MalloryA água estava perfeita.Fresca, límpida, deslizando suavemente pela minha pele como um convite para algo proibido.Eu me virei na cachoeira, deixando meu corpo flutuar, observando Karev parado na margem, ainda esbaforido da corrida.Ele estava uma visão selvagem.Os cabelos desgrenhados, a pele quente brilhando sob a luz da lua, o peito subindo e descendo rápido, os músculos tensos como se ele ainda não tivesse aceitado que perdeu.Sorri, satisfeita."Tão previsível."Ele ergueu uma sobrancelha.— O que foi?Meu sorriso cresceu.— Você não vai entrar?Karev cruzou os braços, os olhos analisando a água com desconfiança.— E se tiver animais peçonhentos?A risada saiu antes que eu pudesse evitar.Joguei a cabeça para trás e gargalhei, sentindo a água fria deslizar por meu pescoço.— Você tá falando sério?— Sim. — Ele resmungou. — Pode ter cobras aí dentro.O riso só aumentou.— Não acredito que um lobo tem medo de cobra!Ele franziu o cenho, claramente irritado.— Não é medo. É
KarevA caminhada até a casa de Ragnar foi silenciosa.Minutos atrás, Mallory estava brincando, me provocando, me fazendo esquecer de tudo que não fosse seu toque. Agora, ela estava distante. Seu corpo se movia de maneira contida, menos solta, como se estivesse trancada dentro da própria mente.Aquilo me incomodava.Queria perguntar mais sobre o que aconteceu. Queria entender por que falar daquele cara mexeu tanto com ela. Mas pelo jeito que mantinha os olhos fixos à frente, fechada em sua própria bolha, ficou claro que esse não era o momento.A casa de Ragnar surgiu entre as árvores, imponente e iluminada. As sombras de quem nos esperava podiam ser vistas através das janelas. Assim que cruzamos a porta, todos os olhares se voltaram para nós.Ragnar.Cameron.Astoria e Connor.E, para minha surpresa, Gabriel.Meu corpo ficou tenso.Minha mandíbula travou. Meu peito subiu e desceu lentamente enquanto tentava controlar o desconforto que cresceu no meu estômago.Minha primeira reação foi
MalloryO silêncio que se seguiu foi ensurdecedor.Meu coração martelava contra minhas costelas enquanto Ragnar me encarava, os olhos negros avaliando cada mínima expressão.— O que você quer fazer, Mallory? — Sua voz era calma, mas carregada de tensão.O peso dos olhares ao meu redor era sufocante.Minhas irmãs estavam rígidas, a indignação estampada em seus rostos. Cameron e Astoria já tinham decidido que essa ideia era absurda e esperavam que eu concordasse sem hesitação.Mas eu não podia.Minha mente girava, analisando cada consequência.Se eu recusasse, poderia colocar meu pai em uma posição vulnerável. Se rejeitasse sem apresentar uma alternativa, isso poderia ser visto como uma afronta, algo que tornaria Ragnar responsável por resolver a crise.Eu não queria isso.Eu não podia deixar isso acontecer.Astoria foi a primeira a se manifestar.— Isso é um absurdo! Vamos dar um jeito, Lory. Não precisamos disso!— É isso! — Cameron concordou, a fúria brilhando em seus olhos. — Ragnar
KarevEu queria ir atrás dela.Cada célula do meu corpo gritava para correr naquela direção, impedi-la de tomar aquela decisão absurda, forçá-la a me encarar e admitir que não poderia simplesmente me descartar.Mas antes que eu pudesse me mover, uma mão forte segurou meu braço.Rosnei, girando o corpo para encarar Gabriel.— Sai da minha frente.Ele me olhou com um misto de paciência e determinação.— Não.Puxei meu braço, mas ele segurou firme. Meu lobo rugiu, a frustração crescendo dentro de mim, pronta para explodir.Então Gabriel rosnou.Baixo, profundo, carregado de autoridade.Minha respiração falhou.Meu lobo congelou no lugar.Minha mente gritava para continuar, para quebrar aquela barreira invisível e correr atrás de Mallory, mas algo dentro de mim se recusava a se mover.— Que merda foi essa? — Falei entre dentes, me afastando com força.Gabriel apenas me observou.— Seu lobo reconhece o comando de um superior.Minha raiva dobrou.— Eu não reconheço ninguém como superior.Ra
KarevEu não dormi.A noite inteira, fiquei deitado na cama do apartamento alugado, encarando o teto escuro, enquanto minha mente rodava sem parar.Gabriel tentou me convencer a esquecer essa história. Ele passou quase uma hora repetindo que eu não sabia no que estava me metendo, que essa briga não era minha, que eu deveria simplesmente voltar para minha vida e esquecer Mallory Reynolds.Mas ele não entendia.Ele não sentia o que eu sentia.Cada vez que a palavra "rejeição" ecoava na minha mente, meu lobo se contorcia de ódio.A sensação era sufocante. Como se alguém tivesse enfiado a mão dentro do meu peito e esmagado algo essencial dentro de mim.Rejeição.Eu fui rejeitado.Tentei respirar fundo, ignorar o peso dessa palavra, mas era impossível.O peito ardia.O sangue fervia.Peguei o celular e disquei o número dela pela quarta vez naquela madrugada.Desligado.— Droga! — Rosnei, jogando o aparelho contra o colchão.Ela não queria falar comigo.Ela não queria saber o que eu tinha a
KarevDubai nunca pareceu tão diferente para mim.O calor ainda queimava minha pele, o cheiro do mar misturado à poeira quente ainda impregnava o ar, e as luzes da cidade ainda piscavam como diamantes sob o sol inclemente.Mas algo estava errado.Ou talvez eu estivesse errado.Meus pés tocaram o solo firme do aeroporto e um peso invisível pressionou meu peito, como se cada passo que me afastava de Denver arrancasse um pedaço de mim.Como se deixasse para trás algo que eu não deveria ter abandonado.Algo que meu lobo não queria soltar.Mallory.Fechei os olhos por um instante, me forçando a ignorar o aperto na garganta.— Karev!Abri os olhos a tempo de ver minha mãe vindo em minha direção.Dilsan Khalid era a personificação da elegância e do controle. Refinada, firme e sempre impecável. Mas, acima de tudo, era minha mãe.E naquele momento, nada mais importava.Quando seus braços me envolveram em um abraço apertado, eu me permiti afundar ali. Apenas por um instante.— Meu filho, senti
KarevJoguei minha mochila no chão com força, tentando aliviar a tensão que tomava meu corpo.O nome Alfa Aslam não significava nada para mim.Mas a sensação no meu peito dizia o contrário.Algo estava errado.Muito errado.— Quer que eu vá com você? — Meu pai perguntou, cruzando os braços.Ahmet Khalid nunca foi um homem de se envolver em assuntos que não lhe diziam respeito, mas sempre protegia os seus.Se havia um homem desconhecido esperando por mim, ele queria garantir que eu não entrasse em uma enrascada.Mas se minha mãe não sabia a verdade sobre Gabriel, então era muito provável que meu pai também não soubesse.E se esse Alfa Aslam fosse mesmo um lobo... então ele não tinha ideia do que estava lidando.— Não. — Respondi, minha voz saindo mais dura do que eu pretendia.Ele me estudou por um instante, então assentiu.— Se precisar de algo, estarei aqui.Balancei a cabeça, mas não disse mais nada.Respirei fundo e segui para o escritório.No momento em que atravessei a porta, meu
KarevO ar dentro do escritório parecia pesado, como se estivesse carregado por algo invisível. Minha pele queimava como brasas vivas, e a tensão pulsava em minhas veias como um tambor de guerra.Alfa Aslam tinha ido embora, mas o efeito que deixou em mim ainda vibrava pelo meu corpo, me deixando inquieto, furioso, à beira de um colapso que eu nem sabia como controlar.Meu lobo estava à flor da pele.A presença daquele homem, a forma como ele falou de Mallory, tudo me fez querer arrancar sua garganta com as próprias mãos.O pior de tudo era saber que ele não a queria por desejo ou amor.Ele a queria como um prêmio.Um acordo político.Uma posse.Meu rosnado ecoou no silêncio da sala, reverberando pelo espaço como um trovão abafado.Meus pais congelaram.— Karev! — Minha mãe, Dilsan, chamou meu nome com urgência.Ela nunca me olhou daquela forma antes. Com medo.Minha mandíbula travou.Eu não queria que ela me olhasse assim.Eu não queria ser um monstro na frente dela.— O que está aco