Liam seguiu Averina até a tenda maior, notando a tensão no semblante dela. O ar parecia carregado, como se algo sombrio pairasse entre eles.— Alguns batedores descobriram algo que pode nos prejudicar. — Averina começou, a voz firme, mas levemente hesitante.Liam cruzou os braços, impaciente.— O que exatamente?— Maden Star está trabalhando com os Vênus. Eles fizeram uma aliança contra você.Uma chama de ódio se acendeu dentro dele. Seu sangue ferveu. Depois de tudo, aqueles desgraçados ainda ousavam traí-lo? Seus punhos se cerraram com tanta força que as articulações estalaram.— Você tem certeza disso?— Tenho. Fontes confiáveis o viram indo até Alicerce Azul pelo menos três vezes.Liam respirou fundo, tentando conter a fúria avassaladora. Ele arrancaria a cabeça de cada um deles, esmagaria o que estavam tentando construir antes que se tornasse uma ameaça real.— Temos que agir rápido, Liam. — Averina continuou. — Temos muitos lupinos, mas Alicerce Azul é uma fortaleza e eles têm m
Collin*A noite ao lado de Liam havia sido confusa e estranha. Fazer amor com ele havia sido perfeito, como sempre. Mas tinha algo em seus olhos. Algo incômodo, uma inquietação velada. Ele não era bom em fingir com ela. Assim que se pôs de pé, ele já estava acordado. Sentado na beirada da cama, já vestido, observava-a dormir com uma expressão carregada.— Isso é um pouco estranho. — Ela murmurou, estreitando os olhos.Liam sorriu de canto, mas havia algo ausente naquele sorriso.— Acredita que... Eu acho você ainda mais linda quando acorda? — O tom rouco de sua voz fez um arrepio subir pela espinha dela.Collin riu baixo, deslizando os lençóis para cobrir melhor o corpo nu.— Você é um grande mentiroso. — O sorriso dela murchou quando percebeu que ele não retribuía. Em vez disso, continuava a encará-la com aqueles olhos tempestuosos.Ela se inclinou para frente, deslizando as mãos pelos ombros dele até sua nuca. Seus lábios se encontraram em um beijo demorado, mas havia urgência no mo
Collin seguiu em direção a Liam, que conversava com os outros lupinos no canto do acampamento. Ele estava sério, concentrado em resolver a situação com Maden o quanto antes. Mas, assim que o viu, sentiu novamente aquele arrepio estranho na nuca. Averina surgiu ao seu lado sem aviso, a observando de esguelha.— Olá. — O tom da fêmea era neutro, mas seu olhar revelava algo mais.— Olá. — Collin respondeu, tentando decifrar aquela expressão.Collin hesitou um instante até de perguntar: — Sobre o que você e Liam conversaram ontem? Além de Maden e Alicerce Azul.Averina franziu a testa.— Nada muito importante.— Isso é mentira. — Averina estreitou os olhos.Collin cruzou os braços.— Liam está estranho. Você também. O que não estão me contando?— Colen, não há nada sendo ocultado. O que você sabe é a verdade. Apenas estamos todos muito tensos.A fêmea não acreditou naquela resposta. Havia algo no tom de Averina, uma hesitação sutil, que fez sua desconfiança crescer ainda mais.— A maiori
Collin*Os três correram em direção à tenda de Eve. Collin foi a primeira a entrar. A amiga estava deitada na cama, suando e gemendo de dor. Rapidamente, Collin se aproximou.— Eve... Estamos aqui. — Sem demora, Eve segurou sua mão com força.— Você veio... — gemeu, tentando conter a dor.— Quando nos conhecemos, você disse que a companheira do alfa tinha que estar com a mulher grávida no dia do parto, não é? Bem... Estou aqui. — Mesmo ofegante e gemendo de dor, Eve sorriu levemente. Collin encarou Damon, que estava parado ao lado de Liam. Seu rosto pálido, sua expressão tensa.— Já chamou o curandeiro? — Liam questionou.— Já, mas ele ainda não chegou... Já deveria estar aqui. — Damon apertou os punhos. Liam franziu o cenho, a preocupação evidente.— É melhor se nós... — Antes que ele terminasse a frase, um grito cortou o acampamento.— INVASORES! — A voz de um lupino ecoou, fazendo todos lá fora entrarem em alvoroço. O caos começou. Liam e Damon se prepararam. Collin não soltou a mã
Collin*Collin sentiu o corpo congelar. O ar pareceu sumir de seus pulmões enquanto encarava a besta diante dela. Aquela criatura enorme, de olhos famintos e presas à mostra, não hesitaria. Ele mataria elas. Mataria o bebê.— Collin... — Eve sussurrou, apertando o filho contra o peito. Seu rosto estava pálido, mas sua voz carregava o desespero de quem sabia que não haveria escapatória. Lentamente, ela se colocou de pé, as mãos tremendo. — Ele vai nos matar...— Não vai. — A voz de Collin mal passou de um sussurro.O lupino avançou um passo, mordendo o ar, como se já pudesse sentir o gosto do sangue. Seus olhos brilharam, cruéis.— Eu vou me divertir bastante — rosnou, revelando um sorriso predador.Collin viu como ele olhou para Eve e para o bebê. Seu estômago revirou. Ela não deixaria isso acontecer.No canto do quarto, sobre um pequeno baú, viu uma faca. Estava longe, mas era sua única chance. Seus músculos se retesaram. O lupino se preparou para atacar Eve. Collin correu.Num movim
Collin*Antes do amanhecer, Maden havia arrastado Collin para fora da floresta. Ela estava vendada, e tudo o que conseguia fazer era ouvir os ruídos ao redor. O chão de terra, os passos firmes, as vozes distantes. Ele a guiou até uma sala pequena e fria. Quando a venda foi retirada, ela piscou contra a luz fraca, sentindo as amarras apertadas em seus pulsos. O cômodo era quase vazio, apenas uma cama e uma cadeira.— Espero que goste das acomodações. — A voz de Maden era carregada de sarcasmo.— Seu filho da puta! — Collin rosnou, mas antes que pudesse dizer mais, o tapa veio rápido e violento. Sua cabeça virou com o impacto, e a pele queimou sob a força do golpe.— Não fale assim com o seu pai. — Sua voz era baixa, ameaçadora.Collin levantou o rosto, seus olhos brilhando de ódio.— Você não é meu pai. Você não é nada pra mim. — Sua voz tremeu, mas de raiva, não de medo.Por um momento, Maden a encarou como se aquelas palavras tivessem realmente o atingido. Mas logo o sorriso voltou a
Damon*A tensão no acampamento era palpável. O estranho ataque de Maden deixara a todos inquietos, os nervos à flor da pele. Damon sequer havia tido tempo de ver Eve. A última vez que a vira fora brevemente, quando ela o mandara ajudar Colen. Desde então, não tivera sequer a chance de olhar para o bebê.Ele estava parado do lado de fora da tenda, o corpo rígido pela hesitação. Mas então ouviu a voz dela, baixinha, cantarolando algo suave. O som o fez respirar fundo. Fez seu peito se apertar de forma estranha.— Muito bem... Durma. — O sussurro dela o fez dar um passo à frente sem pensar. Lentamente, ele afastou os panos e entrou.Eve estava de costas para ele, balançando o bebê nos braços. Ao lado da cama, havia um pequeno berço improvisado. Com delicadeza, ela o depositou ali, ajeitando os panos ao redor do pequeno corpo. Damon permaneceu parado, observando-a à distância, como se aquele momento fosse algo sagrado demais para interromper. Estava prestes a sair, mas então ela se virou.
Collin havia conseguido quebrar uma pequena parte de suas algemas. Só precisava cerrar um pedaço de madeira da cama e faria uma pequena arma para usar contra qualquer um que entrasse ali. Ela estava começando quando a maçaneta da porta se moveu. Rapidamente, sentou-se, tentando disfarçar. Esperava que fosse Maden, mas foi sua mãe quem entrou, trazendo uma bandeja de comida.— Imaginei que estivesse com fome. — Sua voz era suave demais, carregada de um tom quase artificial. Lentamente, ela se aproximou, colocando a bandeja na cadeira ao lado. Collin notou que havia uma pequena faca na bandeja, mas sua mãe a pegou antes que ela pudesse fazer qualquer coisa.— Ah... Já ia esquecer disso. — Sorriu, como se aquilo fosse um mero detalhe.Collin a encarou. Havia um brilho estranho nos olhos dela, algo que não combinava com a mulher fria e distante que conhecia. Collin nunca se lembrava de sua mãe sorrindo tanto.— Que decadência, mãe. — A jovem deixou escapar, com desprezo.A expressão da mu