LaraO silêncio pesado da suíte foi quebrado pelo som de um trovão distante. A chuva começava a cair lá fora, grossas gotas batendo contra o vidro da janela. A garrafa de vinho ainda estava sobre a mesa, como um lembrete sombrio de que algo — ou alguém — estava nos observando de perto.Alexandre continuava de pé, com os olhos fixos no celular, mandando mensagens rápidas e precisas para seus contatos. Eu sabia que ele estava tentando assumir o controle da situação, mas a tensão em seu rosto dizia que ele estava mais preocupado do que queria admitir.De repente, o som de algo se quebrando na varanda me fez gelar.— Alexandre... — sussurrei, mas ele já havia percebido.Em um movimento rápido, ele pegou a arma que mantinha em sua mala e fez sinal para que eu ficasse atrás dele.— Fique aqui. Não se mova — ele disse em um tom baixo e autoritário.Meu coração estava disparado, cada batida soando como um tambor nos meus ouvidos. Ele se aproximou da porta da varanda, cuidadosamente. O barulho
Lara Eu não sabia ao certo em que momento deixei de controlar meus pensamentos e passei a ser controlada pelo medo. A ideia de continuar naquele país, longe de qualquer lugar que eu pudesse considerar seguro, era insuportável. Alexandre tentou me convencer a ficar, a não deixar que as ameaças tomassem conta de nós, mas, no fundo, eu sabia que ele também sentia o mesmo que eu. Não era só a carta na varanda, ou o telefone tocando com aquela risada sinistra do outro lado. Era tudo: a chuva pesada que parecia anunciar algo ruim, as luzes piscando, os sons estranhos no corredor... Tudo isso parecia fazer parte de um jogo perverso, criado apenas para nos destruir de dentro para fora. Eu não consegui dormir naquela noite. Fiquei deitada na cama, com as luzes acesas, enquanto Alexandre falava ao telefone tentando resolver as coisas. Ele havia conseguido um voo de última hora para voltarmos ao Brasil, e eu só queria ir embora. Deixar para trás aquele hotel, aquele país, e tudo que estava no
Augusto A risada ecoava no telefone, carregada de uma satisfação doentia que só alguém como Augusto poderia sentir. Do outro lado da linha, eu sabia que Lucas estava sorrindo. Ele sempre sorria, especialmente quando sabia que suas jogadas maquiavélicas estavam funcionando.— Então, já estão em casa? — Lucas perguntou, com a voz leve, quase casual, como se estivessem falando de algo banal.Eu ri, mas o som não tinha nada de humor. Era puro escárnio, carregado do orgulho que sentia pelo nosso plano estar funcionando tão bem.— Exatamente como previsto. A princesinha e o maridozinho dela voltaram correndo para o ninho. — Minha voz saiu baixa, calculada, do jeito que eu gostava. Cada palavra era como um veneno pingando na mente de Lara e Alexandre, mesmo que eles não pudessem ouvi-la diretamente.Lucas riu do outro lado, um som que misturava cinismo e uma pontada de empolgação.— Ela deve estar em pedaços agora. Não que isso me surpreenda. A Lara sempre foi uma alma fraca, dependente. Nã
LaraO silêncio dentro de casa era sufocante. Eu estava sentada no sofá, segurando o celular com tanta força que meus dedos estavam começando a doer. A mensagem ainda brilhava na tela, como se tivesse sido escrita com fogo:"Bem-vinda de volta, Lara. Espero que esteja pronta, porque o jogo está apenas começando."Meu coração disparou. Quem quer que estivesse por trás disso, sabia exatamente como me atingir. Respirei fundo, mas era inútil. O medo ainda estava ali, firme, queimando dentro de mim.Alexandre estava ao meu lado, tenso. Ele esfregava o rosto com as mãos, claramente tentando organizar os pensamentos. Desde que voltamos da Itália, ele estava mais alerta, sempre com aquele olhar de quem esperava um ataque a qualquer momento. Mas, dessa vez, nem ele parecia preparado para isso.— Isso não pode estar acontecendo — minha voz saiu baixa, quase um sussurro.Alexandre olhou para mim, e eu vi algo diferente nos olhos dele. Ele não estava apenas irritado. Ele estava furioso.— Alguém
Alexandre Eu nunca fui um homem de deixar as coisas saírem do meu controle. Sempre lidei com problemas da forma mais direta possível: eliminando-os antes que crescessem. Mas agora, pela primeira vez em muito tempo, eu sentia que alguém estava tentando me colocar contra a parede.E o pior? Estavam mexendo com a Lara.Isso não era aceitável.Desde a Itália, aqueles recados começaram. No início, parecia coisa de algum desocupado tentando nos assustar. Mas agora? Agora as ameaças estavam chegando até a nossa porta.Eu podia ver nos olhos dela o medo crescendo. Lara tentava esconder, tentava agir como se não estivesse assustada, mas eu via. Eu conhecia cada detalhe, cada expressão do rosto dela.E eu não ia deixar isso continuar.Puxei o celular do bolso e disquei o número de Ricardo. Ele atendeu no terceiro toque.— Alexandre.— Preciso que investigue alguém para mim — fui direto ao ponto. Não tinha tempo para rodeios.Ricardo ficou em silêncio por um instante, provavelmente percebendo p
Alexandre O vento frio da noite batia contra minha pele enquanto eu estacionava o carro na garagem. O dia tinha sido longo, e minha cabeça ainda fervia com tudo que eu tinha discutido com Ricardo. Mas agora, nada disso importava. Eu precisava focar em outra coisa.Lara.Ela já estava nervosa o suficiente com toda essa situação, e eu não ia deixar que isso a consumisse. Não ia deixar que ninguém transformasse nossa vida em um pesadelo.Saí do carro e entrei em casa, sentindo o cheiro familiar do perfume dela misturado ao aroma leve de café que ainda pairava no ar. Lara estava sentada no sofá, as pernas cruzadas e o celular na mão, provavelmente distraída com alguma coisa, mas eu percebi de longe a tensão nos ombros dela. Ela estava tentando agir normalmente, mas eu conhecia cada detalhe dela bem demais para ser enganado.— Oi, amor — ela levantou os olhos para mim, forçando um sorriso.Caminhei até ela, abaixando para depositar um beijo na sua testa antes de me sentar ao seu lado.— O
Alexandre A noite estava tranquila, diferente dos últimos dias de tensão que passei ao lado de Alexandre. O jantar na casa da minha avó era um respiro de alívio, algo que eu precisava desesperadamente. Depois de todas as ameaças e incertezas, estar ali, cercada por pessoas que realmente se importavam comigo, me fazia sentir segura. Dona Cecília nos recebeu com um sorriso caloroso assim que chegamos. Seus olhos brilharam quando me viu, e ela não hesitou em me puxar para um abraço apertado. — Minha menina, eu sabia que tinha alguma coisa errada! Voltar assim, tão de repente… Mas o importante é que vocês estão bem! — disse ela, me apertando como se eu pudesse desaparecer a qualquer momento. — Estamos, vó. Foi só um imprevisto, nada demais — menti, tentando não preocupá-la. Alexandre cumprimentou minha avó com respeito e simpatia. Ele sabia o quanto ela era importante para mim, e mesmo que nosso casamento tivesse começado de maneira complicada, eu via que ele tentava se encaixar
Lara Entramos em casa, e a atmosfera parecia diferente. O jantar com minha família trouxe um pouco de normalidade para nossas vidas conturbadas, mas agora, sozinhos novamente, era impossível ignorar a tensão que ainda pairava sobre nós. Alexandre fechou a porta e se encostou nela, me observando com um olhar carregado de algo que eu conhecia bem. Desejo. Mas não só isso. Havia carinho, necessidade, aquela urgência silenciosa que nos conectava sempre que estávamos juntos. — Foi bom estar com sua família — ele disse, a voz rouca. — Foi sim — respondi, me aproximando. Ele segurou minha cintura e me puxou para perto, e eu senti seu calor me envolver. — Mas agora eu quero você só pra mim. Minha respiração vacilou quando ele roçou os lábios nos meus, sem pressa, como se quisesse saborear cada segundo. O beijo começou lento, terno, mas a intensidade logo aumentou. Alexandre sempre teve esse jeito de me fazer esquecer de tudo ao nosso redor. Seus dedos deslizaram pelas minhas costas at