Charles franziu o cenho, sem esconder a surpresa. — Que pergunta é essa do nada? Você quer me contratar para outro serviço, é isso? — Ele olhou para ela rapidamente antes de voltar a atenção à estrada. Cássia ergueu uma sobrancelha, cruzando os braços. — Só estou curiosa.Charles soltou um suspiro, meio rindo. — Bom, se quer saber... Um colega meu comentou sobre o trabalho. Ele disse que tinha alguém precisando de proteção e perguntou se eu estava disponível. A princípio, achei que fosse algo simples, tipo vigiar um escritório ou escoltar um figurão até uma reunião. — E aí? — Cássia incentivou, inclinando-se ligeiramente em sua direção. — Aí eu fui me encontrar com Henrique numa cafeteria. Ele estava nervoso, meio paranoico até. Disse que andava recebendo ameaças, me mostrou umas cartas bem dramáticas, sabe? Tipo vilão de novela mexicana. — Nossa! — Cássia arregalou os olhos. — "Vou acabar com você, Henrique! Assinado: O Seu Maior Pesadelo." Algo assim? — Exatamente! — Charles
Cássia sentia o estômago revirar – e não era de fome. Se Henrique realmente teve acesso ao cofre dela, então tudo o que ela vinha acumulando ao longo dos anos, todas as provas das falcatruas, trambiques e safadezas do marido, agora estavam nas mãos dele. E isso significava uma coisa: ela estava ferrada. Enquanto remoía seus pensamentos catastróficos, Charles dirigia pela estrada que os levava a uma pequena cidade que parecia saída diretamente de um livro infantil. As casas eram todas pintadas em tons alegres, com jardineiras floridas nas janelas e varandas decoradas. Tudo muito pacato, tranquilo, um lugar onde a maior preocupação do dia provavelmente era decidir qual sabor de sorvete escolher na sorveteria local. Cássia observava tudo pela janela do carro. Na praça central, viu um banco na esquina, uma cafeteria do outro lado da rua e, no fim da avenida principal, uma loja de roupas. O lugar parecia tão calmo que ela se perguntou se alguém ali já tinha ouvido falar de corrupção, cha
Os dois se olharam como heróis de um filme de ação, e Cássia não pôde deixar de sorrir também, embora uma pontinha de ansiedade ainda a dominasse. Antes que ela tivesse chance de perguntar mais alguma coisa, Freire a interrompeu, voltando sua atenção para o balcão.— O que vão querer? — perguntou, com aquele sorriso malicioso que só ele sabia fazer.Cássia não perdeu tempo e respondeu de imediato:— Um telefone.Charles, sem hesitar, acrescentou no mesmo momento:— Uma cerveja.Cássia o lançou um olhar sério, tentando manter o controle da situação:— Você está dirigindo, esqueceu?Charles deu de ombros e, com uma expressão de quem não estava muito preocupado com isso, respondeu com um tom brincalhão:— Uma cerveja não vai me matar.Freire, que estava observando a troca de olhares entre os dois, ergueu uma sobrancelha, curioso. Ele olhou para Charles, esperando algum tipo de explicação, mas logo desistiu e apontou para o canto do balcão.— O telefone tá ali. — Ele indicou uma pequena m
Cássia sentiu o próprio coração disparar. Não era apenas um golpe baixo... Era um golpe nível vilão de novela mexicana. Ela engoliu em seco, ouvindo os soluços da amiga do outro lado da linha. — Molie, eu sinto muito por fazer você passar por isso... Molie fungou audivelmente, tentando recuperar a compostura. — Você não é culpada, Cássia. O Henrique, sim! Ele é um crápula ambicioso! Estava na TV se exibindo ao lado daquela assistente magrela! Cássia piscou algumas vezes, tentando absorver essa última parte. — O QUÊ?! A assistente estava com ele? Aquela... víbora?! Seu sangue ferveu instantaneamente, e por um instante, ela fantasiou com a imagem da mulher escorregando numa casca de banana bem em rede nacional. Mas, respirou fundo e tentou manter o controle. — Molie, amiga, não podemos perder o controle agora. — Seu tom era mais contido, mas ainda fervilhava de raiva. — Se o Henrique está fazendo esse show todo, é porque está tramando alguma coisa contra mim.— Óbvio! — Molie res
Charles percebeu que algo estava diferente no olhar dela. Ele inclinou ligeiramente a cabeça e perguntou, mudando de assunto: — Continua com fome? Cássia não respondeu de imediato. Ela estava ocupada demais tentando decidir se podia ou não confiar nele. Algo dentro dela dizia que Charles era um homem honrado, mas depois de tudo que tinha passado, ela não podia mais dar o benefício da dúvida a ninguém. A única forma de ter certeza era testá-lo. E ela faria isso. A partir de agora, cada palavra, cada movimento de Charles seria analisado. Decidida, Cássia respirou fundo e sorriu — um sorriso calculado. — Talvez. — respondeu, enigmática. Charles arqueou uma sobrancelha, desconfiado. Lian, por outro lado, olhou de um para o outro e riu baixinho. — Sei não, Charles. Mas acho que você tá ferrado.Charles tomou o último gole de sua cerveja, pousando o copo sobre o balcão com um leve tilintar. Então, se levantou com a postura firme de quem já decidiu seu próximo passo. — Vou indo, Frei
Naquele entardecer, enquanto o carro deslizava suavemente pela estrada rumo à cabana, um silêncio carregado de mistério e tensão preenchia o interior do veículo. Charles lançava olhares rápidos e furtivos para Cássia, como se estivesse tentando ler uma mensagem secreta escondida em seus pensamentos, mas a expressão dela permanecia impenetrável. Ele se perguntava se ela estava tramando algo, refletindo sobre as reviravoltas do dia, ou simplesmente focada em seus próprios planos.Enquanto isso, bem no coração da cidade, Henrique estava em clima de celebração. Em meio a um grupo de assessores e amigos, ele brindava com entusiasmo sua vitória – ou pelo menos, assim pensava. Risadas e conversas animadas ecoavam enquanto Henrique desfilava sua autoconfiança, mas, de repente, Rodrigo apareceu como aquele personagem inesperado de uma comédia romântica.Rodrigo cumprimentou todos com um sorriso simpático e, discretamente, aproximou-se de Henrique. Encostando-se no ombro dele, murmurou algo ao
Charles, com a determinação de um general antes da batalha, se dirigiu à cozinha. Lá, ele dava início à preparação do jantar, medindo ingredientes e mexendo panelas como se cada prato fosse parte de um elaborado plano estratégico.Na sala, o clima era bem diferente. Cássia, animada e cheia de energia, conversava com sua amiga, ambas conspirando com entusiasmo. Entre risos e piadas, elas arquitetavam um pequeno susto para Henrique, planejando desmascará-lo de uma vez por todas.— Imagina a cara dele quando perceber que estou viva! — disse Cássia, com um sorriso maroto enquanto balançava a cabeça, quase não conseguindo conter a empolgação.— Já consigo ver ele saltando da cadeira! — retrucou sua amiga, dando boas risadas.Enquanto as duas riam e trocavam confidências sobre a "pegadinha", Charles continuava a se concentrar na cozinha.A atmosfera na cabana estava carregada de expectativas e humor. Para Cássia, aquele plano parecia uma forma leve de finalmente expor as artimanhas de Henri
Cássia bufou, cruzando os braços e batendo o pé no chão como uma criança contrariada. Ela murmurou para si:— Ora, se ele pensa que pode resistir a mim, está muito enganado.Determinada a virar o jogo, Cássia decidiu que não desistiria tão facilmente. Afinal, ela sempre adorou um bom desafio.Depois que Charles fechou a porta atrás de si, o ambiente do banheiro se transformou num refúgio momentâneo de emoções conflitantes. Ele recostou-se na parede fria, deixando escapar um suspiro longo e carregado de resignação. "Ah, Charles, sempre tão difícil resistir à tentação, não é?" — Murmurou para si, como se tentasse convencer seu próprio corpo a se acalmar. Enquanto seus pensamentos fervilhavam em torno de Cássia, a presença dela parecia invadir cada recanto de sua mente. Ele sabia muito bem o quanto era complicado evitar tocá-la, resistir àquele ímpeto avassalador que sempre surgia em momentos inoportunos. E, como um alarme inesperado, seu corpo reagiu: seu membro pulsante começou a envia