Collin havia conseguido quebrar uma pequena parte de suas algemas. Só precisava cerrar um pedaço de madeira da cama e faria uma pequena arma para usar contra qualquer um que entrasse ali. Ela estava começando quando a maçaneta da porta se moveu. Rapidamente, sentou-se, tentando disfarçar. Esperava que fosse Maden, mas foi sua mãe quem entrou, trazendo uma bandeja de comida.— Imaginei que estivesse com fome. — Sua voz era suave demais, carregada de um tom quase artificial. Lentamente, ela se aproximou, colocando a bandeja na cadeira ao lado. Collin notou que havia uma pequena faca na bandeja, mas sua mãe a pegou antes que ela pudesse fazer qualquer coisa.— Ah... Já ia esquecer disso. — Sorriu, como se aquilo fosse um mero detalhe.Collin a encarou. Havia um brilho estranho nos olhos dela, algo que não combinava com a mulher fria e distante que conhecia. Collin nunca se lembrava de sua mãe sorrindo tanto.— Que decadência, mãe. — A jovem deixou escapar, com desprezo.A expressão da mu
Damon*Averina o guiou até sua tenda, enquanto o acampamento já iniciava a mudança. Precisavam sair dali o quanto antes. Assim que ela entrou, virou-se para ele com um olhar penetrante.— O filhote está bem? — perguntou, e Damon assentiu de imediato.— É saudável, graças aos deuses. — Averina sorriu, mas seus olhos não suavizaram.— E agora? Acha que vai ser uma família feliz com ela? — Havia dor e mágoa em sua voz.Damon engoliu em seco. Ele não queria entrar naquele jogo, mas ela prosseguiu antes que ele pudesse responder.— Eu sei que nunca tivemos nada concreto, Damon. Sei que foram apenas olhares e conversas... Mas sei que cada palavra que me disse foi sincera. Sei que esteve presente de verdade naqueles momentos. — Ela se aproximou um passo, seus olhos brilhando com uma emoção contida. — Eve acabou de dar à luz. Os sentimentos dela estão à flor da pele. Não percebe que ela só está se apoiando em você?— Averina... — Ele tentou interrompê-la, mas ela ergueu uma mão.— Não! Damon,
Collin*O lupino a guiou por entre os corredores daquele lugar estranho. O ar era úmido, e um frio cortante fazia sua pele arrepiar. O cheiro de mofo e ferro enferrujado impregnava o ambiente. Cada passo ecoava nas paredes de pedra, e a escuridão parecia engolir qualquer resquício de esperança. Era um calabouço, um labirinto de sombras.Quando chegaram a uma escada, Collin apertou a faca contra a garganta do lupino, forçando-o a parar. Seu coração batia tão forte que quase abafava sua própria voz.— Para onde leva essa escada? — Sua respiração estava ofegante.— Para a saída. — A hesitação em sua voz entregou a mentira.— Está mentindo para mim! — pressionou a lâmina um pouco mais, sentindo-o engolir em seco. — Acha que não posso matá-lo? Eu sou filha de Maden Star. Pense bem antes de me enganar.O lupino tremeu ligeiramente, sua garganta oscilando. Então, cedeu:— Leva a uma grande sala. No canto esquerdo, há uma porta que dá para o lado de fora.— Onde nós estamos? — Sua paciência e
Eve*O bebê dormia tranquilo no berço, e Eve aproveitou para se arrumar. Queria estar bonita para Damon. Sentia que aquele poderia ser o momento em que as coisas finalmente mudariam.Estava terminando de ajeitar o cabelo quando a entrada da tenda se abriu, e Collin surgiu. Eve sentiu um arrepio involuntário.— estou aqui— Eve disse, rapidamente Collin sorriu. Um sorriso que parecia um pouco... forçado. Lentamente, se aproximou, os olhos dela dançando pelo ambiente, como se estivesse avaliando cada detalhe.— Queria perguntar o que acha. Como estou? — perguntou.Colen analisou-a de cima a baixo. Seu cheiro estava... diferente. Era sutil, mas ali estava.— Está bonita. Esse vestido combina com você.— Estou tentando melhorar um pouco, quero… dar o meu melhor para Damon.Havia algo na postura de Collin, no modo como olhava para ela…Collin desviou o olhar para o bebê, e seu sorriso se alargou, mas não chegou aos olhos.— Ele é tão fofinho. É menino ou menina?O coração de Eve disparou. U
Eve*A tenda estava mergulhada em sombras, iluminada apenas pelo brilho distante da lua filtrado pela lona. Liam havia saído para buscar o bebê a pedido dela, deixando-a sozinha, esperando. Seu coração martelava no peito, cada batida ressoando na pequena tenda. Ela ajeitou o vestido, passou os dedos pelos cabelos, tentando afastar o nervosismo. Queria estar pronta. Queria que aquele fosse o momento deles.A lona se moveu, e Damon entrou. Seus cabelos cinzentos estavam úmidos, os fios caindo um pouco sobre o rosto marcado pelo tempo e pela guerra. Seu olhar encontrou o dela e, por um instante, tudo parou. Eve se levantou de imediato.— Você já comeu? — perguntou, tentando esconder a ansiedade na voz.— Já, acabei de comer — respondeu ele, sua voz rouca preenchendo o espaço entre eles. Ela assentiu com um sorriso breve. Sentia-se como uma jovem outra vez, vulnerável e cheia de expectativas.— Eu queria falar com você…— Não precisa fazer isso, Eve — interrompeu ele, cruzando os braços.
Liam*o dia já havia nascido novamente, e Eve apareceu logo pela manhã para pegar o pequeno Eric. Colen havia desaparecido. Liam não sabia ao certo para onde ela teria ido ou o que poderia estar fazendo. Talvez estivesse brava com ele por conta da noite anterior.— Obrigada por ter cuidado dele. — Eve surgiu na tenda para tomar o café. — Não há de quê, ele é um bebê muito quieto. — Deve ter puxado ao pai dele. — Eve sorriu de canto.Liam se empertigou, um desconforto se instalando em seu peito. Ele não sabia explicar, mas sentia que algo estava errado. Passou a mão pelos cabelos, inquieto.— Você viu Colen por aí? Não a vejo desde ontem à noite. Fomos dormir, mas quando acordei ela já não estava na tenda.Eve o fitou de canto, o olhar carregado de algo que Liam não conseguiu decifrar de imediato.— Não, eu não a vi em nenhum lugar. — Sua voz parecia carregada de cautela.Liam bufou, frustrado.— Ela está estranha, Eve. Desde a luta naquela noite parece que algo mudou. Como se... ela n
Liam*Ele se manteve onde estava. Lá dentro, Eve gritava com "Colen"ou seja lá quem ela fosse. Ele já não sabia mais de nada. Enquanto isso, a outra estava ali... A poucos metros dele. Averina a segurava, enquanto o encarava com um olhar carregado de incerteza. Lentamente, Liam começou a se aproximar, seus olhos fixos na mulher à sua frente. Era como se a estivesse vendo pela primeira vez. Cada detalhe, cada nuance, cada sombra de dor e reconhecimento nos olhos dela.— Liam, o que está acontecendo aqui? — questionou Averina, confusa. Mas ele não conseguiu responder, seu foco estava todo nela. Na mulher que o encarava com lágrimas nos olhos, como se implorasse para que ele visse a verdade.Então, a lona da tenda se moveu, e Eve e Damon saíram. Eve segurava a outra pelo ombro, pressionando uma adaga contra sua costela. Liam sentiu as mãos tremendo.—Deuses... — Eve sussurrou ao olhar para a mulher que Averina segurava.—Alguém pode me explicar o que diabos está acontecendo? — Averina e
Collin*Liam guiou Collin até suatenda, e cada passo parecia um fardo esmagador. O ar ao redor deles estava denso, carregado de emoções reprimidas e verdades dolorosas. O macho estava tenso, e ela podia sentir a fúria e a confusão irradiando de seu corpo como uma tempestade prestes a desabar.Assim que entraram, ele parou no centro da tenda, os punhos cerrados ao lado do corpo. Seu peito subia e descia pesadamente, e o silêncio entre eles rugia mais alto do que qualquer palavra. Logo ele apoiou suad mãos em uma pequena mesa no canto, se mantendo de costas para ela. — Como é o seu nome? — A pergunta veio baixa, rouca, quase perigosa.Collin engoliu em seco. Sua garganta queimava. Ela já havia lhe dito tantas vezes, e agora parecia algo tão distante e irreal. — Collin. — sussurrou, e viu os ombros dele se retesarem ainda mais.Liam passou as mãos pelos cabelos, bufando.— Deuses… como eu fui burro. — Ele se manteve de costas para ela, os músculos de seu pescoço tensionados como corda