Luíza
Eu ainda não conseguia processar direito o que acabara de acontecer. O jantar que era para ser uma comemoração tranquila se transformou em algo que eu não tinha como prever. Alexandre anunciando que ele e Lara estavam esperando um bebê foi a cereja do bolo. E, como se isso não fosse suficiente, meu pai e minha mãe decidiram, de forma surpreendente, passar o controle total da empresa para ele. Era como se a minha vida inteira tivesse sido virada de cabeça para baixo em um único momento.Olhei para a mesa ao meu redor. Alexandre e Lara estavam sorrindo, trocando olhares cúmplices, como se tudo estivesse perfeito. Meu pai, Alfredo, parecia orgulhoso, como se estivesse cumprindo uma missão importante, e minha mãe, Beatriz, estava radiante, praticamente brilhando de felicidade. Eles estavam exultantes, comemorando a boa nova com entusiasmo.Mas o que eu sentia não era felicidade. Era uma sensação de traição. O que mais me incomodava não era o bebê em si,Augusto A noite parecia tranquila, mas dentro de casa, as coisas estavam longe de ser calmas. Eu sabia que Luíza estava à flor da pele. Não era para menos. O jantar com a família dela, com o Alexandre e a Lara, tinha terminado de uma forma que deixou ela ainda mais irritada. Eu, por um lado, até achei que as coisas poderiam melhorar, já que Alexandre finalmente estava assumindo o controle da empresa. Isso poderia significar que ele estaria mais distante das armações, mais focado no que ele deveria fazer. Mas Luíza… ela não via as coisas assim. Para ela, nada do que acontecia ali era justo. Eu sabia que ela ia explodir mais cedo ou mais tarde. O problema era saber quando, e, principalmente, o que ela faria quando o facho da raiva se acendesse. Eu estava na sala, mexendo em alguns papéis, tentando me distrair, mas não demorou muito para ouvir a porta se abrir com um estalo mais forte. Luíza entrou no ambiente com os olhos brilhando de raiva. Aquele brilho não era de satisfação, mas
AlexandreEu não sabia o quanto esse momento significava para mim até que ele aconteceu. Quando meus pais finalmente me entregaram o controle total da empresa, algo que eu nem sabia se conseguiria conquistar, uma onda de alívio e felicidade me tomou de assalto. Eu havia vencido, não apenas uma batalha contra a minha própria família, mas também contra todos os obstáculos que se colocaram no meu caminho ao longo dos últimos meses.Claro, no início, tudo parecia um jogo de interesses e estratégias. Quando comecei a me relacionar com Lara, tudo parecia parte de um contrato, uma simples formalidade para resolver uma situação. Mas conforme o tempo passava, algo começou a mudar dentro de mim. Eu não sabia o que era, mas comecei a olhar para ela de uma maneira diferente. Ela não era mais uma mera parceira de negócios ou uma mulher com quem eu havia feito um acordo. Não, ela se tornou a pessoa que eu amava. E essa realização me fez ver o mundo de uma forma nova.Eu
Augusto O som do meu celular cortou o silêncio da minha casa. A ansiedade aumentava a cada segundo, e eu sabia que precisava dar o próximo passo, mas a frustração de não ter controle da situação ainda me consumia. Era hora de agir, e tudo o que eu precisava agora era que Lucas e Julio estivessem em São Paulo. O quanto antes. Respirei fundo, deslizando o dedo sobre a tela do celular para discar. Lucas foi o primeiro a atender. A voz dele, com aquele tom calmo e direto que ele sempre tinha, já era esperada. — Augusto, estamos voltando o mais rápido possível. O que está acontecendo? Eu sabia que ele esperava algo mais específico, mas eu não estava pronto para dar todos os detalhes ainda. Eu tinha que manter tudo sob controle, sem dar informações que poderiam fazer com que ele ficasse ansioso ou, pior, que começasse a tomar decisões precipitadas. Não seria bom para ninguém. — Eu preciso que vocês volte
Alexandre Eu estava ansioso. O sentimento que eu tinha dentro de mim era indescritível, um misto de alegria, nervosismo e uma felicidade imensa. Era como se minha vida tivesse finalmente encontrado seu lugar, o equilíbrio que eu tanto buscava. A Lara estava grávida. Eu ia ser pai. E o primeiro passo de tudo isso era levar ela ao pré-natal. Era mais do que necessário, era fundamental que ela fizesse todos os exames, que tudo fosse monitorado com cuidado e carinho, para garantir que a gravidez dela seguisse bem. Eu olhei para ela enquanto entrávamos na clínica. Ela parecia tão tranquila, mas eu sabia que, por dentro, ela também estava nervosa. As mãos dela estavam levemente suadas e ela olhou para mim com aquele sorriso doce que sempre me acalmava. — Está nervosa? — perguntei, tentando arrancar uma risada dela. Ela deu um sorriso tímido e balançou a cabeça. — Não... só um pouco. Acho que é normal, né?
LaraEu nunca imaginei que poderia sentir algo tão intenso, tão poderoso. Meu coração ainda batia acelerado enquanto deixávamos a clínica. O que acabamos de viver era algo que jamais poderia ser descrito em palavras. A emoção de ver o nosso bebê pela primeira vez no ultrassom, aquela imagem tão pequena, mas tão perfeita, era simplesmente indescritível. Eu não conseguia parar de sorrir, de me sentir plena. Estávamos começando uma nova fase das nossas vidas, e tudo parecia tão certo, tão natural, como se o destino tivesse planejado isso para nós dois.Alexandre estava ao meu lado, segurando minha mão com tanta firmeza que parecia que ele queria me proteger de tudo o que o mundo pudesse oferecer. Eu o olhei, e vi nos seus olhos uma mistura de felicidade e amor que me fez ainda mais apaixonada. Ele estava ali, comigo, pronto para viver essa jornada ao meu lado. Eu sabia que ele ia ser um pai maravilhoso, porque o jeito como ele me olhava, o carinho com que cuidava de m
AUGUSTO Eu caminhei de um lado para o outro na sala, sentindo a raiva borbulhar dentro de mim. Lucas e Júlio estavam sentados no sofá, os olhos cravados em mim, esperando que eu falasse. Meu coração ainda martelava no peito desde o jantar de ontem. Tudo tinha desmoronado diante dos meus olhos, e eu não podia permitir que aquilo continuasse. — Vocês não têm ideia da merda que aconteceu — comecei, apertando os punhos. Lucas cruzou os braços, impaciente. — Então desembucha logo, Augusto. Por que tanta pressa pra gente voltar pra cá? Respirei fundo, tentando organizar a explosão de pensamentos na minha cabeça. — Os pais do Alexandre passaram o controle total da empresa para ele — cuspi as palavras com desprezo. Os olhos de Júlio se estreitaram. — Como assim? — ele perguntou, se inclinando para frente. — Exatamente o que eu disse! — bati a mão na mesa. — Aqueles dois idiotas decidiram que agora que Alexandre vai ser pai, ele ‘amadureceu’ e merece ser o novo dono da empres
LARAO shopping estava cheio, como sempre, com pessoas indo e vindo, carregando sacolas e conversando animadamente. Mas, para mim, nada disso importava. Meu mundo girava apenas ao redor de Alexandre e do nosso bebê. Segurei firme na mão dele enquanto andávamos pelos corredores iluminados, parando diante de uma vitrine repleta de roupinhas de bebê.Meus olhos brilharam ao ver aqueles pequenos macacões, tão delicados e fofos. Era surreal pensar que, dentro de alguns meses, teríamos um serzinho vestindo aquelas roupas, um pedacinho de nós dois.— Olha isso, amor! — puxei Alexandre para mais perto, apontando para um conjuntinho bege com detalhes em branco. — É a coisa mais linda!Ele sorriu, me observando com aquele olhar de quem se divertia com minha empolgação.— São bonitos, sim — disse, analisando as peças. — Mas você não acha que estamos adiantados? A gente nem sabe o sexo ainda.— Eu sei, mas… — suspirei, emocionada. — Eu só queria comprar alguma coisa. Só uma pecinha para simboliza
LaraAndávamos pelo shopping sem pressa, curtindo cada momento juntos. Depois de escolhermos algumas roupinhas de bebê, ainda paramos em outras lojas, observando brinquedos, móveis para o quarto do bebê e até carrinhos de bebê. Eu estava encantada com tudo, e Alexandre parecia igualmente envolvido, o que aquecia meu coração.— E esse aqui? — perguntei, segurando um sapatinho minúsculo e olhando para ele com brilho nos olhos.Ele pegou o sapatinho das minhas mãos e o analisou com um sorriso.— É bem pequeno… Parece impossível que nosso filho ou filha vá caber nisso.— Pois é — ri. — Mas logo, logo vai estar nos pezinhos dele… ou dela.Ele sorriu, balançando a cabeça em incredulidade, como se a ficha ainda não tivesse caído completamente.— Esse bebê vai ser muito amado — murmurei, passando a mão pela minha barriga, que ainda não mostrava sinais da gravidez, mas já carregava a vida que mudaríamos para sempre.Alexandre colocou a mão sobre a minha, fazendo um leve carinho.— Vai mesmo —