Coloco a mamadeira vazia na mesa e me levanto com ela no colo.—Você gosta de ver os pavões, não é? —Digo, sorrindo, fazendo cócegas na sua barriga.Catarina gargalha.—Cuidado, ela acabou de mamar. —Natália me avisa.Sim, ela tem razão. Não quero ser banhado com leite azedo.Sorrindo dou um beijo nas bochechas rosadas da minha filha e procuro Natália com os olhos.—Pensei em comprar um cachorro, o que acha?—Comprar? Tem tantos cães nesses abrigos. Deve ter algum animal dócil para agregar à família.Sinto meu coração se agitar com suas palavras. Eu nunca poderia imaginar que conheceria alguém como ela... as falas dela simplesmente me fazem estremecer de prazer, gosto disso nela, sua sensibilidade.Família...outra palavra que ela disse que mexeu comigo. Quando penso nela a imagem de nós quatro juntos me vêm. Eu, Natália, Catarina andando num local aberto, todo gramado e o animal correndo ao nosso redor. Sorrio com esses pensamentos e digo:—Você iria comigo escolher um?Ela acena com
Luke—Fala logo, Kate! Por que me chamou aqui?Ela ri. O sorriso mais gélido que eu já vi.—Você sabe muito bem por que te chamei aqui! Natália não é a mulher ideal para você.—Não? E quem seria? Você? Encarando-a atento, observo seu rosto ficar vermelho. Estarrecido, assisto de perto Kate ficar nervosa, agitada. Nunca pensei que uma brincadeira a levasse a ficar sem falas.—Sem brincadeiras, Luke. Ela não serve. Ela é uma simples babá, não estudou e de origem humilde. —Ela diz irritada, se recuperando da brincadeira e agora voltando a ser a Kate de antes, fria e impenetrável.—Eu sei, e daí?Ela ofega.—E daí? Quando as pessoas te virem ao lado dela irão questionar as origens dela.—E Isabela Saladino? Você a contratou. A garota era humilde.NatáliaEscuto Kate rir.—Isso foi diferente. A garota me disse que estava vivendo nos Emirados Árabes, e eu chequei antes a vida dela e ela era funcionária do Sheik Youssef, por tanto altamente gabaritada para estar ao seu lado e ela tinha um a
Desvio meus olhos dos dele, pensativa. Nem eu, com toda a minha maturidade, acreditei que ele pudesse me convencer disso. Mas ele é bom. Tão bom que as palavras dele me tocam lá no fundo. Seus argumentos são fortes ao ponto de eu entendê-lo muito bem e precisei de apenas um segundo para assimilar que meu coração, depois disso, será arrebatado pelo furacão Luke e tenho novamente aquela sensação que esse será o passo para dentro dessa grande areia movediça. Vou me afundar nela e não terá ninguém para me salvar. Só ele...Respiro profundamente várias vezes até ser capaz de encarar Luke novamente e me apoio em uma dúvida para não aceitar de pronto o que ele me pede.—Por que não outra mulher? Não será difícil encontrar outra para o meu lugar.Ele aperta os lábios, me olha aflito.—Preciso de uma pessoa que ame a minha filha o suficiente para guardar segredo e não me puxar o tapete. Não quero ficar na mão de uma mulher e você é uma ótima pessoa para essa imagem que será vendida. Você passa
Não gostei da “garota”. Parece algo volúvel e transitório. Mas, a verdade é isso mesmo, estarei ao lado dele até ele se eleger.—Está certo. —Digo.Então as falas da minha mãe me assaltam:“Seu bom coração não mede as consequências e te colocará em problemas, Natália”Ela tinha me dito isso fazendo um bolo na cozinha no dia que eu emprestei dinheiro a uma garota na escola, embora o dinheiro para nós fosse curto.A garota nunca me devolveu.A recordação me dói o coração. Sinto a perda dela.Luke surge na sala.Deus! Quando ele aparece vestido com um jeans escuro, sapatos negros brilhantes, uma camiseta branca denunciando seu peitoral e uma jaqueta de couro, vejo que foi mais do que bondade que me levou a aceitar tudo isso.Ele sorri para nós com seu lindo sorriso perfeito com covinhas, os cabelos molhados pelo banho.—Resolveram tudo?Kate se levanta e sorri.—Sim, pode ficar tranquilo. Achei uma ótima ideia falar com Natália. Situações extremas, exigem medidas extremas.Eu me levanto,
NatáliaUm frio corre pela minha espinha, e engulo em seco ao ver Luke no quarto. Meu coração bate tão agitadamente que temo que ele possa ouvir. Ele se aproxima, e meu corpo entra em estado de alerta. Cada fibra minha quer fugir, mas minhas pernas parecem enraizadas ao chão.Ele se vira, pega a babá eletrônica no berço e, sem aviso, agarra meu braço com firmeza.— Vem comigo — sua voz é um comando, inegociável.Meus pés se movem automaticamente enquanto ele me conduz pelo corredor da mansão. Meu estômago se revira com a incerteza do que ele quer dessa vez. Quando percebo, ele abre uma porta e, sem gentileza, me empurra para dentro.O ambiente é dominado por tons de cinza, branco e preto, um espaço que exala masculinidade e ordem. Demoro apenas dois segundos para assimilar: este é o quarto dele.Meu olhar se volta para Luke, que fecha a porta com um clique audível.— O que estamos fazendo aqui? — minha voz sai mais firme do que me sinto por dentro.Ele desvia os olhos dos meus, ajusta
Eu solto o ar com angústia, sentindo um aperto no peito, mas falo firme: —Não farei isso. Eu... gosto dele.O silêncio do outro lado da linha se estende por segundos que parecem eternos. Então, Carly solta uma exclamação abafada. —Oh, não! — Ela lamenta, a voz carregada de incredulidade. — É pior do que eu imaginei. Já está assim? Meus pêsames. Amiga, estarei aqui quando tudo isso acabar e você voltar com seu rabinho entre as pernas.Sinto um nó na garganta, mas sorrio amargo.—Obrigada por sua amizade. — Digo, embora meu pensamento não esteja no meu "rabinho", mas no meu coração, que certamente ficará partido.Carly suspira pesadamente.—Ainda assim, acho que você deve parar para pensar. Você será apenas um caso para ele.Aquelas palavras doem mais do que deveriam. Engulo em seco, tentando não demonstrar minha hesitação. —Não. Eu estarei ao lado dele na campanha. Logo você me verá na mídia.Outro silêncio. Então, um riso nervoso. —Você irá sair com ele? Seu caso será público?—Sim, s
O ar se torna denso assim que entro no carro, e Luke se acomoda ao meu lado. O motorista dá a partida, e o veículo desliza suavemente pela estrada. Tento me concentrar no que está por vir, mas a presença dele ao meu lado me desconcerta.— Tem alguma coisa que queira me perguntar sobre esse evento? — Sua voz grave e segura preenche o espaço entre nós.Eu o encaro com um sorriso, me esforçando para manter as emoções sob controle.— Não, Kate já me explicou tudo.— Ela te disse também que é muito comum as mulheres se agruparem num canto e os homens em outro? — Ele arqueia levemente a sobrancelha, um leve divertimento em seu tom.— Sim. — Confirmo, e ele pisca para mim, me presenteando com um sorriso de tirar o fôlego. Meu coração tropeça no peito.Viro o rosto para a janela, tentando fugir daquela sensação avassaladora que sua simples presença provoca em mim. Deus! Esse homem me confunde...A confusão começou quando, na tarde anterior, fizemos uma pequena reunião para decidir como contar
Estou consciente de todos os olhares curiosos dentro do salão, cada par de olhos analisando cada detalhe de nós. Luke se destaca não apenas por sua beleza marcante ou por sua candidatura à Câmara Baixa, mas principalmente por seu sangue azul. Ele é a realeza. O Duque de Cornualha.Sinto o aperto de sua mão em minha cintura se intensificar levemente quando uma mulher alta, loira e de olhos azuis se aproxima. Ela exala confiança e propriedade, como se já estivesse acostumada a ter tudo o que deseja. O sorriso em seu rosto é afiado como uma lâmina fina demais para ser confiável, e seus olhos percorrem Luke com avidez. Uma amante, com certeza.— Luke, que bom te ver aqui. — Sua voz é envolta em um mel falso, e antes que ele possa responder, ela se estica e deposita um beijo demorado em seu rosto.Ele recebe o gesto com um sorriso cordato, educado, mantendo uma postura impecável.— Estou feliz em participar deste nobre evento. — Sua voz é controlada, sem traços de desconforto, mas percebo