Assim que voltou para a casa da família Frota, Lorena começou a redecorar o quarto de Michel. Desde os lençóis até os itens de higiene no banheiro, ela trocou tudo. Até os chinelos, que ele usava há anos, acabaram no lixo.No lugar, colocou um par de chinelos em azul e rosa, modelo de casal. Na verdade, quase todos os itens de higiene agora eram versões combinando, como se fossem feitos para um casal apaixonado.Lorena se movimentava de um lado para o outro no quarto, ocupada com as mudanças. Michel, por sua vez, apenas a observava em silêncio. Ele estava acostumado a viver sozinho, e agora, de repente, tinha uma mulher em sua vida sua esposa, nada menos. Era um sentimento estranho.Quando seu pai ligou, insistindo para que ele voltasse rapidamente e se casasse, Michel hesitou. Afinal, nunca tinha visto Lorena antes. Apenas sabia que ela tinha um namorado de anos, um homem que parecia nunca querer se casar com ela.Quem diria que, no fim, ela aceitaria se casar com ele?Inicialmente, M
Quando os dois chegaram ao hospital, Gabriel estava sendo empurrado para fora da sala de cirurgia, ainda inconsciente.Helena, ainda usando o vestido de noiva, estava sentada ao lado da cama, com o olhar vazio. Assim que viu Lorena, levantou-se de repente e correu em sua direção. Suas unhas afiadas quase atingiram o rosto de Lorena:— Por quê? Por que você tinha que estragar o meu casamento com o Gabriel?Michel entrou no meio e segurou Helena antes que ela conseguisse fazer algo. Ela começou a chorar descontroladamente:— Olha para ele! Ele está nesse estado por sua causa! Ele não quer se casar comigo, e é porque não consegue te esquecer! Você está feliz agora? É isso que você queria?Lorena ignorou o escândalo de Helena e franziu a testa, aproximando-se da cama de Gabriel. O rosto dele estava pálido, os olhos fechados. Ele parecia... morto.— Se a cirurgia foi bem-sucedida, ele vai ficar bem, certo? — Lorena perguntou, tentando manter a calma.De repente, Gabriel começou a murmurar,
Ao ver Michel entrar no quarto, o rosto de Gabriel escureceu imediatamente:— Michel, o que você está fazendo aqui?— Não percebe? — Michel cruzou os braços, encarando-o com frieza. — Você é o Gabriel, certo? Aquele por quem a Lorena rejeitou, uma vez após a outra, as propostas de casamento da família Frota?— Lorena recusou as propostas da família Frota por minha causa?O sentimento de culpa de Gabriel cresceu ainda mais. Durante todos esses anos, ele pensara que Lorena não tinha ninguém porque, além dele, mais ninguém a queria. Nunca passou pela sua cabeça que Lorena já tinha um noivo e que esse noivo era alguém como Michel, um oficial militar, muito mais digno do que ele. Naquele momento, Gabriel percebeu o quão errado estava. Se tivesse outra chance, jamais teria aceitado Helena ou concordado em se casar com ela.— Pronto, você já acordou. Agora eu e minha esposa vamos para casa descansar. — Disse Michel com indiferença.Michel não tinha paciência para perder tempo com ele. Quando
Depois que Lorena foi embora, Gabriel sentiu-se pior do que morto. Ele tentou sair da cama, mas foi impedido pela enfermeira:— Sr. Gabriel, seus ferimentos ainda não sararam, e seu corpo está muito fraco. É melhor continuar deitado.— Eu preciso encontrar a Lorena! Tenho que encontrá-la! Não tente me impedir!— Está falando da jovem que ficou com você ontem à noite? Pois ela já foi embora com o marido dela.Aquela frase foi como um balde de água fria na cabeça de Gabriel."Marido? O marido dela? Lorena se casou? Ela realmente se casou?"A ideia martelava na cabeça dele. Lorena estava com outro homem, havia se casado com ele. Mas não, enquanto não assinassem os papéis, não seria um casamento de verdade!— Ele não é o marido dela! Eu sou! Eu sou o verdadeiro marido da Lorena!A voz de Gabriel estava cheia de desespero, e a enfermeira parecia não saber mais o que fazer com ele.Nesse momento, Helena entrou no quarto, visivelmente agitada:— Gabriel, estou grávida!Aquelas palavras caíram
— Gabriel, você tem ideia do que está dizendo? O que eu carrego no meu ventre é seu filho! Seu próprio sangue! E você tem a coragem de me dizer que quer que eu o tire? — Helena gritou, a voz embargada pela dor e pela incredulidade.Gabriel ergueu o olhar, o rosto inexpressivo, tão frio quanto uma máquina desprovida de qualquer sentimento:— Para ser exato, isso ainda não é uma criança. Ainda nem completou um mês. É apenas um conjunto de células.Os lábios finos dele se moveram com suavidade, mas as palavras que saíram eram impiedosas como uma lâmina.— Células? — Helena repetiu, incrédula com a crueldade do que ouvia. Ela balançou a cabeça e deu alguns passos para trás, como se precisasse escapar daquela realidade. — Gabriel, é o seu filho! Como você pode dizer isso?— Filho? Que filho?Antes que Helena pudesse responder, os amigos de Gabriel entraram pela porta, trazendo a conversa a um abrupto silêncio. Ao ver o rosto devastado de Helena, com os olhos vermelhos e as lágrimas escorren
Quando Helena acordou, já estava em um quarto comum do hospital. Sentiu o ventre vazio, como se ali nunca tivesse existido nada.Pouco depois, um dos homens enviados por Gabriel entrou no quarto e jogou sobre a mesa ao lado da cama um cartão bancário:— Aqui tem cinco milhões. Foi o Sr. Gabriel que pediu para entregar a você.Helena olhou para o cartão e sentiu um frio percorrer seu coração. Cinco milhões? Antes era apenas um milhão. Parece que o preço dela subiu depois de perder o bebê.— Além disso, o Sr. Gabriel também comprou uma passagem de avião para você. É para hoje à tarde.— Hoje à tarde?Helena riu, mas era uma risada amarga. Não imaginava que Gabriel a odiasse tanto. Ela mal havia saído da cirurgia e ele já queria que ela desaparecesse da sua vista para sempre.— Quero vê-lo. — Disse Helena, encarando o homem.— Sinto muito, mas o Sr. Gabriel foi claro: ele não vai vê-la. — Assim que terminou de falar, o homem trancou a porta do quarto. — Quando chegar a hora, eu te levo ao
O ar no haras era fresco, e o horizonte amplo fazia Lorena se sentir mais leve.— Venha cá.A voz de Michel chamou sua atenção. Ele estava a alguns metros, acenando para ela. Lorena ficou momentaneamente perdida em seus pensamentos.Aquele homem, com seu charme imponente e cada gesto carregado de elegância, parecia um príncipe saído de um conto de fadas. Vestia roupas de montaria impecáveis e segurava as rédeas de um pequeno cavalo com um sorriso despreocupado nos lábios. Sua presença chamava a atenção de um grupo de jovens que estavam por perto. Algumas delas, encantadas, sacavam os celulares e tiravam inúmeras fotos. Outras, mais ousadas, se aproximavam, pedindo o número de telefone dele.Lorena franziu as sobrancelhas, e seu rosto imediatamente escureceu. Sem hesitar, ela caminhou rapidamente até uma das garotas que segurava o celular. Pegou o aparelho e digitou uma sequência de números:— Aqui está o número.— Obrigada! — A jovem foi embora radiante, segurando o celular como se fos
Ao ver aquela cena, Gabriel quase explodiu de raiva:— Michel, solte ela! Eu não vou permitir que você toque nela!Ele avançou, tentando separá-los à força.Michel, no entanto, apenas deu um pequeno passo para o lado, e Gabriel, sem equilíbrio, caiu desajeitado no chão. Rolou até parar, parecendo completamente patético.Ao redor, as pessoas observavam a cena como se fosse um espetáculo, murmurando entre si:— Bem feito! Fez tanta coisa errada, agora está pagando o preço.— Amor tardio não vale nada! Se arrependimento matasse, não teria feito o que fez.Michel olhou para Gabriel com um sorriso frio e zombeteiro:— Sr. Gabriel, vou te avisar pela última vez: pare de nos importunar. Lorena agora é minha esposa, e será minha esposa para o resto da vida. Você perdeu. Acabou.Gabriel, com dificuldade, levantou-se do chão:— Casamento pode acabar! Um divórcio resolve tudo. Michel, não se ache tanto. Lorena me ama, não você!— Você não sabe que casamento militar é protegido por lei? — Michel r