Ele, na verdade, já tinha chegado há muito tempo e estava observando de longe. Estava também com o coração na mão, preocupado que eles não conseguissem se divorciar mais uma vez naquele dia. No entanto, ao ver os dois entrarem no tribunal e depois saírem com alguns documentos nas mãos, ele teve certeza de que o divórcio finalmente havia sido concluído com sucesso. Naquele momento, ele finalmente respirou aliviado. Neste mundo, cada pessoa tem suas próprias intenções egoístas, e ninguém é exceção. Vendo os dois conversarem, George preferiu não interromper. Mas, ao perceber algo estranho, ele imediatamente ligou o carro e foi até lá. O rosto de Roberto, que já estava tenso, ficou ainda mais sombrio ao ver George, como se um raio tivesse cortado as nuvens carregadas. Jaqueline, ansiosa para se livrar de Roberto, rapidamente contornou o carro e abriu a porta do banco do passageiro para entrar. — Saia daqui, para o mais longe possível. Agora, ela só queria se afastar de Ro
— Sim, acabei de me formar e também acabei de me divorciar. — Jaqueline deu um sorriso amargo. — Agora sou uma mulher rica, não preciso fazer nada e, mesmo assim, tenho uma fortuna ao meu dispor. George, com as mãos nos bolsos, perguntou: — Roberto te deu uma compensação? Jaqueline assentiu com a cabeça. — Imóveis e 5% das ações. George levantou as sobrancelhas, visivelmente surpreso. — Ele foi bem generoso. Mesmo George, que não gostava de Roberto, teve que admitir que, dessa vez, Roberto foi realmente generoso. Oferecer 5% das ações significava que Jaqueline não precisaria trabalhar no futuro, ela poderia aproveitar a vida sem preocupações. — E depois? — George perguntou. — Depois... — Jaqueline pensou por um momento e, de repente, sorriu. — Depois virei uma mulher rica. Sem esforço, conquistei toda essa riqueza. Que sorte a minha, não é? George olhou para o sorriso dela, que parecia forçado, como se um fio invisível puxasse os cantos da sua boca. Apesar de estar
— Somos amigos. — Disse Jaqueline. — Ele veio comigo para ver o apartamento. Fico com este mesmo. Jaqueline não queria ver mais nada. Achava que o apartamento estava bom e decidiu alugá-lo. No final das contas, todos os imóveis eram basicamente iguais. Desde que a vizinhança fosse tranquila, o lugar fosse limpo e seguro, não precisava ser muito grande, já que ela moraria sozinha. — Jaque, você tem certeza? Não quer ver mais alguns? — Perguntou George. — Não, fico com este mesmo. — Respondeu Jaqueline. — Certo. — Disse George, sem insistir. O apartamento parecia bastante seguro. Depois, George ajudaria Jaqueline a trocar a fechadura e instalar um sistema de segurança. Afinal, não importa quão seguro seja o lugar, uma mulher morando sozinha sempre é mais vulnerável. O corretor ficou surpreso ao encontrar uma cliente tão decidida. Olhou o primeiro imóvel e já fechou negócio, sem sequer negociar o preço. No mesmo dia, Jaqueline assinou o contrato e pagou o depósito e o aluguel.
Jaqueline falou novamente: — Pode ser? Depois de um longo silêncio, Roberto respondeu: — Entendido. Eu vou cuidar disso. Se você quer ir, vá. — Roberto parecia não querer mais se preocupar com ela. Assim que terminou de falar, desligou o telefone. Jaqueline suspirou levemente e se virou para falar com o mordomo: — Já conversei com o Roberto. Quando ele se mudar para a nova casa, organizará tudo para vocês. Quando chegar a hora, terão uma nova senhora. Quanto a esta casa, antes de partirem, limpem tudo e fechem a porta. Talvez um dia ela voltasse, ou talvez nunca mais. Por mais luxuosa que fosse a casa, se ninguém a habitasse, ela perderia seu significado. Enquanto descia as escadas, o mordomo se aproximou e pegou a mala de suas mãos: — Sra. Santana, me deixe ajudá-la. Jaqueline, pensando no filho que carregava no ventre, resolveu tomar cuidado e assentiu: — Está bem, obrigada. O mordomo carregava a mala enquanto descia as escadas ao lado de Jaqueline, dizendo en
Roberto guardou silenciosamente o caderno que estava na cama e o colocou novamente no bolso. — Agora você pode ficar tranquila, certo? Descanse bem. Aguarde por um coração compatível. Você com certeza ficará bem. — Roberto, você sabia? — Ângela tinha um olhar doce, mas carregado de uma leve tristeza. — Eu já tinha perdido todas as esperanças. Já estava preparada para o pior. Mas agora... Agora que finalmente você se divorciou, o meu coração voltou a ter esperança. Eu sei que você vai se casar comigo. Você é um homem de palavra. De qualquer forma, eu vou resistir. Farei de tudo para viver e me tornar sua esposa. Comparado à emoção estampada no rosto de Ângela, Roberto parecia extraordinariamente calmo. Seu semblante estava quase inexpressivo. Ele apenas assentiu levemente. — Não fique tão animada. Mantenha a calma. Caso contrário, isso não será bom para o seu coração. Ângela percebeu a serenidade no rosto de Roberto e sentiu um leve descontentamento em seu coração. Ele havia s
Jaqueline já havia se instalado na nova casa. Ela ficaria ali temporariamente, avaliando as circunstâncias e planejando os próximos passos. Afinal, o mais urgente era encontrar um lugar definitivo para morar. Com sua permissão, George instalou uma fechadura com senha e outros recursos de segurança na casa. O sistema incluía uma função contra invasões: caso a porta não fosse desbloqueada com a impressão da palma da mão dentro do tempo determinado, um alarme soaria imediatamente, acionando a delegacia local, que ficava a apenas cinco minutos dali. — George, muito obrigada! Eu realmente não sei como te agradecer. George a havia ajudado muito, cuidando de tudo para ela. — Não tem problema, não precisa ser tão formal comigo. Embora já tivessem definido que eram bons amigos, George ainda sentia que Jaqueline não se comportava com ele de maneira tão natural quanto com Hebe. Isso, no entanto, era compreensível. Ela e Hebe eram amigas de longa data, enquanto ele e Jaqueline se c
Jaqueline puxou levemente o canto da boca. — Não tem nada de interessante, vovó. Você sabe, eu não estou trabalhando no momento, então... — Ah, falando em trabalho, que tal considerar trabalhar no banco da sua sogra? Afinal, você fez faculdade de Finanças, seria uma ótima oportunidade na sua área. Se Jaqueline pudesse trabalhar lá, Catarina ficaria mais tranquila. Pelo menos haveria alguém para cuidar dela e evitar que fosse maltratada. Embora Nádia tivesse um temperamento frio, ela não era uma pessoa má. — Eu... — Na verdade, Jaqueline não queria se envolver com nenhuma empresa associada à família Santana. Ela estava disposta a visitar a avó com frequência, passar tempo com ela e cuidar dela, mas, em outros aspectos de sua vida, preferia manter distância da família Santana. Ao perceber a hesitação de Jaqueline, o sorriso de Catarina diminuiu um pouco. — O que foi? Você não quer? — Vovó, sobre trabalho, eu mesma vou encontrar uma solução. Você não precisa se preocupar.
Jaqueline tapava os ouvidos, tremendo de medo. Ela sabia que, se abrisse a porta, sua tia provavelmente bateria nela. Embora, quando estava sóbria, sua tia fosse apenas verbalmente agressiva e raramente a agredisse fisicamente, tudo mudava completamente quando ela estava bêbada e perdia toda a razão. Depois de apanhar duas vezes, Jaqueline aprendeu a lição. Sempre que a tia bebia, ela se trancava no quarto. Quando a tia cansava de gritar, voltava para o próprio quarto e caía no sono. Só então Jaqueline se sentia segura. Aqueles tempos foram realmente sombrios. Jaqueline se lembrava de como sua tia frequentemente levava diferentes homens para casa. A única coisa que ela podia fazer nessas ocasiões era se refugiar no quarto e tapar os ouvidos. Mais tarde, a tia a abandonou na porta do Grupo Século. Antes de ir embora, ela ainda disse: — Jaqueline, espera aqui. Daqui a pouco eu volto para te buscar. E o "daqui a pouco" virou dois dias. Durante esses dois dias, Jaqueline permanec