Eu abri a boca, sem saber o que dizer, e olhei para ele, perdida. Bruno não ouviu minha tentativa de negar suas palavras, e isso só aumentou sua decepção. — Você tem ideia de quanto eu queria fazer amor com você? E você tem ideia do motivo de eu ter suportado tudo isso? — Bruno apertou a testa, como se tivesse engolido uma medicina extremamente amarga, algo que o deixou tão desconfortável que mal conseguia levantar a cabeça. — Se estivermos juntos, eu quero que seja porque ambos queremos, porque ambos desejamos, e não por nenhuma razão externa. Nem mesmo por causa da Dayane! Ele falou com firmeza: — Essa coisa, eu não vou aceitar! Fiquei atônita com a forma direta com que ele disse isso, e a maneira como suas palavras impactaram meu corpo fez com que eu tremesse levemente. Mas a resolução com que ele recusou me fez sentir uma dor amarga nos olhos. — Quando estávamos no exterior, levei a Dayane a muitos médicos. Eles sempre me diziam, de maneira indiferente, que a idade de
O semblante de Bruno, que antes estava cheio de desânimo, se transformou instantaneamente ao ouvir minhas palavras. Ele levantou a cabeça com força e me olhou, seus olhos negros cintilando, como se ondas furiosas estivessem batendo contra a costa, imponentes e vastas.No segundo seguinte, Bruno me envolveu com uma força tão intensa que parecia que meu corpo estava prestes a se fundir com o dele, como se ele quisesse me apertar até desaparecer.— Ana, você ainda tem espaço para mim no seu coração?Suspirei internamente, sem forças sequer para afastar suas mãos. Meus braços ficaram flutuando sobre seus ombros, enquanto ele me abraçava, sem que eu fizesse nada para evitar.Ainda tenho espaço para ele?Naquele momento, com o lembrete direto e nu de Bruno, eu senti medo.Eu me sentia amargamente dividida. Ele havia me ferido repetidas vezes, e eu fiz promessas incansáveis de cortar qualquer vínculo com ele. Mas, sempre que ele me olhava com aquele olhar de dor e impotência, meu coração ce
— Bruno, você é um sem-vergonha! Está distorcendo as coisas! Eu falei isso um pouco irritada, abaixando a cabeça na tentativa de retirar minha mão da dele. Mas, como se fosse uma planta, os brotos começaram a sair dos dedos dele, e os dedos se entrelaçaram com a minha mão, me segurando firmemente. — Bruno Henriques! — Eu imediatamente fiquei um pouco ansiosa. — Estávamos falando da Dayane, por que você está trazendo isso para a gente agora? Ele ergueu meu queixo, e de repente meus olhos se prenderam nos dele, profundos e quentes. Ele tocou suavemente minha bochecha, como se estivesse se contendo, me guiando. — Quem quer ter filhos com quem? ... Não sei se era minha impressão, mas havia algo indefinido nas palavras dele. Especialmente nos olhos dele, que diziam mais do que as palavras, flertando de maneira vagamente disfarçada. Meus ouvidos ficaram quentes, e eu virei a cabeça na direção da porta, pressionando os lábios, sem dizer mais nada. Bruno ajustou minha face.
— Exame. — Bruno murmurou essa palavra entre os dentes, me olhando com raiva. — Você sabe fazer o exame?Fiquei surpresa.— Você está me perguntando? Chama um médico para fazer isso, porque eu não sei!Levantei-me, pronta para ir até a porta abrir, mas fui interrompida quando Bruno segurou meu pulso.Os cantos dos seus olhos estavam avermelhados, e seu olhar carregava um calor que eu não conseguia compreender.Pensei que ele estivesse irritado comigo por eu ter falado sobre não querer me casar de novo, então tentei acalmá-lo o melhor que pude.— Fazer um exame não é algo ruim. Mesmo que você não tenha mais filhos comigo, vai acabar tendo com outra mulher. Tudo isso é por causa da saúde da criança. Só peço que tenha paciência, afinal...Afinal, cuidar da Dayane esses anos foi bem difícil. Se fosse possível, seria bom evitar qualquer risco de que a criança ficasse doente.— Deixa pra lá, não é nada.As palavras que eu disse, que tinham como intenção acalmar Bruno, me pareceram amargas, c
O médico, ao ver a situação, acenou com a cabeça repetidamente.— Claro, nossa equipe médica está à sua disposição, vamos preparar os equipamentos necessários para você agora mesmo.— Pode ir. — Bruno disse, sem nem piscar.Fiquei pensando como Bruno tinha tanta autoridade. Para ele, até as instalações médicas precisavam ser ajustadas de última hora. Enquanto me distraía com esses pensamentos, ele segurou minha mão com firmeza, me puxando de volta para a sala de exames. Sentamos no sofá, com ele ao meu lado, como se não fosse se separar de mim por nada.Vendo que ele não dizia uma palavra, automaticamente comecei a pensar que ele estava com medo do exame.Talvez fosse por causa do sofrimento que ele passou nos anos anteriores devido à doença, e além disso, não havia razão para ele precisar da minha companhia durante um simples exame.Olhei para ele de soslaio, querendo confirmar minha suspeita.Bruno pegou uma mecha do meu cabelo e, com os dedos, começou a girá-la lentamente. Seus olho
— Foi você quem me pediu para fazer o exame, então você tem que me ajudar! Fui empurrada por Bruno para dentro da sala de exames. Ele me segurou nos braços e me pressionou contra a porta, trancando ela com um simples movimento. Seu gesto ousado me fez suar frio instantaneamente. — Você enlouqueceu! Tem outras pessoas aqui! Como ele ousava me pressionar assim, em público? Reflexivamente, comecei a me debater! Mordi os lábios, tão nervosa que quase aprendi a fazer ventriloquismo, olhando fixamente para ele. — Vai procurar o médico, por que me procurou? Me solta agora! Bruno agarrou a minha mão, que estava apoiada em seu ombro, entrelaçando nossos dedos e levantando os dois braços acima da minha cabeça. Ele sorriu lentamente. — Olha direito, quem mais está aqui? Fiquei paralisada, como se um raio tivesse me atingido num dia de sol. Pus a ponta dos pés e tentei olhar por cima de seu ombro. O lugar onde estava a mesa do médico estava vazio, e o próprio médico desaparecer
Eu estava com o saco de Bruno nas mãos, e não sabia o que fazer com ele nem podia pegar nem podia largar.O copo estava firme em minha mão, e, quando fui abrir a boca, até minha voz falhou.— Bruno, não precisa encher até a borda... — Forcei-me a controlar a vergonha, apontando para o que estava escrito no rótulo da garrafinha. — Aqui está escrito que a quantidade de uma vez é o suficiente.— Como você sabe que não vou encher a quantidade certa?Fiquei tão surpresa que os pelos do meu corpo se arrepiaram. Levantei a manga e estiquei o braço para mostrar a ele o quanto estava atônita.— Bruno, você tem noção do que está dizendo?!— Não tem ninguém vendo, qual o problema?De repente, Bruno abaixou a cabeça e, com uma suavidade quase irreconhecível, mordeu meu clavículo.Não doeu, mas a pressão não era algo que eu pudesse ignorar. Era uma força que me fazia querer gritar, mas eu me segurava.Mordi forte o lábio inferior e, sem pensar, envolvi a cabeça dele com minhas mãos.— Bruno, não fa
Rapidamente, pressionei minha testa contra a de Bruno, me mantendo em silêncio, desafiando ele com o olhar. A pele que ele beijara ainda queimava, e seus olhos eram como magma escaldante; bastava ele me olhar uma única vez para que meu sangue começasse a tremer e a se agitar, sem controle. No hospital, o sistema de ar-condicionado era dos mais modernos, mas mesmo assim, uma fina camada de suor apareceu em minha palma. Se continuássemos assim, logo, quando saísse daqui, não conseguiria olhar ninguém nos olhos.— Bruno, me deixa levantar! Eu mantinha o rosto impassível, tentando disfarçar a frieza que eu forçava em meu semblante.A adâmia de Bruno subia e descia, ele claramente não queria responder ao que eu havia dito. Talvez o meu olhar tivesse sido firme demais, mas, por fim, ele abaixou a cabeça, derrotado, enterrando o rosto em meu pescoço. Sua respiração quente e úmida se espalhou pela minha orelha, e ele, sem poder mais, se esfregou contra mim, fazendo a voz dele tremer, chei