Mia tocava a barriga avantajada enquanto fazia um chá. Sabia que a única coisa que a faria relaxar, seria aquele chá. E como os trigêmeos tinham caído no sono, ela se deu ao luxo de preparar uma xícara e se sentar no sofá a espera de seu marido e filho. O do meio, no caso. Não estava preocupada, só muito curiosa. O que os dois estariam fazendo até aquela hora fora de casa? Não que fosse assim tão tarde. A verdade era que não passava das sete da noite. Mesmo assim, ela queria ambos em casa, principalmente para aplacar sua curiosidade. — Mamãe? Mia se virou para o garotinho na porta da sala. — Ainda acordada? — É claro, eu estava esperando meus garotos. Liam se aproximou e a beijou nos lábios suavemente. — Demoramos, mas foi por uma boa causa. — Nós fomos alegrar algumas crianças. Mia franziu o cenho, mas compreendeu assim que a explicação veio de seu garotinho, o que a deixou emocionada e muito orgulhosa, principalmente quando a ideia tinha sido toda dele. — Acho que me
O dia amanheceu um pouco chuvoso, mas nem por isso impediu a família de se levantar para começar a rotina. Eles só não estavam mais desanimados que de costume, porque era o último dia de aula da semana. E como diziam por aí: sextou! Thomas já fazia todo tipo de plano para ficar em casa o restante todinho do dia, afinal estava frio, mas claro que em companhia de sua namorada. Quanto a Natalie, ela só desejava que os professores tivessem preguiça e desistissem de ir à escola naquele dia. Era o que ela mais queria. E torcia para que acontecesse, mesmo que ela soubesse que era inútil. Bryan era outro que estava não só desanimado, mas também muito pensativo. E o motivo era Holly. Ele ainda não conseguia aceitar ter que conviver com ela. Principalmente depois que ela o chantageou. Ela dizia que era porque era a única forma de ficar perto dele, mas por que então ele sentia que havia algo a mais? — Bom dia, meus amores. — Para quem? — Que dia insuportável. — Eu quero voltar para a minh
— Quer ajuda com a capa? Bryan não respondeu, apenas retirou a capa de chuva e a colocou no suporte ao lado antes de se sentar de frente para ela. Holly. Se pudesse, ele estaria com a mãe, o pai e os irmãos em casa, mas infelizmente tinha uma promessa para cumprir. Era por uma boa causa, afinal. Mas isso não queria dizer que estava disposto a ser razoável com aquela mulher. Ainda que ela tivesse sempre um sorriso nos lábios. Aquele sorriso irritante. Ele começava a odiar a própria mãe. Bem, não que ela fosse realmente uma mãe, mas ela quem deu à luz a ele, então... Holly era insistente. Ela não aceitava um não dele. Para o que fosse. Inclusive para o presente que deu a ele há dias atrás. Ele quis devolver a ela, mas ela praticamente o obrigou a aceitar. Será que ela achava mesmo que iria comprá-lo com aquelas coisas? E por que motivo ela estava tão ansiosa para ter algo dele? Queria entender. — Essa chuva está se arrastando. Sério que ela queria começar a falar sobre a chuva? El
— Você está tão quieto. Nem parece você. Thomas nem tinha percebido que estava aéreo até escutar a namorada chamar sua atenção com as palavras mais verdadeiras do mundo. Ele estava mesmo. Muito. E desde que aqueles encontros entre seu irmãozinho e aquela mulher vinham acontecendo. Pela primeira vez, ele conheceria a casa dela. Seus pais odiaram a ideia, mas Bryan quis, então eles aceitaram. Thomas não conseguia compreender o motivo do irmão estar dando tanta confiança para Holly, principalmente quando ele tinha se decidido a manter distância. Logo que conheceu Nathan. Logo que ouviu do pai biológico que sua mãe biológica não valia nada. Não nessas palavras, mas ainda assim... E agora eles estavam lá. Sozinhos. Conversando. Ou sei lá o que estariam fazendo. E Thomas não parava de se preocupar. Provavelmente os pais dele estavam tão preocupados quanto ele. Ou Natalie. Ou Nathan. Ou cada um de sua família. Seus avó também não estavam gostando daquela história, seus tios menos ainda, m
— Ezra. O jovem ignorou a namorada completamente, abafando a voz dela com seus lábios. Eles estavam sozinhos na sala, e mesmo sabendo que Mia poderia descer a qualquer momento, ele queria aproveitar um pouquinho aquele momento. Era difícil estar com ela assim. Não que ele tivesse a intenção de fazer qualquer coisa que ela não quisesse, ele jamais faria isso, mas ela nunca resistia a seus beijos, então por que não usar o útil ao agradável? Eles tinham ficado um bom tempo de babá dos trigêmeos, e essa nem era a intenção dele quando chegou à casa dela debaixo daquela chuva. Mas sua tia quis levar Bryan à casa da megera, e como ele compreendia a situação, concordou em ficar de babá junto a Natalie. Quando ela chegou, eles já tinham almoçado e tomado um banho. — Ezra. — Hum? Ela percebeu que ele não estava realmente se importando com ela tentando dizer algo. Na verdade, afastá-lo, e só porque temia que a mãe aparecesse. — Ezra. — Diga. Ela suspirou quando sentiu os lábios dele
— Mia... — Não... me interrompa. Ela já estava dando um sermão há uma hora. Será que era exagero? Porque ele tinha certeza, ou quase, de que havia mesmo se passado uma hora. Uma hora de pura dor. Dor porque teve de escutar verdades duras e cruéis, e sem poder dizer uma palavra porque isso a deixava mais furiosa. Sabia que Natalie estava crescendo, sabia que ela estava namorando, e que como todo jovem, estava conhecendo coisas novas em um relacionamento, mas sexo? Ela era nova demais. Ele não queria que acontecesse ainda. Mas era verdade que essa não era uma decisão que ele deveria tomar, mas ela. Mesmo sendo seu pai, ele não tinha esse direito. E também não tinha o direito de ter constrangido ela daquela forma, menos perto do namorado dela. Sim, ele compreendia isso, e concordava com a esposa que tinha sido insensível, mas ele era pai. E era difícil ser pai de uma adolescente que estava namorando. — Você foi jovem, Liam. Você agiu à sua maneira, namorou bastante, saiu bastante, u
Natalie estava magoada, e envergonhada, e sentia mais algumas coisas mais. Queria se esconder para sempre. Até do namorado. Sabia que estava errada, que não devia estar namorando daquele jeito na casa do pai, e na sala ainda por cima, mas seu pai não podia ter constrangido ela daquela maneira. Falando sobre sexo e sobre a virgindade dela. Até ela tinha dificuldades de falar sobre, e ele falava daquele jeito perto de Ezra. Jamais imaginou que se sentiria tão constrangida na vida. E talvez só por se sentir magoada com o pai que disse todas aquelas coisas. Constrangedoras, mas verdadeiras. Ela estava mesmo pronta. Ela queria mesmo se entregar a Ezra, mas queria ter dito isso a ele, e só a ele, e não a ele e seu pai, e agora os dois estavam sabendo. E sua mãe. Tinha certeza de que ela tinha escutado. Natalie resmungou, e chorosa, escondeu o rosto no travesseiro. Pronto, agora ela ia chorar. Odiava chorar. Ainda mais quando se sentia uma criança quando chorava daquela forma. Mas tinha mo
Thomas tentava não gargalhar do pai. Da cara dele. De como ele fuzilava Ezra durante todo o jantar. Mas era difícil. Muito difícil. Principalmente quando se lembrava do motivo de ele estar com um humor daqueles. Não que alguém tivesse contado a ele, apenas escutou sua mãe sendo dura com seu pai antes do jantar, e acabou descobrindo o motivo. Céus, sua irmãzinha não tinha sorte. Ele já tinha ficado com Belle ali várias vezes, inclusive, a primeira vez deles foi em seu quarto. Seus pais estavam fora junto com seus irmãos, Natalie estava em um encontro, as escondidas, porque o pai ainda não sabia do namoro dela, e ele aproveitou para organizar uma noite perfeita para a namorada. E foi perfeita. Mesmo que tivesse sido a primeira, mesmo que já tivesse escutado o quanto a primeira vez era dolorosa e nada agradável. Para ele foi. E para ela também. — Pai, o senhor teve um bom dia? Liam trocou um olhar com a esposa antes de murmurar e só então perguntar de volta: — Por que a pergunta? —