KarevEu não conseguia desviar o olhar dela.A provocação ainda estava no ar, como um desafio silencioso entre nós."Você já me teve antes. Mas não como um lobo."As palavras de Mallory ainda vibravam dentro de mim, misturadas à adrenalina da luta e ao calor que queimava sob minha pele.Ela sabia exatamente o que estava fazendo.E sabia que estava funcionando.Minha respiração estava pesada, meu corpo ainda pulsava da surra que levei de Gabriel. Mas nada disso importava mais. Não quando o cheiro dela estava me envolvendo dessa forma. Eu nunca tinha notado antes. Ou talvez tivesse, mas não como agora.O cheiro de Mallory era quente, amadeirado, com um toque levemente adocicado, como algo viciante. Ele entrava nos meus pulmões e ia direto para a corrente sanguínea, me intoxicando. Meu corpo inteiro reagia a isso, como se algo dentro de mim reconhecesse seu perfume e implorasse por mais.Ela sabia disso.Seu olhar era puro desafio. Seu corpo se movia de maneira calculada, provocante, esp
KarevO olhar de Mallory me desafiava a ir além. A me render ao que já era inevitável.Ela sabia o que estava fazendo. Sabia como cada parte do meu corpo reagia aos seus toques, aos seus olhares, ao simples fato de sua pele roçar na minha.E, naquele momento, eu não queria mais lutar contra isso.Seus dedos percorreram meu peito, explorando as marcas da luta. Seu toque era firme, mas ao mesmo tempo delicado, como se estivesse redescobrindo cada pedaço de mim. Meu corpo inteiro pulsava em resposta, um misto de desejo e algo mais profundo que eu ainda não sabia explicar.Mallory me puxou para um beijo, e foi como se meu mundo pegasse fogo.O beijo foi intenso, feroz, carregado de algo primal. Minha boca tomava a dela com fome, minha língua explorava cada canto, como se precisasse gravar seu gosto em mim. Ela gemeu contra meus lábios, e um rosnado grave escapou do fundo do meu peito.Ela sorriu, satisfeita.— Isso... — murmurou contra minha boca. — É disso que estou falando.O calor entr
Karev— KAREV, NÃO!A voz de Mallory cortou o nevoeiro na minha mente como uma lâmina afiada, mas o instinto já havia assumido o controle.Meus pés se moviam antes que minha mente pudesse intervir. Meu corpo inteiro vibrava com a necessidade de atacar. A floresta parecia mais nítida do que nunca, os cheiros mais intensos, cada som amplificado. Eu sentia o chão úmido sob os pés descalços, o vento cortando minha pele quente, o cheiro da terra misturado ao de Mallory.Mas havia algo mais ali.Algo que não pertencia.O estrondo da minha própria pulsação era tudo o que eu ouvia, até que uma voz carregada de tédio e irritação interrompeu minha corrida.— Pelo amor da Deusa, irmã! Segura teu macho. Estou aqui apenas para dar um recado.Minha visão se ajustou ao escuro e então a vi: Astoria, parada entre as árvores com os braços cruzados e uma expressão de puro desdém.Minha respiração era irregular. Meu peito subia e descia com força, e eu sentia meu lobo rosnando dentro de mim, ainda pronto
MalloryA água estava perfeita.Fresca, límpida, deslizando suavemente pela minha pele como um convite para algo proibido.Eu me virei na cachoeira, deixando meu corpo flutuar, observando Karev parado na margem, ainda esbaforido da corrida.Ele estava uma visão selvagem.Os cabelos desgrenhados, a pele quente brilhando sob a luz da lua, o peito subindo e descendo rápido, os músculos tensos como se ele ainda não tivesse aceitado que perdeu.Sorri, satisfeita."Tão previsível."Ele ergueu uma sobrancelha.— O que foi?Meu sorriso cresceu.— Você não vai entrar?Karev cruzou os braços, os olhos analisando a água com desconfiança.— E se tiver animais peçonhentos?A risada saiu antes que eu pudesse evitar.Joguei a cabeça para trás e gargalhei, sentindo a água fria deslizar por meu pescoço.— Você tá falando sério?— Sim. — Ele resmungou. — Pode ter cobras aí dentro.O riso só aumentou.— Não acredito que um lobo tem medo de cobra!Ele franziu o cenho, claramente irritado.— Não é medo. É
KarevA caminhada até a casa de Ragnar foi silenciosa.Minutos atrás, Mallory estava brincando, me provocando, me fazendo esquecer de tudo que não fosse seu toque. Agora, ela estava distante. Seu corpo se movia de maneira contida, menos solta, como se estivesse trancada dentro da própria mente.Aquilo me incomodava.Queria perguntar mais sobre o que aconteceu. Queria entender por que falar daquele cara mexeu tanto com ela. Mas pelo jeito que mantinha os olhos fixos à frente, fechada em sua própria bolha, ficou claro que esse não era o momento.A casa de Ragnar surgiu entre as árvores, imponente e iluminada. As sombras de quem nos esperava podiam ser vistas através das janelas. Assim que cruzamos a porta, todos os olhares se voltaram para nós.Ragnar.Cameron.Astoria e Connor.E, para minha surpresa, Gabriel.Meu corpo ficou tenso.Minha mandíbula travou. Meu peito subiu e desceu lentamente enquanto tentava controlar o desconforto que cresceu no meu estômago.Minha primeira reação foi
MalloryO silêncio que se seguiu foi ensurdecedor.Meu coração martelava contra minhas costelas enquanto Ragnar me encarava, os olhos negros avaliando cada mínima expressão.— O que você quer fazer, Mallory? — Sua voz era calma, mas carregada de tensão.O peso dos olhares ao meu redor era sufocante.Minhas irmãs estavam rígidas, a indignação estampada em seus rostos. Cameron e Astoria já tinham decidido que essa ideia era absurda e esperavam que eu concordasse sem hesitação.Mas eu não podia.Minha mente girava, analisando cada consequência.Se eu recusasse, poderia colocar meu pai em uma posição vulnerável. Se rejeitasse sem apresentar uma alternativa, isso poderia ser visto como uma afronta, algo que tornaria Ragnar responsável por resolver a crise.Eu não queria isso.Eu não podia deixar isso acontecer.Astoria foi a primeira a se manifestar.— Isso é um absurdo! Vamos dar um jeito, Lory. Não precisamos disso!— É isso! — Cameron concordou, a fúria brilhando em seus olhos. — Ragnar
KarevEu queria ir atrás dela.Cada célula do meu corpo gritava para correr naquela direção, impedi-la de tomar aquela decisão absurda, forçá-la a me encarar e admitir que não poderia simplesmente me descartar.Mas antes que eu pudesse me mover, uma mão forte segurou meu braço.Rosnei, girando o corpo para encarar Gabriel.— Sai da minha frente.Ele me olhou com um misto de paciência e determinação.— Não.Puxei meu braço, mas ele segurou firme. Meu lobo rugiu, a frustração crescendo dentro de mim, pronta para explodir.Então Gabriel rosnou.Baixo, profundo, carregado de autoridade.Minha respiração falhou.Meu lobo congelou no lugar.Minha mente gritava para continuar, para quebrar aquela barreira invisível e correr atrás de Mallory, mas algo dentro de mim se recusava a se mover.— Que merda foi essa? — Falei entre dentes, me afastando com força.Gabriel apenas me observou.— Seu lobo reconhece o comando de um superior.Minha raiva dobrou.— Eu não reconheço ninguém como superior.Ra
KarevEu não dormi.A noite inteira, fiquei deitado na cama do apartamento alugado, encarando o teto escuro, enquanto minha mente rodava sem parar.Gabriel tentou me convencer a esquecer essa história. Ele passou quase uma hora repetindo que eu não sabia no que estava me metendo, que essa briga não era minha, que eu deveria simplesmente voltar para minha vida e esquecer Mallory Reynolds.Mas ele não entendia.Ele não sentia o que eu sentia.Cada vez que a palavra "rejeição" ecoava na minha mente, meu lobo se contorcia de ódio.A sensação era sufocante. Como se alguém tivesse enfiado a mão dentro do meu peito e esmagado algo essencial dentro de mim.Rejeição.Eu fui rejeitado.Tentei respirar fundo, ignorar o peso dessa palavra, mas era impossível.O peito ardia.O sangue fervia.Peguei o celular e disquei o número dela pela quarta vez naquela madrugada.Desligado.— Droga! — Rosnei, jogando o aparelho contra o colchão.Ela não queria falar comigo.Ela não queria saber o que eu tinha a