POR LINCY— Está feito! — anunciei aos homens que estavam em roda, distraídos com uma explicação de Alister.— Demoraram! — reclamou Alister, e com razão. Eles ficaram esperando por muitas horas, e já estava começando a escurecer. A situação se complicou porque eu e Lenissya nos atrapalhamos ao pegar a dióxy de absorção e formular o restante do plano.— Estão com a dióxy de busca? — perguntou Lunester.— Claro! — eu e Lorena respondemos em uníssono, mostrando as dióxys de absorção, uma pedra redonda de um azul vívido, com cerca de nove centímetros.Os poderes de todas as dióxys absorvidas eram incorporados à pedra. Quando todas fossem assimiladas, teríamos em mãos uma arma extremamente poderosa, e percebi a necessidade de adotar medidas de segurança adicionais. Por precaução, mantive a dióxy de identificação e a de réplica guardadas separadamente. Era mais prudente que os buscadores permanecessem na ignorância, pois ter poder em mãos e compreender plenamente sua extensão é uma combina
POR LINCYColoquei minhas coisas sobre a mesa e fui conferir o arsenal de roupas que pertenciam a Lenissya. Soltei um suspiro ao notar que eram todas das mesmas cores: azul e branco. Só então me dei conta de que todos os halisianos que vi neste reino também usavam apenas essas cores. Lenissya não havia mencionado nada sobre isso!Mesmo sem precisar, despi-me e entrei nas águas de uma piscina embutida no cômodo ao lado do quarto. Águas mágicas, sem dúvida! Não era só pelo efeito delas, mas pela forma como eu sentia a energia que percorre este mundo se chocando contra mim. Era boa, revigorante e me fazia sentir tão... calma.— Perdão! Sinto muito! Não sabia que estava no banho — desculpou-se uma jovem que havia entrado no cômodo sem se anunciar.— Tudo bem, afinal, somos ambas mulheres. Da próxima vez, lembre-se de bater na porta antes. Qual é o seu nome? — perguntei, apoiando o cotovelo na borda e descansando o queixo sobre os braços.— Nindik, Alteza! Soube que é princesa em nosso pla
POR LINCYO ambiente do lado de fora era agradável. Os canteiros de flores exóticas, bem cuidados e bem distribuídos, eram o ponto forte do paisagismo do jardim. No interior do palácio, o ambiente estava especialmente agitado desde o café da manhã, em virtude da chegada de diversas pessoas que Alister considerava importantes.— Oi! Desculpe o atraso! — ouvi a voz ofegante de Lunester.— Está tudo bem — respondi, virando-me para Lunester e percebendo que ele também estava vestido de azul e branco. Ele se recompôs e aproximou-se com uma postura calma e respeitosa.— Onde está Jeradar? — perguntei, curiosa. Eles sempre estavam juntos, mas fazia algum tempo que eu não o via.— Tentei convencê-lo a vir, mas ele acha que será um peso nos seguir sem poder fazer nada. Não consegui tirar essa ideia da cabeça dele — respondeu Lunester, com a voz baixa e triste. Aproximei-me, diminuindo a distância entre nós, mais para desconcertá-lo com minha proximidade do que com a pergunta que faria a seguir
POR LINCYEsta era a décima vez que eu assumia um turno noturno nesses quarenta dias em que já estávamos aqui. As duplicatas temporais já haviam desaparecido, permitindo uma comunicação mais livre com o uso das dióxys.Segundo Lenissya, Miridar demorou a aprender a técnica do portal e, mesmo agora, seu limite era baixo, impedindo-o de se desvincular do trio dela. Ao contrário dele, Lunester dominou a técnica perfeitamente em poucos dias, e lamentei não ter escolhido Miridar em vez de Lunester. Uma terceira pessoa neste trio para bloquear as provocações de Alister seria bem-vinda, embora eu não tivesse certeza se ele ajudaria ou apenas atrapalharia mais.— Que demora, Alister! É só eu deixar uma tarefa nas suas mãos que acabamos estagnados.— Se achas ruim, venha mergulhar comigo e me mostre como se faz — provocou-me. Esta dióxy estava nas profundezas de um grande lago. O nevoeiro noturno, somado à própria escuridão, dificultava as buscas submersas.— Só porque você é um incompetente —
POR LINCYO restante da busca pela madrugada foi um misto de gritos e silêncio. Embora quase não trocássemos palavras, meus pensamentos gritavam contra mim o tempo inteiro. O que deu em mim? Como pude deixar aquele idiota me beijar?Evitei Alister ao máximo depois daquilo, mas, a cada vez que ele encostava levemente em mim, eu me lembrava daquela tragédia. Se ao menos o beijo dele não tivesse sido tão bom... Que droga!— Aonde estás indo? — perguntou ele. O sol já despontava no céu e, enquanto todos se dirigiam para a refeição matinal, eu subia a escada em direção ao quarto.Não o respondi. No que dependesse de mim, eu não falaria com ele nunca mais. Na pressa, acabei esbarrando em alguém no segundo andar. Suas mãos seguraram meus braços com gentileza, e ergui o olhar, suspirando de alívio ao reconhecer quem era.— Ei! Bom dia! — O sorriso amistoso de Lunester se desfez ao ver a seriedade no meu rosto. Eu não conseguia disfarçar minha indignação. — Está tudo bem?— Sinto muito! — afas
POR LINCYQuando voltei ao quarto, a lua já estava no auge. Acreditava realmente que nada tiraria minha alegria, mas me enganei. Assim que entrei e não encontrei minha bolsa com as dióxys de réplica e de identificação — as únicas que mantive separadas da de absorção — fui tomada por desconfiança. No lugar onde ela deveria estar, havia apenas um novo vaso de flores e uma caixinha bonita.Que golpe baixo de Alister, pegar as pedras! Ele sabia que eu gostava de analisar as novas aquisições para entender do que se tratavam. Eu sempre anotava no meu caderno os dons mais relevantes para a busca e repassava as informações aos outros. Peguei a caixa, torcendo para que as dióxys estivessem lá dentro, ou ele estaria encrencado comigo.— Que fofo! — deixei escapar ao abrir e encontrar um conjunto de joias e uma carta."Perdoe-me por ter sido impertinente; não quero que vás. Este presente é mais que um pedido de desculpas, é também uma forma de agradecer pelo que tens feito para ajudar a salvar e
POR LINCY A fonte foi a primeira coisa que me veio à cabeça. O que eu não esperava era me teletransportar direto para cima de outra pessoa. — Cuidado! — Lunester me segurou pelos braços, evitando que eu caísse. — Me desculpe! — pedi, morrendo de vergonha. Trombar com a mesma pessoa duas vezes no mesmo dia... — Quando usamos teletransporte, não enxergamos quem está do outro lado. Minha tentativa desajeitada de justificar a situação não funcionou muito bem. Ele riu, soltou meus braços e pousou a mão sobre meu ombro. — Sim, eu sei disso. — Ele deu um passo para trás, e eu fiz o mesmo. — E por que você se teletransportou para cá? — Só queria sair um pouco. — A porta ainda está aberta, Lin. — Não era uma bronca, nem de longe; ele parecia estar se divertindo. — E o que faz aqui? — perguntei, tentando desviar a atenção de mim. — Gosto de admirar isso. — Ele apontou para uma das luas no céu, algo que não vemos em Halis. — O ambiente escuro é fascinante. — Se acha isso escuro, deveria
POR LINCYComecei a juntar todas as minhas coisas. Coloquei meu caderno e minha caneta na mochila às pressas e devolvi a veste halisiana que havia pegado emprestado no armário de Lenissya, colocando minhas próprias roupas de volta. Meu olhar percorreu o cômodo uma última vez para ter certeza de que não estava esquecendo nada. Com todas as dióxys em mãos, foquei em Lenissya, visualizando-a para poder abrir o portal. Ao que parecia, ela estava em um lugar e situação adequados.— Eu vou ou não vou? — ouvi-a dizer para si mesma assim que surgi do outro lado. Ela estava sentada na poltrona de uma sala, olhando para a porta e não me viu chegando. Vestia calças pretas e uma camisa vermelha estilosa.— Vai ou não vai aonde? — Ela virou o rosto ao ouvir minha voz e abriu um daqueles sorrisos angelicais.— Lin! Estava pensando em dar uma escapada para ir te ver. — Ela riu de forma travessa. — Zuldrax está em reunião com o rei Nicolas e a família dele. Sei que é meio doido falar sozinha, mas é a