Karev
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A palavra martelava em minha mente, pesada como chumbo, enquanto eu tentava ignorar o calor pulsante que percorria cada centímetro do meu corpo.
Mallory estava ali, me observando, a expressão séria, os olhos azuis fixos nos meus. Sua mão quente ainda pressionava meu peito momentos antes, como se quisesse me ancorar à realidade. Mas que realidade era essa? A que eu conhecia desde sempre ou essa nova que se desenrolava diante de mim?
Minha pele ainda formigava. Meu peito subia e descia rapidamente, como se meus pulmões estivessem tentando acompanhar o ritmo frenético da minha mente. Era como se meu próprio corpo estivesse sendo puxado em duas direções opostas, uma luta silenciosa entre o que eu pensava ser e o que, aparentemente, eu realmente era.
— Levanta. — A voz de Gabriel quebrou o silêncio.
Meu olhar encontrou o dele. O homem que eu deveria chamar de pai estava parado, os braços cruzados, a expressão impassível. Ele parecia inabalável, como se nada naquele momento fosse inesperado.
Mas para mim, era como se o mundo tivesse virado de cabeça para baixo.
A irritação cresceu dentro de mim. Ele não parecia surpreso, não parecia afetado, enquanto tudo dentro de mim gritava, tentando encontrar um ponto de equilíbrio.
— Levanta, Karev. — Ele repetiu, dessa vez mais firme.
Mallory deu um passo para trás, e eu me obriguei a erguer o corpo. Minhas pernas estavam pesadas, como se carregassem o peso de algo invisível.
Gabriel me avaliou por um momento, então deu um passo à frente e apontou para o ringue.
— Sobe.
Minha mandíbula se contraiu.
— Mais luta?
Ele me olhou como se eu fosse um idiota.
— Se quer entender o que está acontecendo com você, precisa aprender a canalizar seu instinto. Você está cheio de energia, cheio de algo que não sabe nomear. Isso precisa ser usado da maneira certa.
Ele subiu no ringue, os músculos relaxados, mas seus olhos atentos.
— Eu vou te ensinar a controlar isso.
Minha pele formigava. Meu sangue fervia.
— Então você quer que eu lute com você.
Um sorriso irônico surgiu no canto dos lábios dele.
— Quero que tente sobreviver.
O ar ao meu redor pareceu ficar mais denso.
Mallory permaneceu em silêncio, mas vi a tensão em seu rosto. Ela sabia que aquilo não seria apenas um treino.
Eu inspirei fundo, subindo no ringue, os músculos tensos.
— Isso é um treinamento ou um acerto de contas?
O brilho afiado no olhar dele me deu a resposta antes mesmo que falasse.
— Talvez os dois.
E então ele avançou.
Não houve aviso. Não houve tempo para reagir.
O punho dele atingiu meu abdômen como um raio, me tirando o fôlego. Meu corpo foi lançado para trás, a dor vibrando através das costelas.
Porra.
Me apoiei no joelho, tossindo, tentando recuperar o ar.
Ele nem hesitou.
Não estava pegando leve.
Gabriel se afastou alguns passos, me analisando como um predador estudando sua presa.
— Você é um atleta, Karev. Seu corpo já sabe como se mover, como reagir. Mas agora precisa parar de pensar como humano.
Minha raiva cresceu.
— E como eu deveria pensar? Como um animal?
Ele ergueu uma sobrancelha.
— Exatamente.
O fogo dentro de mim explodiu.
Avancei, os punhos cerrados, e disparei um golpe direto.
Ele desviou sem esforço.
Foi como socar o ar.
O riso baixo dele me atingiu mais do que qualquer golpe. Antes que eu pudesse me reposicionar, Gabriel girou e me acertou com um chute firme na lateral do corpo.
Um grunhido escapou de minha garganta enquanto cambaleava para o lado, o impacto reverberando pelos ossos.
Ouvi Mallory prender a respiração.
Eu ergui o olhar, minha visão embaçada por um segundo.
Gabriel ainda estava ali. Sem cansaço. Sem hesitação.
E eu?
Eu estava ficando para trás.
Minha respiração ficou mais pesada. Meu coração batia contra as costelas com força. A frustração queimava dentro de mim, junto com algo mais. Algo que se agitava, tentando se libertar.
Foi então que aconteceu.
A vibração na minha pele ficou mais intensa. A pressão em minha cabeça aumentou. Minha visão oscilou por um segundo, como se tudo ao meu redor estivesse mais nítido.
Cada som ficou mais alto.
Cada cheiro, mais forte.
Meu peito se expandiu com um ar quente e denso.
Minha mandíbula doía, os dentes cerrados com tanta força que quase senti algo se partir.
Era como se algo estivesse tentando emergir. Algo que não era apenas humano.
Minha cabeça latejava.
— Merda.
Gabriel me estudou com atenção.
— Está sentindo, não está?
Minha visão piscou entre claro e escuro, a luz do galpão parecia mais agressiva.
Eu balancei a cabeça, tentando afastar aquilo.
— Eu não sei o que está acontecendo.
— Seu lobo está acordando.
Eu ri. Um riso curto, irônico, mas sem humor.
— Isso é um inferno.
— É a sua natureza.
Antes que eu pudesse responder, Gabriel atacou de novo.
Dessa vez, eu senti antes mesmo de ver.
Meu corpo reagiu sozinho.
Desviei para o lado, o golpe dele passando no vazio. Meu peito subia e descia rápido, mas não era exaustão. Era algo mais.
Minha pele queimava.
Minha mente gritava.
Meu lobo rosnava.
Então, veio o impacto.
Gabriel me atingiu na lateral e fui ao chão. Meu corpo bateu contra o tatame, e o gosto metálico do sangue preencheu minha boca.
Minhas mãos cavaram o chão, os músculos pulsando, uma força nova se espalhando por cada fibra do meu ser.
Foi quando ouvi.
Baixo, profundo, ameaçador.
Meu rosnado.
A vibração atravessou meu peito, meus ossos, minha alma.
Gabriel deu um passo para trás, me observando.
— Você pode lutar contra isso. Ou pode aceitá-lo.
Minha respiração estava ofegante.
O que diabos eu fazia agora?
Meu olhar encontrou o de Mallory.
Ela não estava assustada.
Ela estava esperando.
Minha mente dizia que eu não pertencia àquele mundo. Que eu deveria levantar e ir embora, fingir que nada disso era real.
Mas meu lobo dizia outra coisa.
Ele dizia que eu estava exatamente onde deveria estar.
MalloryCada golpe acertado reverberava através de mim como se fosse em meu próprio corpo. O som dos impactos, os grunhidos abafados e a respiração irregular de Karev enchiam o espaço, tornando o ar pesado. Eu sabia que isso era necessário, que Gabriel não estava apenas ensinando, mas testando os limites dele. Era cruel, talvez, mas essencial.Karev precisava despertar.Um lobo trancado por quase duas décadas não surgiria simplesmente como se sempre tivesse existido. Ele poderia emergir feroz, incontrolável, uma força indomável que não reconheceria limites. Ou poderia ser algo que ninguém esperava. Gabriel não estava disposto a esperar para descobrir. Ele queria ter certeza antes que Ragnar percebesse o quão instável Karev poderia ser.O suor escorria pelo corpo dele, misturando-se ao sangue de pequenos cortes e hematomas. Os músculos rígidos denunciavam seu cansaço, mas o fogo em seus olhos dizia que ele ainda não havia desistido. Seu orgulho não o permitiria.Eu conhecia bem esse ol
KarevEu não conseguia desviar o olhar dela.A provocação ainda estava no ar, como um desafio silencioso entre nós."Você já me teve antes. Mas não como um lobo."As palavras de Mallory ainda vibravam dentro de mim, misturadas à adrenalina da luta e ao calor que queimava sob minha pele.Ela sabia exatamente o que estava fazendo.E sabia que estava funcionando.Minha respiração estava pesada, meu corpo ainda pulsava da surra que levei de Gabriel. Mas nada disso importava mais. Não quando o cheiro dela estava me envolvendo dessa forma. Eu nunca tinha notado antes. Ou talvez tivesse, mas não como agora.O cheiro de Mallory era quente, amadeirado, com um toque levemente adocicado, como algo viciante. Ele entrava nos meus pulmões e ia direto para a corrente sanguínea, me intoxicando. Meu corpo inteiro reagia a isso, como se algo dentro de mim reconhecesse seu perfume e implorasse por mais.Ela sabia disso.Seu olhar era puro desafio. Seu corpo se movia de maneira calculada, provocante, esp
KarevO olhar de Mallory me desafiava a ir além. A me render ao que já era inevitável.Ela sabia o que estava fazendo. Sabia como cada parte do meu corpo reagia aos seus toques, aos seus olhares, ao simples fato de sua pele roçar na minha.E, naquele momento, eu não queria mais lutar contra isso.Seus dedos percorreram meu peito, explorando as marcas da luta. Seu toque era firme, mas ao mesmo tempo delicado, como se estivesse redescobrindo cada pedaço de mim. Meu corpo inteiro pulsava em resposta, um misto de desejo e algo mais profundo que eu ainda não sabia explicar.Mallory me puxou para um beijo, e foi como se meu mundo pegasse fogo.O beijo foi intenso, feroz, carregado de algo primal. Minha boca tomava a dela com fome, minha língua explorava cada canto, como se precisasse gravar seu gosto em mim. Ela gemeu contra meus lábios, e um rosnado grave escapou do fundo do meu peito.Ela sorriu, satisfeita.— Isso... — murmurou contra minha boca. — É disso que estou falando.O calor entr
Karev— KAREV, NÃO!A voz de Mallory cortou o nevoeiro na minha mente como uma lâmina afiada, mas o instinto já havia assumido o controle.Meus pés se moviam antes que minha mente pudesse intervir. Meu corpo inteiro vibrava com a necessidade de atacar. A floresta parecia mais nítida do que nunca, os cheiros mais intensos, cada som amplificado. Eu sentia o chão úmido sob os pés descalços, o vento cortando minha pele quente, o cheiro da terra misturado ao de Mallory.Mas havia algo mais ali.Algo que não pertencia.O estrondo da minha própria pulsação era tudo o que eu ouvia, até que uma voz carregada de tédio e irritação interrompeu minha corrida.— Pelo amor da Deusa, irmã! Segura teu macho. Estou aqui apenas para dar um recado.Minha visão se ajustou ao escuro e então a vi: Astoria, parada entre as árvores com os braços cruzados e uma expressão de puro desdém.Minha respiração era irregular. Meu peito subia e descia com força, e eu sentia meu lobo rosnando dentro de mim, ainda pronto
MalloryA água estava perfeita.Fresca, límpida, deslizando suavemente pela minha pele como um convite para algo proibido.Eu me virei na cachoeira, deixando meu corpo flutuar, observando Karev parado na margem, ainda esbaforido da corrida.Ele estava uma visão selvagem.Os cabelos desgrenhados, a pele quente brilhando sob a luz da lua, o peito subindo e descendo rápido, os músculos tensos como se ele ainda não tivesse aceitado que perdeu.Sorri, satisfeita."Tão previsível."Ele ergueu uma sobrancelha.— O que foi?Meu sorriso cresceu.— Você não vai entrar?Karev cruzou os braços, os olhos analisando a água com desconfiança.— E se tiver animais peçonhentos?A risada saiu antes que eu pudesse evitar.Joguei a cabeça para trás e gargalhei, sentindo a água fria deslizar por meu pescoço.— Você tá falando sério?— Sim. — Ele resmungou. — Pode ter cobras aí dentro.O riso só aumentou.— Não acredito que um lobo tem medo de cobra!Ele franziu o cenho, claramente irritado.— Não é medo. É
KarevA caminhada até a casa de Ragnar foi silenciosa.Minutos atrás, Mallory estava brincando, me provocando, me fazendo esquecer de tudo que não fosse seu toque. Agora, ela estava distante. Seu corpo se movia de maneira contida, menos solta, como se estivesse trancada dentro da própria mente.Aquilo me incomodava.Queria perguntar mais sobre o que aconteceu. Queria entender por que falar daquele cara mexeu tanto com ela. Mas pelo jeito que mantinha os olhos fixos à frente, fechada em sua própria bolha, ficou claro que esse não era o momento.A casa de Ragnar surgiu entre as árvores, imponente e iluminada. As sombras de quem nos esperava podiam ser vistas através das janelas. Assim que cruzamos a porta, todos os olhares se voltaram para nós.Ragnar.Cameron.Astoria e Connor.E, para minha surpresa, Gabriel.Meu corpo ficou tenso.Minha mandíbula travou. Meu peito subiu e desceu lentamente enquanto tentava controlar o desconforto que cresceu no meu estômago.Minha primeira reação foi
MalloryO silêncio que se seguiu foi ensurdecedor.Meu coração martelava contra minhas costelas enquanto Ragnar me encarava, os olhos negros avaliando cada mínima expressão.— O que você quer fazer, Mallory? — Sua voz era calma, mas carregada de tensão.O peso dos olhares ao meu redor era sufocante.Minhas irmãs estavam rígidas, a indignação estampada em seus rostos. Cameron e Astoria já tinham decidido que essa ideia era absurda e esperavam que eu concordasse sem hesitação.Mas eu não podia.Minha mente girava, analisando cada consequência.Se eu recusasse, poderia colocar meu pai em uma posição vulnerável. Se rejeitasse sem apresentar uma alternativa, isso poderia ser visto como uma afronta, algo que tornaria Ragnar responsável por resolver a crise.Eu não queria isso.Eu não podia deixar isso acontecer.Astoria foi a primeira a se manifestar.— Isso é um absurdo! Vamos dar um jeito, Lory. Não precisamos disso!— É isso! — Cameron concordou, a fúria brilhando em seus olhos. — Ragnar
KarevEu queria ir atrás dela.Cada célula do meu corpo gritava para correr naquela direção, impedi-la de tomar aquela decisão absurda, forçá-la a me encarar e admitir que não poderia simplesmente me descartar.Mas antes que eu pudesse me mover, uma mão forte segurou meu braço.Rosnei, girando o corpo para encarar Gabriel.— Sai da minha frente.Ele me olhou com um misto de paciência e determinação.— Não.Puxei meu braço, mas ele segurou firme. Meu lobo rugiu, a frustração crescendo dentro de mim, pronta para explodir.Então Gabriel rosnou.Baixo, profundo, carregado de autoridade.Minha respiração falhou.Meu lobo congelou no lugar.Minha mente gritava para continuar, para quebrar aquela barreira invisível e correr atrás de Mallory, mas algo dentro de mim se recusava a se mover.— Que merda foi essa? — Falei entre dentes, me afastando com força.Gabriel apenas me observou.— Seu lobo reconhece o comando de um superior.Minha raiva dobrou.— Eu não reconheço ninguém como superior.Ra