbital e comece a contagem. Lá fora Clóvis teve que puxar o filho para que se afastasse das turbinas que logo foram acionadas. A chuva aume
******* Depois de uma conversa longa á sós, Carlo já entendia tudo o que havia acontecido com Amina. — E a caixa com as coisas que coloquei na nave, ajudaram seus governantes a deixar que voltasse? - alisou o braço dela e brincou com seus dedos. Estavam nos degraus da escada de trás — E seus pais também deciciram vir e conhecer a Terra? — Não - ela o olhou com carinho — O que eles vieram conhecer foi o homem que eu amo - ele deu um sorriso grande — E o pai do neto deles. — Ainda estou atônito com Carlo. Meu filho - balançou a cabeça — Isso é incrível, Amina. — Concordo - beliscou sua mão de