NARRADORAOs olhos verdes, cheios de lágrimas e soluços contidos, se voltaram para a mulher parada atrás de Silas, a suposta curandeira, mas sob a luz da lua, finalmente Sigrid descobriu seu verdadeiro rosto.Ela sabia que aquela mulher viera para enviá-la de volta e não se resignava a partir, mas, por mais que resistisse, entendia que o passado não mudaria do jeito que ela desejava.—Eu te amo… eu te amo tanto… —sussurrou entre os soluços, erguendo os lábios úmidos e beijando-o com desespero, abraçando-o com força, sentindo pela última vez seu calor, o pulsar de seu coração.—Nunca se esqueça de quanto eu te amo… nunca esqueça. Você não é Gray, nem Umbros, você é Silas… meu Silas…As palavras não eram suficientes para expressar tudo o que sentia, tudo o que sentiam um pelo outro.—Sigrid… —Silas, de repente, pareceu confuso ao vê-la tão devastada—. Você está sentindo muita dor?—Sim… dói muito —ela respondeu ofegante, e ele começou a entrar em pânico, olhando para o peito dela, acred
NARRADORADoía tanto ter presenciado a catástrofe causada por suas próprias ações.Ela foi a primeira a desviar o olhar, a ir viver sua vida sem se importar com mais nada, intoxicada pelo poder que a Deusa colocou em suas mãos, sentindo-se superior.Começou a manipular aquela magia negra e sombria sobre o lago, a experimentar e brincar com ela.Acreditava estar fazendo o bem, seu único desejo era eliminá-la do mundo.Não apenas fracassou em seu propósito, mas acabou criando um método que, nas mãos erradas, foi usado para todas as atrocidades cometidas pelas feiticeiras.Silas se contaminou com aquilo, foi alimentado por seus ressentimentos… ela mesma, indiretamente, havia criado o monstro chamado Umbros.—Encontre-o, Sigrid. Desperte-o de seu ódio e lhe dê todo o amor que ele merece, o amor que lhe foi roubado nesta vida. Ninguém mais além dele merece ser feliz…À medida que as palavras de Juno ecoavam, a luz prateada se intensificava como uma supernova prestes a explodir.—SIGRID! —N
VALERIAAo ouvir aquele grito dilacerante da minha pequena filhote, senti como se o mundo desmoronasse sobre mim.Corri a uma velocidade vertiginosa, apesar do desconforto em meu corpo.Ultimamente, não tenho me sentido muito bem; acredito que seja o estresse e a preocupação com as calamidades que se aproximam.Desviando das árvores, com meu lycan sempre me seguindo de perto, encontrei Sigrid chorando, sentada ao lado do poço.—Sigrid, calma, minha vida, se acalme! —Abracei-a imediatamente contra meu peito, ajoelhada sobre a grama úmida.Ela tremia incontrolavelmente, sua pele estava fria. Se escondeu contra meu corpo e me abraçou, desolada.Deusa… o que aconteceu com a minha filha nesta única hora que estive longe dela?—Mamãe… mamãe… —ela só consegue me chamar assim, chorando de uma forma que parte o meu coração.Não posso fazer mais do que acariciar seus cabelos e tentar confortá-la.—Aldric… —sinto a presença dele se aproximando.Ele nos abraça, sentando-se no chão, envolvendo amba
ALDRIC“São filhotes lycans! Aldric, são lycans! Amor, você vai ter dois filhotinhos lobos… não, espera…”Azarot rugia de emoção, intoxicado de amor pela nossa fêmea, mas de repente ficou rígido.Ao fazer as contas, percebeu que, se nascessem dois machos lycans de nosso poderoso sangue, ele teria que compartilhar a fêmea com mais dois machos."Aldric, por que não fizemos mais meninas?""Só agora você percebe isso?"Bufei, sem parar de beijar a pele macia da minha Vale.Machos, fêmeas… não importa. Eram os frutos do meu amor com a mulher da minha vida, a única para mim.A felicidade seria completa, se não fosse pela situação tão crítica.—Você tem uma pontaria, meu lobo… —ela disse com um sorriso cansado—. Com Sigrid também grávida em meio a uma tempestade.—Vamos conseguir, como da última vez —respondi, segurando suas mãos e beijando seus dedos.Mas, para ser sincero, desta vez não me sinto tão confiante quanto quero parecer.Volto a abraçá-la, encostando o rosto em seu ventre.Agora
ALDRICDe repente, Zarek caminhou até a beira da cama e, pegando-nos de surpresa, ajoelhou-se sobre um joelho.—Eu, até agora o último descendente da linhagem dos Vlad, herdeiro da casa real Von Carstein, me sinto profundamente envergonhado pelas ações dos meus pais. Embora eu não seja diretamente responsável, tentarei remediar seus erros como puder.Ele golpeou o próprio peito com força, demonstrando a honra de um guerreiro.Tudo isso é denso demais.—Então, eu também devo pedir perdão pelas Selenias. Sempre vi como uma injustiça sermos sacrificadas. Por que só nós, entre todas as criaturas sobrenaturais? —Gabrielle acrescentou.—Agora entendo o motivo. O poder traz responsabilidades que não cumprimos.Um silêncio tenso preencheu o quarto.Celine ajudou Zarek a se levantar, Quinn abraçou sua companheira, e nós continuamos consolando nossa pequena.—Eu sei como evitar a catástrofe… só preciso do apoio de vocês —Sigrid falou, de repente, em voz baixa.—Não —respondi imediatamente, sem
ALDRIC—Vou para a luta com minha mãe. Vamos apoiar Sigrid. Você sabe que eu não posso ficar aqui de braços cruzados —ouço a voz suave de Valeria no escuro, deitada sobre o meu peito.—Aldric, se esse mal não puder ser contido, não haverá lugar seguro neste mundo.Ambos estamos prontos para dormir, mas nenhum de nós consegue fechar os olhos.Quinn partiu para o território dos lycan para proteger aquelas terras.Ninguém sabe quando essa bomba vai explodir.Cada vez mais espectros estão escapando. Precisamos lutar contra eles sempre que aparecem.A cada ataque, eles parecem mais fortes.Sigrid nos disse que os espectros remanescentes nesta terra não eram nada comparados aos que estavam selados.Pensar em um enxame dessas criaturas, segundo ela, gigantescas, deixaria qualquer um com os nervos à flor da pele.—Está bem. Mesmo se eu te acorrentasse na masmorra, sei que você daria um jeito de escapar —a aperto contra meu peito largo, suspirando com relutância.—Eu só tenho que proteger você
NARRADORAPor trás de grades, magia poderosa, selos e correntes, além da Ilha das Selenias e da névoa sombria, cruzando as nuvens de tempestade e os gritos espectrais, uma civilização inteira havia sobrevivido.Uma que se acreditava extinta.Baltazar, o Regente do Reino, estava em plena reunião com seus conselheiros quando as portas do salão foram abertas de repente, e um dos guardas entrou ofegante, com o rosto tomado pelo pânico.—Espero que o que você tenha a dizer seja realmente uma questão de vida ou morte —ele disse friamente, seus olhos castanhos afiados fixos no homem.—S-Sua… sua senhoria… Recebemos vários relatórios das fronteiras do reino… —O homem tentava explicar, gaguejando e suando.—Fale de uma vez, maldito!—A névoa… A névoa dos limites… Ela está recuando! —O guarda soltou a frase de uma vez, o suor escorrendo pelo rosto.Baltazar entendeu imediatamente a gravidade do que estava acontecendo.Saiu correndo e empurrou com força as pesadas portas da sacada.Seus olhos ex
NARRADORAAldric se virou, observando a névoa escura que começava a se agitar violentamente.Redemoinhos se formavam em seu interior, subindo em espiral até o céu, começando a cobrir tudo acima deles.A luz do dia, de repente, parecia ser sugada pelas trevas, restando apenas escuridão e medo, ódio e vingança.As águas do lago se agitaram violentamente, escurecendo cada vez mais, como se veias negras surgissem em sua superfície, formando teias sombrias.O lago começou a endurecer, solidificando-se como uma barreira final que os separava do que quer que estivesse prestes a emergir daquela prisão."Azarot, precisamos dar todo o tempo possível para nossa filhote."Aldric se manteve erguido no topo da colina, seus olhos cinzentos como a tempestade fixaram-se em uma direção mais afastada, para a retaguarda, longe do perigo da linha de frente.Lá estavam as três Selenias, aguardando seu momento.Ele e seu exército precisavam ganhar tempo."E se ela falhar, Aldric? Não vou vê-la em perigo e n