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Capítulo 2: Encontro Acidental

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Era para ser um dia de folga. Um raro momento em que eu finalmente teria tempo para organizar meu pequeno apartamento, resolver pendências e, claro, lavar aquela montanha de roupas que se acumulava há semanas. Mas, como de costume, os planos nunca saíam como esperado. No momento em que coloquei os pés na lavanderia, meu telefone tocou — de novo.

— Sim, eu já falei que vou cuidar disso — disse, tentando manter a calma enquanto equilibrava a pilha de roupas sujas e o celular ao mesmo tempo.

Era uma cliente insistente, que não aceitava "não" como resposta. O evento dela já estava praticamente resolvido, mas, ainda assim, ela fazia questão de ajustar cada detalhe, como se eu não soubesse o que estava fazendo. Entre acrobacias com as roupas, o telefone, e tentando não deixar nada cair, avancei até a máquina de lavar. O dia estava bagunçado e eu também.

— Claro, vamos ajustar o cronograma... — continuei, tentando acalmar a cliente enquanto abria a máquina e começava a enfiar as roupas lá dentro.

Foi então que aconteceu. Com um movimento apressado e desajeitado, esbarrei no galão de sabão que estava ao meu lado. Ele não só estava destampado, mas prestes a tombar, derramando todo o conteúdo sobre o chão da lavanderia. Um desastre iminente. Soltei um pequeno grito de frustração, ainda segurando o telefone, tentando me equilibrar para salvar o galão... mas alguém foi mais rápido.

Uma mão firme surgiu à minha frente, pegando o galão com precisão antes que ele caísse. Olhei para o lado, surpresa, e vi o homem que eu sempre via na lavanderia. Ele estava lá quase toda vez que eu ia, sempre calmo, silencioso, mas com um olhar que parecia ver mais do que demonstrava. Hoje, pela primeira vez, ele havia se aproximado.

— Opa, Acho que você precisa de uma folga de verdade — disse ele, com um sorriso misterioso nos lábios.

Desliguei o telefone, sem nem lembrar da desculpa que dei à cliente, e encarei-o. Algo no modo como ele falou, no olhar que ele me deu, fez o ambiente ao nosso redor parecer mais calmo. Mas ao mesmo tempo, ele exalava uma energia que me deixava curiosa.

— É, talvez eu precise mesmo — respondi, ajeitando o cabelo e tentando fingir que não estava totalmente desconcertada. Droga, no meu dia mais desajeitada.

Estava vestindo um short jeans curto, com um rasgo ao bolso. Blusa larga e um coque preso por minha companheira de sempre, minha caneta de anotações. Também usava um óculos de lentes transparentes, de armação preta.

Ele colocou o galão de sabão no chão e me deu um sorriso que não consegui decifrar totalmente. Não parecia o típico "sorriso simpático" de quem só está ajudando. Havia algo mais. Algo que me fez querer perguntar seu nome, saber mais sobre ele. Mas antes que eu pudesse pensar em qualquer coisa, ele falou novamente:

— Você sempre está tão ocupada. Parece que a vida não te dá uma pausa. Talvez precise desligar um pouco... sair dessa rotina.

Eu ri, um pouco sem graça. Ele estava certo, minha vida era um turbilhão de eventos, listas e clientes exigentes. Mas ele não parecia estar fazendo apenas um comentário casual. Tinha algo no modo como me observava que parecia mais profundo, como se houvesse uma segunda camada naquelas palavras.

— Você sempre vem aqui... Quer dizer, eu sempre te vejo aqui.— Disse nervosamente.

— Você também. — Respondeu com humor. — Talvez, precise só reduzir um pouco a velocidade, achar outras coisas para desacelerar além da lavanderia.

Encarei ele surpresa, então... Ele também me observava? novata nossos dias de folga praticamente juntos, era como um encontro semanal, sempre no mesmo dia, no mesmo horário. Mesmo que troque os horários, vez ou outra vinha de manhã, e até parecia que ele sentia, do nada... Ele estava lá, com seu olhar cativante, sorriso encantador.

— Não que eu não goste de ver você toda semana, Mas acho que seria bom encontrar algo novo.

Abrir um sorriso pequeno, sutil e intrigado.

— E o que você sugere? — perguntei, meio brincando, meio curiosa.

Ele não respondeu de imediato. Em vez disso, caminhou até mim, parando ao meu lado. Então, de forma completamente inesperada, ele removeu a caneta que eu havia prendido no coque de cabelo. Senti um arrepio correr pela minha espinha quando ele pegou minha mão, sem pressa, e escreveu seu número ali, na palma.

— Se algum dia você quiser uma pausa de verdade, me liga — disse ele, sua voz baixa e confiante.

Soltei a respiração que nem percebi estar segurando. Ele entregou a caneta de volta, e antes que eu pudesse perguntar algo mais, ele se afastou, mantendo aquele sorriso enigmático.

— Mas… como você se chama? — consegui perguntar, já um pouco sem fôlego.

Ele apenas deu de ombros e olhou por cima do ombro, como se dissesse "você vai descobrir".

— Pode saber, se me ligar! —Disse com seu sorriso tão atraente.

E assim, o homem misterioso saiu da lavanderia, me deixando com uma mão cheia de roupas e a outra com o número dele escrito. Eu sorri, sem saber muito bem o que pensar. Quem ele era? E por que eu sentia que, de alguma forma, aquilo mudaria tudo?

__________________________________________

Chego em casa exausta, arrastando os pés enquanto cumpro o ritual diário: sapatos fora, chaves no balcão. Meu apartamento, embora pequeno, é meu refúgio, e hoje, mais do que nunca, sinto a necessidade de me afundar no sofá e deixar o mundo lá fora.

Suspiro profundamente, sentindo o peso do dia em meus ombros. Ainda tenho uma pilha de tarefas a fazer, e a ideia de ter que buscar as roupas passadas mais tarde só aumenta minha exaustão. No entanto, algo diferente aconteceu hoje. Aquele encontro na lavanderia... o homem misterioso que deixou seu número na minha mão.

Pego o celular, olho para o número anotado na minha palma e decido salvá-lo. Sei lá.. Talvez, só talvez ele merecesse.

Com o número já salvo, abro o aplicativo de mensagens e começo a digitar um simples "oi". Mas, conforme meu dedo hesita sobre o botão enviar, uma dúvida me invade. Será que devo realmente enviar essa mensagem? O que espero conseguir com isso? E se ele for alguém que eu realmente não deveria conhecer?

Fico ali, sentada, com o celular na mão, ponderando sobre o peso de uma simples mensagem. A curiosidade batalha com a cautela, e eu me pergunto se estou pronta para desvendar o mistério desse homem intrigante.

...

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