— Zoey, você acha que eu sou um gigolô, mas a verdade é...— Christian.A voz surgiu atrás de mim, cortando o ar como uma lâmina afiada.Christian travou no meio da frase, fechando a boca antes de concluir. Sua expressão se fechou ligeiramente, como se já soubesse exatamente quem tinha falado e não estivesse nem um pouco animado com isso.Pisquei, confusa, e me virei no reflexo.A mulher que agora nos encarava era alta, loira e bem-vestida demais para uma simples cliente do café. Ela carregava uma postura que gritava influência, lançou um olhar rápido para mim antes de focar inteiramente em Christian.Eu não sabia quem era aquela mulher... Uma cliente importante, talvez? O que eu sabia é que aquela conversa era séria demais para que eu estivesse aqui ouvindo.Aproveitei o silêncio e disparei a desculpa mais rápida que minha mente conseguiu inventar.— É, então... eu preciso ir.Christian desviou os olhos da recém-chegada para me encarar. Seu olhar era firme, curioso, como se tentasse
Eu andava de um lado para o outro no meu quarto, sentindo minha sanidade escorrer pelo ralo junto com a dignidade que ainda me restava. A mensagem de Christian piscava na tela do meu celular como um aviso de desastre iminente: "Nossa conversa ainda não acabou, amorzinho."— Ok, tudo bem — murmurei para mim mesma, passando as mãos pelo rosto. — Eu confundi um CEO bilionário com um gigolô.Quem eu estava tentando enganar? Isso não acontecia. Nunca. Com ninguém normal.Meu celular vibrou novamente. Annelise tinha enviado mais screenshots dos comentários nas redes sociais.Meu nome estampado em todos os perfis de fofoca possíveis."Quem é a mulher misteriosa que fisgou o coração de Christian Bellucci?""CEO bilionário aparece apaixonado! Será que o solteirão mais cobiçado do país vai oficializar o romance?""Nova noiva de Christian Bellucci surge do nada! Mistério ou golpe?"Deslizei o dedo pela tela, meu estômago afundando a cada comentário que lia."Ela tem cara de interesseira.""Nossa
Eu não pensei. Apenas agarrei o pulso de Christian e o arrastei para fora da sala antes que alguém decidisse arremessar arroz na gente. Ele sorriu, como se estivesse se divertindo com a situação.Passei pelo corredor, ignorando os olhares confusos da minha mãe e dos meus irmãos, até empurrá-lo para dentro da cozinha e fechar a porta atrás de nós.— Que merda foi essa, Christian?!Ele ajeitou a manga do terno, completamente relaxado, como se pedir a mão de uma estranha em casamento fosse algo que ele fizesse toda quinta-feira.— Um pedido de casamento.— EU PERCEBI! — esfreguei a testa, sentindo um formigamento atrás dos olhos. — O que eu quero saber é por quê?!Ele me lançou um olhar de pura diversão, como se não entendesse o motivo do meu colapso.— Achei que já tivéssemos estabelecido isso. Você me pediu para ser seu noivo no casamento do seu ex. Eu só decidi que quero continuar a brincadeira.Ele decidiu? ELE DECIDIU?— Eu não pedi para você me perseguir e aparecer na minha casa co
O olhar de Christian estava fixo no meu, intenso, confiante. Como se já soubesse a resposta. Como se já tivesse calculado cada movimento desse jogo bizarro que, de alguma forma, nos dois estávamos jogando.Mas antes que eu pudesse responder, havia algo que precisava saber.— Por que você foi embora? — perguntei, minha voz mais baixa do que pretendia.Ele franziu a testa, visivelmente confuso.— O quê?— Naquela manhã. No hotel. Você... — engoli em seco, a vulnerabilidade me incomodando mais do que queria admitir. — Você simplesmente foi embora. Sem nem se despedir.Algo mudou no olhar dele. Um breve lampejo de... o quê? Culpa? Arrependimento? Mas desapareceu tão rápido que eu não consegui decifrar.— Tinha uma reunião — ele respondeu, evasivo.— Às sete da manhã de um sábado? — arqueei uma sobrancelha.— Não foi nada pessoal, Zoey.Três palavras simples, mas que me atingiram como um tapa. "Nada pessoal." Claro que não. Por que seria? O que aconteceu entre nós foi apenas uma diversão p
Engoli em seco, organizando meus pensamentos.— Não quero que minha família saiba que estou fazendo isso por dinheiro.Seu rosto permaneceu impassível, mas um brilho de compreensão surgiu em seu olhar.— Você quer manter o acordo em segredo.— Exatamente. Para eles, isso precisa parecer real. — Passei a mão pelo cabelo, nervosa. — Quero dizer, obviamente eles vão achar estranho, mas... precisamos convencê-los. Eles não podem saber sobre você pagar a dívida e sobre o nosso acordo.Christian assentiu lentamente.— Tudo bem. Faz sentido.— E quando você for terminar comigo — continuei, minha voz ficando mais firme —, não pode simplesmente desaparecer como... como Alex fez.Algo mudou no olhar dele. Uma dureza sutil, como se a menção de Alex o incomodasse por algum motivo.— Como assim?— Não pode sumir sem dar explicações, entende? Não pode me deixar tendo que explicar para minha família por que meu suposto noivo evaporou do dia para a noite. — Cruzei os braços, tentando parecer mais con
Respirei fundo, reunindo toda a coragem que consegui encontrar.— Sexo não está incluído no acordo.Por um instante, Christian pareceu genuinamente surpreso. Seus olhos se arregalaram levemente, e por um breve momento, aquela máscara de confiança inabalável caiu. Então, como se nunca tivesse partido, aquele sorriso sedutor que eu já conhecia bem demais apareceu em seu rosto.— Tem certeza? — ele perguntou, inclinando-se ligeiramente na minha direção. Um movimento sutil, mas suficiente para me fazer sentir seu calor, mesmo sem me tocar. — Porque eu me lembro muito bem de como você gemia meu nome da última vez.Senti meu rosto pegar fogo, a vergonha me consumindo por dentro. Imagens daquela noite na piscina invadiram minha mente sem permissão. A água morna ao nosso redor, seus dedos traçando caminhos na minha pele, o modo como seu corpo se encaixava perfeitamente no meu.— Eu nem sabia que aquele era seu nome de verdade! — protestei, cruzando os braços como se isso pudesse me proteger d
A campainha tocou às oito da manhã de segunda-feira, me arrancando de um sono que já não era dos melhores. Desde o momento em que Christian saiu da minha casa ontem, minha mente não tinha parado um segundo sequer. O beijo, o acordo, a viagem – tudo girava na minha cabeça como um carrossel desgovernado.— Zoey! — A voz de minha mãe atravessou a porta do quarto. — Tem uma entrega pra você!Rolei na cama, resmungando. Uma entrega? Eu não tinha comprado nada. A menos que...Levantei num pulo, um mau pressentimento me dominando. Vesti o robe por cima do pijama e arrastei os pés até a sala, onde minha mãe assinava um tablet oferecido por um entregador de uniforme impecável.— O que é isso? — perguntei, já temendo a resposta.— Entregas para a senhorita Aguilar — o homem respondeu formalmente. — Da parte do senhor Bellucci.E então, como uma invasão coordenada, três outros entregadores começaram a trazer caixas e mais caixas para dentro da minha casa. Caixas grandes, caixas médias, sacolas c
Na manhã de terça-feira, eu estava em pé na frente da minha casa, uma mala de tamanho médio ao meu lado e uma bolsa nova a tiracolo — ambas presentes de Christian. Optei por um visual simples: calça jeans de grife que caía perfeitamente, blusa de seda azul-marinho e sapatilhas confortáveis. Nada muito chamativo, mas ainda assim mais caro que qualquer coisa que eu já tinha usado.Meu coração acelerou quando uma Lamborghini Urus preta reluzente estacionou na frente da minha casa. Christian saiu do carro, impecável em seu terno azul escuro, óculos escuros refletindo o sol da manhã. Ele sorriu ao me ver, e odiava admitir, mas meu estômago deu uma cambalhota.— Bom dia, noivinha — ele disse, se aproximando para depositar um beijo suave em minha bochecha.— Não me chama assim — murmurei, tentando ignorar o cheiro da colônia dele que invadiu meus sentidos.— Como preferir, amorzinho — ele respondeu, o sorriso irritantemente charmoso nunca deixando seu rosto.Christian pegou minha mala sem es