Capítulo 5

Valeska Suhai

A vergonha me consume, como olhar para ele depois de ter gozado em sua mão? O que Dylan deve estar pensando de mim? Que sou uma mulher fácil? Fui muito permissiva e essa não sou eu, ou não era. Depois que conheci o Misterioso e o Dylan não sei mais de nada. Para as meninas, não é nada de mais conhecer um, cara, ter um pouco mais de intimidade ou transar com ele no mesmo dia não é nenhum bicho de sete cabeças, já as vejo comemorando meu feito, de encalhada a tarada.

Estou em um conflito interno, recrimino meu comportamento no mesmo instante confesso a mim mesmo que gostei, ainda sinto todas as sensações em meu corpo, e o traidor, quer mais, mais do Dylan.

O que foi aquele soco no Ricardo, de onde ele surgiu? São tantas perguntas, um misto de contentamento por ele estar interessado em mim e apavorada, ambos com a mesma intensidade. Se pudesse, viraria fumaça e sumiria, na verdade, não sei o que quero porque desejo provar mais o gosto de sua boca. Ainda tem o Misterioso, também senti por ele o que sinto por Dylan, apesar que depois de hoje, Dylan está ganhando em disparada. Só posso estar ficando maluca, oito meses sem sexo tirou minha sanidade, o Misterioso nem sabe que eu existo, essa disputa existe apenas em minha cabeça e no meu coração.  

Dylan abre a porta do seu Land Rover para que eu entre. Fecha a porta e vai para o lado do motorista, verifica se estou com o cinto de segurança e dá a partida. Estamos em silêncio, saímos da boate em Copacabana em direção ao Recreio. O silêncio é quebrado quando Dylan pede para explicar como ele faz para chegar na minha casa, lhe dou as informações e permanecemos calados. Quando chegamos em frente à minha casa, Dylan solta seu cinto, fita seus lindos olhos azuis em mim e respira fundo antes de falar.

— Valeska, quando te verei novamente? Fico tensa, gaguejo, não esperava essa pergunta.

— Preciso de um tempo para por meus pensamentos em ordem.

— Não compreendo, passa as mãos em seus cabelos. — O que você precisa pensar? Estamos atraídos, quero você e você não pode negar que me deseja tão quanto a desejo, qual a dificuldade? Fico com tesão só de pensar em você, hoje realizei meu desejo de beijar seus lábios carnudos, de sentir seu cheiro. Quero muito mais, deusa, quero sentir seu gosto, te chupar até você se desmanchar em minha boca. Te possuir com todo o desejo que sinto. — Nunca senti isso por nenhuma mulher, de mim, é até estranho esse sentimento, diria insano. Não pense que é só sexo, porque sexo tenho a hora que eu quiser, entretanto, desde que te conheci só quero você, desde que meu olhar cruzou com o seu, eu só desejo você. Tenho certeza que você sente o mesmo, o seu corpo, o seu olhar, o seu beijo me demonstrou isso.

— Você tem razão quando diz que sinto o mesmo, mas tem algumas questões que me impedem de me entregar a você.

— Me diz quais são para que possamos, resolvermos juntos.

— É muito difícil para mim, acreditar que um homem lindo como você e de um nível social oposto do meu se interessa por mim.

— Val.

— Deixa-me terminar por favor. Ele maneia a cabeça.

— Segundo.  Como você bem disse, tem sexo a hora que quiser, como comigo, foi diferente, escapei de você ontem, seus sentimentos estão confusos por nunca ter sido rejeitado. — E terceiro, tem outra pessoa.

— Outra pessoa como assim, não te vi com ninguém?

— Não é isso, é que a mesma atração que senti por você, senti por outro homem, estou completamente confusa.

Dylan encosta no banco e fecha os olhos, fica em silêncio por alguns minutos, depois fita novamente meus olhos.

— Val, porque você se sente tão inferior? Você é linda. Tenho plena certeza dos meus sentimentos, não sou nenhuma criança, compreendo o que quero e eu quero você. Em relação a esse homem, vocês já ficaram juntos?

 — Não.

— Eu sei o que senti quando nos beijamos e afirmo que você sentiu o mesmo. Deixarei você refletir, mas te farei uma proposta. Vamos nos conhecer aos poucos, apenas como amigos, saber o que gostamos, nossa cor preferida, comida, enfim, passarmos um período, juntos até você decidir. O que você acha?

— Tudo bem. Concordo. Agora preciso ir. Saímos do carro, ele deu a volta e me manteve encostada na porta por onde sai.

— Valeska, meu nome fica maravilhoso em seus lábios, na sua boca, em sua voz. Irá ser difícil ficar próximo de você sem poder te tocar como eu quero, como eu desejo, mas se para te ter eu preciso fazer esse sacrifício, farei. — Porém, antes.

Sua boca saqueia a minha, que não se faz de rogada e se entrega ao beijo, um beijo de entrega, de reconhecimento. Um beijo diferente do que demos na boate, esse é calmo, explorador.  Suas mãos sem um calo, macia, cheirosa, deslizam lentamente pelo meu rosto, seguro em seus cabelos negros, sedosos, aproveitando cada momento de sua boca colada na minha. Nossas línguas dançam uma dança envolvente. Sua ereção pressiona meu ventre, esqueço-me de tudo, meus medos, minha insegurança, o Misterioso. A minha vontade é de o convidar para entrar e tê-lo dentro de mim por toda a madrugada. O meu lado responsável me desperta dos meus desejos sexuais e me traz de voltar a realidade. Desfaço nosso beijo.

— Apenas amigos. Ele ajeita sua glande, finjo que não vejo, porque essa nova Valeska é capaz de agarrar com vontade.

— Tudo bem, prometo que cumprirei o nosso acordo.

— Até logo!

— Me dê seu celular, Dylan pede e eu o entrego. Ele digita seu número e liga para si próprio. Grava meu número. — Aqui está, devolve o aparelho.

— Tchau Dylan — Tchau Val, sonhe comigo.

O que essa mulher fez comigo?

Dylan Parker

Nunca me vi tão envolvido por uma mulher como estou pela Val, sem nem se quer estive dentro dela. Tenho a impressão que o dia que isso acontecer não vou querer outra pessoa, já que estou tão enfeitiçado por essa negra que me deixa duro só de pensar nela.

Tive várias mulheres, mas para mim sempre foi sexo. Ontem me vi com raiva e ciúmes de uma mulher que apenas olhares foram trocados. Valeska extrai esses sentimentos de mim, cada homem que a desejava me deixava ainda mais irritado, uma vontade louca de leva-la para longe de todos, um lugar onde ninguém pudesse desejar o que é meu.

Estava convencido de que a ter em meus braços, seria uma missão nada fácil, devido à conversa que tive com sua amiga Raquel, que me apresentou uma mulher discreta, uma mulher que não se entrega aos prazeres da carne apenas para sua satisfação sexual, diferente das mulheres que costumo sair, mulheres que como eu, que querem apenas o prazer carnal e nada mais. Desde o dia que meus olhos se encontraram o dela isso mudou, não quero somente seu corpo, quero tudo.

Para minha grata surpresa, Val deixou ser levada por seu desejo, seu sentimento. A ter em meus braços na boate, foi irresponsável da minha parte, contudo, prazeroso. Sentir o gosto de sua boca, e poder ter a certeza que não era coisa da minha cabeça que ela me quer tão quanto eu a quero, me trouxe satisfação, aumentou meu desejo. Por mim, sairíamos da boate direto para minha casa, ou a dela caso preferisse, qualquer lugar onde fosse possível dar vazão a urgência que nossos corpos exigem. Infelizmente a madrugada de prazer que tanto ansiava foi substituída por constrangimento e dúvidas da parte dela, quase que nem consigo a levar em casa. Durante todo o percurso até sua casa, Val ficou em silêncio, não me olhava, a vergonha a consumia. Em certo ponto chegou a ser engraçado uma mulher como ela sentir vergonha por ter gozado em um momento de luxúria com um homem a qual ela desejava, confesso que seu conflito me remete a inocência e isso me excita.

O silêncio foi quebrado quando precisei de informações do seu endereço para colocar no GPS, depois silêncio novamente. Quando chegamos a frente à sua casa, soltei o cinto de segurança e a indaguei quando nos veríamos novamente, para a minha surpresa ela pediu um tempo, tempo de que, tempo para que?

Diante a isso não pude ficar passivo, aceitar e pronto. Abri meu coração, pela primeira vez expus algo a mais que desejo carnal por uma mulher, sentimentos. Imaginei um cenário diferente depois de colocar as cartas sobre a mesa, a imaginei feliz pelo sentimento seja qual for, ser recíproco, que ela iria se jogar em meus braços e passaríamos a noite, juntos.

Ilusão.

Valeska me olhou com uma certa seriedade, confirmou que estar atraída por mim, entretanto, não acredita que eu possa estar interessado. A impressão que tive é que ela não se sente uma mulher atraente com atributos o suficiente para conquistar um homem. Completou dizendo que estou confundindo meus sentimentos por ser acostumado a não ser recusado, que pelo fato dela ter fugido de mim, fez com que eu me interessasse. Será que ela não percebe que essa atração surgiu até mesmo antes que eu soubesse quem ela era, que foi através de um olhar em meio a dezenas de mulheres que tudo começou.

Ela não acreditar em si própria, duvidar do meu interesse depois da troca que tivemos no canto escuro da boate, não me deixou tão chateado quanto que ouvir de sua própria boca que tenho concorrente, que segundo ela, está atraída por outro homem. Precisei usar uma expressão de homem de negócios, para não deixar transparecer o quanto fiquei puto com aquela informação.

Quem será o homem que a atrai como eu?

Independentemente de quem seja, estou um passo largo a frente, ele não a teve em seus braços, nem que seja por um breve e intenso momento como eu tive. Creio que o que sentimos é forte, mas não posso relaxar com isso, Valeska tem que ser minha.

Nunca imaginei propor a uma mulher o que propus a ela, faço de tudo para tê-la, até o sacrifício de não a tocar quando, na verdade, quero o oposto disso. Val deve pensar que sou um cafajeste, aos poucos mostrarei que o fato de ter tido muitas mulheres, não significa que seja um cretino, não tinha compromisso com nenhuma delas, nunca houve sentimentos, só prazer que era de comum acordo. Farei o possível para conquistar sua confiança, que acredite nos meus sentimentos, parece loucura, por nos conhecer em apenas dois dias, mas como uma vez meu irmão me disse que o amor não tem explicação, que um dia me apaixonaria por alguém. Não sei definir o que estou sentindo, fui atraído desde que a vi pela primeira vez, para mim, é uma necessidade insana de possui-la sexualmente, mas também de a proteger, de cuidar, se isso é amor, então a amo. Isso deve explicar o motivo do porquê um homem como eu, aos 29 anos, CEO de uma das maiores empresas de tecnologia do Brasil com ramificações no exterior, está correndo atrás de uma mulher que viu a primeira vez em um pouco mais de 48 horas.

Sou um bom estrategista, usarei isso ao meu favor. O primeiro passo será me munir de informações, seu hobby, comida predileta, o máximo de informação possível, para isso preciso de suas amigas, amanhã mesmo na empresa convocarei uma reunião com a Priscila, ela é a única que tem ciência quem sou o CEO da Parker, Valeska nem imagina que trabalha para mim, mas uma questão que terei que resolver.

Meu domingo se resume em, por algumas pendências do trabalho em dia, trabalho no escritório da minha cobertura na Urca, mesmo concentrado em alguns momentos Val invade meus pensamentos, lembrar da sua boca na minha é o suficiente para uma ereção. Recebi alguns convites para uma noite de muito sexo, confesso que estranhei com a facilidade com que dispensei, raramente neguei que elas provassem mais do meu pau, quando isso aconteceu foi por causa do trabalho, havendo um grande pesar. Desta vez foi diferente, não senti nada, meu pau, meu corpo e meus pensamentos estão todos nela, na minha linda negra. Depois do almoço ligarei para ela, preciso ouvir sua voz, a minha vontade foi ligar desde que acordei, mas estou dando um espaço para não colocar tudo a perder.

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