Vinte e seis anos depois…
— Acorda, preguiçosa! Mulher casada não dorme até essa hora não!
“Bom dia, flor do dia!” Era a frase que a minha mãe usava para me despertar todas as manhãs antes de ir à escola.
Quando foi que a minha vida mudou tanto? E para pior…
— Eu, na sua idade, acordava antes do sol nascer para preparar o café da manhã dos meus sogros!
“Blá, blá, blá! Quem liga para como você tratava os seus sogros, sua megera?”
Pensei, ao jogar o cobertor para o lado e me levantar. Infelizmente, não tinha coragem de falar esse tipo de coisa para a minha sogra na cara dela. Não desejava outra punição do meu marido por desrespeitá-la.
Tomei um banho para despertar o meu corpo para os desafios do meu sério dia de mulher casada.
O meu chamado marido saiu bem cedo pela manhã para administrar a fazenda, deixando para trás o meu corpo dolorido por mais uma noite em que ele fez o possível para me engravidar.
Olhei-me no espelho, para ajeitar o hijab, e saí do quarto em direção à cozinha. A minha sogra estava separando as folhas que usaria para preparar molho de menta e levantou a cabeça ao me ouvir chegar. Ela revirou os olhos e fez cara de nojo ao ver-me, como de costume.
— Esmeralda, por que demorou tanto para levantar? Sua inútil, preguiçosa!
— Não estou me sentindo bem, o seu filho mal me deixou dormir a noite e o meu corpo está dolorido.
Revelei o que poderia ter sido deixado em segredo entre o meu esposo e eu porque esse tipo de coisa sempre a fazia inflar o peito de orgulho do filho “viril” e diminuia sua animosidade contra mim.
— O meu filho é um homem saudável e vigoroso, e quer ter um filho, que você insiste em falhar em produzir! É a sua obrigação de esposa servi-lo! Onde o meu filho estava com a cabeça quando te comprou?
Odeio quando ela j**a na minha cara que fui comprada, mas de certa forma, ela não estava errada. Após a morte da minha mãe, meu pai casou-se novamente com uma mulher pouco mais velha do que eu. Para poder se exibir com uma esposa tão bonita e jovem, o meu não tão dedicado pai gasta mais do que ganha na empresa onde trabalha, contraindo muitas dívidas. O seu principal credor era Amir Ashtar, o filho mais velho da mais rica família da nossa cidade.
Amir, administrador dos bens da família aos trinta e oito anos e ainda solteiro, foi cobrar o meu pai, que devia uma quantidade absurda de dinheiro a ele, e foi aí que entrei na equação.
Trinta e oito anos, solteiro, precisava de esposa e filhos para perpetuar a linhagem de seu nome. Quando servi chá a ele, que estava sentado como um paxá na nossa poltrona, a proposta saiu da sua boca como a coisa mais natural do mundo:
“ Me entregue a sua filha em casamento e perdoarei a sua dívida”
A minha madrasta só faltou soltar fogos, o meu pai tagarelou elogios em agradecimento, e eu não tive escolha. No mês seguinte, em meio a lágrimas de desespero, tive que dizer três vezes que aceitava Amir como esposo diante do Imã, na Mesquita.
Nos dias que precederam o casamento, Amir era paciente, doce e gentil. Apesar e bem mais velho do que eu, que mal acabei de completar vinte e um anos, ele não era feio e me tratou como uma princesa. Trazia doces, presentes e poemas. Pedia permissão para segurar a minha mão e fazia promessas de amor e dedicação. Foi um exemplo de noivo durante a cerimônia, me enchendo de elogios e sorrisos.
Eu quase acreditei que pudesse via a gostar dele um dia...
Foi na noite de núpcias que descobri que toda aquela “gentileza!” das bodas era uma encenação.
Eu era virgem, mas ele não se importou. Abriu as minhas pernas, ainda vestida, chegou a calcinha para o lado e me penetrou sem me preparar, sem beijo, abraço ou a carícia que fosse. Ficou em cima de mim por alguns minutos, enfiando aquela coisa na minha intimidade, invadindo o meu corpo e gemendo como um porco, enquanto eu chorava de dor.
Ele fez o que quis, usou-me como um objeto e ejaculou dentro de mim. Quando o torpor do ápice o deixou, ele levantou, guardou a coisa dentro da calça, retirou o lenço com as manchas de sangue que provaram a minha pureza, e saiu do quarto sem olhar para trás.
Deixou-me aos prantos, sangrando, vestida de noiva, o Hijab ainda cobria a minha cabeça. Ele havia tirado a minha virgindade e nem sequer sabia a cor dos meus cabelos, ou se eu era careca...
Pude ouvir os membros da família dele aplaudirem a apresentação do lenço de núpcias e celebrarem até tarde o princípio do meu infortúnio.
O meu marido não retornou naquela noite. Soube no dia seguinte que ele tinha um quarto separado quando quisesse descansar sem a minha presença.
Senti-me tão suja e usada, que corri para o chuveiro e fiquei horas me lavando debaixo da água fria.
Dou graças a Allah pela pílula do diz seguinte. Eu que não vou engravidar desse escroto! Após o café da manhã, fui ao consultório da minha ginecologista, tomei uma injeção para prevenir gravidez e marquei a introdução do DIU.
Não sou e nunca serei um casulo para criar filho de homem escroto nenhum!
Quer saber de uma coisa? O que está ruim, sempre pode piorar.
Com duas semanas de casada, meu sogro faleceu e minha “bendita” sogra veio morar em nossa casa. De uma esposa negligenciada e desprezada, me tornei a esposa e nora maltratada e humilhada.
A primeira vez que Amir levantou a mão para mim, foi para agradar à mãezinha dele. Aquela megera desgraçada derramou chá quente no próprio pulso e mentiu dizendo que eu a queimei de propósito, apenas para me provar que quem mandava na casa agora era ela.
Ele acreditou, deu-me uma bofetada e me colocou de castigo no quarto por dias.
No terceiro dia do meu castigo, ele repetiu o ato de todas as noites desde que nos casamos, mas dessa vez, deitou-me de bruços. Disse no meu ouvido, quando me invadia por trás, que não queria ver o meu rosto, pois uma esposa desobediente como eu o enojava.
Doeu muito, sempre dói quando ele me usa. Ele diz que é assim mesmo, que uma boa mulher, serva de Allah, não sente prazer durante o sexo, o prazer é para os homens.
Odeio quando ele e a sua mãe usam o nome de Deus para propagar as suas mentiras e deturpações. Nenhum deus digno compactuaria com a maneira em que me tratam.
Mas Allah vai-me ajudar a mostrar-lhes que essa vida não é o plano dEle para mim!
Terminei de preparar o almoço e servi à mesa. A minha sogra chegou com a mesma cara de nojo de sempre e fez um muxoxo antes de sentar.Peguei um prato para servi-la primeiro, escolhendo a fatia de cordeiro mais bonita e gordurosa para ela, arroz com nozes, e quando estava prestes a pegar o puré de abóbora, ela deu um tapa na mesa.— Não me sirva essa coisa horrorosa que você fez, parece lavagem! E coloque outra peça de cordeiro no meu prato, não seja sovina com a mãe do seu marido!Respirei fundo e obedeci sem reclamar. Entreguei o prato a ela, que comia como se não houvesse amanhã. Servi-me do que mais gostava e sentei na cadeira de frente para ela.Ela mastigava ruidosamente e reclamou de tudo o que tinha na mesa, botando defeito em todos os pratos, embora tenha repetido quase todos. Quando estava satisfeita e com a boca cheia de gordura, tamborilou os dedos sobre a mesa me observando comer. De repente, ela levantou.— Não deve comer tanto, está ficando gorda e o meu filho não gosta
ELEAres estava no salão de artes do castelo antigo, que ficava no centro da cidade principal do seu território. Nesse salão, ficavam os quadros e bustos dos Alfas anteriores. Diante dele, a pequena estátua de Luna Edite, onde ele havia, como todos os dias, trocado as flores do vaso.Ele olhava fixamente para aquela que era a figura que representava a Luna conhecida por sua bravura e bondade.A saudosa Luna cujo vincula ainda percorria a aura de todos os membros do clã.A amada líder que dedicou a vida para cuidar do seu povo.A fêmea que ele nunca teve a oportunidade de chamar de mãe, mas que, ao nascer, causou a morte.“ Você não é meu filho, muito menos o meu herdeiro! Por sua causa, a minha companheira morreu, você é um maldito!”Ares retirou as flores do vaso e as arrumou novamente, uma a uma, até que o arranjo lhe parecesse perfeito.Pegou uma pequena vela de cera e parou diante da imagem de Hecate, a Deusa dos lobisomens, mãe de todas as Lunas.Aquele era o aniversário de morte
Senti como se estivesse fora da realidade. Aquilo não podia ser real, eu planejei tudo por meses! Era o meu momento de liberdade, apenas uma plataforma de distância do trem….E o que essa megera está fazendo abraçando a fulaninha secretaria cujo nome nem me dou o trabalho de lembrar? Se gosta tanto dela, e me odeia, bastava me deixar ir embora! Mas não, esse “Shaytan” gosta de me maltratar, aposto que os únicos orgasmos que teve em vida foram quando me maltratou.Quem sou eu para falar de orgasmos, nunca vi, só ouço falar…Esse era o grau de desprendimento da realidade que eu me encontrava, minha mente vagando por coisas sem noção para me afastar da vida real, onde, entre a minha liberdade e eu, estava um grupo de “Djins”.Amir caminhou lentamente na minha direção, com um sorriso cruel nos lábios e olhos faiscando de raiva.Ele acha mesmo que eu sou idiota de ficar parada? Pelo portão que entrei, sai correndo.Se ele me pegar, vai me castigar de qualquer jeito, mas se não conseguir me
ELAQuando nossos sequestradores se foram, fiquei parada um tempo olhando para a mancha de sangue do senhor idoso que deixaram no chão. Acho que nuca tive tanto pavor na vida, e não fazia ideia do que estava acontecendo, mas não podia mais ignorar as evidências do sobrenatural.O tempo passou em uma lenta tortura, acho que algumas horas, e ninguém se atrevia a dizer palavra alguma. A mocinha, que estava na mesma cela que eu, parou de chorar e caiu no sono. Amir estava com os olhos esbugalhados, petrificados, olhando para o nada, e os seus companheiros de cela estavam sentados de cabeça baixa.Eu queria acordar daquele pesadelo, mas sabia que era verdade. Nunca imaginei que algo assim seria possível fora dos livros e do cinema.Quando o som de passos ecoou pelo corredor, alguns de nós levantaram-se, a mocinha mais uma vez se escondeu no canto e Amir ficou em pé, encostado na parede no fundo da sua cela. Eu continuei sentada, sem reação, paralisada pelo medo e incapacidade de encontrar
ELE“Minha!”Disse em voz alta, incrédulo, pois nunca sequer conseguiu sonhar que um dia diria essa frase do fundo do coração. Ele era Ares, O Alfa Maldito, temido até mesmo por seu povo.Um dos lacaios de Deanera a olhou de soslaio e ela indicou que ele cumprisse o seu trabalho. Ele, então, correu para abrir a cela e dar passagem ao poderoso Alfa. Ninguém desejaria ficar no caminho do magnífico predador e a sua presa.“ Vem até mim, minha fêmea!”O Alfa ordenou, e ela instintivamente obedeceu, mas ficou parada na frente dele, com os seus belos olhos verdes fixos no seu olhar.— Sua, Alfa Ares? Mas ela é humana, como pode uma humana ser uma Luna? — Deanera questionou, confusa e desconfiada.Havia a possibilidade de Ares estar apenas interessado numa fêmea para aquecer a sua cama, e nada mais fácil do que uma humana fraca e sem valor. Ninguém se importaria com uma humana o suficiente para ir contra o Alfa mais forte em existência.“ Minha!”A sua fera repetiu, e Deanera compreendeu que
ELEO seu olhar de medo o assombrava, mas os seus olhos fechados o impediam de vislumbrar a luz. Ares a tinha nos braços, ainda assim, sentia a falta do verde que o iluminou.Ela era humana, incapaz de sentir a conexão, por conseguinte, acreditava que ela nunca o amaria, mas ele sabia que estava condenado desde a primeira troca de olhares.— Pare, Alfa! — A voz de Deanera era soberba, acostumada a ser obedecida.Parecia uma piada.Os pelos da nuca de Ares eriçaram-se, as mãos que seguravam a fêmea se alongaram, garras substituíram as unhas. Parte da vestimenta da humana foi rompida, deixando uma pequena porção da pele da sua coxa a mostra. Menos de três centímetros de pele exposta foram capazes de fazer o seu sangue pulsar com ardor por todo o corpo. Dentes se expandiram, o gosto da toxina de acasalamento escorrendo pela garganta.O que mais seria necessário para impossibilitar o controle, e a fera tomar a fêmea humana ali mesmo, na frente de todos?Fechou os olhos, concentrando-se no
Ele virou-se e saiu da tenda, me deixando sozinha. Cheguei a me perguntar se seria possível simplesmente escapar dali, mas ele retornou com um jarro e um copo. Ele derramou o liquido no copo e me ofereceu.Estava com sede, mas hesitei em aceitar. Ali poderia ter algum tipo de veneno, mas, sejamos francos, se ele quisesse matar-me, teria muitos métodos para isso, e morrer envenenada não era o pior deles.Vendo a minha hesitação, ele bebeu metade do conteúdo, creio que para me provar que não havia perigo. Dei de ombros e aceitei. Ele me observou enquanto segurei o copo e cheirei o líquido. Era como um bom vinho, embora o cheiro da uva fosse mais pungente do que o que eu conhecia.Levantei o niqab e bebi um gole, o sabor era fresco e agradável, então, bebi tudo e entreguei o copo de volta. Ele seguiu me encarando, e o seu olhar constante estava me deixando constrangida.— Precisa mesmo ficar me olhando desse jeito? — Perguntei, ao que ele não reagiu de forma alguma. — Então… bonitão, voc
— Explicou para ela?Perguntei assim que a bruxa saiu da minha tenda.— Sim, meu Alfa, embora, eu ainda ache que teria sido melhor se o senhor explicasse tudo a ela.— Ela tem medo de mim. — O fedor do medo dela foi o que me fez sair da tenda e buscar ajuda de Dofona para lidar com a humana.— E quem não teria? Por isso é importante que conversem, se conheçam melhor…— Ela pensou que poderia me rejeitar.Patética. Ela é minha, quer queira, quer não.Dófona riu, vendo diversão onde não tinha.— Eu sei, haha, ela me perguntou sobre isso. Parece que no mundo dos humanos tem livros de fantasia sobre nós e que basta falar uma frase idiota e a alma para de ser gêmea. Imagina, um vínculo tão fraco a esse ponto. Que importância teria?— Ela tem conhecimento do que acontecerá na cerimônia de união?— Sim… Expliquei quem ela é e o que representa para o clã. As suas obrigações e diretos.Minha natureza estava ansiosa sobre a fêmea e como seria possuí-la Apenas uma humana fraca e frágil com três