LANARecebi o convite para visitar o meu pai, Fernando, e sua namorada, Gisela. Enquanto eles não param de tagarelar, estou perdida em meus pensamentos.Já fazem dois meses que o Vicente foi embora e não tenho ouvido falar dele desde então. Mas eu sei que ele está bem. Minha irmã Luna mantém contato com ele, e sempre que eu pergunto sobre Vicente — de forma indiferente, na tentativa de não demonstrar curiosidade — ela diz que ele está bem e feliz."Vicente está mesmo feliz?" — este é o meu questionamento interno.Será que Vicente conheceu alguém? Ou então, ele conseguiu um trabalho na área de gastronomia?Estar distante de mim remete a sentimentos bons para ele?Nas poucas tentativas que tentei fazer Luna me dizer mais sobre como Vicente está vivendo, ela me repreendeu e deu sermões por horas."— Você quer saber como Vicente está? Pois bem, ligue para ele. Mande mensagem ou sinal de fumaça, mas faça contato." — estas foram umas das palavras que Luna usou contra mim.Eu até tentei co
..... DOIS MESES DEPOIS .....VICENTEApós sair do cartório, caminho pelas ruas do centro da cidade, indo em direção a prefeitura para dar continuidade nas documentações de venda.— Finalmente te encontrei, Vicente!Olho para o lado, vendo um amigo de longa data, Damião, do outro lado da rua.— Estava a minha procura? — pergunto, quando atravesso a rua para poder cumprimentá-lo.— Eu ouvi dizer que você estava na cidade. — Damião fala.— Sim, já tem alguns meses. — afirmo.— Deve estar na correria pelo jeito, nunca mais apareceu no campo ou no barzinho. — Damião falo, descontraído.Por eu residir em uma pequena cidade do interior, é difícil não encontrar pessoas facilmente.— Estou mesmo, na verdade, estou contra o tempo para ir embora de vez. — conto.— Então não são boatos que você está vendendo a oficina... — Damião resmunga.— A casa também. — completo.Damião olha-me perplexo.— Mas Vicente, essa oficina... ela pertencia ao seu irmão, não é? Ao Leonardo?Respondo com um movimento
LANA (Naquele mesmo dia) Não é do meu feitio escutar conversas alheias, mas ao ouvir o meu nome sair da boca de Eduardo, na sala de recursos humanos, não me contive. — .... se Lana não consegue equilibrar sua gestação e sua carreira, deveria renunciar para que outra pessoa competente assuma a vaga. — Eduardo diz com um tom sério e preocupado. "Como se ele realmente se preocupasse com a empresa." — penso, revirando os olhos. — Creio que esta decisão não nos compete, Eduardo. — quem fala é Mauro, responsável pelo RH da empresa. — É claro que não. — Eduardo ri com ironia — Mas não acha que Lana irá reconhecer que não é capaz, certo? — Como chegamos a este assunto? — Mauro indaga. Bato na porta do escritório, a qual está entreaberta e adentro. — Com licença, boa tarde, senhores. — falo em um cumprimento. Mauro comprime os lábios na tentativa de disfarçar seu desconforto e Eduardo olha-me com um sorriso ardiloso. — Boa tarde, Lana. — Mauro responde ao cumprimento.
..... MAIS TARDE ..... — Está indo tudo bem com o bebê. — o Dr. Tanaka diz ao final do ultrassom — Este garotão está se desenvolvendo muito bem. — Que boa notícia, doutor. — Luna afirma, desta vez é ela quem estava me acompanhando na consulta médica com o obstetra — Não é mesmo, Lana? — É sim. — concordo. Luna lança um olhar intenso para mim, devido a minha resposta sem entusiasmo. Eu estou sim, feliz que o bebê esteja bem — eu não desejo o contrário. No entanto, o meu dia iniciou mal, devido ao cansaço que tenho sentido com o avanço da gravidez, e foi pior no trabalho com as provocações de Eduardo. A reunião com Mauro me deixou desconsertada. "Um afastamento antecipado? Isso não me causaria ainda mais desânimo?" — penso. — A senhora ingressou no terceiro trimestre da gestação, Lana, a partir de agora iremos aumentar as consultas e faremos um acompanhamento semanal sobre a saúde do bebê. — o Dr. Tanaka começa a falar, ao nos reunimos em sua mesa. — Está bem. — falo e
VICENTE ..... NAQUELA NOITE ..... — Oi? — falo ao atender a ligação. Assustei ao receber a ligação de Luna, eu estava tão concentrado no jantar. — Boa noite, Vicente. Como vai? — Luna cumprimenta. — Vou bem. — continuo — Mas a sua voz denuncia que você não está. — Não estou. — ela concorda. — O que houve? Escuto Luna suspirar. — Lana. — é a resposta dela. — Imaginei que fosse. — afirmo — O que houve? — Resumidamente, a Lana está enfrentando novamente uma crise. — Luna começa a falar — A empresa propôs adiantar o afastamento dela, visando a saúde emocional. — continua — Todos sabem que a Lana não está bem desde a descoberta da gravidez. Foi compreensível a empresa visar este bem, mas a Lana não viu com bons olhos. — Não esperava o contrário. — murmuro. — O último trimestre da gestação é decisivo, Vicente. — Luna conta — É preciso ter cuidado para evitar qualquer complicação. — Tentou conversar com ela? — Sim e levei um esporro. — Luna responde — Vicente, pela primeir
..... UMA SEMANA DEPOIS .....LANA— Aqui está uma fornada de cookies para o meu sobrinho querido. — Luna coloca a assadeira sobre a mesa.— O bebê agradeceu. — dou uma piscadela.— Sei! — ela olha-me de relance.A melhor parte da gravidez, devo dizer, é poder reclamar meus desejos e ter a Luna a minha disposição para prepara-los — e é claro, a minha mãe também desempenha esta função.Estico o braço para poder pegar um cookies, pois já estou salivando, quando o meu celular começa a tocar.— Hm... — solto um gemido de frustração.Devo ter deixado o celular na sala de estar.— Eu vou buscar. — Luna se prontifica.— Obrigada! — sorrio e volto a minha atenção para as guloseimas.Saboreio um, dois, três cookies...— Estão divinos... — digo em um suspiro.Escuto os passos de Lana e logo ela adentra a cozinha, dizendo:— É um número que você não tem em seus contatos. — Pode atender. — dou de ombros.— Alô? — Luna diz ao atender a ligação — Quem gostaria? — pausa — É a irmã dela. — pausa — S
..... ANOITECEU ..... — Como você está, Lana? Está sentindo algo? — Luna pergunta pela milésima vez. — Estou como estava a cinco minutos atrás... — resmungo — Estou bem. Escuto Pedro rir baixo, enquanto Luna vira-se para me olhar do banco do carona. — Estou preocupada. — ela avisa. — Eu sei. — continuo — E eu já disse estar bem. Volto a minha atenção para o celular onde estou conversando com Cosme. Ele nos passou o endereço do hospital onde Vicente está internado. Pedro foi muito gentil em aceitar nos levar ao hospital, apesar de serem três horas de viagem de carro. 💬 O Vicente já está no quarto, graças a Deus ele não sofreu nenhum ferimento grave ou fratura. — Cosme diz na última mensagem. Felizmente estamos a poucos minutos de chegar ao hospital, apesar da mensagem de Cosme, só irei ficar despreocupada ao ver pessoalmente Vicente. ..... Ao abrir a porta do quarto hospitalar, vejo Vicente deitado na cama, adormecido. — Vicente... — sussurro. Aproximo-me do leito para po
— ... Lana...? Abro os olhos, assustada, acabei adormecendo na poltrona. "Devo estar sonhando." — é o meu pensamento. Olho ao redor e lembro-me que estou no hospital, no quarto onde Vicente está internado — que a propósito, não é um quarto particular, mas não está sendo dividido com outro paciente. Apesar do quarto escuro sendo iluminado apenas por um abajur, tenho a impressão de ver Vicente com os olhos abertos. — Vicente? — chamo, com tom de dúvida. — Você veio. — escuto Vicente dizer, sua voz é quase um sussurro. Levanto-me rapidamente e aproximo-me: — Sim, eu vim. Nossos olhares se encontram, apesar de um semblante confuso, noto uma mistura de alegria e surpresa no olhar de Vicente. Seu olhar desce para a minha enorme barriga. — Estou sonhando? — Vicente pergunta e estende uma das mãos para tocar a minha barriga. — Não, não está. — respondo, mordendo o lábio inferior. — Ultimamente eu ficava feliz quando sonhava com você, mas agora é um alívio não ser um sonho. — Vic