Collin*Os três correram em direção à tenda de Eve. Collin foi a primeira a entrar. A amiga estava deitada na cama, suando e gemendo de dor. Rapidamente, Collin se aproximou.— Eve... Estamos aqui. — Sem demora, Eve segurou sua mão com força.— Você veio... — gemeu, tentando conter a dor.— Quando nos conhecemos, você disse que a companheira do alfa tinha que estar com a mulher grávida no dia do parto, não é? Bem... Estou aqui. — Mesmo ofegante e gemendo de dor, Eve sorriu levemente. Collin encarou Damon, que estava parado ao lado de Liam. Seu rosto pálido, sua expressão tensa.— Já chamou o curandeiro? — Liam questionou.— Já, mas ele ainda não chegou... Já deveria estar aqui. — Damon apertou os punhos. Liam franziu o cenho, a preocupação evidente.— É melhor se nós... — Antes que ele terminasse a frase, um grito cortou o acampamento.— INVASORES! — A voz de um lupino ecoou, fazendo todos lá fora entrarem em alvoroço. O caos começou. Liam e Damon se prepararam. Collin não soltou a mã
Collin*Collin sentiu o corpo congelar. O ar pareceu sumir de seus pulmões enquanto encarava a besta diante dela. Aquela criatura enorme, de olhos famintos e presas à mostra, não hesitaria. Ele mataria elas. Mataria o bebê.— Collin... — Eve sussurrou, apertando o filho contra o peito. Seu rosto estava pálido, mas sua voz carregava o desespero de quem sabia que não haveria escapatória. Lentamente, ela se colocou de pé, as mãos tremendo. — Ele vai nos matar...— Não vai. — A voz de Collin mal passou de um sussurro.O lupino avançou um passo, mordendo o ar, como se já pudesse sentir o gosto do sangue. Seus olhos brilharam, cruéis.— Eu vou me divertir bastante — rosnou, revelando um sorriso predador.Collin viu como ele olhou para Eve e para o bebê. Seu estômago revirou. Ela não deixaria isso acontecer.No canto do quarto, sobre um pequeno baú, viu uma faca. Estava longe, mas era sua única chance. Seus músculos se retesaram. O lupino se preparou para atacar Eve. Collin correu.Num movim
Collin*Antes do amanhecer, Maden havia arrastado Collin para fora da floresta. Ela estava vendada, e tudo o que conseguia fazer era ouvir os ruídos ao redor. O chão de terra, os passos firmes, as vozes distantes. Ele a guiou até uma sala pequena e fria. Quando a venda foi retirada, ela piscou contra a luz fraca, sentindo as amarras apertadas em seus pulsos. O cômodo era quase vazio, apenas uma cama e uma cadeira.— Espero que goste das acomodações. — A voz de Maden era carregada de sarcasmo.— Seu filho da puta! — Collin rosnou, mas antes que pudesse dizer mais, o tapa veio rápido e violento. Sua cabeça virou com o impacto, e a pele queimou sob a força do golpe.— Não fale assim com o seu pai. — Sua voz era baixa, ameaçadora.Collin levantou o rosto, seus olhos brilhando de ódio.— Você não é meu pai. Você não é nada pra mim. — Sua voz tremeu, mas de raiva, não de medo.Por um momento, Maden a encarou como se aquelas palavras tivessem realmente o atingido. Mas logo o sorriso voltou a
Damon*A tensão no acampamento era palpável. O estranho ataque de Maden deixara a todos inquietos, os nervos à flor da pele. Damon sequer havia tido tempo de ver Eve. A última vez que a vira fora brevemente, quando ela o mandara ajudar Colen. Desde então, não tivera sequer a chance de olhar para o bebê.Ele estava parado do lado de fora da tenda, o corpo rígido pela hesitação. Mas então ouviu a voz dela, baixinha, cantarolando algo suave. O som o fez respirar fundo. Fez seu peito se apertar de forma estranha.— Muito bem... Durma. — O sussurro dela o fez dar um passo à frente sem pensar. Lentamente, ele afastou os panos e entrou.Eve estava de costas para ele, balançando o bebê nos braços. Ao lado da cama, havia um pequeno berço improvisado. Com delicadeza, ela o depositou ali, ajeitando os panos ao redor do pequeno corpo. Damon permaneceu parado, observando-a à distância, como se aquele momento fosse algo sagrado demais para interromper. Estava prestes a sair, mas então ela se virou.
Collin havia conseguido quebrar uma pequena parte de suas algemas. Só precisava cerrar um pedaço de madeira da cama e faria uma pequena arma para usar contra qualquer um que entrasse ali. Ela estava começando quando a maçaneta da porta se moveu. Rapidamente, sentou-se, tentando disfarçar. Esperava que fosse Maden, mas foi sua mãe quem entrou, trazendo uma bandeja de comida.— Imaginei que estivesse com fome. — Sua voz era suave demais, carregada de um tom quase artificial. Lentamente, ela se aproximou, colocando a bandeja na cadeira ao lado. Collin notou que havia uma pequena faca na bandeja, mas sua mãe a pegou antes que ela pudesse fazer qualquer coisa.— Ah... Já ia esquecer disso. — Sorriu, como se aquilo fosse um mero detalhe.Collin a encarou. Havia um brilho estranho nos olhos dela, algo que não combinava com a mulher fria e distante que conhecia. Collin nunca se lembrava de sua mãe sorrindo tanto.— Que decadência, mãe. — A jovem deixou escapar, com desprezo.A expressão da mu
Damon*Averina o guiou até sua tenda, enquanto o acampamento já iniciava a mudança. Precisavam sair dali o quanto antes. Assim que ela entrou, virou-se para ele com um olhar penetrante.— O filhote está bem? — perguntou, e Damon assentiu de imediato.— É saudável, graças aos deuses. — Averina sorriu, mas seus olhos não suavizaram.— E agora? Acha que vai ser uma família feliz com ela? — Havia dor e mágoa em sua voz.Damon engoliu em seco. Ele não queria entrar naquele jogo, mas ela prosseguiu antes que ele pudesse responder.— Eu sei que nunca tivemos nada concreto, Damon. Sei que foram apenas olhares e conversas... Mas sei que cada palavra que me disse foi sincera. Sei que esteve presente de verdade naqueles momentos. — Ela se aproximou um passo, seus olhos brilhando com uma emoção contida. — Eve acabou de dar à luz. Os sentimentos dela estão à flor da pele. Não percebe que ela só está se apoiando em você?— Averina... — Ele tentou interrompê-la, mas ela ergueu uma mão.— Não! Damon,
Collin*O lupino a guiou por entre os corredores daquele lugar estranho. O ar era úmido, e um frio cortante fazia sua pele arrepiar. O cheiro de mofo e ferro enferrujado impregnava o ambiente. Cada passo ecoava nas paredes de pedra, e a escuridão parecia engolir qualquer resquício de esperança. Era um calabouço, um labirinto de sombras.Quando chegaram a uma escada, Collin apertou a faca contra a garganta do lupino, forçando-o a parar. Seu coração batia tão forte que quase abafava sua própria voz.— Para onde leva essa escada? — Sua respiração estava ofegante.— Para a saída. — A hesitação em sua voz entregou a mentira.— Está mentindo para mim! — pressionou a lâmina um pouco mais, sentindo-o engolir em seco. — Acha que não posso matá-lo? Eu sou filha de Maden Star. Pense bem antes de me enganar.O lupino tremeu ligeiramente, sua garganta oscilando. Então, cedeu:— Leva a uma grande sala. No canto esquerdo, há uma porta que dá para o lado de fora.— Onde nós estamos? — Sua paciência e
Eve*O bebê dormia tranquilo no berço, e Eve aproveitou para se arrumar. Queria estar bonita para Damon. Sentia que aquele poderia ser o momento em que as coisas finalmente mudariam.Estava terminando de ajeitar o cabelo quando a entrada da tenda se abriu, e Collin surgiu. Eve sentiu um arrepio involuntário.— estou aqui— Eve disse, rapidamente Collin sorriu. Um sorriso que parecia um pouco... forçado. Lentamente, se aproximou, os olhos dela dançando pelo ambiente, como se estivesse avaliando cada detalhe.— Queria perguntar o que acha. Como estou? — perguntou.Colen analisou-a de cima a baixo. Seu cheiro estava... diferente. Era sutil, mas ali estava.— Está bonita. Esse vestido combina com você.— Estou tentando melhorar um pouco, quero… dar o meu melhor para Damon.Havia algo na postura de Collin, no modo como olhava para ela…Collin desviou o olhar para o bebê, e seu sorriso se alargou, mas não chegou aos olhos.— Ele é tão fofinho. É menino ou menina?O coração de Eve disparou. U