Capítulo 4
A mão que aplicava o medicamento parou por um momento, e eu levantei o olhar para ele: — Só eu? Você não vai?

Geraldo suspirou, demonstrando certa tristeza. — Estou muito ocupado com o trabalho, não posso sair agora. Na próxima eu te acompanho, pode ser?

Mas, Geraldo, não haverá uma próxima vez para nós.

Baixei a cabeça e continuei com o que estava fazendo. — Talvez não seja fácil pedir folga na empresa.

— Não se preocupe com isso, eu resolvo para você.

Eu insisti: — Mas não quero ir.

Seu tom não admitia objeções. — Querida, já está tudo reservado, não tem como cancelar.

Eu não disse nada, mas meu coração gelou.

Lembrei-me da noite anterior, quando meio adormecida ouvi Geraldo falando ao celular com alguém: — Não pretendo contar para ela, quanto mais tempo puder esconder, melhor.

— Por precaução, durante o casamento vou inscrevê-la em uma viagem para que ela possa passear um pouco.

A pessoa do outro lado suspirou; — E depois, você vai transformá-la na amente?

Geraldo ficou em silêncio por um longo tempo, inalou profundamente o cigarro e soltou a fumaça devagar.

Parecia que um século havia passado antes que ele respondesse lentamente: — O futuro, só o tempo dirá.

A dor no coração era insuportável, deitada na cama, deixei as lágrimas embaçarem meus olhos, sentindo que esses sete anos foram uma piada.

"Geraldo, parece que nunca te conheci de verdade."

"Se não ama mais, por que não dizer a verdade em vez de optar pela mentira?"

"Teme que eu te persiga? Então, durante o casamento, decide me afastar dessa forma."

"Na verdade, não precisava ser tão complicado."

"Geraldo, vou fazer como você deseja, vou desaparecer completamente do seu mundo."

Perguntei a ele: — Para quando é a passagem?

— Daqui a dois dias.

Sorri. — Tudo bem, eu vou.

Geraldo pareceu aliviado ao ouvir isso e instintivamente tentou acariciar minha cabeça.

Eu discretamente me esquivei.

Ele ficou surpreso por um momento, então sorriu. — Antes de você ir, que tal jantarmos juntos?

Pensei por um momento e acabei concordando.

"Amanhã é o nosso sétimo aniversário juntos, Geraldo."

"Então vamos nos despedir de uma vez por todas, esclarecer tudo, e que essa relação comece e termine neste dia."

No dia seguinte, cheguei cedo ao restaurante onde combinamos nos encontrar, e ele também apareceu na hora, mas trouxe consigo Yasmin.

— Adriana, eu e o Diretor Jardim estávamos por aqui e decidimos vir juntos, espero que não atrapalhemos.

Balancei a cabeça, mas senti um aperto no coração, parece que nem nosso último jantar de despedida será completo.

Geraldo pediu uma mesa de pratos leves.

Yasmin riu: — Diretor Jardim, a comida que você pediu é muito leve, talvez não seja do gosto da Adriana, né?

Geraldo respondeu com indiferença: — Você está no seu período, não pode comer coisas muito fortes.

Enquanto dizia isso, chamou um garçom e pediu para substituir a bebida gelada de Yasmin por um coco quente.

Yasmin fez beicinho, reclamando que Geraldo era muito controlador.

Geraldo deu uma batidinha carinhosa na testa dela. — Se eu não cuidar de você, depois vai ficar com dor e chorando.

Yasmin mostrou a língua. — Nem é tão sério assim, você que se preocupa demais comigo.

Os dois, como se não houvesse ninguém ao redor, flertavam na minha frente. Eu apenas observava, com o coração tão calmo que nada mais poderia me abalar.

Enquanto comíamos, de repente ouvimos alguém gritar que havia um incêndio.

De repente, houve tumulto, e todos começaram a correr em direção à saída.

Assim que me levantei, vi uma sombra passar rapidamente ao meu lado.

Logo em seguida, Geraldo segurou Yasmin firmemente em seus braços e, sem olhar para trás, correu com ela para fora dali.

Por um instante, me senti como se tivesse atravessado um túnel do tempo, vendo aquele jovem de dezoito anos. Era a mesma cena: naquela época, a pessoa que ele protegidamente segurava em seus braços era eu.

Só quando chegaram a um lugar seguro, Geraldo se deu conta do que havia feito.

Ele olhou para mim, que estava parada a uma certa distância, com uma expressão de espanto nos olhos: — Eu estava com muita pressa, não foi de propósito...

Eu sorri e o interrompi. — Não se preocupe, eu entendo.

Logo chegou o dia que Geraldo havia marcado para minha viagem. Eu já tinha arrumado minhas malas há tempos.

Depois de garantir que não havia mais nenhum vestígio meu naquele quarto.

Peguei minha mala e saí sem olhar para trás.

Claro que eu não fui viajar, mas voltei para a casa dos meus pais para me preparar para o casamento, afinal, a data já estava próxima.

E Geraldo estava ocupado experimentando vestidos de noiva com Yasmin, sem tempo para se preocupar comigo.

De repente, o dia do casamento chegou, e eu vi pela primeira vez meu parceiro de casamento arranjado, Felipe Pessoa.

Tive que admitir que meus pais têm um ótimo gosto.

Ele era ainda mais bonito pessoalmente do que nas fotos, com um físico e aparência impecáveis.

O carro de casamento era impressionante. Entrei no carro e seguimos em frente com grande pompa.

Quando passamos por outro carro, ambos os lados pararam em sincronia para que as noivas pudessem trocar buquês.

A janela do carro desceu lentamente e, no carro oposto, meus olhos encontraram os de Geraldo.

Nos olhos dele, surgiu instantaneamente uma tempestade de emoções, e ele disse com a voz trêmula, incrédulo: — Adriana, como pode ser você?
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