No restaurante, Florence só percebeu, depois que o garçom serviu os pratos, que eram todas as suas comidas favoritas. Ela olhou para Ronaldo, sentindo-se profundamente tocada: — Irmão, não acredito que você ainda lembra do que eu gosto. Ronaldo serviu uma tigela de sopa de creme de cogumelos para ela, sorrindo com gentileza: — Eu lembro. Também lembro que você, na verdade, é uma gulosa. Só não comia muito à mesa de casa porque tinha medo de chamar atenção. Florence olhou para a tigela de sopa quente à sua frente e sentiu uma onda de emoções. Ela ergueu os olhos e fixou o olhar no homem caloroso e atencioso à sua frente. Ela sabia que não podia mais ignorar o que aconteceu com ele na vida passada. Ronaldo perdeu tudo, foi forçado a ir para um país distante e nunca mais conseguiu voltar. Nem mesmo o desejo de Melissa, no leito de morte, de "voltar às raízes" foi atendido. Lucian havia negado tudo. Lucian era implacável, alguém que não deixava ninguém escapar. Na vida passad
Mas ele usava a reputação dela como escudo para proteger Daphne. Na vida passada, depois de uma noite juntos, ele também a usara para calar as fofocas, sacrificando o trabalho dela para abrir um caminho mais fácil para Daphne. Agora, nesta vida, ele fazia o mesmo… Florence perdeu o apetite. Sem forças, ela largou o celular e virou o rosto para olhar pela janela. Uma sensação sufocante apertava seu peito. Do outro lado da mesa, Ronaldo franziu a testa ao perceber a expressão dela: — O que foi? Você está com uma cara horrível. Florence tomou um gole d’água para se recompor e respondeu: — Nada. Eu já estou cheia. Aquilo não tinha nada a ver com Ronaldo, e ela não queria envolvê-lo. Ronaldo a observou por um momento, então inclinou-se levemente e levantou a mão com delicadeza: — Já está tão crescida, mas ainda consegue comer com os lábios todos sujos. — O quê? Antes que Florence pudesse entender, a mão de Ronaldo pousou no rosto dela e limpou suavemente o canto dos
Assim que Florence voltou para o dormitório, viu que suas colegas, que já haviam chegado do trabalho, tinham preparado um bolo e trouxeram flores. — Parabéns! Bem-vinda de volta! — Obrigada. Ela aceitou as flores comovida, sentindo o coração aquecer. — Flor, eu assisti àquela parte do vídeo em que você explicava sobre o design das joias. Não sei por quê, mas me deu vontade de chorar. — E aquela resposta pra Daphne? Foi simplesmente perfeito, eu vibrei demais! — Ah, e sobre o que aconteceu na internet, pode ficar tranquila. Nós colocamos seus históricos de notas na faculdade, tudo certinho. A maioria das pessoas não é idiota. Deixe que vejam sua competência! Agora, Daphne deve estar se arrependendo daquele "like acidental". Florence ficou surpresa ao ouvir aquilo e rapidamente pegou o celular para conferir. Embora os comentários online ainda não tivessem mudado completamente, já havia um número crescente de pessoas percebendo a verdade. [Essas notas são certificadas pe
Lucian era um homem extremamente ocupado. Como seria possível ele "estar de passagem" por ali? Estava claro que ele viera apenas para acompanhar Daphne. Daphne, ao dizer aquilo, queria apenas reforçar para todos os presentes o quanto o relacionamento deles era próximo, fazendo com que todos sentissem a necessidade de tratá-la com deferência. E, como esperado, rapidamente começaram os elogios: — O Sr. Lucian e a Srta. Daphne realmente fazem um casal perfeito. — Sim, são o par ideal. É de causar inveja. Nesse momento, Florence abriu a porta e entrou. Sua chegada foi o suficiente para prender os olhares de alguns dos designers renomados convidados pela escola. Eram ex-alunos que já haviam conquistado fama no mercado. Os olhares iam e vinham, percorrendo-a da cabeça aos pés. Enquanto alguns tentavam ser discretos, outros sequer disfarçavam, encarando-a de maneira direta e incômoda. Florence sabia que não podia se dar ao luxo de ofender pessoas influentes da área. Ela manteve
O que Florence menos queria nesta vida era pedir ajuda a Lucian. Ela desviou o olhar e encarou o copo de uísque à sua frente. Sem hesitar, ergueu-o e tomou tudo de uma vez. O gesto fez Lucian parar no meio de um gole de café. Sua figura, sempre fria e imponente, emanava uma aura gelada e ameaçadora. No entanto, os três homens à frente de Florence não perceberam a mudança no clima e começaram a rir alto, divertidos. — Florence, que resistência! Aqui, beba outro comigo. — Se você bebeu com eles, tem que beber comigo também. Ou vai dizer que não vai me dar essa honra? Assim, Florence foi forçada a beber mais três copos. O álcool queimava sua garganta de forma insuportável, e suas mãos, antes firmes, agora mal conseguiam se fechar em punhos. Seu rosto adquirira um tom rosado intenso, tornando sua beleza ainda mais estonteante. Parecia uma cereja madura, brilhando de forma irresistível. Isso fez com que os olhares ao redor dela se tornassem ainda mais predatórios. Os três ho
Não se sabe quanto tempo passou até que Lucian finalmente soltasse Florence. Ela caiu contra a parede, completamente sem forças, respirando com dificuldade. Seus lábios, agora avermelhados e entreabertos, pareciam brincar com o controle que ele tentava manter. Lucian deu um passo à frente, mas Florence virou o rosto bruscamente, evitando-o. — Tio, o que você quer, afinal? Me humilhar e depois me ajudar? — O que você quer dizer com isso? Lucian levantou a mão calmamente e limpou o sangue no canto dos lábios. A mordida havia sido forte, o que deixava claro o quanto ela estava furiosa. Florence encarou aquele tom indiferente dele, como se nada tivesse acontecido, e sentiu a raiva crescer dentro de si. — Você ainda pergunta? Preciso mesmo te explicar tudo o que você fez por Daphne? Se você a ama tanto, por que está fazendo isso comigo? Na sua cabeça, eu sou tão insignificante assim? Alguém que você pode usar e pisar quando quiser? O amor de vocês dois não pode me deixar fora
Florence lançou um olhar para Daphne, que estava apoiada na mesa, com o rosto ruborizado pela embriaguez, e sentiu-se momentaneamente confusa. No entanto, como o diretor e os outros já haviam saído, ela decidiu que aquela seria sua última taça. Beberia, daria uma desculpa e sairia discretamente. Afinal, já havia tomado o remédio contra o álcool, e sabia que uma pequena dose não seria um problema. Quando pegou o copo e estava prestes a beber, a porta do salão se abriu bruscamente. Lucian entrou, exalando uma frieza cortante. Os três homens imediatamente mudaram de expressão, assumindo um ar mais contido. Um deles, tentando puxar assunto, perguntou com um sorriso forçado: — Sr. Lucian, o que aconteceu com o seu lábio? Parece machucado, está tudo bem? Lucian tocou o canto da boca com os dedos e respondeu, com um tom carregado de significado: — Foi uma mordida. Florence, ao ouvir aquilo, sentiu o rosto corar instantaneamente. Os três homens, no entanto, interpretaram o co
— Você! Sua vagabunda! — Aconselho que você me respeite. Aliás, enquanto vocês me forçavam a beber, eu aproveitei para gravar tudo. O vídeo está com uma das minhas colegas de quarto. Se eu não aparecer no dormitório no horário combinado, amanhã essas gravações vão estar em todos os sites de notícias. Vocês passaram anos construindo suas carreiras, não vão querer perder tudo por minha causa, né? Os três homens trocaram olhares, mas não pareciam realmente intimidados. Um deles até riu com desdém: — Isso aqui é uma festa de celebração. Nós só viemos por respeito ao diretor. Beber um pouco faz parte de qualquer festa. E, se quisermos, podemos dizer que foi você quem deu a entender que estava interessada. Outro acrescentou, com um sorriso cínico: — Olha para essa sua roupa. Está claro que você veio para nos provocar. As pessoas na internet não têm pena de mulheres que dizem ser vítimas, elas gostam mesmo é de histórias de mulheres que “caíram em tentação” por conta própria. O te