Astor sentia o peso dos acontecimentos recentes em seus ombros. A revelação da (talvez) circustâncias da gravidez de Elise, a ameaça iminente que os cercava e a descoberta de que ela possuía um poder latente que sequer compreendia deixavam-no inquieto. O tempo estava contra eles e, por mais que quisesse protegê-la, sentia-se impotente diante do desconhecido. Ele sempre fora um rei de decisões calculadas, mas agora se via forçado a caminhar por um território nebuloso, onde qualquer erro poderia ser fatal.Após horas revirando os registros antigos na biblioteca oculta em busca de uma outra versão do que tinham encontrado horas atrás, finalmente encontraram um livro que parecia conter informações valiosas. A capa de couro gasto estava coberta por símbolos desconhecidos, e as páginas tinham um tom amarelado, como se o tempo tivesse impregnado nelas segredos há muito esquecidos. Lucian, ao seu lado, mantinha uma expressão tensa, refletindo sua própria preocupação.— Isso deve ser o que pro
Elise sentia o balanço rítmico do cavalo enquanto estavas as costas de Astor, suas mãos segurando com firmeza a cintura do rei para manter o equilíbrio. O vento frio da noite roçava seu rosto, mas sua mente estava muito mais turbulenta do que o ambiente ao redor. Desde que haviam encontrado o livro na biblioteca oculta, um turbilhão de emoções a consumia. Descobrir que possuía um poder adormecido, algo tão antigo e desconhecido, havia sido assustador. Mas o que mais a deixava inquieta era a forma como Astor e Lucian estavam reagindo a tudo aquilo.Astor sempre fora frio, calculista. Mesmo em seus momentos de raiva, ele nunca demonstrava emoções de forma descontrolada. Mas agora, algo nele havia mudado. Ele não apenas a protegia por obrigação ou por um dever como rei. Havia uma intensidade no olhar dele quando falava sobre sua segurança, uma determinação que parecia ir além da razão. Lucian não era diferente. O rei sempre tivera uma natureza mais branda, mais compreensiva, mas ultimame
A noite caiu sobre o reino, mas o sono se recusava a vir para Elise. Deitada na cama, os pensamentos rodopiavam em sua mente como um furacão impossível de conter. A sensação de inquietação a consumia, misturada ao peso das revelações e das mudanças que pareciam acontecer rápido demais.Ela se levantou, incapaz de permanecer imóvel, e caminhou até a janela. A paisagem iluminada pela luz pálida da lua parecia tranquila, mas Elise sabia que aquela calma era ilusória. Algo estava se movendo nas sombras. Aquele ataque repentino na biblioteca não fora uma coincidência. E se tentassem algo de novo? Seu coração apertou ao pensar nisso. Não por si mesma, mas pelo filho que carregava.Seu filho… a simples ideia ainda parecia irreal. E, ao mesmo tempo, era como se uma nova chama estivesse acesa dentro dela, alimentando sua determinação. Ela não permitiria que nada lhe acontecesse. Nem a ele, nem a si mesma.Foi então que ouviu um ruído. Algo suave, quase imperceptível, mas o suficiente para que
A noite ainda pairava pesada sobre o palácio, mas o silêncio não trazia paz. Elise sentia uma inquietação crescente, um peso invisível pressionando seu peito. Seu corpo estava exausto, mas sua mente permanecia alerta, girando em torno dos eventos recentes, principalmente depois do encontro com os reis e as revelações sobre o possível futuro de seu filho e as implicações que o seu nascimente podem trazer para o futuro. Era muita coisa para assimilar.Sentada na beira da cama, ela fixava o olhar na lareira, onde as chamas dançavam em sombras instáveis. Não sabia dizer se o frio que sentia vinha do ambiente ou do medo que se infiltrava em sua alma. Quando um estalo ecoou do lado de fora, seus sentidos entraram em alerta.O vento rugiu contra as janelas, mas foi outro som que a fez se levantar. Passos. Rápidos, calculados. Ela atravessou o quarto e abriu a porta cautelosamente, apenas para se deparar com Lucian parado à sua frente, a expressão fechada.— Você sentiu? — Ele perguntou, sem
O silêncio nos aposentos de Elise era apenas aparente. O peso da invasão ainda pairava no ar, e mesmo cercada por guardas e pela presença constante de Astor e Lucian, ela não conseguia ignorar a sensação de que estavam sendo observados. A noite lá fora permanecia inabalável, mas algo na escuridão pulsava como um predador paciente, à espera do momento certo para atacar novamente.Ela sentia sua respiração ligeiramente irregular, mesmo tentando se manter firme. Seus dedos apertavam levemente os panos de sua roupa, enquanto seus olhos percorriam cada sombra projetada pela luz bruxuleante das velas. Lucian permanecia próximo à janela, os olhos sempre atentos ao lado de fora. Astor estava parado ao lado da porta, a expressão fechada, como se seu próprio corpo fosse uma barreira para impedir qualquer ameaça de alcançá-la.— Houve novas informações? — Elise finalmente quebrou o silêncio, sua voz suave, mas carregada de tensão.Astor trocou um olhar breve com Lucian antes de responder.— Desc
Lucian sentia o peso das palavras do prisioneiro como um espectro pairando sobre eles. O impacto da revelação sobre Elise era inegável, e ele conseguia ver nos olhos dela a confusão, a dúvida e, acima de tudo, o medo. Seu sangue... um legado perdido. Um perigo vivo. Algo que não deveria mais existir, mas que agora despertava a cobiça da Irmandade Sombria.Ele manteve-se ao lado dela enquanto caminhavam para fora das masmorras, Astor fechando a retaguarda. O silêncio entre os três era denso, carregado pelo que haviam acabado de ouvir. Elise não falava, e Lucian respeitava isso. Havia momentos em que palavras eram desnecessárias. Apenas sua presença deveria bastar.Quando finalmente chegaram aos corredores superiores do palácio, Lucian percebeu o tremor sutil nas mãos de Elise antes que ela as fechasse em punhos. Ele queria confortá-la, mas não sabia como. Ela não era uma mulher que aceitava bem consolo ou compaixão. Em vez disso, ele seguiu para os aposentos reais junto com ela e Astor
Lucian permanecia em silêncio, observando Elise enquanto ela absorvia tudo o que haviam descoberto até agora. Ele via a tensão em seus ombros, a maneira como suas mãos se fechavam em punhos, como se tentasse controlar a tempestade de emoções que a assolava. A revelação sobre sua linhagem e a profecia que envolvia seu filho haviam mudado tudo. Não era mais apenas uma questão de protegê-la, mas de entender seu verdadeiro papel no tabuleiro.Mais tarde, sentado em uma das poltronas do salão privado, ele girava um cálice de vinho em suas mãos, sem realmente se importar com a bebida. Astor estava de pé, próximo à lareira, o olhar fixo nas chamas como se buscasse nelas alguma resposta. O silêncio entre os dois reis não era desconfortável, mas carregava o peso da responsabilidade que compartilhavam.— E agora? — Lucian quebrou o silêncio, sua voz baixa, mas carregada de sentimento. — Sabemos que a Irmandade Sombria não vai parar. Se estavam dispostos a invadir o palácio, significa que estão
Elise sentia o peso das últimas revelações se acumularem sobre seus ombros como uma tempestade prestes a desabar. As palavras de Lucian ainda ecoavam em sua mente. Ele sugerira que, ao invés de se manterem apenas na defensiva, tomassem a iniciativa contra a Irmandade Sombria. A ideia era audaciosa, perigosa, mas algo dentro dela não pôde evitar o ímpeto de concordar. Pela primeira vez, não sentia apenas o medo de ser caçada. Havia algo mais ali, algo que a fazia ansiar por ação.Sentada junto à grande mesa do salão privado dos reis, Elise observava os dois irmãos em silêncio. Lucian e Astor debatiam estratégias, suas vozes firmes preenchendo o ambiente com autoridade. Era impressionante vê-los juntos, tão diferentes e, ao mesmo tempo, perfeitamente complementares. Astor, impulsivo, com uma determinação feroz que queimava em seus olhos.Lucian, metódico, pesando cada possibilidade antes de tomar uma decisão. Por mais que os dois discutissem os melhores caminhos a seguir, havia uma sint