- Alô?
- Onde andas srta. Machado? - Comprando flores, sr. Gusmão. Dando voltas na cidade, para ser exata! - Deve estar um dia lindo? - Sim está! Fui resolver o problema com a carteira. - Eu te falei para ter tirado aqui. - Eu deveria ter lhe ouvido. - Me conta, o que eles disseram? Bem eles... Sentei-me em um banco próximo a fruteira, e expliquei a situação, o Gusmão me disse tudo o que talvez aconteceria, e me orientou. Eu estava animada, me desejando sorte. - Logo quero estar com você, nos iremos em todas as cafeterias da cidade. Fizemos planos. - Conheci a Lê Café. - Tem goiabadas? - Sim! Muitas! O Gusmão e desses que adora tudo que vai goiaba. Estou aprendendo a fazer pasteis, que fiquem sequinhos para quando ele vier. - Tem uma fruteira de frente para mim, sr. Gusmão com um churros de nutella, você precisa provar. -Claro, srta. Machado, iremos. - Me chama de sra. Por favor. Não me sinto confortável. - Esta bem senhora. Mas não casamos ainda! - Eu acho senhorita muito peculiar. - Desculpa sra. - Por nada Sr.! Nos tratamos assim, nesse respeito. Nos tratamos a moda antiga. Achamos gostoso dividir os mesmos gostos clássicos, temos muito em comum. E mesmo que não tivéssemos, eu daria um jeitinho, tentaria ao menos, mas seria frustrante ele não colaborar. É lindo quando há reciprocidade, essa troca de afinidade e ideias mutuas. Eu diria perfeito para qualquer relacionamento. Me encanta! Eu estou sozinha, o Gusmão está no Rio de Janeiro, estamos longe, mas está tudo certo, ele me mantêm aquecida dentro desta relação. Talvez porque ele me encha de promessas e eu sei disso, mas estou preparada se ele não as fizer mais. Quem sabe. Eu sou muito segura. Acredito que após a nossa, ele não terá outra relação melhor. Eu acredito que terei, após superar aqueles lindo pares de olhos pretos de um cenho franzido. Seu jeito sério me chamava atenção, nessas horas eu via que não era de ferro, e me mantinha ao extremo para não ser tentada pelo jeito sedutor que ele tinha ao me olhar sério, e me encarar profundamente, como se dissesse eu quero só você. Mantínhamos um respeito mutuo também. Lembrei-me de um assunto marítimo do blog esses dias, ele estava segurando a onda dele, mas estávamos quase afundando. Brincadeira boba. Bem, o que eu esperava daquela relação? Nós começamos devagar, dessas relações que não se esperava nada, de repente já estávamos dando conta de tudo. Eu estou muito satisfeita com a proporção que as coisas aconteceram. Nosso primeiro beijo foi muito demorado, eu estava quase desistindo quando ele finalmente tocou no assunto “namoro”. Se ele não tocasse nesse assunto, eu ia desistir dele naquele final de semana na praia. Eu não quero ficar com um cara que me pega de vez em quando. Eu abriria mão do cara mais legal da cidade! Mas enfim, o destino como sempre, foi sábio, no tocante daquele dia, levando discernimento para o Beto, que me pediu em namoro, da forma mais simples e modesta. De um jeito natural “ah é isso” quando me referi sobre namoro. Sim exatamente isso. Suspirei tranquila ao perceber que ele não negou a conversa, não desviou ou tentou mudar de assunto, eram bons sinais do universo. Você não precisa pedir isso a um cara! Está na cara quando uma menina o quer. E geralmente quando a gente quer alguém, a gente quer estar com ela, de todas as formas possíveis, dentro do nosso jeito, mas encaixando essa pessoa ali, dentro do nosso mundo. No início eu fiz terapia, precisava saber se era isso o que eu queria. Me sujeitar a alguém de alguma forma, entrando no seu mundo. Se ele entrasse no meu, qual o problema de eu enfrentar o dele? Mas eu tive sorte, outra vez o universo me ajudando, somos muito parecidos. Concordávamos em tudo, mantínhamos os mesmos interesses, os mesmos gostos, e claro as mesmas ideias. Era natal quando ele me pediu em casamento. Fazendo uma surpresa, linda ao meu coração. Ele ficou um pouco bravo comigo nesse tempo em que estamos namorando, pois no dia em que me pediu em namoro, era meu aniversário. Eu escondi dele até o dia do seu aniversário, o mesmo dia da minha, o dia do nosso noivado, primeiro de janeiro, meia noite. Era seu aniversário e nosso noivado. Como coisas que acontecem, assim impremeditado. Eu havia o chateado, pelo fato de não ter falado, que aquele domingo eu estava de aniversário. - Como assim Daniela, você me escondeu esse tempo todo? - Mas foi o presente mais lindo! Ele sempre me surpreendia, e as coisas aconteciam sem a intenção de planejarmos ou coisa assim. Era a certeza que o universo me dava, sinais, de que estávamos em rumos certos. Sem cobranças de datas, sem marcar presenças juntos, sem ciúmes dos nossos amigos, sem estar o tempo inteiro grudados! A relação mais gostosa possível. Eu estou vivendo um sonho, que eu não quero acordar. Eu me senti crescendo dentro dela a cada semana que íamos vivendo dentro dela. - Você não tem ciúmes dele! Homem não pode ficar sozinho! Disse a dona Neire. Eu fiquei morrendo de vergonha outro dia. Eu não sinto ciúmes do Gusmão, ao menos ele não havia despertado esse sentimento em mim. Eu não sabia o que era isso. Eu não fazia ideia. Seria um assunto a ser tratado com a minha psicóloga. - Vania o que é o ciúmes afinal? Ela me disse da melhor forma possível que seria um estado de posse de algo ou alguém, a pessoa coraria, mas não de vergonha, mas de furor quando a outra se referisse de seus amigos, sejam do sexo oposto ou não. Por pensar que poderia ser trocada até por amigos. Deve ser horrível, pensei. Essas pessoas brigam por qualquer motivo, ou mudam suas caras. Pessoas ciumentas fazem de tudo para que ninguém tenha a tua atenção, a não ser a delas. - Elas se sentem proprietárias de você Daniela! Disse a Vânia durante a conversa. O Roberto está com ciúmes? Perguntou. - Não, eu quis levantar o assunto para saber se nossa relação está indo bem. Ouvi dizer aqui pelo sul, que a relação quente tem de ter ciúmes. A minha andava morna, pensei. - Bobagem! Vocês tem sintonia, não que os outros casais não tenha, a de vocês é diferente. Ciúmes e bom, dizem, desde que não seja ao extremo. E você gostaria que ele sentisse ciúmes de você? Responde com cuidado Daniela. - Não! - Porque? Ela fazia perguntas difíceis. Me colocava na parede. Será que ela me achava algum tipo de psicopata? - Bem eu não quero ser propriedade de ninguém, não quero ninguém tomando conta da minha vida o tempo inteiro. Acho interessante quando o Gusmão pergunta onde estou por educação, não por sentir-se meu dono. Gosto quando estamos alinhados e respeitamos opiniões. Entende? - Entendi! A verdade era esta, eu gostava de dividir com ele, não tirar ou só acrescentar. - Mas se fosse um problema nele Daniela? Me vi estreita o dia que ele perguntou isso. Ela me ensinou a me colocar sempre no lugar do outro. - Eu faria o possível, para não despertar o ciúmes dele. - E se fosse inevitável? - Não daríamos certo Vânia! - Exatamente! Alguém ia ter de encarar o término querida! Você ou ele! E teriam de superar com as caras mais impertinentes, com boas ou más lembranças. Bem, eu acho que se eu ou o Gusmão terminássemos agora, eu ia seguir a minha vida normalmente. E ele também, pois vive ocupado. - Você não sabe os sentimentos dele. Dani, ele me procurou, um dia desses. - O quê? Ela não quis entrar em detalhes por motivos de ética profissional, mas adiantou-me que estava ajudando ele. - Por favor Vânia, fiquei curiosa. - Não posso Daniela. Ele está se conhecendo. Ele tem vindo ás terças, em seu horário. Ele não falou? Não havia se manifestado, talvez me contaria assim que julgasse necessário. Homens! O que eu menos queria era despertar algo de ruim nele e acabar com todo aquele conto de fadas, porque bastava qualquer coisa que acontecesse eu perderia o interesse nele, e ficaria visível. Mas por em quanto estava tudo certo. É muito difícil namorar, e ser namorada. Não é qualquer pessoa que podemos chamar de namorados hoje em dia. E eu tinha esse cuidado. - Ele está querendo te entender, e está se entendendo, Daniela. Me entender? Sou tão complicada assim? - Ele me procurou na curiosidade, igual você, querendo saber os motivos que te trouxeram, mas eu disse que te acompanho não para sair falando de sua vida. Eu sugeri ajudá-lo com terapia. Ele traria problemas do casal e trataríamos. - Muitos problemas até agora? - Nenhum, ele só tem falado dele. Como eu disse está se conhecendo. A Vânia é esperta, ela não me falaria. Ela pensa que sou dessas que ia sair ligando e reclamar com ele. Mas não, eu manter-me-ia ansiosa (talvez por isso) e esperaria o momento certo. Eu sofro por dentro, não sou de ferro ou aço. Embora isso pareça por fora. - Vamos focar em você! Esta relação está te trazendo algum benefício pessoal? Sim, era a resposta. - Eu estou criando responsabilidades com outro ser humano Vânia. Eu tenho compromisso com alguém que eu já pedi para não me chamar de meu amor. - Porque? Daniela você é engraçada. - Acho pegajoso... - Entendi. Muitas meninas gostariam de serem chamadas de meu amor sabia? - Sério? - Sério! Elas dariam tudo para ter um relacionamento em que fossem chamadas de meu amor e o namorado tivesse ciúmes delas. - E existiria o feminismo para quê mesmo? - Para as que são feministas. Eu não sou feminista, mas sério eu acho clichê tudo isso. A primeira vez que o Gusmão disse meu amor, eu o encarei e pedi “não me chame mais assim”. Será que era por isso que ele foi matar a curiosidade sobre mim, com a Vânia? Eu pareço tão estranha? - Ah Daniela, não, só um pouco diferente. Eu fico atenta a cada palavra da Vânia, pois o que ela fala reflete muito sobre o que ela vê em mim. E eu precisava saber, afinal, espelhos não falam, só em contos de fadas e contos de fadas, não existem. Bem, agora eu vou esperar o sr. Gusmão vir falar porque procurou a Vânia, entre nós dois não haveria contrato de ética. Por um longo período eu fico no quarto, aqui estudando italiano. Quero muito aprender para poder entender a nona, e quem sabe eu e o Gusmão não viajamos juntos por Itália? Sinto uma necessidade enorme de aprender. Eu passaria férias talvez com ele, em qualquer lugar do planeta.Tive um dia desses exaustivos, que a gente produz muito, desses que a gente não entende muito o que aconteceu o dia inteiro para as horas passarem rápido, mas fizemos algo que nos trouxe um cansaço. Eu queria ser promovida, principalmente na B. Sabe o que eu ouvia da Laura o dia inteiro? Você consegue. O Junqueira, um dos editores do qual eu trabalho, atualmente também fala isso. Nós damos bem. Temos um grupo de encontros de trabalho, o qual as pessoas me chamam em particular para perguntar porque ele não aparece nas conversas. Atualmente sou sua assessora, então eu preciso dar boas desculpas, as mais educadas possíveis e concretas. Não consigo ter desculpas esfarrapadas para dar as pessoas, aprendi muito sobre empatia. Ele fala direto comigo, pergunta das novidades que temos sobre o trabalho eu lhes mando todas as informações, e ele sai de fininho, voltando só no dia seguinte a conversar comig
Estivemos muito ocupados eu e o Gusmão, nosso casamento. Nossa casamento foi tudo muito rápido, por no papel as coisas que eu gosto, para não ter de arrepender depois. Eu casaria por exemplo com um ramo de arruda ou marcela. Para veres que sou tão simples como um grão de areia da praia.- Estamos falando de flores Daniela. Disse o Gusmão.- Íris respondi.Cada detalhe da cor, de meu vestido, as combinações com o terno do sr. Gusmão.Não gosto de cores chamativas, gosto de tudo muito delicado, aprecio os tecidos mais leves, independente de serem finos ou não, mas escolhi uma seda. Encomendei um lenço, desses de pescoço, para por no ombro, na cor lilás, leve e suave para jogar sobre os ombros.- Em 5dias você passa aqui. disse a moça. Recebi minha encomenda e tudo estava pronto.Parecia um sonho! Nossa noite juntos não foi fazendo viagens ou coisas esplêndidas, optamos por algo mais simples que não desse tanto trabalho. Nós tínhamo
Comecei aprender sobre os caminhos da luz, dos quais alguns eu já sabia.Eu questionava muito, talvez eu esteva rebelde. Não fazer ao próximo o quê eu não gostaria que fizessem comigo. E no passado tudo o quê me fizeram? Eu não via nenhum sinal de que aquelas pessoas estivessem pagando. O ato delas não fossem tão graves para pagar aqui, nesta vida.- Continua com tuas atitudes nobres. Me disse o mensageiro.Mesmo que te depares com um pouco de ingratidão, não faça do teu coração morada de trevas. Concluiu. Eu estava naquele dia muito contrária. Aquilo não era bom para meu crescimento. Eu estava pensando muito na minha perda. O qual me deixava nervosa. Eu não aceitava ter perdido o Beto. Quem quer perder? Mas eu tive que aprender na marra, eu estava perdendo minha vida, meus interesses, talvez eu tivera medo de ficar vegetando, então passei a me concentrar no bem e na luz.Passado alguns dias eu estava menos desafiadora. Passei a tranquilizar-me, a
Tirei uns dias de folga do trabalho, deixei alguns conteúdos prontos. Lá estava eu na pousada do tio cabelo, desta vez sozinha. Sem os comentários do pessoal invasivo, sem a ousadia das palavras dos jovens primos da Flávia.Fiz um passeio de barco pela manhã, logo após, um breve almoço e fui descansar. Sentei-me debaixo de uma sombra a qual me trouxe o sossego do início da daquela tarde tênue. Aquele dia de sol me fez pensar na companhia do Gusmão, se estivéssemos juntos, estaríamos caminhando pela beira na tarde de sol.Eu estava ali para descansar, devera eu pensar em alguma coisa além do lugar? Devera eu não estar presente? Eu pagara por um encontro com a natureza, e precisava fugir dos meus pensamentos e me fazer presente. Fugir de tudo o que me cerca ao de redor da minha vida e esperar por uns segundos de paz. Aquela tarde eu estava tranquilamente sem ousar pen
Voltei para casa antes que a chuva pudesse me alcançar. Fui fazer a combinação de roupas para que eu pudesse ir trabalhar no dia seguinte. Lembrei das roupas do final de semana e do notebook que encontravam-se na mala. Comecei a desfazê-la. Precisava preparar conteúdos para o serviço e assim me opus por um breve momento no escritório. Deixe a cama amontoada de roupas, e desisti de fazer as combinações. Eu estava lendo algo que achei interessante sobre organização, mas eu fazia o tipo de pessoa que vestia o que dava na telha, o que eu sentisse-me confortável, sem hora e nada marcados, isso valeria para roupas também. Essas coisas não são pra mim, pensei. O cotidiano tenta facilitar a vida da gente, mas acabaria eu deixando a roupa sobre o quarto ou outro lugar tomando espaço. Eu bati o olho em uma calça preta na mala, e uma camisa florida no roupeiro. Pronto! Era com isso que eu iria. E era assim a saudosa Daniela que eu já deveria estar acostumada e parar de querer seguir a mídia.
Era domingo, desses do qual não se tem nada para fazer. Rolei alguns canais na televisão e sem sucesso de achar algo legal na televisão, peguei o telefone. Pois não havia nenhum filme que chamara minha atenção, um filme com alguma Julia Roberts ou Richard Gere. O último filme que vi da Julia foi Erin Brockvich - Uma mulher de talento. Onde a atriz trabalhava em um escritório de advocacia, e descobre que a água da cidade está causando uma doença em seus habitantes, ela entra na luta para ganhar a causa, no longa a atriz tem três filhos e se vira nos trinta para criá-los, parecendo fácil. Um bom filme eu diria. Mas eu não estava encontrando nada que prendesse minha a atenção naquele momento.Comecei a ver uns contatos no telefone, aqueles antigos contatos de grupos de cursos e turmas de antigas aulas cotidianas, além de colegas de trabalhos antigos. Aquilo
O cenário era caótico, o bebê chorando, a bacia do banho sobre a cama, roupas pelo chão, eu toda molhada com a água que respingara sobre mim, minha mãe de um lado pro outro tentando esfriar a mamadeira, nada tão perfeito. Vocês têm ideia do que se é ter uma criança? Eles choram, gritam como se ninguém estivesses aí para eles. E eles estão completamente errados, porém não sabem disso. Nossa atenção é só pra eles, fazemos tudo em torno deles, para eles. Eles parecem que querem nos deixar surdos e mal sabem que estamos ao seu lado, e que falar ou gritar alto é antiético. Mas eles não entendem essas coisas. Balanço de um lado e do outro, de uma maneira que pareça confortável. Tento ser a pessoa mais carinhosa, parece que deu certo. – É balda! Falou a minha mãe. – Quer carinho! Retruco.Eu vou aprendendo tudo o quê dá certo com o Andreani. Mesmo que eu precise anotar. Eu estou conhecendo ele e não quero que ele me sinta como uma desajustada. A medida que ele cresce eu estou estopetada de ca
O Andreani foi crescendo. Ganhando novos espaços, era um jovem simpático, modesto. Estava namorando, sei namoro começou cedo, uma menina no Rio – aos dezesseis anos? – isso! Expliquei para a Vânia. Nós mantínhamos um contato mesmo incrível. O Andreani consultava também com ela, nas quartas-feiras, eu estava tranquila. Ela dizia, “ei fica tranquila está tudo bem”, ou “Dani, dá uma conversada com ele”. Então eu sabia, quando algo não ia bem. Acho que todos deveriam conhecer uma Vânia, faz sentindo fazer terapia e conversar com alguém que te entende. A Vânia dissera em seu depoimento, sobre as investigações do Gusmão, que ele estava muito contente, abriu o formulário dele, e ele parecia ótimo. Sonhador, tinha muitos planos, sem nenhuma inconstância. Ele a procurara pois era uma maneira para lidar comigo e entender meu jeito reservado de ser. Mas naquela altura de nossas vidas, na época do acidente, ele entendera o porque, quais os motivos e manteve-se me apoiando em tudo e continuou, c