....
Era para ser um dia de folga. Um raro momento em que eu finalmente teria tempo para organizar meu pequeno apartamento, resolver pendências e, claro, lavar aquela montanha de roupas que se acumulava há semanas. Mas, como de costume, os planos nunca saíam como esperado. No momento em que coloquei os pés na lavanderia, meu telefone tocou — de novo. — Sim, eu já falei que vou cuidar disso — disse, tentando manter a calma enquanto equilibrava a pilha de roupas sujas e o celular ao mesmo tempo. Era uma cliente insistente, que não aceitava "não" como resposta. O evento dela já estava praticamente resolvido, mas, ainda assim, ela fazia questão de ajustar cada detalhe, como se eu não soubesse o que estava fazendo. Entre acrobacias com as roupas, o telefone, e tentando não deixar nada cair, avancei até a máquina de lavar. O dia estava bagunçado e eu também. — Claro, vamos ajustar o cronograma... — continuei, tentando acalmar a cliente enquanto abria a máquina e começava a enfiar as roupas lá dentro. Foi então que aconteceu. Com um movimento apressado e desajeitado, esbarrei no galão de sabão que estava ao meu lado. Ele não só estava destampado, mas prestes a tombar, derramando todo o conteúdo sobre o chão da lavanderia. Um desastre iminente. Soltei um pequeno grito de frustração, ainda segurando o telefone, tentando me equilibrar para salvar o galão... mas alguém foi mais rápido. Uma mão firme surgiu à minha frente, pegando o galão com precisão antes que ele caísse. Olhei para o lado, surpresa, e vi o homem que eu sempre via na lavanderia. Ele estava lá quase toda vez que eu ia, sempre calmo, silencioso, mas com um olhar que parecia ver mais do que demonstrava. Hoje, pela primeira vez, ele havia se aproximado. — Opa, Acho que você precisa de uma folga de verdade — disse ele, com um sorriso misterioso nos lábios. Desliguei o telefone, sem nem lembrar da desculpa que dei à cliente, e encarei-o. Algo no modo como ele falou, no olhar que ele me deu, fez o ambiente ao nosso redor parecer mais calmo. Mas ao mesmo tempo, ele exalava uma energia que me deixava curiosa. — É, talvez eu precise mesmo — respondi, ajeitando o cabelo e tentando fingir que não estava totalmente desconcertada. Droga, no meu dia mais desajeitada. Estava vestindo um short jeans curto, com um rasgo ao bolso. Blusa larga e um coque preso por minha companheira de sempre, minha caneta de anotações. Também usava um óculos de lentes transparentes, de armação preta. Ele colocou o galão de sabão no chão e me deu um sorriso que não consegui decifrar totalmente. Não parecia o típico "sorriso simpático" de quem só está ajudando. Havia algo mais. Algo que me fez querer perguntar seu nome, saber mais sobre ele. Mas antes que eu pudesse pensar em qualquer coisa, ele falou novamente: — Você sempre está tão ocupada. Parece que a vida não te dá uma pausa. Talvez precise desligar um pouco... sair dessa rotina. Eu ri, um pouco sem graça. Ele estava certo, minha vida era um turbilhão de eventos, listas e clientes exigentes. Mas ele não parecia estar fazendo apenas um comentário casual. Tinha algo no modo como me observava que parecia mais profundo, como se houvesse uma segunda camada naquelas palavras. — Você sempre vem aqui... Quer dizer, eu sempre te vejo aqui.— Disse nervosamente. — Você também. — Respondeu com humor. — Talvez, precise só reduzir um pouco a velocidade, achar outras coisas para desacelerar além da lavanderia. Encarei ele surpresa, então... Ele também me observava? novata nossos dias de folga praticamente juntos, era como um encontro semanal, sempre no mesmo dia, no mesmo horário. Mesmo que troque os horários, vez ou outra vinha de manhã, e até parecia que ele sentia, do nada... Ele estava lá, com seu olhar cativante, sorriso encantador. — Não que eu não goste de ver você toda semana, Mas acho que seria bom encontrar algo novo. Abrir um sorriso pequeno, sutil e intrigado. — E o que você sugere? — perguntei, meio brincando, meio curiosa. Ele não respondeu de imediato. Em vez disso, caminhou até mim, parando ao meu lado. Então, de forma completamente inesperada, ele removeu a caneta que eu havia prendido no coque de cabelo. Senti um arrepio correr pela minha espinha quando ele pegou minha mão, sem pressa, e escreveu seu número ali, na palma. — Se algum dia você quiser uma pausa de verdade, me liga — disse ele, sua voz baixa e confiante. Soltei a respiração que nem percebi estar segurando. Ele entregou a caneta de volta, e antes que eu pudesse perguntar algo mais, ele se afastou, mantendo aquele sorriso enigmático. — Mas… como você se chama? — consegui perguntar, já um pouco sem fôlego. Ele apenas deu de ombros e olhou por cima do ombro, como se dissesse "você vai descobrir". — Pode saber, se me ligar! —Disse com seu sorriso tão atraente. E assim, o homem misterioso saiu da lavanderia, me deixando com uma mão cheia de roupas e a outra com o número dele escrito. Eu sorri, sem saber muito bem o que pensar. Quem ele era? E por que eu sentia que, de alguma forma, aquilo mudaria tudo? __________________________________________ Chego em casa exausta, arrastando os pés enquanto cumpro o ritual diário: sapatos fora, chaves no balcão. Meu apartamento, embora pequeno, é meu refúgio, e hoje, mais do que nunca, sinto a necessidade de me afundar no sofá e deixar o mundo lá fora. Suspiro profundamente, sentindo o peso do dia em meus ombros. Ainda tenho uma pilha de tarefas a fazer, e a ideia de ter que buscar as roupas passadas mais tarde só aumenta minha exaustão. No entanto, algo diferente aconteceu hoje. Aquele encontro na lavanderia... o homem misterioso que deixou seu número na minha mão. Pego o celular, olho para o número anotado na minha palma e decido salvá-lo. Sei lá.. Talvez, só talvez ele merecesse. Com o número já salvo, abro o aplicativo de mensagens e começo a digitar um simples "oi". Mas, conforme meu dedo hesita sobre o botão enviar, uma dúvida me invade. Será que devo realmente enviar essa mensagem? O que espero conseguir com isso? E se ele for alguém que eu realmente não deveria conhecer? Fico ali, sentada, com o celular na mão, ponderando sobre o peso de uma simples mensagem. A curiosidade batalha com a cautela, e eu me pergunto se estou pronta para desvendar o mistério desse homem intrigante. ...Chego ao espaço onde o casamento será realizado, ansiosa para o segundo encontro com Amara.— Olá! — Digo com um sorriso aberto abraçando ela.— Como vai? Eu me atrasei? — Perguntou.— Claro que não, cheguei a pouco também.Ela parece mais relaxada hoje, disposta a me guiar detalhadamente pelos cantos do local, discutindo onde quer cada arranjo e peça de decoração. O sol brilha através das grandes janelas, lançando um brilho natural sobre os planos que ela descreve com uma precisão quase poética.Não seria indelicada de perguntar o que a fez mudar de opinião, mas confesso que fiquei curiosa.Quando finalizamos o tour, Amara me surpreende com um convite.— Ísis, sei que é um pouco incomum, mas… você gostaria de vir comigo para a prova do meu vestido de noiva? — ela pergunta, um pouco hesitante.Surpresa, mas lisonjeada, concordo imediatamente. É um momento íntimo, e sinto que isso pode nos aproximar, tornando o processo todo mais pessoal e talvez menos formal.— Eu adoraria, Amara. Ser
Assim que o celular vibra com a resposta dele, sinto uma mistura de curiosidade e empolgação. Abro a mensagem. MENSAGEM: Esperei sua mensagem por um tempo, então quer dizer que resolveu ter um tempo de qualidade?Abrir um sorriso ao ler a mensagem que logo acompanhou de outra, mais formal. Talvez se recompondo da sua intimidade precoce.—Boa noite, Que tal desvendar esse mistério sobre um jantar? Prometo que será interessante.Eu rio sozinha. O cara não perde tempo. É óbvio que ele tem um jeito de transformar algo tão simples em uma pequena aventura. Mas será que vale a pena? Bom, não custa brincar um pouco.— Adoro um bom desafio — começo a digitar, mas paro por um segundo. — Só que eu não sou alguém com muito tempo para viver grandes aventuras. Vida corrida, sabe?Mando a mensagem e, para minha surpresa, ele responde rápido.— Entendo, mas aprendi a aproveitar as oportunidades, mesmo que o tempo seja curto. Estou disposto a conhecer essa garota de tempo limitado.Eu reviro os olho
Ele sorrir, com aquela confiança despretensiosa, e puxa a cadeira para mim. Assim que me sento, ele avalia o ambiente ao redor com um olhar curioso, e então solta, sem cerimônias:— Confesso que me surpreendi com a simplicidade do lugar que você escolheu. Achei que seria algo mais... sofisticado.Eu o olho, intrigada, e dou um sorriso irônico.— Por quê? Não tenho cara de quem gosta de coisas simples?Ele retribui o sorriso, mas seus olhos brilham com aquela provocação que ele adora fazer.— Mulheres nunca são simples — ele responde, jogando a linha de volta para mim.Levanto a sobrancelha e devolvo rapidamente:— Então você conheceu as mulheres erradas.Ele ri, e a tensão que estava no ar se dissolve, dando lugar a uma conversa leve e descontraída. A troca de provocações é natural, sem esforço, como se estivéssemos jogando uma partida em que ninguém quer realmente vencer, mas ambos estão aproveitando o desafio.A conversa continua fluindo, misturando risos e olhares que, sem que eu p
Olho para ele, e meu coração bate mais rápido. Uma pequena batalha acontece dentro de mim, mas, no fim, decido ceder. Talvez seja a leveza da noite, ou o jeito como ele me olha com aquela mistura de charme e mistério. Talvez eu só esteja cansada de me conter tanto.— Tudo bem, você pode me levar em casa — digo, com um pequeno sorriso.Ele sorri de volta, claramente satisfeito com a minha resposta. Caminhamos juntos até o carro, o silêncio confortável se instalando novamente. O caminho para casa parece passar num piscar de olhos, e quando ele estaciona em frente ao meu prédio, a tensão suave da noite volta a pairar no ar.Descemos do carro, e ele me acompanha até a porta. Por um segundo, ficamos parados ali, como se nenhum de nós soubesse exatamente como encerrar a noite. A atmosfera está carregada, e sinto o calor dele se aproximar, mesmo com o ar frio da noite ao nosso redor.— Bom... obrigada por hoje — digo, mas minha voz soa mais suave do que eu pretendia.Bernardo dá um passo à f
Na manhã seguinte ao nosso encontro, acordei com o sol invadindo o quarto pelas frestas da cortina. Espreguicei-me devagar, tentando prolongar aquela sensação de leveza que o encontro com Bernardo tinha deixado. Ele tinha algo... misterioso. O jeito como ele me olhava, como se estivesse sempre um passo à frente, me deixava intrigada. Peguei o celular, meio distraída, e abri as mensagens. O coração deu um salto rápido de expectativa, mas logo voltou ao ritmo normal. Não tinha nenhuma mensagem dele. Fiquei olhando para a tela, como se o simples ato de encarar o celular pudesse fazer uma mensagem aparecer do nada. Mas nada. Suspirei, sentindo aquela pontada de frustração. Por que ele não mandou nada? O encontro tinha sido ótimo, pelo menos pra mim. Eu estava esperando, sei lá, um "bom dia", ou um comentário sobre a conversa que tivemos. Qualquer coisa. Mas nada veio. Sacudi a cabeça, tentando espantar esse pensamento. “Eu não vou mandar mensagem. Se ele quiser falar, ele que me procur
Passei o resto do dia pensando no que vestir, no que dizer, e, mesmo tentando manter a calma, me peguei imaginando o que ele teria planejado. Por que, sim, Bernardo era o tipo de cara que planejava coisas. Ele me intrigava e, ao mesmo tempo, me puxava para uma realidade que eu não sabia se conseguia acompanhar.Quando a noite finalmente chegou, ele foi pontual. Abri a porta e lá estava ele, com aquele sorriso confiante e o olhar que sempre parecia saber algo que eu não sabia. Não me deu muitas explicações sobre o que íamos fazer, o que só aumentava minha curiosidade.Quando recebi a mensagem dele, eu sabia que queria estar à altura. Escolhi um vestido vermelho que estava guardado para uma ocasião especial, sem pensar muito. Ele tinha um caimento perfeito, abraçava meu corpo de um jeito que me fazia sentir confiante e elegante. O detalhe mais ousado era a fenda na coxa, que deixava um toque de sensualidade, sem ser exagerado. Era um daqueles vestidos que faz você se sentir poderosa.A
O ar entre nós parecia ficar mais denso, quase palpável, depois do toque dos lábios de Bernardo na minha pele. Meu coração estava disparado, e o espaço entre nós parecia desaparecer a cada segundo que passava. Ele não tirava os olhos de mim, o sorriso de canto no rosto, como se soubesse exatamente o efeito que tinha causado. E eu, por mais nervosa que estivesse, não conseguia me afastar. Antes que eu percebesse, o silêncio entre nós foi quebrado pela aproximação dele. Bernardo se inclinou, e, dessa vez, não era apenas para limpar um vestígio de chocolate. Nossos rostos estavam tão próximos que eu podia sentir a respiração dele misturada com a minha, e o calor de nossos corpos tornava impossível qualquer pensamento lógico. Quando nossos lábios finalmente se encontraram, o mundo ao redor pareceu desaparecer. O beijo foi intenso desde o primeiro toque, como se ambos estivéssemos esperando por aquilo. Era como se a tensão que tinha se acumulado durante a noite inteira finalmente tives
Aquela noite foi muito mais longa do que eu esperava, mas não por causa do tempo em si, e sim pela quantidade de pensamentos que não me deixavam em paz. Depois de me despedir de Bernardo, voltei pra casa com a mente a mil, revivendo cada detalhe do que aconteceu no telhado daquele hotel. O toque dele, os beijos, a forma como nossos corpos se entrelaçaram na poltrona. Era como se tudo estivesse gravado na minha memória de forma nítida, e, por mais que eu tentasse, não conseguia desligar. Deitei na cama, me virando de um lado para o outro, mas o sono não vinha. A lembrança dos lábios de Bernardo, do jeito como ele me olhava, me fez ficar ainda mais inquieta. Eu sabia que precisava dormir, que o dia seguinte seria cheio, mas simplesmente não conseguia desligar meus pensamentos. Fechei os olhos várias vezes, tentando forçar o sono, mas a cada tentativa falhava miseravelmente. Quando finalmente peguei no sono, parecia que só tinham se passado alguns minutos antes do despertador tocar. Ac