NARRADORASigrid estava extremamente tensa, não pela luta de vida ou morte que estava por vir, mas sim preocupada com os sentimentos e os impulsos assassinos de Silas.Lucrecia não podia descobrir o verdadeiro poder deles.O próprio Silas e sua condição de Selenia eram as maiores vantagens secretas que possuíam.O prelúdio da festa acontecia nos imensos jardins e salões abertos para o exterior, repletos de lanternas e luzes suaves, onde os convidados brindavam, conversavam e trocavam olhares sugestivos.Todos mascarados.Alguns ocultavam muito mais do que apenas o rosto.Estavam ali por um objetivo — e, ao aceitarem o convite, sabiam que a noite prometia orgias e sexo desenfreado.Aquilo era apenas o aquecimento. As verdadeiras festas aconteceriam mais tarde, nos andares subterrâneos da mansão.Ou talvez Lucrecia tivesse preparado algo ainda mais ousado e excitante.—Precisamos encontrar um jeito de fazê-la nos convidar para jogar em particular. Essa será a melhor chance de separá-la
NARRADORALucrecia procurava por todo lado, buscando pistas, insinuando-se de forma sedutora em cada canto.Já havia se deparado com casais, trios, quartetos e até quintetos espalhados pelo gramado, contra as sebes do labirinto, sobre os bancos de pedra.Dentro dessa enorme estrutura verde, pequenos pátios, fontes e recantos discretos eram estrategicamente projetados para o prazer.Ela adorava se perder naquele emaranhado de folhas, mas, naquela noite, nada parecia ser o bastante.Aqueles olhos... Ela não conseguia tirar da mente aqueles olhos negros.O escravo havia levantado a cabeça por um segundo, só um segundo, mas aquele olhar tão letal...Deusa, era tão parecido com o olhar do seu Gray.Havia algo de estranho nele, algo que ela não conseguia decifrar, mas precisava vê-lo novamente.De onde aquela puritana da Electra havia conseguido um exemplar como aquele?E parecia tão bem domesticado...Electra… aquela vadia a estava preocupando. Poderosa demais para o seu gosto.Nem mesmo M
NARRADORASigrid sentiu um movimento atrás dela e levou a mão sutilmente para trás, apertando a roupa de Silas.A mensagem era clara: "calma, eu posso lidar com isso".— Mas eu acho que havia mais eventos. Os outros vão ficar muito decepcionados — Sigrid respondeu com neutralidade.— Que se fodam. Venham, venham comigo, vamos para o meu santuário — Lucrecia os convidou, bem entusiasmada.Ela já ia estender as garras para agarrar Silas pelo braço, mas Alessandre foi mais rápido e segurou-a pela cintura, afastando-a.— Me conta, o que você estava fazendo para provocar tanto os meus pais? Já estou farto de nunca ser levado em consideração — o vampiro começou com sua conversa superficial, ajudando também Sigrid.Era mais que óbvia a luxúria nos olhos de Lucrecia ao encarar Silas, uma obsessão que ia além de qualquer disfarce perfeito.Através dos corredores escuros, com a brisa noturna fazendo as folhas sussurrarem, os gemidos abafados em cada canto e as risadinhas femininas, Lucrecia os
NARRADORA“Deusa”, Sigrid estava enojada.Isso, em outras circunstâncias, talvez se os atores estivessem ali por vontade própria, seria excitante, mas assim, era apenas deplorável.Os homens apalpavam a escrava que gemia entre eles, enfiavam as mãos entre suas pernas, chupavam e apertavam seus seios.Logo ela se ajoelhou entre os dois e começou a estimular seus membros com a boca e as mãos.Ao lado, Lucrecia parecia bem entretida.Sigrid procurava com o olhar o escravo que lhe interessava.Por precaução, não queria se enganar.Estava 99% segura de que era Umbros quem precisava salvar, mas aquele 1% restante estava ligado a esse escravo que lhe provocava algo estranho no peito.Ela precisava ter certeza.Quando os gemidos ficaram mais altos e a garota de seios chamativos, pele clara e cabelos castanhos começou a cavalgar um dos escravos deitado sobre os tecidos, enquanto chupava o membro do outro que estava de pé ao seu lado, Sigrid deu um bocejo de tédio.Mais claro, impossível: eu qu
narradoraNa mão livre de Silas, formou-se uma adaga negra e mortal, que imediatamente apontou para o pescoço de Lucrecia.Ambos atacaram ao mesmo tempo, aproveitando o fator surpresa e a proximidade.Só que não seria tão fácil.A adaga e as chamas devoradoras foram engolidas de repente por uma névoa escura.O corpo de Lucrecia desapareceu no nada, flutuando em magia negra e reaparecendo alguns metros adiante.Por um segundo, os três se encararam.— Quem diabos é você?! — rugiu Lucrecia, analisando Sigrid com profundidade.Isso ela realmente não esperava.Não podia ser... esse era o poder de uma Selenia dentro de Electra?— Isso não importa, só que você vai morrer — Sigrid não estava para mais conversa.Ela invocou uma espada afiada, cujas chamas azuis brilhavam intensamente, e se lançou contra Lucrecia, que também convocou uma espada de fogo.Elas começaram a lutar no amplo salão, destruindo os móveis, trocando golpes ferozes, cada investida e bloqueio carregado de ódio.Quem quer qu
NARRADORASigrid estava desesperada.Ela sabia que devia haver algum portal mágico em algum lugar: nas paredes, no teto...— Maldição! — explodiu, cheia de raiva e impotência.Silas era forte, mas ela ainda tinha medo. Eles não deveriam ter se separado.De repente, no meio de seu desespero, uma dor intensa começou a tomar conta do peito, forte demais.Ela levou a mão ao esterno.Deusa, o que era isso agora?Sua mente estava em caos, a visão turva enquanto suas mãos tateavam pedra por pedra, procurando a abertura mágica.Ela precisava se acalmar. Culpava o estado de raiva desenfreada, sentia que estava perdendo o controle.Electra se revirava em sua prisão, mais enlouquecida do que nunca, gritando para ser libertada.— Agora não, sua louca maldita! — rugiu, reprimindo o espírito com toda a sua força.Ela não podia dividir seu poder naquele momento, não podia se enfraquecer tentando mantê-la contida.Só que Sigrid se esqueceu de que não estava sozinha naquele quarto.Alguém mais estava
NARRADORAEla afastou a mão trêmula dos lábios e a olhou diante do rosto, incrédula.Gotas do líquido carmesim vital pingavam no chão.O grito agudo e arrepiante de uma serpente sendo morta ecoou em meio às trevas.Os olhos de Lucrecia se voltaram naquela direção, incrédulos.Não podia ser... maldição... não... ela não podia ter perdido um de seus melhores feitiços!— MATEM ESSE DESGRAÇADO! AGORA, AGORA OU NÃO LHES DAREI MAIS ALMAS PENADAS PARA DEVORAR! — gritava, mais histérica que os próprios pesadelos.Lucrecia podia sentir... algo estava acontecendo, algo que escapava de seus planos.Ela liberou todos os espelhos, abrindo os portais por completo.De um momento para o outro, rajadas de poder mágico ondularam no ar.Ela firmou os pés no chão, os cabelos esvoaçando com a ventania mágica que sacudia o ambiente.Ergueu as mãos para proteger o rosto, semicerrando os olhos.Aquele poder sombrio, que ela havia acumulado com tanto sacrifício, estava sendo... sugado?Lucrecia deu um passo p
NARRADORALucrécia lutou com todas as suas forças, esperneando enquanto era erguida no ar pela mão de Silas, envolto em um manto escuro de trevas.Os espectros uivavam frenéticos, absorvendo toda aquela magia poderosa que o mestre lhes permitia acessar através de sua conexão.Seus botins sacudiam-se em espasmos no ar, as veias aparecendo como teias de aranha escuras sob sua pele pálida.Lucrécia não podia acreditar que seu fim chegaria assim.Não, não, ela não podia morrer assim!Com o último resquício de magia, com sua última vontade, pensou em explodir como uma supernova.Ela levaria aquele desgraçado para a cova com ela.Fechou os olhos, parecendo derrotada, afundada, sem esperança.Agora! A magia vibrou em seu peito, concentrada, a dor rasgando-a por dentro, mas ela conseguiu.Ela conseguiria."VOCÊ E EU IREMOS JUNTOS, COMIGO, ATÉ O FIM!"Rugiu em sua mente e abriu os olhos para lhe dar um último olhar vitorioso.Não, não… por que ele estava rindo? Você vai morrer, infeliz! Por qu