NARRADORASigrid sentiu um movimento atrás dela e levou a mão sutilmente para trás, apertando a roupa de Silas.A mensagem era clara: "calma, eu posso lidar com isso".— Mas eu acho que havia mais eventos. Os outros vão ficar muito decepcionados — Sigrid respondeu com neutralidade.— Que se fodam. Venham, venham comigo, vamos para o meu santuário — Lucrecia os convidou, bem entusiasmada.Ela já ia estender as garras para agarrar Silas pelo braço, mas Alessandre foi mais rápido e segurou-a pela cintura, afastando-a.— Me conta, o que você estava fazendo para provocar tanto os meus pais? Já estou farto de nunca ser levado em consideração — o vampiro começou com sua conversa superficial, ajudando também Sigrid.Era mais que óbvia a luxúria nos olhos de Lucrecia ao encarar Silas, uma obsessão que ia além de qualquer disfarce perfeito.Através dos corredores escuros, com a brisa noturna fazendo as folhas sussurrarem, os gemidos abafados em cada canto e as risadinhas femininas, Lucrecia os
NARRADORA“Deusa”, Sigrid estava enojada.Isso, em outras circunstâncias, talvez se os atores estivessem ali por vontade própria, seria excitante, mas assim, era apenas deplorável.Os homens apalpavam a escrava que gemia entre eles, enfiavam as mãos entre suas pernas, chupavam e apertavam seus seios.Logo ela se ajoelhou entre os dois e começou a estimular seus membros com a boca e as mãos.Ao lado, Lucrecia parecia bem entretida.Sigrid procurava com o olhar o escravo que lhe interessava.Por precaução, não queria se enganar.Estava 99% segura de que era Umbros quem precisava salvar, mas aquele 1% restante estava ligado a esse escravo que lhe provocava algo estranho no peito.Ela precisava ter certeza.Quando os gemidos ficaram mais altos e a garota de seios chamativos, pele clara e cabelos castanhos começou a cavalgar um dos escravos deitado sobre os tecidos, enquanto chupava o membro do outro que estava de pé ao seu lado, Sigrid deu um bocejo de tédio.Mais claro, impossível: eu qu
narradoraNa mão livre de Silas, formou-se uma adaga negra e mortal, que imediatamente apontou para o pescoço de Lucrecia.Ambos atacaram ao mesmo tempo, aproveitando o fator surpresa e a proximidade.Só que não seria tão fácil.A adaga e as chamas devoradoras foram engolidas de repente por uma névoa escura.O corpo de Lucrecia desapareceu no nada, flutuando em magia negra e reaparecendo alguns metros adiante.Por um segundo, os três se encararam.— Quem diabos é você?! — rugiu Lucrecia, analisando Sigrid com profundidade.Isso ela realmente não esperava.Não podia ser... esse era o poder de uma Selenia dentro de Electra?— Isso não importa, só que você vai morrer — Sigrid não estava para mais conversa.Ela invocou uma espada afiada, cujas chamas azuis brilhavam intensamente, e se lançou contra Lucrecia, que também convocou uma espada de fogo.Elas começaram a lutar no amplo salão, destruindo os móveis, trocando golpes ferozes, cada investida e bloqueio carregado de ódio.Quem quer qu
NARRADORASigrid estava desesperada.Ela sabia que devia haver algum portal mágico em algum lugar: nas paredes, no teto...— Maldição! — explodiu, cheia de raiva e impotência.Silas era forte, mas ela ainda tinha medo. Eles não deveriam ter se separado.De repente, no meio de seu desespero, uma dor intensa começou a tomar conta do peito, forte demais.Ela levou a mão ao esterno.Deusa, o que era isso agora?Sua mente estava em caos, a visão turva enquanto suas mãos tateavam pedra por pedra, procurando a abertura mágica.Ela precisava se acalmar. Culpava o estado de raiva desenfreada, sentia que estava perdendo o controle.Electra se revirava em sua prisão, mais enlouquecida do que nunca, gritando para ser libertada.— Agora não, sua louca maldita! — rugiu, reprimindo o espírito com toda a sua força.Ela não podia dividir seu poder naquele momento, não podia se enfraquecer tentando mantê-la contida.Só que Sigrid se esqueceu de que não estava sozinha naquele quarto.Alguém mais estava
NARRADORAEla afastou a mão trêmula dos lábios e a olhou diante do rosto, incrédula.Gotas do líquido carmesim vital pingavam no chão.O grito agudo e arrepiante de uma serpente sendo morta ecoou em meio às trevas.Os olhos de Lucrecia se voltaram naquela direção, incrédulos.Não podia ser... maldição... não... ela não podia ter perdido um de seus melhores feitiços!— MATEM ESSE DESGRAÇADO! AGORA, AGORA OU NÃO LHES DAREI MAIS ALMAS PENADAS PARA DEVORAR! — gritava, mais histérica que os próprios pesadelos.Lucrecia podia sentir... algo estava acontecendo, algo que escapava de seus planos.Ela liberou todos os espelhos, abrindo os portais por completo.De um momento para o outro, rajadas de poder mágico ondularam no ar.Ela firmou os pés no chão, os cabelos esvoaçando com a ventania mágica que sacudia o ambiente.Ergueu as mãos para proteger o rosto, semicerrando os olhos.Aquele poder sombrio, que ela havia acumulado com tanto sacrifício, estava sendo... sugado?Lucrecia deu um passo p
NARRADORALucrécia lutou com todas as suas forças, esperneando enquanto era erguida no ar pela mão de Silas, envolto em um manto escuro de trevas.Os espectros uivavam frenéticos, absorvendo toda aquela magia poderosa que o mestre lhes permitia acessar através de sua conexão.Seus botins sacudiam-se em espasmos no ar, as veias aparecendo como teias de aranha escuras sob sua pele pálida.Lucrécia não podia acreditar que seu fim chegaria assim.Não, não, ela não podia morrer assim!Com o último resquício de magia, com sua última vontade, pensou em explodir como uma supernova.Ela levaria aquele desgraçado para a cova com ela.Fechou os olhos, parecendo derrotada, afundada, sem esperança.Agora! A magia vibrou em seu peito, concentrada, a dor rasgando-a por dentro, mas ela conseguiu.Ela conseguiria."VOCÊ E EU IREMOS JUNTOS, COMIGO, ATÉ O FIM!"Rugiu em sua mente e abriu os olhos para lhe dar um último olhar vitorioso.Não, não… por que ele estava rindo? Você vai morrer, infeliz! Por qu
NARRADORASigrid abaixou a mão com um nojo infinito, agarrando-a com uma força descomunal pelo cabelo murcho e ressecado, forçando-a a se ajoelhar.—Olhe para mim! —ordenou, encarando-a.Lucrécia não tinha forças nem para gritar, lágrimas de sangue escorriam pelo que um dia foi um dos rostos mais belos desta era.—Só lamento não poder ficar para sempre e destruí-la uma e outra vez. Eu a manteria viva apenas para despedaçar cada centímetro da sua alma, como você fez com ele —disse com um tom frio, baixo e feroz.A magia de Sigrid emanava furiosa de seu corpo, queimando o couro cabeludo de Lucrécia, que já estava à beira da morte.Sigrid convocou uma adaga em sua mão.—Silas, liberte-os com sua magia —pediu ao companheiro.Ele a encarou intensamente e assentiu. Logo, dois espectros gigantes surgiram ao seu lado e saltaram no vazio, corroendo o ferro das correntes.Gritos assustados ecoaram nas profundezas. Gemidos trêmulos e arfadas quebradas preenchiam o ar.O tilintar dos grilhões res
NARRADORAQuando Sigrid e Silas passaram pela sala onde Lucrécia os havia levado pela primeira vez, testemunharam o desastre que restou para trás.Assim, continuaram avançando pelos mesmos corredores escuros.Sigrid não se sentia muito bem; aquela punhalada traiçoeira ainda ardia em seu peito, mas ela não queria preocupar Silas.Algo a fazia permanecer grudada a ele completamente.Ela estava com medo, essa era a verdade.Apertou sua mão com força ao chegarem à entrada.As estátuas de acesso estavam na área subterrânea.A brisa fria da noite tocava seus rostos através do enorme buraco sobre suas cabeças.Silas apertou sua cintura, beijando sua testa com tanto amor, obcecado por sempre senti-la próxima ao seu corpo.Ele estava completamente rendido a essa mulher, só lamentava não vê-la por completo, mostrando seu corpo diante dele.Enormes asas escuras brotaram como névoa de suas costas.Ele se impulsionou, alçando voo com sua Selenia sempre protegida ao seu lado.Elevando-se no ar, olh