KATHERINEAi, não, não, não… que susto!Eu tremia dos pés à cabeça, segurando a faca de pão como se fosse uma arma mortal, apontando-a à frente do meu corpo.Agucei os ouvidos, tentando me mover com o máximo de cuidado para não fazer barulho.Não havia mais passos audíveis, mas com os sons da luta do lado de fora e os gritos, era difícil discernir algo claramente.De repente, a maçaneta de uma das portas laterais começou a girar lentamente. Meu coração parecia querer saltar do peito, o medo me dominava, a mente paralisada pela indecisão.Era a porta que dava para a área da floresta, mais afastada, enquanto o confronto parecia se desenrolar no lado oposto da carruagem, na estrada.Levantei-me, inclinando o corpo, com a cabeça quase tocando o teto e o cabo da faca apertado com tanta força que meus nós dos dedos ficaram brancos.Tremia completamente, meus olhos fixos na entrada, ponderando se a melhor escolha seria sair pela outra porta.Tantas decisões e tão pouco tempo. Em questão de s
KATHERINETentei me arrastar de volta para a segurança da floresta, num último suspiro desesperado.— Aaaah! — gritei quando a sola da bota dele pressionou com força minhas mãos amarradas, esmagando meus dedos ao ponto de quase fraturá-los.— Socorro! Elliot! Alguém... socorro!— Cala a boca, porra! Já me cansei de você!— Melhor acabar logo com ela! O chefe disse...— Cala a merda da boca! Não me diga o que fazer! Vem cá, fala de uma vez ou vai morrer, vadia!Ele me agarrou pelos pulsos atados como se eu fosse uma boneca de pano.Ofegava, lágrimas turvando minha visão.Tentei lutar, mas minha força era mínima. A lâmina fria de um punhal pressionou contra o meu pescoço.— Fala logo! Quem te contou sobre o roubo? Você trabalha para alguém? Tá tentando ferrar nossos negócios? Fala, desgraçada!— Vai pro inferno... filho da puta — sibilei, cuspindo no rosto dele.O sangue e a saliva mancharam sua expressão deformada pela raiva."Me perdoa, filha... me perdoa tanto," implorei em silêncio.
ELLIOT— ROSELLA! —rugiu com mais urgência, uma premonição sinistra invadindo meus sentidos.Corri em direção ao lugar onde sentia seu cheiro e então... aquele aroma de ferro, intenso e sufocante.Antes de chegar, vi ela sair da sombra das árvores, sua pele pálida, os lábios trêmulos, os cabelos todos bagunçados.Baixei os olhos, chocado.Suas mãos... suas mãos estavam apertadas no cabo de uma arma que estava cravada em seu peito.— NÃOOOO! —rugiu enquanto corria até ela.Ela tentava dar passos na minha direção, cambaleando, tropeçou e caiu para frente.A agarrei no ar, entre meus braços; a temperatura fria de sua pele apertava ainda mais meus temores.A levantei imediatamente, temendo tocar seu peito, sentindo que sua vida escapava a cada respiração.Me sentei no chão, perto do precipício, de costas para a floresta.— Não, não, Rossella, você não pode fazer isso comigo, não pode! Maldição! —meus dedos foram até aquela maldita arma.Quando isso aconteceu? Como pude me descuidar tanto?
ELLIOTSeus lábios avermelhados pararam de me sugar.Observei, suspirando aliviado, enquanto o cor voltava ao seu rosto. Levantei meu pulso e lambi o ferimento com restos da saliva dela.Meu coração, finalmente voltando ao lugar, e aquela entidade dentro de mim, mais calma agora que Rossella vivia.Por que ela é tão importante para ele, se antes eu sabia que ele a odiava?Parte do meu desprezo visceral por ela vinha dos próprios sentimentos crus dele.Agora que o perigo urgente havia passado, examinei cuidadosamente o meu entorno.Eu havia me posicionado de costas para a floresta e de frente para o penhasco, tentando bloquear a visão de qualquer espião.Sempre estive alerta para algum ataque furtivo, mas parecia que não havia mais ninguém por perto.No entanto, antes de me levantar para decidir como sair dessa situação complicada, com as ameaças ainda pairando, o som estrondoso de galope descontrolado e rodas, de algo sendo arrastado, alcançou meus sentidos.Meu próprio cavalo, deixad
KATHERINE— Shhh —eleva o dedo aos lábios, indicando que eu me cale.Imediatamente fico em silêncio.O Duque fecha a porta e se aproxima, sua testa franzida enquanto olha na direção do meu peito.Vejo-o sentar na beirada da cama. Tantas memórias confusas, tantas perguntas que quero fazer.Ele se inclina na minha direção, e eu me estremeço com a proximidade.Sua voz grave e baixa alcança meu ouvido.— Não me chame pelo título aqui. Ninguém pode saber nossa identidade. Somos apenas um casal que foi atacado por bandidos na estrada —sussurra, e eu engulo em seco, assentindo.Ele se afasta um pouco, seus olhos azuis perigosamente próximos.Fico nervosa, não só pela proximidade, mas porque talvez eu tenha feito algo estranho para me curar.Será que o Duque percebeu minha magia?Não pode ser, senão ele já teria me amarrado em uma árvore e me queimado como uma tocha.— Eu… obrigada por me salvar, Du… digo, E… Elliot —saboreio seu nome, que soa estranho nos meus lábios, mas ao mesmo tempo, inc
KATHERINENossas respirações começaram a ficar pesadas, apressadas.Sinto as faíscas no ar, o cheiro de excitação.— Acho que… é melhor eu verificar se o jantar está pronto. A senhora da casa disse que faltava pouco, você deve estar com fome.Ele se levantou como um raio, afastando-se da cama e me deixando ali, inclinada como uma boba, com o rosto ruborizado, enquanto ele caminhava até a velha porta de madeira.— Não vai verificar meu ferimento? —pergunto em um tom suave, que considerei sedutor.Não desistiria tão facilmente.— A senhora Nora me deu algumas ervas medicinais, elas devem fazer efeito. Além disso, você disse que estava bem —respondeu secamente, e antes que eu pudesse mostrar todos os meus encantos, saiu do quarto.— Maldito Duque, tão rígido e cheio de frescuras. Mas o que ele não sabe é que as loucas têm ideias fixas, e eu não vou parar até conceber o herdeiro dele —murmurei, já pensando em todas as armadilhas para aproveitar o fato de que, agora, seríamos forçados a fi
KATHERINEFui recebida por uma horta na entrada, mas as plantas estavam um pouco escassas.Levantei a cabeça e contemplei a escuridão que parecia um breu.Havia apenas algumas luzes fracas de outra casinha ao longe, as colinas cheias de árvores no horizonte, cercas de madeira rústica, a estrada de terra conectando todas as casas.Era a vida no campo.No meio de toda aquela escuridão, uma silhueta começou a se aproximar.Abriu o portãozinho gasto da frente da horta e caminhou pelo caminho de pedras. Era Elliot.— Rossella, por que saiu? Está frio —ele disse, se aproximando rapidamente.— Estava esperando por você. Está bem? —perguntei, dando alguns passos em sua direção.Sua expressão continuava séria e desconfortável.— Fui ver o vilarejo. É… indescritível —disse, cerrando os dentes, o rosto tomado por uma ira mortal.— Essas são as fronteiras, e é óbvio que estão sendo controladas por outra pessoa. Me sinto um incompetente."Bem, isso eu não vou discutir, Duquezinho", pensei, mas sab
ELLIOTFiquei de pé, observando-a com a cabeça baixa.A névoa do pequeno banheiro nos envolvia, aquecendo-nos.Suas mãos delicadas começaram a desabotoar minha camisa de forma desajeitada.Todos esses anos com essa mulher ao meu lado, e nunca havia me afogado nesse desejo ardente que agora estava me consumindo.Ela abriu minha camisa e a deslizou suavemente pelos meus ombros fortes, deixando-a cair no chão.O olhar intenso de seus olhos devorava meu peito.Seus dedos começaram a me acariciar com um pouco de timidez, traçando os contornos da minha pele suada pelo calor.Soltei um gemido rouco ao senti-la deslizar pela linha do meu abdômen contraído.O cheiro de luxúria que emanava do seu sexo estava me enlouquecendo.Ela estava excitada, muito excitada, e pela primeira vez eu gostei demais de ser desejado por ela.— Mmm —passei a ponta da língua pelos caninos que coçavam.Eu precisava me controlar para não deixar nada do meu lobo transparecer, mas sua exploração curiosa pela silhueta e