Ele Pisou nas Minhas Cinzas
Ele Pisou nas Minhas Cinzas
Por: Ana Moura
Capítulo 1
No terceiro dia após a minha morte, Dimitri recebeu uma ligação para reconhecer um cadáver.

Casualmente, enquanto abraçava a mulher que estava em seus braços, respondeu:

— Se morreu, morreu. Cremem e me avisem depois.

Meu corpo foi enviado para o crematório, transformado em cinzas, e o funcionário ligou novamente para Dimitri.

Ele suspirou, impacientemente.

— Entendido. Já estou indo.

...

Quando Dimitri chegou, já haviam passado duas horas.

Sua roupa estava um pouco desarrumada, e na gola de sua camisa havia uma marca de batom escandalosa e visível.

Não era difícil perceber que ele tinha acabado de sair da cama.

Ao encontrar o funcionário, ironizou:

— As cinzas da Iolanda? Não era para eu vir buscá-las?

Depois de confirmar que era ele, o funcionário entregou a ele a caixa contendo minhas cinzas.

Dimitri a pegou com desdém, e seu olhar estava carregado de zombaria.

— Estas são mesmo as cinzas da Iolanda? Ou será que pegaram qualquer cinza por aí para me enganar?

O funcionário ficou indignado:

— Sr. Dimitri, estas são, de fato, as cinzas da Srta. Iolanda. Temos registros. O senhor gostaria de vê-los?

Dimitri curvou levemente os lábios.

— Não precisa, acredito em vocês.

Soltei um suspiro de alívio. Não sei por que, mas, mesmo morta, minha alma permanecia vagando.

Refletindo sobre isso, imaginei que talvez fosse porque eu ainda não havia sido enterrada.

Agora que Dimitri acreditava na minha morte, pensei que, por mais que ele me odiasse, por consideração ao nosso passado, ele ao menos se daria ao trabalho de me enterrar.

Mal tive tempo de me sentir aliviada e, no segundo seguinte, Dimitri soltou um grito de surpresa.

A urna com minhas cinzas escorregou de suas mãos e caiu, espalhando tudo pelo chão.

Com um sorriso cruel, Dimitri disse:

— Desculpe, foi sem querer. — E, dizendo isso, ele esticou o pé e começou a esmagar minhas cinzas com a sola do sapato, impiedosamente.

Senti um aperto na alma. Olhando para seus olhos que riam friamente, abri a boca para falar, mas nenhum som saiu.

Minhas cinzas acabaram se perdendo nas fendas do chão, se misturando à poeira. Só então Dimitri retirou o pé, satisfeito.

No meio do choque e da perplexidade dos funcionários, ele sorriu e disse:

— Não se esqueçam de avisar à Iolanda que, dessa vez, a encenação foi criativa, mas não convenceu. Em alguns dias será o memorial da minha mãe. É melhor ela aparecer no túmulo para pedir perdão. Caso contrário, mesmo que ela tenha realmente morrido, eu não terei problema nenhum em desenterrar o corpo dela e profaná-lo.

A última palavra foi dita com uma frieza aterrorizante, capaz de fazer qualquer um estremecer.

Mas eu sabia que ele era perfeitamente capaz de cumprir essa ameaça.

De repente, me senti aliviada por meu corpo já ter sido cremado. Caso contrário, a cena certamente seria horrível.

Os funcionários nem tiveram tempo de discutir com ele, pois Dimitri foi chamado por um telefonema e saiu imediatamente.

O estranho é que minha alma o seguiu, sem que eu pudesse fazer nada a respeito.

Sem alternativa, me sentei no banco do passageiro e ouvi a conversa entre ele e a mulher do outro lado da linha.

A voz era familiar. Era Míriam, a filha adotiva da família Castro.

Durante o tempo em que Dimitri e eu ainda nos amávamos, ela havia me procurado e pedido que eu o deixasse.

Quando recusei, ela começou a me atacar: espalhou boatos sobre mim na minha empresa e enviou pessoas para me intimidar.

Quando Dimitri soube disso, deu a ela uma lição severa e disse que, se ela ousasse me incomodar de novo, ele a expulsaria.

Somente então Míriam se acalmou.

Quando meu nome foi mencionado, a expressão de Dimitri esfriou.

— Por que falar dela? Um péssimo presságio. E ela nem está realmente morta.

— Mas e se ela estivesse realmente morta, Dimitri? O que você faria? — A voz de Míriam, hesitante, veio do outro lado da linha.

Meu coração apertou. Instintivamente, me virei para olhar Dimitri.

Se fosse o Dimitri de antes, nem mesmo um pequeno corte na minha mão passaria despercebido por ele. Ele se preocupava demais.

Ele costumava dizer que eu era seu tesouro, que passaria a vida inteira cuidando de mim como algo precioso.

Mas agora, Dimitri apenas deu uma risada gelada:

— Então, eu faria uma festa que duraria três dias e noites. Depois, encheria a cidade com fogos de artifício para comemorar.
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