— Pérola... Entro no quarto dela e não a encontro, olho no relógio e ainda é cedo. — Onde essa menina foi sem avisar? Falo em voz alta. Pérola anda estranha, já sentei, conversei, questionei, mas ela sempre diz que está tudo bem. Desço as escadas e sigo até a cozinha, logo FM entra me agarrando por trás. — Tá gostosa hein! Ele me dá um tapa na bunda e cheira meu pescoço. — Para FM, sabe que odeio esses tapas! Brigo. Ele me dá um beijo no pescoço e se afasta sentando na bancada. — O que está acontecendo com sua filha? Ele pergunta pegando um pedaço de bolo. — Você também percebeu? Pergunto parando de lavar a louça e passo a olhar ele. — A dias! Se aquele mané tiver magoando minha filha, eu torturo ele! FM diz de boca cheia. — Tentei conversar com ela, mas ela não se abre, tem algo acontecendo! Digo me sentando também. — Eu vou descobrir o que é! FM diz me dando outro beijo e saí da cozinha. São 18 horas e nem um sinal da pérola, ligo para ela e o telefone só toca,
Estou dentro do meu carro, assim que fecho a porta dele, ainda dentro do estacionamento do hospital começo a socar o volante... — Ahhhhhhhhhhhhhhhhh Grito desesperada, todas as lágrimas seguradas até agora eu deixo cair... Minha filha, meu bebê... soco, soco, soco o volante inúmeras vezes, eu precisava extravasar toda essa dor dentro de mim. Paro de bater no volante, respiro fundo, respiro mais uma vez, limpo as lágrimas, prendo meu cabelo e ligo o carro. Minha cabeça estava a mil, minha adrenalina estava no ápice e acho que nem quando eu fazia meus corres quando nova eu ficava tão agitada como estou hoje. Estaciono o carro na frente do portão, toco a campainha e uma menina atende. — Pois não, posso ajudar? Olho ela de cima a baixo e sei que é a garota que está grávida de Bêh, ela é novinha mesmo, bem que Pérola disse. — Pode chamar a Lorena pra mim? — Claro, seu nome é... Ela fica esperando eu falar, mas eu resolvo me apresentar pessoalmente. Passo pela menina que fica me
— Ainda não melhorou? Carol está em meu quarto, tem semanas que estou me sentindo mal. — Já tomei vários remédios e nada melhora, acho que vou ter que ir no postinho mesmo. — Acho melhor, mas o que exatamente você está sentindo? — Enjôo, cansaço, uma vontade de dormir o tempo todo... Acho que estou com anemia. — Pérola, me responde com sinceridade... Quando você e Bernardo transaram, vocês se previniram, neh? — Eu não estou grávida, Carol! Respondo a repreendendo. — Ufa, então vocês se previniram, neh? Ela afirma, meio que perguntando. — Nós só transamos uma única vez Carol, depois não rolou mais... Eu fiquei meio dolorida, então resolvemos esperar um pouco e quando melhorei do dolorido comecei a passar mal. — Mas se previniram? Ela insiste na pergunta. — Não, Carol... Mas como disse, foi uma única vez e só pra você saber, minha menstruação veio esse mês... Quer dizer, ameaçou vir, sujou um pouco mas não veio normal, mas anemia causa isso. — Oh, pelo que sei, não existe
Acordar e sou informada pelo médico que eu perdi meu bebê, não foi fácil, o arrependimento caí como uma bomba sobre minha consciência. Mesmo recebendo o apoio de todos inclusive da minha mãe, eu ainda sim não deixava de me cobrar. Eu sou uma assassina! Eu matei meu próprio filho! Minha mãe saiu e Bêh ficou perto de mim, a todo tempo ele acariciava minha mão, mas ele estava longe, seu pensamento está em outro mundo. O celular dele toca e assim que ele atende sua expressão muda. — Como assim? Ele diz desesperado. — E ela está aonde? — Porra! — Eu não sei, ela saiu daqui e não falou nada, parecia bem! Tentando entende a conversa, eles estavam falando da minha mãe ou da Carol... Começo a ficar nervosa. — O que aconteceu? Quem sumiu? Pergunto. — Tá bom, me deixa informado! Bêh finaliza a conversa e me olha. — Não é nada, não se preocupe. Caralho nenhum, pelo jeito dele falar e por sua expressão corporal eu sei que tem b.o aí e é brado. — Quero saber! Digo brava. Ele me dá
Acordo já no meu quarto, minha mãe estava sentada na cama acariciando minha cabeça. — Graças a Deus você acordou. Ela tem seu olhar cheio de lágrimas. — A senhora sabia que ele ia me deixar? Pergunto voltando a chorar. — É melhor assim, minha filha... — Melhor pra quem? Pra senhora? Pro pai? Pergunto deixando as lágrimas caírem e me sento na cama. — Tudo é feito pensando no seu bem estar, Pérola. — Eu quero ficar sozinha! Resolvo não bater boca com ela. Me deito na cama e dou as costas a ela. — Pérola... Ela tenta falar mas eu não deixo. — Sai por favor! Digo rude. Ela se levanta e saí, não demora muito e meu pai entra no quarto. — Quem você pensa que é pra tratar sua mãe daquele jeito? Ela fez o que fez por amar a você e é assim que você trata ela? Ele estava irritado, gritava e eu respirava fundo para não me exceder. — Vocês não tinham o direito de fazer isso! Não tinham! Eu me sento de novo e grito. — Eu sou seu pai e faço o que eu acho o certo a se fazer! —
— Como ela está? Pergunta Leon. Estou sentada no sofá da minha casa com as pernas em cima das dele. — Nada bem , não quer muito papo e se isolou do mundo. E Bernardo? Pergunto por que eu não o vi mais. — Mesma coisa, se isolou na casa que Théo conseguiu pra ele, mas nem ajeitar as coisas da casa ele ajeitou. — Queria poder ajudar. Digo deitando minha cabeça em seu ombro. — Não tem como Carol, infelizmente... FM foi bem direto com ele. — Então é assim, o pai decide o que a filha tem que fazer? Não é justo! Estou mega chateada. — Se fosse pais qualquer, eles poderiam fugir ou até mesmo enfrenta-lo já que ela é maior de idade, mas com FM não! Estamos com a série pausada enquanto conversávamos, eram por volta das 19 horas, ouço quando meu pai grita lá de cima. Subo as escadas apreçada e entro no quarto dele. — Quando JP chegar avisa que é pra vir no meu quarto, vamos ter uma reunião hoje. Acho estranho o seu jeito de falar, mas não questiono. JP chega às 22 horas e já s
Eu não quero ir... Digo do lado de fora do carro que já está com minhas malas. Estou frente a frente com Leon. — E eu não queria que você fosse. Ele me abraça e beija o topo da minha cabeça. — Droga! Esbravejo. — Daqui a dois meses é seu aniversário, vou da um jeito de passar o dia com você. — Olha que cobro as promessas. — Eu costumo pagar as minhas promessas. E foi depois de um beijo longo que meu pai buzina me apressando. ... Estamos morando perto da casa da vó, mãe do meu pai, eu já conhecia ela, mas só por chamada de vídeo. Minha vó é um amor e mamãe adora ela, elas são como melhores amigas, coisa que nunca vi minha mãe ter. Já estamos aqui a um mês e todos os dias eu falo com Leon, ele confirmou que mês que vem ele viria pra cá comemorar meu aniversário comigo e eu estou muito ansiosa já que vou poder apresentar ele a minha família.— Que dia vou conhecer meu futuro neto, aquele que conquistou o coração da minha bebê? Minha vó senta ao meu lado e puxa assunto. — Mê
A festa está linda, tinha gente que nunca vi na vida, mas minha vó falava que eram primos meus, fora os parentes de segundo, terceiro e quarto grau. Toda hora eu olhava para o celular, toda hora eu olhava para a porta de entrada do salão e nada dele. Depois dos parabéns , seguimos pra casa, no carro o silêncio reinava. Eu olho a hora no celular e já são 23:00 horas e nada dele, eu via o meu pai me olhando pelo retrovisor. Chegamos em casa e me sento no sofá , eu iria espera-lo até o último horário. — Ele não vai te ligar! Meu pai diz se sentando ao meu lado. — Como o senhor sabe, ele te disse alguma coisa? Pergunto afoita. — Não Carol, eu nem falei com ele hoje, mas está claro pelo horário que isso não vai acontecer e isso mostra que você não ter se perdido com ele foi o certo. Lágrimas começam a cair dos meus olhos, eu tinha planejado nosso roteiro todo, ele ficaria aqui dois dias e cada minuto do nosso dia tinha sido planejado. — Eu estou triste, irritada e magoada! Digo