Acordei devagar, me espreguiçando como um gato preguiçoso depois de uma noite absurdamente bem aproveitada.
O lençol macio acariciava minha pele, e meu corpo inteiro estava deliciosamente dolorido. Uma dor boa. Uma dor que só vem depois de uma noite muito, muito bem aproveitada.
Soltei um suspiro satisfeito antes de abrir os olhos.
E então virei para o lado, pronta para me enroscar novamente no corpo quente e musculoso que deveria estar ali.
Mas o que encontrei?
Nada.
O outro lado da cama estava vazio. Nenhum sinal de Christian. Nenhuma respiração profunda. Nenhuma mão puxando meu corpo para mais uma rodada matinal de sexo.
Ah, maravilhoso. O gigolô me largou.
Fechei os olhos por um instante e respirei fundo.
Nem um café da manhã? Nem uma despedida fofa? Um bilhete de "adorei a noite, vamos repetir"?
Merda de sedutorzinho barato.
Aliás, barato não. Muito caro.
Eu sabia que seria assim.
Então por que aquela sensação de desapontamento irritante estava crescendo no meu peito?
Talvez… talvez eu pudesse vê-lo novamente. Se eu economizasse um pouco, talvez conseguisse pagar por mais uma noite…
Não, não, não!
Balancei a cabeça, afastando o pensamento como se ele fosse um mosquito inconveniente.
— Você tá ficando louca, Zoey. Ele é só um garoto de programa... Fez com você o que faz com todas.
Eu estava realmente cogitando gastar o pouco dinheiro que tinha num gigolô?
Deus me ajudasse.
Mas ainda assim…
Pelo menos um "foi incrível, bebê, durma bem" cairia bem, né?
Me levantei da cama, praguejando baixinho, e me enrolei no lençol antes de ir até a sala da suíte. E foi aí que me deparei com um banquete de café da manhã digno de uma realeza.
Parei, piscando.
Croissants dourados. Frutas exóticas. Café servido em uma porcelana tão cara que provavelmente valia mais que meu aluguel.
Eu franzi a testa.
— Hum… estranho. Será que paguei por um combo premium sem perceber?
Antes que eu me questionasse mais, meu estômago tomou a decisão por mim. Se a comida estava ali, significava que era minha.
Me sentei e comecei a comer como se não houvesse amanhã.
Depois de comer o equivalente ao PIB de um pequeno país, fui para o banheiro, já que pelo menos Christian me deixou com um chuveiro cinco estrelas para usar.
E que chuveiro! O box tinha mais botões do que uma nave espacial, e eu passei os primeiros cinco minutos só testando jatos d’água como se fosse uma criança descobrindo brinquedos novos.
Depois do banho, minha mente finalmente voltou ao planeta Terra. Eu precisava trabalhar.
Meu celular? Morto.
Minha dignidade? Quase morta.
Meu compromisso com minha chefe? Infelizmente, bem vivo.
Não fazia sentido ir para casa e depois para a loja, então, passei por uma lojinha e comprei um jeans básico e uma blusa confortável. Nada de ir trabalhar com vestido de festa, obrigada.
Uma hora depois, entrei na loja, cansada, mas viva.
Pelo menos, foi o que pensei até ver quem estava me esperando.
Meus olhos se arregalaram. Meu coração disparou como se tivesse levado um choque elétrico. Minha bolsa escorregou do meu ombro e caiu no chão com um baque surdo.
— Puta merda! — exclamei involuntariamente, uma mão voando para cobrir minha boca.
Christian. Sorridente. Arrumado. E absolutamente sem vergonha na cara, estava parado ali como se tivesse todo o direito de invadir minha vida real.
— O que você está fazendo aqui? — As palavras saíram em um tom agudo, quase irreconhecível.
Ele abriu um sorriso preguiçoso.
— Que saudade, amorzinho.
— Não me chama assim. — Meus olhos percorreram freneticamente a loja, verificando se alguém estava ouvindo.
— Você não parecia se importar ontem à noite.
Filho da mãe.
Eu não estava com paciência para os joguinhos dele. Não depois de ter sido largada na cama como um delivery barato.
Minha chefe apareceu, empolgada.
— Zoey! Que bom que chegou! Temos um cliente de altíssimo nível aqui! Ele quer sua assistência pessoalmente.
Minha sobrancelha pulou.
— O quê?
Minha chefe apenas sorriu, completamente cega para a arrogância reluzente de Christian.
— O senhor Bellucci quer comprar um vestido de noiva, e ele quer você para ajudá-lo.
Engoli em seco.
Olhei para Christian, depois para minha chefe, depois para Christian de novo.
E foi aí que a ficha caiu.
Ele estava me zoando.
Só podia ser.
— Ah, claro. Agora você tem um fetiche estranho com vestidos de noiva?
Christian sorriu, claramente se divertindo.
— Quem sabe?
Eu encarei minha chefe.
— Você tem certeza de que ele… quer mesmo comprar um vestido?
— Absolutamente! Ele já olhou vários modelos, mas disse que quer sua opinião.
Me virei para ele de novo.
— O que você está aprontando?
Ele apenas inclinou a cabeça.
— Ora, Zoey. Você trabalha vendendo vestidos de noiva. Eu preciso de um. Onde está a parte estranha nisso?
TUDO, CHRISTIAN. A PARTE ESTRANHA É TUDO.
Mas minha chefe estava lá, parecendo prestes a me demitir se eu recusasse.
Então, fechei os olhos e respirei fundo.
— Tá bom. Vamos acabar logo com isso.
Passei os próximos vinte minutos mostrando opções para Christian. Ele dispensou todas. Ele estava ali para me torturar. Para me ver suar. Para se divertir enquanto eu tentava manter o profissionalismo e não enfiava um cabide na cara dele na frente da minha chefe.
— E esse? — minha voz saía doce e profissional, mas na minha mente eu estava enfiando o cabide.
— Você fica linda quando está irritada.
Meu cérebro deu um curto-circuito.
— O QUÊ?!
Ele deu de ombros, pegando outro vestido e erguendo na minha frente, como se estivesse me imaginando usando a peça – ou, pior, tirando-a.
— Estou tentando me decidir aqui... — ele disse em voz alta, claramente para minha chefe ouvir, mas depois sua voz caiu para um sussurro carregado de malícia. — Se você fica mais linda quando está irritada… ou quando está gozando.
Meu corpo inteiro travou.
— CHRISTIAN! — sibilei, sentindo meu rosto queimar.
Ele apenas sorriu, diabólico.
— Seria ótimo poder tirar a prova novamente. Mas, enquanto isso... — seus olhos percorreram meu corpo lentamente, e ele ergueu o vestido contra mim, inclinando a cabeça com aquele olhar de avaliação meticulosa. — Esse ficaria ótimo, mas algo mais ousado tem mais estilo, não acha?
— Christian, você quer um vestido ou veio aqui só para me infernizar? — perguntei, estreitando os olhos.
Ele inclinou a cabeça, pensativo.
— As duas coisas.
O sangue subiu tão rápido para minha cabeça que eu vi tudo ficar vermelho por um segundo..
— Agora me mostra o seu favorito.
Minha paciência pulou da sacada do prédio.
— O meu o quê?
— Seu vestido favorito.
Eu pisquei.
— Você quer saber o meu vestido favorito?
Peguei um modelo icônico da Maison Deveraux, um dos vestidos mais exclusivos e luxuosos da loja, e deslizei os dedos pelo tecido impecável, sentindo a suavidade da seda contra minha pele. Era um vestido feito para realeza, o tipo de peça que qualquer mulher sonharia em usar ao caminhar pelo altar, irradiando glamour e sofisticação.
E, claro, era absurdamente caro.
Respirei fundo, ergui a peça e olhei para Christian, pronta para ouvir mais alguma provocação.
Então, olhou para mim. Depois para o vestido.
E então disse a frase que fez meu coração parar.
— Vou levar esse.
Pisquei, tentando processar.
— Desculpa… o quê?
— Vou levar esse vestido.
O estômago se revirou em desconfiança.
— Pra quê?
Ele arqueou uma sobrancelha, como se minha pergunta fosse a coisa mais idiota que ele já ouvira na vida.
— Para minha noiva. — Ele fez uma pausa dramática antes de acrescentar, com um sorriso divertido: — Ou você acha que alguém compra um vestido de noiva pra passear no parque?
Meu cérebro derreteu.
— VOCÊ É NOIVO?!
Ah, merda! Eu tinha dormido com um homem comprometido? Um nó se formou em minha garganta enquanto a culpa me consumia por dentro.
— É claro que sou, não se lembra? Você é minha noiva. E nós vamos nos casar em breve.As palavras de Christian ecoaram na minha mente como um sino rachado. Meu coração estava disparado, o sangue pulsando tão forte nos meus ouvidos que quase abafava as risadinhas das vendedoras ao nosso redor.Eu, noiva dele? Em que universo paralelo isso fazia sentido?Minha chefe surgiu ao meu lado antes que eu pudesse reagir, sorrindo como se tivesse acabado de vender a Mona Lisa.— Zoey, que venda incrível! Você realmente é a melhor vendedora da loja!Minha mente ainda estava tentando acompanhar a realidade.— Hã?— O vestido! Esse foi um dos modelos mais caros que já vendemos! E tudo graças a você. — Ela piscou para mim e disse, animada: — Pode sair mais cedo hoje. Você merece.Enquanto minha chefe se afastava, eu fiquei ali, congelada, olhando para Christian como se ele tivesse acabado de me dizer que era um alienígena. Como um gigolô que eu contratei por uma noite estava agora comprando o vestid
— Zoey, você acha que eu sou um gigolô, mas a verdade é...— Christian.A voz surgiu atrás de mim, cortando o ar como uma lâmina afiada.Christian travou no meio da frase, fechando a boca antes de concluir. Sua expressão se fechou ligeiramente, como se já soubesse exatamente quem tinha falado e não estivesse nem um pouco animado com isso.Pisquei, confusa, e me virei no reflexo.A mulher que agora nos encarava era alta, loira e bem-vestida demais para uma simples cliente do café. Ela carregava uma postura que gritava influência, lançou um olhar rápido para mim antes de focar inteiramente em Christian.Eu não sabia quem era aquela mulher... Uma cliente importante, talvez? O que eu sabia é que aquela conversa era séria demais para que eu estivesse aqui ouvindo.Aproveitei o silêncio e disparei a desculpa mais rápida que minha mente conseguiu inventar.— É, então... eu preciso ir.Christian desviou os olhos da recém-chegada para me encarar. Seu olhar era firme, curioso, como se tentasse
Eu andava de um lado para o outro no meu quarto, sentindo minha sanidade escorrer pelo ralo junto com a dignidade que ainda me restava. A mensagem de Christian piscava na tela do meu celular como um aviso de desastre iminente: "Nossa conversa ainda não acabou, amorzinho."— Ok, tudo bem — murmurei para mim mesma, passando as mãos pelo rosto. — Eu confundi um CEO bilionário com um gigolô.Quem eu estava tentando enganar? Isso não acontecia. Nunca. Com ninguém normal.Meu celular vibrou novamente. Annelise tinha enviado mais screenshots dos comentários nas redes sociais.Meu nome estampado em todos os perfis de fofoca possíveis."Quem é a mulher misteriosa que fisgou o coração de Christian Bellucci?""CEO bilionário aparece apaixonado! Será que o solteirão mais cobiçado do país vai oficializar o romance?""Nova noiva de Christian Bellucci surge do nada! Mistério ou golpe?"Deslizei o dedo pela tela, meu estômago afundando a cada comentário que lia."Ela tem cara de interesseira.""Nossa
Eu não pensei. Apenas agarrei o pulso de Christian e o arrastei para fora da sala antes que alguém decidisse arremessar arroz na gente. Ele sorriu, como se estivesse se divertindo com a situação.Passei pelo corredor, ignorando os olhares confusos da minha mãe e dos meus irmãos, até empurrá-lo para dentro da cozinha e fechar a porta atrás de nós.— Que merda foi essa, Christian?!Ele ajeitou a manga do terno, completamente relaxado, como se pedir a mão de uma estranha em casamento fosse algo que ele fizesse toda quinta-feira.— Um pedido de casamento.— EU PERCEBI! — esfreguei a testa, sentindo um formigamento atrás dos olhos. — O que eu quero saber é por quê?!Ele me lançou um olhar de pura diversão, como se não entendesse o motivo do meu colapso.— Achei que já tivéssemos estabelecido isso. Você me pediu para ser seu noivo no casamento do seu ex. Eu só decidi que quero continuar a brincadeira.Ele decidiu? ELE DECIDIU?— Eu não pedi para você me perseguir e aparecer na minha casa co
O olhar de Christian estava fixo no meu, intenso, confiante. Como se já soubesse a resposta. Como se já tivesse calculado cada movimento desse jogo bizarro que, de alguma forma, nos dois estávamos jogando.Mas antes que eu pudesse responder, havia algo que precisava saber.— Por que você foi embora? — perguntei, minha voz mais baixa do que pretendia.Ele franziu a testa, visivelmente confuso.— O quê?— Naquela manhã. No hotel. Você... — engoli em seco, a vulnerabilidade me incomodando mais do que queria admitir. — Você simplesmente foi embora. Sem nem se despedir.Algo mudou no olhar dele. Um breve lampejo de... o quê? Culpa? Arrependimento? Mas desapareceu tão rápido que eu não consegui decifrar.— Tinha uma reunião — ele respondeu, evasivo.— Às sete da manhã de um sábado? — arqueei uma sobrancelha.— Não foi nada pessoal, Zoey.Três palavras simples, mas que me atingiram como um tapa. "Nada pessoal." Claro que não. Por que seria? O que aconteceu entre nós foi apenas uma diversão p
Engoli em seco, organizando meus pensamentos.— Não quero que minha família saiba que estou fazendo isso por dinheiro.Seu rosto permaneceu impassível, mas um brilho de compreensão surgiu em seu olhar.— Você quer manter o acordo em segredo.— Exatamente. Para eles, isso precisa parecer real. — Passei a mão pelo cabelo, nervosa. — Quero dizer, obviamente eles vão achar estranho, mas... precisamos convencê-los. Eles não podem saber sobre você pagar a dívida e sobre o nosso acordo.Christian assentiu lentamente.— Tudo bem. Faz sentido.— E quando você for terminar comigo — continuei, minha voz ficando mais firme —, não pode simplesmente desaparecer como... como Alex fez.Algo mudou no olhar dele. Uma dureza sutil, como se a menção de Alex o incomodasse por algum motivo.— Como assim?— Não pode sumir sem dar explicações, entende? Não pode me deixar tendo que explicar para minha família por que meu suposto noivo evaporou do dia para a noite. — Cruzei os braços, tentando parecer mais con
Respirei fundo, reunindo toda a coragem que consegui encontrar.— Sexo não está incluído no acordo.Por um instante, Christian pareceu genuinamente surpreso. Seus olhos se arregalaram levemente, e por um breve momento, aquela máscara de confiança inabalável caiu. Então, como se nunca tivesse partido, aquele sorriso sedutor que eu já conhecia bem demais apareceu em seu rosto.— Tem certeza? — ele perguntou, inclinando-se ligeiramente na minha direção. Um movimento sutil, mas suficiente para me fazer sentir seu calor, mesmo sem me tocar. — Porque eu me lembro muito bem de como você gemia meu nome da última vez.Senti meu rosto pegar fogo, a vergonha me consumindo por dentro. Imagens daquela noite na piscina invadiram minha mente sem permissão. A água morna ao nosso redor, seus dedos traçando caminhos na minha pele, o modo como seu corpo se encaixava perfeitamente no meu.— Eu nem sabia que aquele era seu nome de verdade! — protestei, cruzando os braços como se isso pudesse me proteger d
A campainha tocou às oito da manhã de segunda-feira, me arrancando de um sono que já não era dos melhores. Desde o momento em que Christian saiu da minha casa ontem, minha mente não tinha parado um segundo sequer. O beijo, o acordo, a viagem – tudo girava na minha cabeça como um carrossel desgovernado.— Zoey! — A voz de minha mãe atravessou a porta do quarto. — Tem uma entrega pra você!Rolei na cama, resmungando. Uma entrega? Eu não tinha comprado nada. A menos que...Levantei num pulo, um mau pressentimento me dominando. Vesti o robe por cima do pijama e arrastei os pés até a sala, onde minha mãe assinava um tablet oferecido por um entregador de uniforme impecável.— O que é isso? — perguntei, já temendo a resposta.— Entregas para a senhorita Aguilar — o homem respondeu formalmente. — Da parte do senhor Bellucci.E então, como uma invasão coordenada, três outros entregadores começaram a trazer caixas e mais caixas para dentro da minha casa. Caixas grandes, caixas médias, sacolas c