Então quando Ethan para o carro em frente à minha casa, olho para o lado vendo ele com a cabeça escorada no banco olhando para a janela sem dizer nada, parecia pensativo com algo. Então Ethan sai do carro, e eu o acompanho saindo também. Ao invés de entrar em casa ele se encosta no capô, e eu deveria entrar, mas prefiro ficar ali com ele. — Não é estranho para você, eu ser alguns anos mais nova? — Quebrei o silêncio ainda focada em entrar em outros assuntos mais pessoais. — Me sinto uma garotinha imatura ao seu lado. — Mas você não é uma garotinha, é uma mulher. — Ethan sorriu de canto erguendo as sobrancelhas. — Isso é o tipo de coisa que um homem mais velho diz para manipular uma garotinha. — Agora eu sou um manipulador? — Ele questionou irônico me olhando com aquele sorrisinho dele. Ele me olhou bem nos olhos, meu coração acelerou, senti um frio na barriga diferente, era estranho e me fazia sentir culpada. — Posso conhecer a sua casa algum dia, então? — Me apoiei em um
Acordo primeiro, deitado na cama de Sammy. Me arrumo em cima da cama me pondo de frente para o teto, ponho o braço atrás da cabeça e encaro a janela. Já me sinto totalmente bem-vindo e íntimo nessa casa. Olho Sammy deitada ao meu lado de bruços, as costas nuas e o lençol cobrindo apenas da cintura para baixo. Fico vidrado nas costas finas e delicadas, o cabelo esparramado no travesseiro. Toco sua pele sentindo a maciez em meus dedos, não queria acordá-la agora mas estou com saudades de vê-la acordada. Beijo o meio das suas costas e ouço ela resmungar enquanto começa a se mexer. Deixo um beijo no topo da sua cabeça e deito de volta ao lado dela a envolvendo em meus braços. — Que horas são? — Questiona com a voz sonolenta levantando o tronco e o apoiando nos cotovelos. — Hum… — Ligo a tela do celular sobre o criado mudo e volto a olhar para ela. — Quase meio-dia. — Porra. — Resmunga deitando de volta no colchão. — Vamos ficar aqui deitados o dia inteiro, o que acha? — Peço
Eu estava indo até o hospital, doente eu não estava, óbvio. Já estava sentindo que Ethan estava meio desconfiado o que era muito perigoso, e eu sequer tinha alguma coisa, eu precisava de algo imediatamente. Caminhei pelo corredor enquanto olhava de um lado para o outro atenta para que ninguém me visse, eu esperei por um horário que o Ethan não estivesse mais atendendo, é óbvio. Me abaixei ao pé da porta do consultório dele, tirei dois grampos que escondi no cabelo e os enfiei na fechadura os mexendo até que ela estivesse destrancada. Fechei a porta e então caminhei até à mesa dele, abri as gavetas enquanto vasculhava os papéis. Usei os grampos para abrir uma das gavetas que tinha fechadura e quando a abri não havia nada de tão interessante. Idiotice, vasculhar o consultório era inútil, é claro que ele não iria deixar nada que o incriminasse ali. Há pessoas que passam por ali toda hora, seria idiota demais. Mexendo naqueles papéis inúteis, entre eles havia um número de t
Talvez eu estivesse enlouquecendo por passar tanto tempo sozinho, preciso de alguém para dividir a vida. Me sentindo exausto desse trabalho de médico, fico impaciente e o desânimo não vai embora. Aperto o botão da caneta um milhão de vezes ouvindo o barulhinho dela enquanto dezenas de pacientes me esperam lá fora, mas meu ânimo não está me ajudando para começar a atendê-los. Tento me controlar, não sair enlouquecendo por qualquer coisa e principalmente por causa de uma garota. Quando finalmente o dia acaba, dirijo pelas ruas chuvosas, estaciono o carro e entro em casa. Sentei na minha poltrona de frente para a janela e fiquei lá como todos os dias, no escuro. Quando você passa a ter tudo o que quer, as coisas começam a perder a graça ou talvez seja apenas o seu cérebro tentando te manipular e fazendo você pensar besteiras. Pego um telefone de fio em cima da mesa ao lado da janela, disco o número que decorei pelo tédio e então espero. Espero uns segundos até que do outro lado da l
Meu ponto de vista de um casal invejável, é de um casal no qual faria qualquer coisa um pelo outro. Esse ponto de vista representa o gosto das mulheres, a realidade masculina é bem diferente. Homens anseiam por garotas fodas, malucas, cheias de energia e adrenalina, mas que também aceitem tudo caladas, que sejam delicadas mas que também saibam como ser indelicadas quando é eles quem falham, porque até para surtar, precisa ser do jeito que agrada a eles. Não só isso, eles anseiam por garotas, não por mulheres. Querem uma garota que se vista de forma infantil e aja de forma infantilizada, porque foi dessa maneira que os homens foram educados, para cultuarem corpos infantis, corpos sem estrias, sem pelos, sem celulites, sem excesso de gordura e sem membros flácidos. Talvez os sociopatas não sejam nenhum pouco diferente disso, afinal, ainda se tratam de homens. Minha vida é uma completa farsa, e a dele também. Mas homens gostam disso, gostam de viver de farsas, de se sentir no topo do
O perfume de Sammy exalava e preenchia o carro inteiro, o cheiro dela era doce, feminino demais. Me deixava tonto, mas em um bom sentido. Cheirava a rosas, ela por completo já era uma flor. Queria olhar para ela por horas, mas se o fizesse, também iria querer tocá-la e ela não quer que eu a toque sexualmente, mesmo que não pareça, as minhas intenções não são nada sexuais. — Caso eu não tenha dito antes, está muito lindo. Meu sorriso desaparece, não porque tenha me incomodado. Mas porque eu gostei, meu estômago formigou e senti as mãos soarem um pouco. — Ah… obrigado. — Abri a boca diversas vezes para falar mas não sabia o que dizer enquanto a olhava de soslaio. — Me pediu para não ser promíscuo hoje, então não posso comentar sobre você, me desculpa. Sammy sorriu enquanto tocava minha mão sobre a alavanca de câmbio me fazendo olhar para ela de canto de olho. A beleza dela é tão pura que dói o coração, olhar para ela preenche um vazio meu que eu não sabia que tinha. Eu estava me
Vamos relembrar um pouco do antes? Me lembro perfeitamente do dia em que o mundo desabou. O enterro do meu pai, o Agente Especial Hernandez. O cemitério estava repleto de rostos sérios e desconhecidos, todos prestigiando o homem que dedicou sua vida à justiça e morreu em uma das missões. Depois de horas que o enterro havia encerrado, eu ainda estava lá, paralisada, segurando um buquê de flores brancas, olhando fixamente para a cova fechada. Meu coração estava despedaçado, como se cada batida me machucasse e fosse uma dor insuportável. Um daqueles homens se aproximou, mesma altura que a do meu pai, óculos de armação preta e não podia faltar o paletó muito bem modelado com cara de que havia custado rios de dinheiro. — Sinto muito. Seu pai era um herói. — Ele disse com um tom de voz confortador, mas nada poderia me confortar naquele momento. Ainda me lembro das lágrimas quentes escorrendo pelo meu rosto, o vento soprava e refrescava minha pele molhada, lembro da sensação de vazio e d
Observo ela comer, Sammy me olha de vez em quando e sorri. Aquele sorriso lindo de menininha que me encantava. As mãos pequenas segurando os talheres gigantes perto dela, come normalmente em nenhum momento aparentando ter dificuldade em saber o que fazer. Bebo um pouco de vinho e ponho a taça novamente em cima da mesa, a encaro enquanto ela ergue uma sobrancelha me olhando curiosa. — O que foi? — Questiona rindo consigo mesma. — Onde conseguiu o vestido? — Perguntei dando uma garfada na sobremesa e levando à boca. — Que pergunta mais invasiva de se fazer. — Ela brincou copiando a minha fala no carro. — É veludo. É um tecido bem caro. — Ergui a sobrancelha rapidamente enquanto falava. — Peguei emprestado. — Sammy deu de ombros. — Já teve namorado? — Mudei de assunto terminando de comer e me arrumando na cadeira para ver ela comer. Sammy fez uma careta me encarando com o olhar cheio de indignação. — Você me perguntou se eu já fui casado, mas não posso perguntar se você já teve na