Capítulo 0003
Quando acordei novamente, fui transferida para outro quarto.

A enfermeira, ao me ver acordar, jogou uma garrafa de remédio no lixo com um estalo, a voz carregada de desprezo:

— Bem, que sorte a sua, causou tanto dano e tudo o que perdeu foi um bebê. Tirou a sorte grande, não é?

Minha garganta queimava como se houvesse fogo, e eu não conseguia emitir nenhum som, apenas suportar os insultos.

Ao ver minha condição, a enfermeira abriu a porta com um estrondo e chamou as pessoas do lado de fora.

— A suspeita acordou, levem-na logo, antes que manche nosso hospital.

— Você teve a ousadia de machucar os filhos de um herói, que azar o incêndio não ter te matado!

Dois homens me ergueram sem cerimônias, e logo eu estava frente a frente com César.

Através de uma mesa, seu rosto estava sombrio, e ele começou a me acusar:

— Valéria Nunes, você tentou matar propositalmente. Dado que você estava grávida, posso pedir uma suspensão da pena, mas você vai cumprir a sentença!

Depois de dizer isso, ele virou a cabeça abruptamente, como se falar mais alguma coisa comigo fosse manchar sua honra.

Tentei abrir a boca para me defender, mas minha voz estava rouca e só consegui tossir violentamente.

Neste momento, Camila entrou chorando e correu diretamente para os braços de César.

— Irmão César, eu tive um pesadelo de novo. Sonhei que estava sendo queimada no fogo, estou com muito medo…

O rosto de César, que havia acabado de se acalmar, ficou novamente sombrio.

— Valéria Nunes, eu realmente não entendo como uma menina como Camila pode ter te ofendido.

— Por que você simplesmente não consegue vê-la de maneira favorável e insiste em prejudicá-la repetidamente?

— O pai dela deu a vida em uma missão de resgate, e você, para com uma descendente de um herói, você…

Ele não conseguiu terminar a frase, cerrando os punhos e batendo com força na mesa.

Aceitei a água que alguém me ofereceu e tomei vários goles antes de conseguir falar:

— Não fui eu quem iniciou o fogo, foi Camila Araújo.

— Quem deveria estar preso não sou eu, mas ela, a verdadeira culpada, e você, por negligência.

César bateu na mesa novamente, levantando-se de repente.

Ele se inclinou para frente, fixando seus olhos nos meus.

— Camila é pura e bondosa, como você pode difamá-la assim?

— Ela já me contou tudo, foi você, foi você que, por causa de uma briga, decidiu incendiar tudo!

Camila, ao lado, chorou no momento oportuno:

— Irmão César, ela está tentando me incriminar novamente.

— Estou com tanto medo, só quero ficar ao seu lado como irmã, isso é pedir demais, irmã Valéria? Você só vai parar quando tirar minha vida?

Dizendo isso, ela se aproximou, balançando meu braço sem parar.

Retirei minha mão com desdém, e Camila caiu para trás, gritando.

— Irmão César, me salve, ela me empurrou com força…

César se levantou no mesmo instante, acolheu Camila em seus braços e, com outra mão, me agarrou, jogando-me ao chão com força.

— Valéria! Você se atreve a machucar alguém bem na minha frente.

— Você não tem um pingo de consciência?

— Se não fosse pelo fato de você estar grávida, eu já teria te levado para a cadeia para que pudesse refletir!

Olhei para César, furioso.

Seus traços ainda eram tão familiares, parecidos com quando ele me prometeu tantas coisas.

Mas agora, não tenho mais ilusões sobre ele.

Na vida passada, Camila cometeu suicídio, e ele acreditou que eu era a assassina.

Nesta vida, Camila está viva e ele ainda acha que sou a criminosa.

Esse casamento, eu não sei mais o que significa.

Abri a boca, minha voz sem emoção:

— César, vamos nos divorciar. Se quiser me acusar, vá em frente. Agora que o bebê se foi, quero ver se consegue me mandar para a prisão.

César franziu as sobrancelhas, sua voz carregando um tom de questionamento:

— O que você está dizendo, o que quer dizer com o bebê se foi?
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