Eu a encaro por um momento, mas logo desvio os olhos. Ainda bem que a sala é enorme. Eles estão a alguns metros de distância, e isso me dá tempo de me recompor. Pego Catarina no colo e aperto o passo em direção à cozinha, ignorando a cena que acabei de presenciar.Mas não chego longe.Sinto uma presença ao meu lado assim que entro no corredor. É Luke.— Seus olhos pareciam uma bazuca lá na sala, atirando em minha direção.Reviro os olhos.— Ah, que exagerado! — Respondo, sem paciência.— Guarde seu julgamento para você. Não é nada disso que está pensando.Paro abruptamente e encaro Luke com um olhar descrente.— Não? Difícil acreditar. Mas tudo bem, eu não tenho nada a ver com sua vida.Embora fervendo de raiva com o mau-caratismo dele, dou de ombros e continuo andando. Catarina se aconchega em meu colo, e eu foco no que realmente importa: alimentar a pequena e esquecer esse homem problemático.Mas Luke não desiste fácil. Ele surge ao meu lado de novo, acompanhando meus passos.— Essa
Ela pisca para mim, incrédula com o que acabei de dizer. Seu rosto cora instantaneamente.Acho que ela quer me bater.Mas antes que qualquer reação venha, os fotógrafos se aproximam e nos posicionam diante de um jardim de inverno deslumbrante. Faço minha pose clássica, formando um "L" de Luke com os dedos, enquanto Brianna, já recomposta, sorri por trás da máscara.Solto o ar em alívio assim que esse momento termina e a conduzo para dentro do salão com um leve toque em suas costas nuas.A insatisfação me invade.Estou com a pessoa errada.Eu adoraria estar ao lado de Natália. Não é sobre as roupas ou o status dela. Sei que há uma mulher incrivelmente sensual por trás daquele jeito discreto. Mas não é só isso...Ela é.Simplesmente ela.O pensamento me inquieta. Sempre desejei sentir algo real por alguém. Acredito que o amor preenche o vazio da alma, traz completude. É mais do que desejo ou conveniência; é um motivo para construir um relacionamento, uma vida. Quem sabe dar uma mãe para
NatáliaEstou na cama, me revirando nos lençóis, incapaz de encontrar descanso. Meu corpo está exausto, mas minha mente não me dá trégua.Deus, como tudo saiu do controle tão rápido? Como fui me perder assim, me afundar nesse turbilhão de sentimentos por um homem que só quer me levar para a cama e depois me descartar como se eu fosse nada?Com raiva, soco o travesseiro, sentindo a frustração pulsar em minhas veias. Tento acalmar minha respiração, mas então me viro e vejo Catarina, dormindo como um anjinho. Meu peito aperta. O pior de tudo? Estou me apegando a essa menina. Demais.Em tão pouco tempo, ela conseguiu me cativar de um jeito que me assusta. Mas... só ela? Meu coração me acusa, e eu sei a resposta antes mesmo de pensar nela. Meu Deus, por que eu me apego tanto às pessoas?Quando minha mãe morreu, meu mundo desabou. Fiquei sem chão, perdida, sozinha. Tive que parar os estudos, me virar para sobreviver. Me joguei no primeiro emprego que encontrei: garçonete em um bar noturno.
Coloco a mamadeira vazia na mesa e me levanto com ela no colo.—Você gosta de ver os pavões, não é? —Digo, sorrindo, fazendo cócegas na sua barriga.Catarina gargalha.—Cuidado, ela acabou de mamar. —Natália me avisa.Sim, ela tem razão. Não quero ser banhado com leite azedo.Sorrindo dou um beijo nas bochechas rosadas da minha filha e procuro Natália com os olhos.—Pensei em comprar um cachorro, o que acha?—Comprar? Tem tantos cães nesses abrigos. Deve ter algum animal dócil para agregar à família.Sinto meu coração se agitar com suas palavras. Eu nunca poderia imaginar que conheceria alguém como ela... as falas dela simplesmente me fazem estremecer de prazer, gosto disso nela, sua sensibilidade.Família...outra palavra que ela disse que mexeu comigo. Quando penso nela a imagem de nós quatro juntos me vêm. Eu, Natália, Catarina andando num local aberto, todo gramado e o animal correndo ao nosso redor. Sorrio com esses pensamentos e digo:—Você iria comigo escolher um?Ela acena com
Luke—Fala logo, Kate! Por que me chamou aqui?Ela ri. O sorriso mais gélido que eu já vi.—Você sabe muito bem por que te chamei aqui! Natália não é a mulher ideal para você.—Não? E quem seria? Você? Encarando-a atento, observo seu rosto ficar vermelho. Estarrecido, assisto de perto Kate ficar nervosa, agitada. Nunca pensei que uma brincadeira a levasse a ficar sem falas.—Sem brincadeiras, Luke. Ela não serve. Ela é uma simples babá, não estudou e de origem humilde. —Ela diz irritada, se recuperando da brincadeira e agora voltando a ser a Kate de antes, fria e impenetrável.—Eu sei, e daí?Ela ofega.—E daí? Quando as pessoas te virem ao lado dela irão questionar as origens dela.—E Isabela Saladino? Você a contratou. A garota era humilde.NatáliaEscuto Kate rir.—Isso foi diferente. A garota me disse que estava vivendo nos Emirados Árabes, e eu chequei antes a vida dela e ela era funcionária do Sheik Youssef, por tanto altamente gabaritada para estar ao seu lado e ela tinha um a
Desvio meus olhos dos dele, pensativa. Nem eu, com toda a minha maturidade, acreditei que ele pudesse me convencer disso. Mas ele é bom. Tão bom que as palavras dele me tocam lá no fundo. Seus argumentos são fortes ao ponto de eu entendê-lo muito bem e precisei de apenas um segundo para assimilar que meu coração, depois disso, será arrebatado pelo furacão Luke e tenho novamente aquela sensação que esse será o passo para dentro dessa grande areia movediça. Vou me afundar nela e não terá ninguém para me salvar. Só ele...Respiro profundamente várias vezes até ser capaz de encarar Luke novamente e me apoio em uma dúvida para não aceitar de pronto o que ele me pede.—Por que não outra mulher? Não será difícil encontrar outra para o meu lugar.Ele aperta os lábios, me olha aflito.—Preciso de uma pessoa que ame a minha filha o suficiente para guardar segredo e não me puxar o tapete. Não quero ficar na mão de uma mulher e você é uma ótima pessoa para essa imagem que será vendida. Você passa
Não gostei da “garota”. Parece algo volúvel e transitório. Mas, a verdade é isso mesmo, estarei ao lado dele até ele se eleger.—Está certo. —Digo.Então as falas da minha mãe me assaltam:“Seu bom coração não mede as consequências e te colocará em problemas, Natália”Ela tinha me dito isso fazendo um bolo na cozinha no dia que eu emprestei dinheiro a uma garota na escola, embora o dinheiro para nós fosse curto.A garota nunca me devolveu.A recordação me dói o coração. Sinto a perda dela.Luke surge na sala.Deus! Quando ele aparece vestido com um jeans escuro, sapatos negros brilhantes, uma camiseta branca denunciando seu peitoral e uma jaqueta de couro, vejo que foi mais do que bondade que me levou a aceitar tudo isso.Ele sorri para nós com seu lindo sorriso perfeito com covinhas, os cabelos molhados pelo banho.—Resolveram tudo?Kate se levanta e sorri.—Sim, pode ficar tranquilo. Achei uma ótima ideia falar com Natália. Situações extremas, exigem medidas extremas.Eu me levanto,
NatáliaUm frio corre pela minha espinha, e engulo em seco ao ver Luke no quarto. Meu coração bate tão agitadamente que temo que ele possa ouvir. Ele se aproxima, e meu corpo entra em estado de alerta. Cada fibra minha quer fugir, mas minhas pernas parecem enraizadas ao chão.Ele se vira, pega a babá eletrônica no berço e, sem aviso, agarra meu braço com firmeza.— Vem comigo — sua voz é um comando, inegociável.Meus pés se movem automaticamente enquanto ele me conduz pelo corredor da mansão. Meu estômago se revira com a incerteza do que ele quer dessa vez. Quando percebo, ele abre uma porta e, sem gentileza, me empurra para dentro.O ambiente é dominado por tons de cinza, branco e preto, um espaço que exala masculinidade e ordem. Demoro apenas dois segundos para assimilar: este é o quarto dele.Meu olhar se volta para Luke, que fecha a porta com um clique audível.— O que estamos fazendo aqui? — minha voz sai mais firme do que me sinto por dentro.Ele desvia os olhos dos meus, ajusta