O relógio marcava 2h da manhã, mas Isabela não conseguia dormir. Ela estava sentada na cama do quarto de Leonardo, com os joelhos encolhidos e os braços cruzados ao redor do corpo. O peso da ameaça de Otávio pressionava seu peito como um ferro em brasa.Leonardo, por outro lado, estava de pé ao lado da janela, segurando um copo de uísque. Seu maxilar estava trincado, e seu olhar fixo na cidade iluminada mostrava que sua mente trabalhava a mil.— Ele não vai machucá-la... — Ele disse, mais para si mesmo do que para ela.— Como você pode ter certeza? — A voz de Isabela saiu baixa, carregada de preocupação.Leonardo virou-se para encará-la.— Porque Otávio quer poder, não sangue. Se ele machucar sua mãe, perde a única moeda de troca que tem contra nós. Ele sabe que, se cruzar essa linha, não haverá mais negociação... haverá guerra.Isabela mordeu o lábio, tentando se convencer disso.— Mas e se ele decidir fazer isso só para provar que pode?Leonardo se aproximou e abaixou-se diante dela
O carro deslizou suavemente pela estrada, cortando o silêncio tenso que pairava sobre eles. As luzes da cidade começaram a se distanciar à medida que avançavam para um local mais seguro. No banco de trás, Isabela segurava a mão da mãe com força, como se quisesse garantir que ela ainda estava ali, viva e protegida.Sofia estava visivelmente abalada. Seus olhos inquietos percorriam o lado de fora da janela, como se temesse que algo ainda pudesse acontecer.Leonardo, ao volante, mantinha os olhos fixos na estrada, mas sua mente trabalhava rápido. Nada estava realmente resolvido.— Você está bem? — Ele perguntou, sem tirar os olhos do caminho.Sofia assentiu, mas sua voz saiu fraca.— Estou... agora que saímos de lá.Isabela apertou a mão dela com mais força e olhou para Leonardo. Havia algo diferente nele. Seu maxilar estava tenso, seus dedos seguravam o volante com força demais.— Leonardo... — Isabela chamou, preocupada. — Você acha que ele vai tentar algo?Ele não respondeu de imediat
O silêncio no carro era denso como uma tempestade prestes a desabar. A tensão entre Isabela e Leonardo era palpável, como se um fio invisível os puxasse em direções opostas. O peso da ligação de Otávio ainda pairava sobre eles, tornando o ar quase irrespirável.Isabela observava Leonardo pelo retrovisor. Seu maxilar estava rígido, os dedos apertavam o volante com força desnecessária, e ele não havia dito uma única palavra desde que encerrou a chamada.Ela não gostava disso. Não gostava do silêncio.— Se você continuar com essa cara fechada, suas rugas vão chegar mais rápido. — Ela provocou, tentando aliviar o clima.Leonardo soltou um suspiro, mas um pequeno sorriso curvou seus lábios.— Você sempre encontra um jeito de me irritar, não é?— Não. — Isabela deu de ombros. — Eu só sou boa em fazer você falar quando quer se esconder.Ele lançou um olhar rápido a ela.— Não estou me escondendo.— Ah, claro. Porque homens misteriosos e sombrios nunca escondem nada, né? — Ela revirou os olho
O carro parou suavemente em frente ao prédio onde Sofia morava. Ela soltou um suspiro dramático e pegou sua bolsa no banco ao lado, lançando um olhar divertido para os dois.— Obrigada pelo resgate cinematográfico. — Ela piscou para Leonardo. — E pela sessão de romance gratuito no banco da frente.Isabela revirou os olhos.— Mãe!Sofia apenas riu e abriu a porta. Mas antes de sair, inclinou-se ligeiramente para Leonardo, sua expressão, assumindo um ar meio brincalhão, meio ameaçador.— Cuide bem da minha filha. Se ela aparecer chorando, eu quebro suas pernas.Leonardo arqueou a sobrancelha, um sorriso puxando o canto dos lábios.— Vou me lembrar disso.Sofia saiu do carro e, antes de entrar no prédio, lançou um olhar significativo para Isabela. Algo como não fuja do que sente.Assim que ela desapareceu no edifício, o silêncio preencheu o carro.Leonardo voltou a dirigir, mas desta vez, o clima estava carregado de uma tensão diferente.Uma tensão elétrica.Isabela sentia o olhar de Leo
O clima dentro do carro continuava carregado de tensão. Não a tensão usual entre inimigos ou rivais, mas aquela perigosa, elétrica, que fazia a pele arrepiar e os corações baterem mais rápido.Isabela desviou o olhar para a janela, tentando ignorar o efeito que Leonardo tinha sobre ela. Mas era impossível.Ele dirigia com uma mão no volante, a outra descansando casualmente sobre a perna, e o jeito como sua camisa branca se ajustava ao corpo só tornava tudo pior.Droga, por que ele precisava ser tão…— Está tentando não me olhar, Isabela?A voz dele veio carregada de diversão.Ela bufou, cruzando os braços.— Estou apreciando a paisagem.Leonardo soltou uma risada baixa.— Que curioso… porque a paisagem está escura e sem nada de interessante.Ela se virou para retrucar, mas no momento em que seus olhos encontraram os dele, soube que havia caído em uma armadilha.Leonardo já a estava olhando, sem disfarçar o interesse.— Você é irritante. — Ela resmungou, desviando o olhar.— E você é f
O nome pairava no ar como uma tempestade prestes a desabar. Camila. O silêncio dentro do carro era opressor. O coração de Isabela batia acelerado, mas ela manteve o olhar fixo em Leonardo. Ele estava rígido, os dedos apertando o celular com força, como se estivesse tentando processar o impossível. A mulher que sumiu sem deixar rastros… agora estava ali, falando com ele. — O que é isso, Otávio? — A voz de Leonardo saiu tensa, afiada como uma lâmina. A risada do outro homem veio carregada de satisfação. — Ah, meu caro, isso é apenas o passado batendo à sua porta. Camila voltou a falar. — Leo… eu preciso te ver. Isabela sentiu um nó se formar em seu estômago. Algo nela dizia que aquela mulher não era só uma ex. Ela era o motivo pelo qual Leonardo se fechou para o mundo. Leonardo esfregou o rosto, respirando fundo. — Onde você está? — No hotel Miraggio. Vem agora? Isabela cruzou os braços instintivamente. Agora? Leonardo desviou o olhar para ela, como se só
O mundo de Leonardo girava. Ele encarou Camila, tentando absorver suas palavras. — Como assim… eles sabem sobre Isabela? — Sua voz saiu tensa, ameaçadora. Camila engoliu em seco e olhou ao redor, como se temesse que alguém estivesse escutando. — Leo, eu não posso falar aqui. Precisamos ir para um lugar seguro. Leonardo hesitou. Tudo dentro dele gritava para não confiar nela. Mas se havia uma ameaça rondando Isabela… ele não podia ignorar. Ele cruzou os braços, estreitando os olhos. — Me diz uma coisa, Camila… — Sua voz saiu gelada. — Você está jogando comigo de novo? Ela piscou, surpresa. — Não! Eu jamais… Leo, eu sumi porque não tinha escolha. Mas agora… agora eu voltei para te proteger. Ele apertou a mandíbula, sentindo o estômago revirar. — Se algo acontecer com Isabela, eu juro que… — Eu não deixaria. — Camila o interrompeu, firme. — Por mais que você não acredite em mim, eu nunca deixaria que a machucassem. Leonardo não sabia se podia acreditar. Mas o medo por Isabela
Isabela ficou paralisada.Camila.A mulher que, minutos atrás, havia ressurgido do passado de Leonardo, agora estava batendo em sua porta.Seu coração martelava contra o peito.O que ela queria?Ela olhou pelo olho mágico. Camila estava ali, com o rosto parcialmente coberto pelo capuz do casaco, lançando olhares rápidos para o corredor, como se estivesse fugindo de alguém.Algo estava errado.Segurando a maçaneta com força, Isabela tentou manter a voz firme.— O que você está fazendo aqui?O silêncio do outro lado foi sufocante.E então, a resposta veio em um tom suave, mas carregado de algo que fez Isabela estremecer.— Precisamos conversar.Precisamos?Cada instinto dentro dela gritava para não abrir aquela porta.Mas… e se fosse algo sério?E se fosse sobre Leonardo?Mordendo o lábio, Isabela deslizou a corrente da porta e abriu uma fresta.Foi um erro.Antes que pudesse reagir, Camila empurrou a porta com força, entrando no apartamento.— O que diabos você está fazendo?! — Isabela