KarevJoguei minha mochila no chão com força, tentando aliviar a tensão que tomava meu corpo.O nome Alfa Aslam não significava nada para mim.Mas a sensação no meu peito dizia o contrário.Algo estava errado.Muito errado.— Quer que eu vá com você? — Meu pai perguntou, cruzando os braços.Ahmet Khalid nunca foi um homem de se envolver em assuntos que não lhe diziam respeito, mas sempre protegia os seus.Se havia um homem desconhecido esperando por mim, ele queria garantir que eu não entrasse em uma enrascada.Mas se minha mãe não sabia a verdade sobre Gabriel, então era muito provável que meu pai também não soubesse.E se esse Alfa Aslam fosse mesmo um lobo... então ele não tinha ideia do que estava lidando.— Não. — Respondi, minha voz saindo mais dura do que eu pretendia.Ele me estudou por um instante, então assentiu.— Se precisar de algo, estarei aqui.Balancei a cabeça, mas não disse mais nada.Respirei fundo e segui para o escritório.No momento em que atravessei a porta, meu
KarevO ar dentro do escritório parecia pesado, como se estivesse carregado por algo invisível. Minha pele queimava como brasas vivas, e a tensão pulsava em minhas veias como um tambor de guerra.Alfa Aslam tinha ido embora, mas o efeito que deixou em mim ainda vibrava pelo meu corpo, me deixando inquieto, furioso, à beira de um colapso que eu nem sabia como controlar.Meu lobo estava à flor da pele.A presença daquele homem, a forma como ele falou de Mallory, tudo me fez querer arrancar sua garganta com as próprias mãos.O pior de tudo era saber que ele não a queria por desejo ou amor.Ele a queria como um prêmio.Um acordo político.Uma posse.Meu rosnado ecoou no silêncio da sala, reverberando pelo espaço como um trovão abafado.Meus pais congelaram.— Karev! — Minha mãe, Dilsan, chamou meu nome com urgência.Ela nunca me olhou daquela forma antes. Com medo.Minha mandíbula travou.Eu não queria que ela me olhasse assim.Eu não queria ser um monstro na frente dela.— O que está aco
KarevO silêncio na sala era ensurdecedor.Dilsan e Ahmet me olhavam como se eu tivesse acabado de dizer que matei alguém.Minha mãe piscou várias vezes, como se tentasse processar minhas palavras.E então, soltou um riso nervoso.— Isso é alguma piada?Eu não respondi.Minha mandíbula estava travada, meu peito ainda queimava.Ela olhou para Ahmet, como se procurasse apoio, mas ele estava tão rígido quanto ela.— Karev... — Seu tom ficou mais sério. — Você está usando drogas?Meu olhar se voltou para ela, gelado.— O quê?— Ou então bateram na sua cabeça muito forte nos Estados Unidos. — Ahmet acrescentou, a voz carregada de incredulidade.Minha paciência já estava no limite.— É sério.Dilsan ergueu as mãos, exasperada.— Ah, sim, claro. Meu filho acabou de me dizer que é metade humano, metade lobo.Ela bufou, nervosa.— E você quer que eu acredite nisso?Ahmet soltou o ar pesadamente.— Filho, escuta... Gabriel envenenou sua cabeça. Ele deve ter te contado essas mentiras para te con
MallorySeis meses.Seis malditos meses.Foi exatamente esse o tempo que esperei por Karev.Seis meses adiando essa cerimônia, encontrando desculpas para atrasar o inevitável, tentando ganhar tempo.Tentando me convencer de que ele voltaria.Mas ele não voltou.Nenhuma ligação. Nenhuma mensagem. Nenhum sinal de vida.Era como se ele nunca tivesse existido.E agora, aqui estava eu, sendo arrumada para ser oferecida como um maldito prêmio.Minha mãe estava atrás de mim, os dedos ágeis trançando meu cabelo com força demais, como se aquele penteado pudesse conter sua frustração.Mas ela não era a única irritada.— Isso é a pior coisa que eu já vi na minha vida. — Ela resmungou, puxando uma mecha com mais força do que o necessário.— Mãe... — Suspirei, tentando conter minha própria revolta.— Não! — Ela jogou a escova na mesa com um estalo. — Eu odeio isso. Odeio cada detalhe. Odeio esse torneio. Odeio esses lobos ridículos que acham que podem disputar minha filha como um troféu.Fechei os
MalloryMeu coração ainda martelava contra minhas costelas enquanto a cerimônia continuava.Mas eu não prestava atenção em nada.Porque Karev estava ali.Porque Karev tinha voltado.E, pior, porque ele me olhava como se eu fosse dele.Aquele maldito sorriso de deboche no rosto. Aquele jeito despreocupado, mas com os olhos escuros e selvagens.Ele sabia exatamente o que estava fazendo comigo.E isso me deixava louca.Ele desapareceu por seis meses. Seis malditos meses.E agora ele simplesmente surgia na cerimônia como se nada tivesse acontecido?Eu precisava falar com ele.Agora.Minha loba estava agitada dentro de mim, e eu sabia que, se não tomasse uma atitude, eu acabaria fazendo algo insano na frente de todo mundo.Assim que meu pai fez a última apresentação dos candidatos, eu me levantei discretamente e sai da área principal da cerimônia.Ele me viu saindo.E ele sabia.Eu queria um reencontro longe dos olhos de todos.Porque se eu fosse confrontá-lo, seria do meu jeito.Andei pe
MalloryO cheiro dele ainda estava em mim.Por mais que eu tentasse ignorar, meu corpo inteiro ainda pulsava com a lembrança do que aconteceu. O toque firme de suas mãos na minha pele, o calor da sua boca explorando cada centímetro do meu corpo, o jeito que ele me tomou como se nunca tivesse separados.Mas estavamos.E agora, depois de seis meses de silêncio, Karev simplesmente surgia, como se nada tivesse acontecido, exigindo seu lugar. Como se pudesse reivindicar todo meu ser.Minha mente ainda estava confusa quando Cameron e Astoria me interceptaram antes que eu voltasse para a cerimônia. Seus olhos arregalados me diziam que já haviam percebido.E então, Cameron me pegou pelo braço, os lábios se abrindo em choque.— Pelo amor da Deusa, Mallory! — exclamou, puxando-me para mais perto. — Você está CHEIRANDO a ele!Meu corpo congelou.Astoria cobriu o rosto com as mãos, como se quisesse se esconder da vergonha que nem era dela.— Todo mundo vai perceber, sua maluca!Engoli em seco, me
KarevO cheiro de Mallory ainda estava impregnado em mim.E, pelo modo como Gabriel fechou os olhos com força, inspirando longamente, eu soube que ele percebeu.Ele ficou assim por alguns segundos, como se estivesse reunindo paciência antes de falar. Então, sem nem me olhar, disse:— Eu falei para você esperar antes de ir atrás dela.Sorri, um sorriso preguiçoso e debochado.— E eu te disse que esperar não é meu forte. Ainda mais depois que me proibiram de falar com ela por 6 meses.Gabriel abriu os olhos e me lançou um olhar exasperado, seu maxilar travado.— O cheiro dela está em você.Dei de ombros, fingindo que não me importava.Mas a verdade?Eu gostava disso.Gostava de saber que todos perceberiam, que todos sentiriam em mim o que aconteceu entre nós há pouco tempo. Que ninguém mais teria o direito de tocá-la.— E? — Minha voz saiu despretensiosa, mas eu vi quando os olhos de Gabriel brilharam com algo severo.Ele cruzou os braços.— E isso vai criar problemas.A risada que saiu
KarevO quarto era espaçoso, mas a presença imponente de Gabriel fazia o ambiente parecer menor, quase sufocante.Encostado na parede, braços cruzados sobre o peito, ele me observava com aquele olhar analítico e severo, típico de quem estava prestes a me lançar um sermão que eu não queria ouvir.— Você precisa parar de provocar os outros concorrentes.Soltei um suspiro impaciente e passei a mão pelos cabelos.— Não estou provocando ninguém.Gabriel cruzou os braços e me analisou como se estivesse diante de um adolescente problemático.— Sério? Porque eu ouvi dizer que você quase avançou em Modrik hoje.Minha mandíbula travou ao lembrar da cara daquele desgraçado.— Ele falou merda.— E você vai ouvir muita merda antes do torneio acabar. Se não aprender a se controlar, vão usar isso contra você. Um verdadeiro Alfa sabe as batalhas que deve entrar.Meus braços se cruzaram automaticamente, segurando a fúria que crescia dentro de mim.— Se ele disser de novo que Mallory vai ficar de joelh