Ele virou-se e saiu da tenda, me deixando sozinha. Cheguei a me perguntar se seria possível simplesmente escapar dali, mas ele retornou com um jarro e um copo. Ele derramou o liquido no copo e me ofereceu.Estava com sede, mas hesitei em aceitar. Ali poderia ter algum tipo de veneno, mas, sejamos francos, se ele quisesse matar-me, teria muitos métodos para isso, e morrer envenenada não era o pior deles.Vendo a minha hesitação, ele bebeu metade do conteúdo, creio que para me provar que não havia perigo. Dei de ombros e aceitei. Ele me observou enquanto segurei o copo e cheirei o líquido. Era como um bom vinho, embora o cheiro da uva fosse mais pungente do que o que eu conhecia.Levantei o niqab e bebi um gole, o sabor era fresco e agradável, então, bebi tudo e entreguei o copo de volta. Ele seguiu me encarando, e o seu olhar constante estava me deixando constrangida.— Precisa mesmo ficar me olhando desse jeito? — Perguntei, ao que ele não reagiu de forma alguma. — Então… bonitão, voc
— Explicou para ela?Perguntei assim que a bruxa saiu da minha tenda.— Sim, meu Alfa, embora, eu ainda ache que teria sido melhor se o senhor explicasse tudo a ela.— Ela tem medo de mim. — O fedor do medo dela foi o que me fez sair da tenda e buscar ajuda de Dofona para lidar com a humana.— E quem não teria? Por isso é importante que conversem, se conheçam melhor…— Ela pensou que poderia me rejeitar.Patética. Ela é minha, quer queira, quer não.Dófona riu, vendo diversão onde não tinha.— Eu sei, haha, ela me perguntou sobre isso. Parece que no mundo dos humanos tem livros de fantasia sobre nós e que basta falar uma frase idiota e a alma para de ser gêmea. Imagina, um vínculo tão fraco a esse ponto. Que importância teria?— Ela tem conhecimento do que acontecerá na cerimônia de união?— Sim… Expliquei quem ela é e o que representa para o clã. As suas obrigações e diretos.Minha natureza estava ansiosa sobre a fêmea e como seria possuí-la Apenas uma humana fraca e frágil com três
ELANão acredito que esse brutamontes arrancou o meu niqab e ainda rasgou tudo! Bem, eu não gosto de niqab, de qualquer jeito, foi imposição da megera da mãe de Amir, mas ele não tinha esse direito! Ainda saiu daqui irritado, falando que dormirei sozinha como se fosse uma punição.Lobisomem idiota, grosso, bruto, gostoso pra caramba!Nessas horas que vejo que estou ficando maluca. Estou num lugar estranho, cercada por seres ainda mais estranhos, e algo dentro de mim sente um prazer enorme em contrariar o líder bonitão dos monstros.Tenho medo do que tudo isso representa, mas estou confusa por sentir-me fortemente atraída por ele, como nunca me senti por homem nenhum. Tudo bem que ele é lindo demais, mas sentir vontade de rasgar a blusa dele e lamber o seu peito não pode ser considerado sanidade, pode?A tal de Dófona veio aqui fingindo ser amigável e disse-me que é impossível voltar para o meu mundo, porque o tempo passa diferente neste universo.Um dia aqui são anos na Terra.Por mai
O lobão cumpriu a palavra e enviou alguém com uma tigela de comida e algumas frutas. Não conhecia o prato, composto de diferentes carnes, um caldo ralo e pouco temperado.Duas mulheres trouxeram uma espécie de tina e encheram de água quente para eu tomar um banho, mas, estranhamente, nenhuma das duas me dirigiu palavra ou respondeu às perguntas que fiz. Apenas me olharam de soslaio e terminaram rapidamente, como se quisessem fugir da minha presença.Satisfeita e muito cansada, cai facilmente no sono naquela cama aconchegante coberta por tecidos macios e sedosos.Na minha posição, talvez se esperasse que não conseguisse dormir, mas abracei o travesseiro e o cheiro era tão bom e relaxante, que nem me lembro quando preguei os olhos.Pela manhã, lavei o rosto com a água deixada no jarro, e estava apertada para ir ao banheiro, que a Tenda não tem. Como esses lobos se viram? Fazem no mato?O aperto do chamado da natureza ficou maior do que o medo do que eu poderia encontrar lá fora, daí, pe
ELA— Espera! Espera! — Disse forçando o meu pé no chão para que o Alfa parasse de andar.Ele estava me puxando pela mão, e ainda que tentasse me soltar, era como se ele fosse feito de pedra, não cedia e nem sentia minha oposição.— O que foi? — Perguntou, me olhando com aquela cara de gelo inexpressiva e magnética.— Eu preciso ir ao banheiro! — A minha bexiga já estava doendo e o Alfa permaneceu me encarando sem dizer nada.— Escuta, você mora numa barraca grande e talz, não sei se vocês fazem no mato, feito lobos, mas sem banheiro, não dá.O rapaz de nome Antero, cujos olhos voltaram ao castanho, mal escondeu o riso.— Vamos! — Disse o Alfa voltando a andar e me puxando pela mão.Eu parecia uma criança sendo puxada pelos pais, com os meus passos bem menores do que os dele, e o bruto nem se deu conta de que eu estava meio andando e meio correndo para acompanhá-lo.E eu nem sou tão baixinha assim, ele que é gigante, deve ter quase dois metros de altura, sem falar em todos esses múscu
Confesso que, ao longo do tempo em que fui casada com Amir, por diversas vezes, imaginei ele levando uma surra violenta, na maioria, era eu quem estava batendo na cara dele. Porém, uma coisa é o que pensamos na hora da raiva e mágoa, outra coisa totalmente diferente é quando vemos uma figura patética, vulnerável, enfraquecida, toda machucada, implorado por ajuda.Ninguém tem o direito de acorrentar uma pessoa, agredi-la e afirmar que é para o bem dela. Para tonar tudo ainda mais bizarro, eu sentia um forte impulso de defendê-lo, não por ser quem era, mas por eu ser quem sou. Algo dentro de mim me fazia reagir como se fosse a salvadora dos fracos e oprimidos, uma super-girl sem poder nenhum e que, se não tomasse cuidado, estaria na mesma posição do mocorongo que tentava ajudar.— Com todo o respeito, Luna, o meu macho se recusa a se submeter a mim, uns dias na coleira não farão mal a ele!E lá vai o impulso incontrolável de dar voz a alguém em situação de risco…— Ele não é um de vocês
O problema de ser impulsiva é que não planejamos o passo seguinte, e agora estou enrolada numa toalha e não posso vestir as roupas que estava usando antes porque pisei nelas ao sair do chuveiro.Quem teria coragem de encharcar um banheiro tão bonitinho e imaculado?A toalha é bem grande e felpuda, macia como um bichinho de pelúcia. O Lobão sabe manter conforto.Quando estava na tenda do Alfa, achei que eles eram um tipo de bárbaros ou nômades que viviam primitivamente, mas estou rodeada do que há de melhor em necessidades e modernidades quando o assunto é toalete do século XX!A porta do banheiro abriu de repente e eu soltei um grito de susto e agarrei a toalha para que não caísse do meu corpo. O Alfa entrou e parou diante de mim. Os seus olhos não desviaram dos meus, mas eu notei com o canto dos olhos que ele fechou as mãos em punho com força.— Hey, você não pode sair entrando assim! E se eu estivesse nua?As mãos dele se fecharam ainda mais apertadas e acho que estavam tremendo um
A Síndrome de Estocolmo é um fenômeno psicológico que ocorre quando uma pessoa desenvolve uma ligação emocional com o seu sequestrador ou agressor, e começa a ter sentimentos de simpatia, empatia ou até mesmo amor por essa pessoa.Só isso pode explicar eu fechar os olhos e deixar um lobisomem me beijar. Um LO.BI.SO.MEM! Um monstro de filmes de terror, um assassino sanguinário comedor de carne humana (isso eu ainda não vi, mas é efeito da ansiedade)— Você come humanos? — Perguntei antes que conseguisse controlar a boca, e afastei-me dele alguns passos seguros. Só três, porque, estranhamente, ficar longe dele me dava agonia.O Alfa me encarou do seu jeito frio, mas havia um brilho diferente nos seus olhos quando passou a língua pelos lábios enquanto me encarava.— Humanos, não, mas adoraria comer você agora.Oh, Allah… A minha mente dizia: corre, ele é um dos sequestradores, ele mesmo disse que é malvado. Mas a minha amiga de baixo dizia o contrário.Nunca senti prazer sexual, Amir foi