Capítulo 2
Sara estendeu a mão e puxou levemente a barra da camisa de Gonçalo. Com uma expressão de tristeza, ela disse com a voz baixa e trêmula:

— Irmão, não fique bravo. A culpa é minha, eu que sou fraca e tenho essa alergia a frutos do mar. Tenho certeza de que a irmã não fez isso de propósito. Por favor, não a culpem.

O rosto de Gonçalo endureceu imediatamente. Ele respondeu com frieza, sem hesitar:

— Essa garota maldita! Sempre a mimamos demais, e agora ela acha que pode fazer o que quiser com essa atitude arrogante e prepotente!

Os olhos de Ravi brilharam com a raiva que crescia a cada segundo. Ele cruzou os braços e exclamou, furioso:

— Quanto mais velha ela fica, mais mesquinha e invejosa se torna. Se não fosse por ela, Sara nunca teria chegado a esse ponto!

Nesse momento, Sara, com um ar calculado, deixou à mostra a pele de seus braços, onde ainda havia leves marcas vermelhas da reação alérgica. Saulo, ao ver aquilo, aproximou-se imediatamente. Ele passou a mão com cuidado pelas marcas e perguntou, com a voz carregada de preocupação:

— Ainda está doendo, Sara?

Sara abaixou a cabeça, fingindo estar prestes a chorar. Sua voz saiu entrecortada, como se estivesse segurando as lágrimas:

— Não dói… Eu estou bem… Não se preocupem comigo...

As palavras de Sara foram suficientes para acender a ira de Ravi de vez. Ele bateu com força na mesa e gritou:

— Se tivéssemos demorado mais um pouco para chegar ao hospital, poderia ter sido fatal para Sara! E essa ingrata, depois de tudo isso, sequer enviou uma mensagem, sequer demonstrou arrependimento!

Gonçalo apertou os punhos e acrescentou, com a voz carregada de fúria:

— Vão buscar aquela desgraçada agora mesmo para pedir desculpas! Não acredito que ela tenha a coragem de continuar com essa postura arrogante!

Ravi e Saulo assentiram, igualmente furiosos, e Saulo declarou com desdém:

— E sabe por quê? Porque ela sempre se apoiou na gente! Quem sabe agora, depois de errar tão feio, ela aprenda a lição!

Em seguida, os dois se voltaram para os empregados, suas vozes carregadas de autoridade e raiva:

— Por que estão aí parados? Vão buscar essa ingrata agora mesmo! E tragam o chicote que usamos para punições. Se não fosse por ela ter colocado frutos do mar no mingau de propósito, Sara jamais teria sofrido tanto nos últimos três dias. Está na hora de restaurarmos a disciplina na nossa família Holand!

Os empregados, assustados com o tom dos irmãos, não ousaram contestar. Um deles rapidamente se dirigiu ao porão, onde eu estava.

Eu ouvi tudo. Minha risada saiu amarga e cheia de desespero. Meus irmãos sequer se preocuparam em investigar os fatos. Já haviam decidido que eu era culpada.

Três dias atrás, Sara disse que queria tomar um mingau e eu, tentando agradá-la, fui até a cozinha para preparar a comida. Ela me entregou um pequeno pacote de tempero, dizendo que queria que eu usasse aquilo. Eu provei e era um simples mingau de frutos do mar. Como eu poderia imaginar que aquele era o gatilho de sua alergia?

E Gonçalo, o grande empresário, tão inteligente para os negócios, não foi capaz de perceber um truque tão básico? Isso não é nada além de favoritismo. Para eles, eu nunca fui mais importante do que a Sara. Meu coração estava cada vez mais pesado de tristeza.

Mas, agora, isso não importa mais. Eu já morri naquele porão. Eles podem dar todo o amor e atenção que quiserem à Sara. Eu não estarei mais aqui para sofrer.

De repente, um dos empregados voltou correndo e relatou com a voz hesitante:

— Senhor Gonçalo, chamamos pela senhorita várias vezes, mas ela não respondeu. Quando tentamos ouvir através da porta, parecia que… não havia nenhum som de respiração lá dentro.

O semblante de Gonçalo escureceu. Ele levantou-se abruptamente, exalando frieza e irritação:

— Essa desgraçada está aprontando de novo? Acha que se recusar a pedir desculpas para Sara é uma questão de orgulho? Será que ela não percebe que quase matou você, Sara?

Sara puxou levemente a camisa de Gonçalo, fingindo estar triste. Ela abaixou os olhos e disse, com uma voz suave e melancólica:

— Irmão, não precisa disso. Eu sou só uma órfã. Não tenho o direito de exigir que a irmã se desculpe comigo…

Essas palavras foram o suficiente para que a fúria de Gonçalo explodisse. Ele gritou, irado:

— Até quando ela vai usar essas táticas baixas para tentar se destacar? Acha que eu não percebo o que ela está tentando fazer? Ela quer se safar fingindo que não aconteceu nada! Mas dessa vez, eu não vou deixar passar. Vamos tirá-la de lá agora mesmo. Quero ver como ela vai continuar se escondendo. Ela vai se ajoelhar e pedir desculpas para Sara, nem que seja à força!
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