Maria No dia seguinte, Maria decidiu que iria à fazenda. Miguel apareceu na pousada com sua caminhonete, e Maria, com Clara nos braços e sua bagagem, subiu ao veículo. — Está pronta? — perguntou Miguel, olhando pelo retrovisor. Maria apenas assentiu, o coração apertado de ansiedade. A viagem até a fazenda Santo Antônio levou pouco mais de uma hora. O caminho era ladeado por colinas verdes, plantações que pareciam não ter fim e riachos brilhando sob o sol da manhã. Quando chegaram, Maria viu a casa principal: uma construção simples, mas robusta, cercada por um jardim bem cuidado. Nos arredores, havia galpões, cercados de arame e um grande pasto onde algumas vacas pastavam. O senhor Alfredo as recebeu na varanda, um homem robusto, com cabelos grisalhos e um olhar cansado, mas firme. — Você deve ser a Maria — disse ele, estendendo a mão calejada. — Sim, senhor — respondeu ela, tentando esconder o nervosismo. — Miguel falou muito bem de você. E essa é a sua pequena? Maria segurou
Maria A rotina começa cedo, na manhã seguinte Maria ajudou na cozinha, preparando o café para os trabalhadores da fazenda, e passou o restante do dia limpando a casa principal. Clara ficou em um carrinho próximo enquanto Maria trabalhava, sempre ao alcance dos olhos atentos de María. D. Hilda gostava de cozinhar, tinha feito isso a vida toda, era uma forma de demonstrar amor pela sua família, porém a idade já estava pesando e por isso estavam contratando a Maria. — Sua filha é adorável. Comentou Dona Hilda a esposa de seu Alfredo, o dono da fazenda, enquanto ajudava Maria a dobrar roupas no final do dia. — Vai se sair bem aqui. O Alfredo é exigente, mas tem um bom coração. Diz d. Hilda. – Espero que seu esposo goste de meu trabalho d. Hilda. –María me chame de Hilda, vamos conviver diariamente bem dizer na mesma casa, espero que sejamos amigas, gosto de seus serviços, e essa lindeza tem me conquistado. Maria sentiu um pequeno alívio ao ouvir isso. A fazenda parecia ser exa
MariaSegredos Sob a Luz da LuaOs dias seguiam serenos na Fazenda Santo Antônio. Luís já era uma presença constante, sua figura magra e seu sorriso tímido haviam se tornado parte daquele cenário tranquilo. Ele trabalhava lado a lado com Alfredo no jardim, ajudava Hilda com pequenos reparos pela casa e tinha um carinho especial por Clara, que o adorava.Mesmo assim, Maria notava que, por trás daquele olhar calmo, Luís carregava uma dor profunda, algo que parecia pesar mais do que sua mochila velha e surrada.Naquela noite, após o jantar, Alfredo convidou Luís para sentar com ele na varanda. O céu estava limpo, repleto de estrelas, e a brisa trazia o cheiro doce das flores do campo. Hilda e Maria estavam dentro de casa, cuidando de Clara, que já dormia profundamente em seu bercinho.— Luís, sente-se aqui comigo, rapaz. — Alfredo apontou para a cadeira ao lado da sua.Luís hesitou por um momento, mas depois se aproximou e sentou-se. Alfredo acendeu seu velho cachimbo, tragou devagar e s
O Peso do SilêncioO vento soprava suave naquela manhã, carregando o perfume doce dos jasmins que cercavam o pequeno túmulo improvisado. Eu a observava de longe, como fazia todas as manhãs desde que construí aquele santuário para Helena. Ela estava ajoelhada, os cabelos escuros caindo como um véu ao redor do rosto pálido. Em suas mãos, um pequeno buquê de flores brancas. Ela falava baixinho, quase como se estivesse contando um segredo a alguém invisível.Meu coração pesava no peito. Aquele lugar era uma mentira. Uma mentira que eu mesmo construí para manter Helena firme, para que ela tivesse algo a que se agarrar. E, ainda assim, não conseguia me arrepender. Ela precisava daquele espaço, daquele pedaço de terra, para soltar um pouco da dor que a consumia por dentro.Dei um passo para trás, pronto para deixá-la sozinha com suas palavras e suas lágrimas, mas ela me viu.— Antônio... — chamou, a voz frágil, quase um sussurro.Me aproximei devagar, com cuidado, como se qualquer movimento
EM OUTRO PARTE…FELIPE O Retorno de FelipeA estrada se estendia à minha frente como uma serpente silenciosa, iluminada apenas pelos faróis do meu carro. O motor rugia baixo enquanto minhas mãos firmes apertavam o volante. O céu estava sem nuvens, com a lua cheia brilhando forte. Depois de meses longe, eu finalmente estava voltando para a Fazenda Feitiço do Sol Nascente.Minhas costas doíam depois de horas dirigindo, mas a dor mais intensa era aquela que queimava no fundo do meu peito. Uma mistura de culpa, cansaço e um presságio sombrio. Eu sabia que as informações que trazia comigo iriam incendiar o mundo que Vicenzo tentava manter sob controle.Lembrei-me de Camila. Seu rosto assombrava meus pensamentos, assim como o cheiro de poeira e medo que impregnava aquele ar maldito.Lembranças onA boate estava cheia, abafada, e o som da música eletrônica era ensurdecedor. Eu estava encostado no balcão, com um copo de uísque barato na mão, observando o movimento ao meu redor. Paulo não est
FELIPE Paulo.Esse nome me atormentava. Ele não era apenas um criminoso comum; ele era um arquiteto do inferno, um mestre na arte de manipular e destruir vidas. E o pior de tudo: ele não estava sozinho. Alguém mais puxava as cordas, alguém invisível, mas com poder suficiente para manter uma rede internacional de tráfico funcionando sem ser descoberto por anos.— Fale, Felipe. Quero ouvir tudo.Respirei fundo, minhas mãos apoiadas na mesa, olhando diretamente para Javier.— Paulo não é apenas um intermediário, Javier. Ele está no coração dessa rede, ele organiza as rotas, os leilões, ele tem contatos com políticos, policiais e empresários. Ele não é um peixe pequeno, ele é um tubarão.Javier examinava cada foto, cada papel, enquanto eu continuava:— Consegui uma informante dentro do esquema, uma mulher chamada Camila. Ela trabalhou diretamente para Paulo. Foi ela quem me entregou essas provas, esses registros. Mas, Javier… Paulo não é o topo dessa cadeia. Há alguém acima dele. Eles ch
O Fantasma no HorizonteEnquanto a manhã avançava Vicenzo examinava cada detalhe com uma calma quase cruel, como se pesasse cada informação em uma balança invisível. Ele tomou um gole do conhaque antes de finalmente falar:— Paulo sempre foi um verme ambicioso, mas isso… isso ultrapassa qualquer limite. Traficar jovens como se fossem gado. Não há honra nisso.— Ele não está sozinho, Dom Vicenzo. Ele responde a alguém. Um homem que chamam de 'O Fantasma'.O silêncio preencheu o salão. Vicenzo inclinou-se para frente, seus olhos fixos nos meus.— 'O Fantasma'. Já ouvi rumores. Mas ninguém nunca chegou perto o suficiente para provar que ele existe. Você está entrando em águas profundas, Felipe. sabe disso não?— Ele você sabe quem sabia, ele sempre desconfiou que tinha pessoas agindo pelas suas costas, prova disso é ter mantido o segredo sobre minha existência, meu passado e minha origem. Falo para Vicenzo.–É por isso que precisamos de apoio. Precisamos de recursos, homens leais, e… um
Dom Vicenzo. A luz suave das velas iluminava o grande salão de jantar da mansão de Dom Vicenzo. O ar estava denso com o aroma das iguarias italianas preparadas com esmero. O barulho da porcelana e do cristal ao serem tocados fazia parte do cenário sofisticado que envolvia o jantar. Salvatore, com seu traje impecável, estava sentado à mesa com Dom Vicenzo, o patriarca da família, que olhava com atenção para o copo de vinho tinto. "Salvatore," começou Dom Vicenzo, sua voz grave e autoritária, "o casamento de Felipe e Helena precisa acontecer o mais breve possível. A situação se tornou urgente. Não podemos mais adiar esse evento." Salvatore assentiu lentamente, já ciente da pressão que estavam enfrentando. –Entendo, Vicenzo, você está me propondo um acordo de casamento entre seu homem de confiança Felipe e Helena minha filha. – Isso mesmo Salvatore, o mais rápido possível, Felipe conheceu Helena, pois você mesmo que pediu que ele a treinasse! E como Felipe está com viagem marcad