Alexandre Depois do almoço de comemoração, chegou o momento de nos despedirmos. O clima estava cheio de alegria, mas também de emoção. Lara foi até sua avó, dona Cecília, que a aguardava com um sorriso carinhoso. — Minha menina, eu sabia que você encontraria alguém especial. Você merece ser feliz — disse dona Cecília, segurando o rosto de Lara com as duas mãos. — Alexandre, cuide dela. Não é só uma promessa, é uma responsabilidade. — Pode confiar, dona Cecília. Eu vou fazer de tudo para que a Lara seja feliz ao meu lado — respondi, sentindo o peso e a honra dessas palavras. Lara abraçou a avó com força, emocionada, enquanto os irmãos, Thiago e Júlia, esperavam por sua vez. Júlia, estava radiante, como se estivesse assistindo a um conto de fadas ao vivo. — Você tá linda, Lara! Eu nem acredito que minha irmã casou! — disse Júlia, abraçando-a. — E você vai ficar linda no meu lugar um dia, Júlia — respondeu Lara, com um sorriso emocionado. Thiago, estava um pouco tímido, mas logo
LaraA noite envolvia a cidade como um manto de mistério e elegância. A brisa morna atravessava a varanda da nossa suíte de hotel em Florença, trazendo o aroma das flores do jardim abaixo. A suíte era um verdadeiro sonho: decorada em tons dourados e creme, com uma cama majestosa rodeada por cortinas de seda e uma banheira de mármore com vista para as luzes cintilantes da cidade. Alexandre, como sempre, havia exagerado nos detalhes, mas eu não podia negar que tudo era deslumbrante.Depois de desfazer parte da mala que ele mandou buscar na minha casa, fiquei na varanda, absorvendo o cenário. Eu estava confusa, como se uma tempestade de sentimentos se formasse dentro de mim. Casar com Alexandre tinha sido uma decisão prática, um contrato que prometia resolver os problemas de ambos. Ainda assim, aqui estávamos nós, como um casal de verdade, em um lugar que parecia saído de um conto de fadas.— O que você está pensando? — perguntou Alexandre, surgindo atrás de mim. Sua voz era calma, mas c
Lara A noite estava mais silenciosa do que o habitual em Florença. A suíte de hotel brilhava com uma luz suave e confortável, mas havia algo no ar que me deixava inquieta. Alexandre estava no chuveiro, e eu estava na varanda, olhando para as ruas estreitas e charmosas da cidade. A lua cheia pairava no céu, mas eu não conseguia aproveitar a beleza da noite. Era como se uma sombra invisível estivesse pairando sobre mim. Foi então que meu celular vibrou sobre a mesa. Olhei para a tela, e meu coração quase parou. Era um número desconhecido, mas a mensagem era clara e perturbadora: "Você acha que está segura, Lara? Não subestime o passado. Ele tem um jeito de te alcançar, mesmo quando você pensa que escapou dele." As palavras eram como facas perfurando meu peito. Quem havia mandado aquilo? E por que agora, no meio da nossa viagem? O contrato de casamento já era complicado o suficiente, e eu não precisava de mistérios adicionados à mistura. — Algum problema? — A voz de Alexandre me fez
LaraO silêncio pesado da suíte foi quebrado pelo som de um trovão distante. A chuva começava a cair lá fora, grossas gotas batendo contra o vidro da janela. A garrafa de vinho ainda estava sobre a mesa, como um lembrete sombrio de que algo — ou alguém — estava nos observando de perto.Alexandre continuava de pé, com os olhos fixos no celular, mandando mensagens rápidas e precisas para seus contatos. Eu sabia que ele estava tentando assumir o controle da situação, mas a tensão em seu rosto dizia que ele estava mais preocupado do que queria admitir.De repente, o som de algo se quebrando na varanda me fez gelar.— Alexandre... — sussurrei, mas ele já havia percebido.Em um movimento rápido, ele pegou a arma que mantinha em sua mala e fez sinal para que eu ficasse atrás dele.— Fique aqui. Não se mova — ele disse em um tom baixo e autoritário.Meu coração estava disparado, cada batida soando como um tambor nos meus ouvidos. Ele se aproximou da porta da varanda, cuidadosamente. O barulho
Lara Eu não sabia ao certo em que momento deixei de controlar meus pensamentos e passei a ser controlada pelo medo. A ideia de continuar naquele país, longe de qualquer lugar que eu pudesse considerar seguro, era insuportável. Alexandre tentou me convencer a ficar, a não deixar que as ameaças tomassem conta de nós, mas, no fundo, eu sabia que ele também sentia o mesmo que eu. Não era só a carta na varanda, ou o telefone tocando com aquela risada sinistra do outro lado. Era tudo: a chuva pesada que parecia anunciar algo ruim, as luzes piscando, os sons estranhos no corredor... Tudo isso parecia fazer parte de um jogo perverso, criado apenas para nos destruir de dentro para fora. Eu não consegui dormir naquela noite. Fiquei deitada na cama, com as luzes acesas, enquanto Alexandre falava ao telefone tentando resolver as coisas. Ele havia conseguido um voo de última hora para voltarmos ao Brasil, e eu só queria ir embora. Deixar para trás aquele hotel, aquele país, e tudo que estava no
Augusto A risada ecoava no telefone, carregada de uma satisfação doentia que só alguém como Augusto poderia sentir. Do outro lado da linha, eu sabia que Lucas estava sorrindo. Ele sempre sorria, especialmente quando sabia que suas jogadas maquiavélicas estavam funcionando.— Então, já estão em casa? — Lucas perguntou, com a voz leve, quase casual, como se estivessem falando de algo banal.Eu ri, mas o som não tinha nada de humor. Era puro escárnio, carregado do orgulho que sentia pelo nosso plano estar funcionando tão bem.— Exatamente como previsto. A princesinha e o maridozinho dela voltaram correndo para o ninho. — Minha voz saiu baixa, calculada, do jeito que eu gostava. Cada palavra era como um veneno pingando na mente de Lara e Alexandre, mesmo que eles não pudessem ouvi-la diretamente.Lucas riu do outro lado, um som que misturava cinismo e uma pontada de empolgação.— Ela deve estar em pedaços agora. Não que isso me surpreenda. A Lara sempre foi uma alma fraca, dependente. Nã
LaraO silêncio dentro de casa era sufocante. Eu estava sentada no sofá, segurando o celular com tanta força que meus dedos estavam começando a doer. A mensagem ainda brilhava na tela, como se tivesse sido escrita com fogo:"Bem-vinda de volta, Lara. Espero que esteja pronta, porque o jogo está apenas começando."Meu coração disparou. Quem quer que estivesse por trás disso, sabia exatamente como me atingir. Respirei fundo, mas era inútil. O medo ainda estava ali, firme, queimando dentro de mim.Alexandre estava ao meu lado, tenso. Ele esfregava o rosto com as mãos, claramente tentando organizar os pensamentos. Desde que voltamos da Itália, ele estava mais alerta, sempre com aquele olhar de quem esperava um ataque a qualquer momento. Mas, dessa vez, nem ele parecia preparado para isso.— Isso não pode estar acontecendo — minha voz saiu baixa, quase um sussurro.Alexandre olhou para mim, e eu vi algo diferente nos olhos dele. Ele não estava apenas irritado. Ele estava furioso.— Alguém
Alexandre Eu nunca fui um homem de deixar as coisas saírem do meu controle. Sempre lidei com problemas da forma mais direta possível: eliminando-os antes que crescessem. Mas agora, pela primeira vez em muito tempo, eu sentia que alguém estava tentando me colocar contra a parede.E o pior? Estavam mexendo com a Lara.Isso não era aceitável.Desde a Itália, aqueles recados começaram. No início, parecia coisa de algum desocupado tentando nos assustar. Mas agora? Agora as ameaças estavam chegando até a nossa porta.Eu podia ver nos olhos dela o medo crescendo. Lara tentava esconder, tentava agir como se não estivesse assustada, mas eu via. Eu conhecia cada detalhe, cada expressão do rosto dela.E eu não ia deixar isso continuar.Puxei o celular do bolso e disquei o número de Ricardo. Ele atendeu no terceiro toque.— Alexandre.— Preciso que investigue alguém para mim — fui direto ao ponto. Não tinha tempo para rodeios.Ricardo ficou em silêncio por um instante, provavelmente percebendo p