Capítulo 0002
A dor no meu abdômen era insuportável, quase trincando meus dentes, enquanto lutava para sair do incêndio.

Nas minhas costas, minha sogra, acordada pela fumaça, agarrou-se a mim e começou a gritar desesperadamente.

— César, seu ingrato, sua esposa e seu filho estão presos aqui, e você leva quem para o hospital?

Parei para ouvir os sons ao redor.

Mas os passos já estavam longe, e não havia mais sinal de César do lado de fora.

O armário, deformado pelo fogo, caiu com força, bloqueando nossa única rota de fuga.

Eu tremia enquanto derramava as últimas gotas de água na toalha e a entregava para minha sogra.

Ela olhava para mim com lágrimas escorrendo pelo rosto envelhecido, prestes a dizer algo, quando o som de uma buzina ecoou novamente lá embaixo.

O mesmo som de quando chegaram.

César levou sua Camila embora.

As chamas aumentavam em intensidade, e eu, desesperada, pensava que desta vez não conseguiríamos sair.

Minha sogra, nas minhas costas, tossiu algumas vezes antes de silenciar completamente.

O fogo avançava rapidamente, já queimando a barra das minhas roupas.

No momento em que tudo parecia perdido, uma voz gritou do lado de fora:

— Cunhada, o segurança do condomínio disse que não te viu sair, você ainda está aí?

Eu não consegui mais controlar as lágrimas e respondi apressadamente.

Logo, uma figura entrou correndo no meio das chamas com um extintor de incêndio. Eu finalmente não consegui mais resistir e desmaiei no chão.

Quando abri os olhos novamente, minha sogra e eu já estávamos em segurança no térreo do condomínio.

Quem nos salvou foi Wilson, colega de César.

Seu rosto estava enegrecido pela fuligem, mas ao me ver abrir os olhos, ele sorriu.

— Cunhada, eu tinha certeza de que ouvi vocês. Aquela Camila Araújo insistia que não havia ninguém na casa...

Depois de dizer isso, ele caiu ao chão sem forças.

Os curiosos que se aglomeraram rapidamente chamaram uma ambulância para nós.

Nós três estávamos fora de perigo, mas minha sogra, com várias doenças pré-existentes, e Wilson, que inalou muita fumaça, ainda estavam inconscientes.

César, ao receber a notícia, veio correndo para o hospital.

Ao me ver, ele ignorou os protestos das enfermeiras e, com raiva, me deu um tapa.

— Você é uma desgraçada, como pode ser tão cruel? Por que quis matar a Camila?

— Você claramente não estava em casa, por que voltou para o incêndio? Você quase matou o Wilson também!

— Eu nunca imaginei que tinha me casado com uma mulher tão perversa. Se algo acontecer a qualquer um deles, você será a culpada!

Mal havia escapado das garras da morte e, ainda assustada, fui jogada ao chão pelo tapa dele.

Atrás de César, Camila apareceu, mostrando metade do rosto.

— Irmã Valéria, eu sei que você me odeia, mas pensou em quantas vidas você poderia ter destruído?

Após dizer isso, ela se apoiou no ombro de César, tossindo violentamente.

Vendo o sangue que Camila tossia, César se virou e me chutou com força, me jogando ao chão novamente.

— Por que você não morreu no incêndio! Eu devia ter tirado o Wilson à força e deixado você queimar!

Ele me olhava de cima, com ódio nos olhos.

Camila, protegida em seus braços, exibia um olhar de desafio.

Eu já não tinha forças para argumentar com eles.

Havia sangue escorrendo debaixo de mim.

A dor me fazia chorar, e minha garganta queimada só permitia que eu emitisse alguns sons:

— Doutor, chamem um médico…

Vendo meu sofrimento, César riu cruelmente.

— Médico? Você pensou que, se eles tivessem morrido por sua causa, teriam alguém para chamar um médico para salvá-los?

Eu o olhava fixamente, com os olhos ardendo.

Antes da chegada de Camila, ele estava tão ansioso por este bebê.

Ele já havia preparado o quarto infantil e escolhido o nome.

Helena Moraes.

Mas agora, olhando o sangue que continuava a se espalhar sob mim, ele se virou para cobrir os olhos de Camila.

— Que nojo, não deixe isso te assustar.
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