Os pais de Sofia trocaram um olhar, visivelmente tensos. — Sofia... Estamos falando da Família Oliveira.Eles já tinham percebido qual era o plano dela.— Ricardo é um sujeito que só pensa no próprio bolso. E, além disso, temos uma carta na manga contra ele. É só convencer o cara a colaborar que todo mundo sai ganhando. — Sofia zombou. — E outra, quem quer ficar rico tem que correr riscos. Que diferença faz se é a Família Oliveira? Depois que aceitarem a filha de volta, acha que ainda vão fazer teste de DNA o tempo todo?— Além disso... — Sofia deu um sorriso frio. — Com toda a grana e poder que eles têm, não acharam a filha verdadeira até hoje. E ela nasceu prematuramente, né? Aposto que nem está mais viva.Sofia apertou os olhos, respirou fundo e continuou: — Pai, mãe, é agora ou nunca. Se eu me tornar a herdeira da Família Oliveira, vocês acham que a nossa família ainda vai precisar se curvar para a Família Santos? José não vai ter outra escolha além de noivar e casar comigo!Ela ce
Raul franziu a testa e lançou um olhar para Marcos.— Sua mãe confundiu Evan com Tiago e o trouxe para cá, dizendo que, como você não é casada e está com uma criança, isso prejudica sua reputação e dificulta encontrar um namorado. Então, ela resolveu mandar a criança para mim. — Marcos ofereceu uma explicação razoável. — Quando eu peguei a criança, percebi que não era Tiago.Carolina, nervosa, abraçou Evan com força e se desculpou com Raul. — Me desculpe... foi minha falha, não cuidei bem da criança.— Linda levar a criança sem avisar é ilegal. Como pretende lidar com isso, Sr. Raul? — Uma voz grave veio da porta. Era José.Raul olhou para Evan com uma expressão sombria. Se o garoto estivesse bem, tudo bem, mas se tivesse algo de errado, ele com certeza faria Linda pagar por isso.— Carolina, Linda é sua mãe. Embora tenha sido um mal-entendido, o fato de ela ter levado a criança sem avisar é completamente inadequado. — Raul direcionou a culpa para Carolina.Ele queria que Carolina se s
Não seria tão coincidência assim.Raul segurava Tiago em uma mão e, com a outra, puxava seu sobrinho, indo embora.Deixou que José e Marcos se resolvessem entre si.Com as crianças sob sua guarda, Carolina ainda teria que o procurar.Dando um resmungo, Raul entrou no carro.— Sr. Raul, a Sra. Rosa disse que o voo dela é amanhã de manhã, com destino à Cidade A. — O assistente informou.Raul se surpreendeu. — Minha mãe está vindo?— Sim, a Sra. Rosa sempre deu muita atenção ao projeto da Vila São Vicente. Há vinte anos, esse projeto foi suspenso por uma manifestação liderada pelos moradores. Ficou parado por mais de vinte anos, e agora que o projeto foi reiniciado, ela ainda o considera muito importante. — Explicou o assistente, assentindo.Raul sabia bem por que sua mãe se importava tanto com o projeto da Vila São Vicente.Naquela época, a mãe dele não apenas perdeu a filha pelo projeto, mas também o marido.Tudo porque ela estava completamente focada em obter os direitos de desenvolvim
Carolina baixou a cabeça, apertando com força os dedos de José.Depois de um momento de silêncio, ela levantou a cabeça. — Não vou fazer isso.Marcos franziu a testa.— Tiago está comigo. Ele tem a mãe, o tio, e também... José. Ele está feliz e pode crescer de forma saudável. Mas se ficar com você, você certamente vai se casar novamente no futuro... Ele só terá uma madrasta. — Carolina finalmente se mostrou com firmeza.Era claro que José a havia apoiado, lhe dando coragem.— Carolina, você tem certeza? — Marcos perguntou, tentando conter a raiva.— Mesmo que vamos para o tribunal, eu... tenho chances de ganhar. José vai me ajudar. — Carolina abraçou com força o braço de José.Ela sabia que José a ajudaria.Eles tinham um casamento de fato, e embora Carolina não soubesse quando José iria pedir o divórcio e terminar a relação, pelo menos agora... Se Marcos quisesse lutar pela guarda das crianças, José certamente interviria.José observava silenciosamente Carolina, estendendo os braços p
Com as mãos trêmulas e apertadas, Daniel abaixou a cabeça e falou com amargura: — Mesmo que decida me demitir, ainda vou dizer, Sr. Marcos... já se afastou do que realmente sente. Tudo o que fez nos últimos tempos ultrapassou em muito a intenção de compensar a Carolina. O que você chama de amor é obsessivo demais.Marcos sentiu o peito apertar. Ele segurou Daniel pela gola, com o punho levantado, pronto para agir.Mas, embora o punho estivesse levantado, ele não desceu.A razão, no fim, venceu o impulso.Aos poucos, soltou Daniel e deu um passo para trás.Ele realmente havia se esforçado demais para obrigar Carolina a ceder.Tantos seis anos atrás, quanto agora.— Você tem razão... Desde o momento em que assumi falsamente o papel de pai de Tiago, eu já estava errado. — Admitiu Marcos com a voz grave. — Carolina me rejeita porque acha que fui eu quem a violentou seis anos atrás, causando o trauma que a levou a tantas tentativas de suicídio ao longo desses anos.Ele se sentou no sofá, su
— Augusto!Quando Júlia soube que a criança havia sido sequestrada, ela saiu de casa sozinha no meio da noite, dirigindo o carro.Sua aparência estava um pouco desarrumada, claramente ela havia mais uma vez tratado seu carro de luxo de milhões como se fosse um simples bate-bate.Ao a ver se aproximando mancando, Augusto ficou parado sob a luz do poste de iluminação, em choque por um longo tempo.Júlia correu até ele, como uma chama, entrando de repente em seu mundo frio e sombrio.Então, mesmo sabendo que eles não eram do mesmo mundo, Augusto ainda assim... se apaixonou por Júlia.Com os dedos um pouco rígidos, Augusto levantou a mão lentamente, e, sendo honesto consigo mesmo, acabou a abraçar.— Você saiu sozinha no meio da noite? Tá querendo se matar? — Augusto sabia o quanto a situação de Júlia era perigosa, caso contrário, ela não teria tantos seguranças.Mas essa mulher, mesmo sabendo do risco, ainda se arriscava com suas habilidades de direção desastrosas até chegar ali.— Tranqu
Cidade A, prisão.- Ao sair, não olhe para trás, viva bem.Carolina se virou e se curvou, ficou tremendo no vento frio.Cinco anos.Quando foi presa, tinha apenas 21 anos.- Entre no carro.Ao lado da estrada, estacionava um Maybach preto, e a voz do homem era fria.Ele era o irmão de Carolina, a quem ela chamou de irmão por 21 anos, até descobrir subitamente que não tinha laços de sangue com ela.- Irmão... - Carolina disse com a voz rouca, olhando para baixo de forma desconfortável.- Não sou seu irmão, não me enoje. - Rui Silva ficou sério e verificou o relógio. - Você roubou vinte e um anos da vida de minha irmã, a fez sofrer abusos naquela casa, como ousa me chamar de irmão.Carolina mexeu os lábios rachados, mas não conseguiu dizer uma palavra.A Silva de Cidade A tinha apenas uma filha, Carolina, filha do empregada, enquanto a verdadeira herdeira da família Silva havia sido secretamente substituída pela filha do empregada.- Desculpe... - Carolina murmurou com a voz rouca após u
Houve um apagão diante de seus olhos quando Carolina foi forçada a entrar no carro, tremendo e desesperada, encolhida no canto.Ela não podia doar um rim. Ela ainda não podia morrer.- Carolina, como foram esses cinco anos na prisão? - Pedro olhou para a mulher encolhida no canto, já não foi mais a mulher orgulhosa e altiva de tantos anos atrás, uma complexidade inexprimível ecoava em seu coração.Carolina deu uma esquivada, talvez um reflexo da violência que sofreu na prisão, e, com medo, segurou a cabeça.- Perdeu a língua? - Pedro olhava com desgosto para a Carolina nesse estado, levantou a mão e segurou o queixo dela, o sangue escuro na testa contrastando fortemente com o rosto pálido.- Estou bem... - A voz de Carolina tremulava, o desespero e o ódio foram evidentes em seu olhar.Sob a interferência de Pedro, sua vida na prisão foi pior do que a morte.No dia em que foi liberta, a colega de cela que a intimidava há tanto tempo finalmente não aguentou e lhe contou a verdade, que fo