A escuridão parecia não ter fim. Elise flutuava em um vazio sem forma, incapaz de distinguir o tempo ou o espaço ao seu redor. Vozes sussurravam ao longe, mas eram apenas ecos distantes, como se alguém tentasse alcançar-la através de uma névoa impenetrável.Então, um som mais forte cortou o silêncio.— Elise...A voz era grave, firme, transmitiu uma emoção que ela não conseguiu identificar de imediato.Lucian?Ela tentou abrir os olhos, mas as suas pálpebras pesavam como se fossem feitas de chumbo. Um segundo depois, sentiu algo quente segurando sua mão.— Ela está reagindo.Dessa vez, foi Astor quem falou. Houve um tom de interrupção, mas também tensão. Era tudo tão confuso, mas por um momento se sentiu segura.Com um esforço quase sobre-humano, Elise conseguiu abrir os olhos, piscando algumas vezes até a visão se ajustar à luz fraca do ambiente. O teto de pedra ornamentada indicava que estava em um dos aposentos do castelo, mas sua mente ainda estava nebulosa, incapaz de lembrar com
O silêncio do aposento não traz nenhum tipo de conforto. Pelo contrário, era um lembrete sufocante de tudo o que se acumulava sobre os seus ombros.Lucian estava sentado em sua mesa, os dedos pressionados contra a sua mão uma certa força enquanto sua mente revisava, pela centésima vez, os últimos acontecimentos. Ele sempre se orgulha de ser um homem metódico, racional. Sua exige isso. Como rei, não havia espaço para reações impulsivas ou decisões tomadas no calor da emoção, agir assim sem pensar poderia colocar tudo a perder.Mas Elise...Elise vinha desafiado todas as suas certezas.Primeiro, a descoberta do chá. Um detalhe que poderia ter passado despercebido, todavia, uma vez revelado, incendiou algo dentro dele que ele não sabia que existia. A ideia de que ela vinha consumindo aquilo em segredo, evitando intencionalmente uma gravidez, provocava um misto de raiva e frustração. Não porque desejava que ela estivesse grávida naquele momento, mas porque isso queria dizer que ela não co
A sala do conselho estava envolta de uma tensão sufocante. O ambiente iluminado por velas e tochas lançava sombras distorcidas sobre os rostos dos presentes, cada um carregando sua própria inquietação sobre os últimos acontecimentos.Lucian se mantinha firme, os olhos percorrendo os rostos dos conselheiros à sua frente. O ataque contra Elise havia desencadeado um estado de emergência dentro do reino, e o fato de ela ter demonstrado habilidades que ninguém compreendia apenas tornou tudo ainda mais perigoso.Astor estava ao seu lado, os braços cruzados e uma expressão sombria que espelhava sua própria frustração. Do outro lado da sala, Elise permanecia sentada, visivelmente desconfortável, mas com o queixo erguido, como se tentasse esconder o peso que carregava. Ele não queria que a tivessem obrigado a estar ali, Astor e ele tinham pedido que ela ficasse descansado, tinha sido muita coisa para lidar. Mas o conselho, como sempre, realizava as coisas ao seu bel prazer. E isso, estava o l
O ar ainda parecia pesado, como se o peso daquela reunião continuasse a pairar sobre Elise, mesmo depois de seu encerramento. O brilho quente das tochas nos corredores do castelo não dissipava a sensação sufocante que crescia vagarosamente dentro de dela, alimentada pelas palavras ditas naquela sala.Eles tinham medo. Medo dela e de seu filho.Mesmo depois de tudo que tinha passado, de quase perder sua vida naquele ataque, o que mais importava para os conselheiros não era a sua segurança, mas sim o perigo que ela representava a logo prazo.O seu poder. O que ele significava para eles? Para o reino.Para a criança que crescia dentro de si.Elise deslisou os dedos instintivamente sobre o ventre. Ainda era cedo demais para sentir algo, mas ela sabia. Consegui sentia. Um vínculo silencioso, frágil, mas totalmente real.Ela até poderia estava assustada. Mas, acima de tudo, estava determinada a não fugir da luta.Não importava o que eles pensassem. Não importava o que ainda estivesse por vi
O silêncio que se instalou entre os três foi denso e carregado. A incerteza pairava no ar, tornando cada respiração pesada. Astor e Lucian estavam firmes em suas palavras, e Elise sabia que não havia mais espaço para negar a realidade. Algo dentro dela estava despertando, algo que não podia mais ser ignorado.— Descansaremos esta noite, mas amanhã começaremos a buscar respostas — declarou Astor, sua voz grave e decidida, como a de um rei que já havia tomado sua decisão.Elise manteve o olhar fixo nos dois, sentindo a tensão em seu próprio corpo.— E onde começamos? — Sua voz saiu mais firme do que esperava.Lucian trocou um olhar significativo com Astor antes de responder:— Há um lugar que comentamos antes... Mas por causa dos último acontecimentos deixamos de lado. É uma biblioteca oculta. Poucos sabem de sua existência. Dizem que abriga registros antigos, conhecimentos proibidos... e maldições esquecidas.Elise sentiu um arrepio percorrer sua espinha.— E porque tanta hesitação? Vo
A noite parecia mais densa do que o normal, como se a escuridão carregasse um peso invisível. Elise depois do ataque da criatura precisou de um tempo para se recompor, até que sua visão e respiração fossem regularizadas para poderem seguir caminho em meio aquelas árvores densas.Sentia o frio percorrer sua pele, mesmo envolta no manto grosso que usava. Ao lado dela, Astor e Lucian mantinham uma postura rígida, os olhos sempre atentos aos arredores. A biblioteca oculta era um local que muitos preferiam esquecer, um vestígio sombrio de um tempo repleto de segredos proibidos.Desde a reunião com o conselho, a inquietação dentro de Elise só aumentara. Os olhares de julgamento, os cochichos abafados e a incerteza em relação ao futuro de seu filho a faziam se sentir cada vez mais isolada. Mas, acima de tudo, havia o medo. Medo do desconhecido, medo da criança dentro de si e medo daquilo que a atacara a pouquissimo tempo atrás. Seu poder despertara de forma avassaladora, e até mesmo os reis,
O ar estava carregado de uma energia densa, pulsante, enquanto a sombra disforme se erguia diante deles. Elise sentia cada fibra do seu corpo alertando-a do perigo iminente, seu instinto a mandava fugir, mas sua determinação a mantinha firme. O brilho dourado ainda pulsava em seus olhos, embora sua força estivesse diminuída depois da última manifestação de poder. Seu ventre parecia aquecido, como se algo dentro dela estivesse reagindo ao caos ao redor.Astor e Lucian se posicionaram ao seu lado, prontos para defender tanto Elise quanto a criança que ela carregava. O monstro que emergia das trevas tinha uma forma distorcida, seus olhos brilhavam em um vermelho soturno, e a sala se encheu com um grunhido arrepiante.— Fiquem atrás de mim! — Lucian rosnou, sua espada já desembainhada, pronto para cortar qualquer ameaça que se aproximasse.Astor, ao contrário, ergueu uma das mãos, murmurando palavras em uma língua esquecida. Rúnicas começaram a brilhar no chão, traçando um círculo de prot
Astor sentia o peso dos últimos dias sobre seus ombros. Desde a descoberta da gravidez de Elise até os ataques inexplicáveis, ele se via dividido entre a necessidade de proteger sua nação e a crescente preocupação por ela e a criança. Não era um homem de demonstrar emoções facilmente, mas Lucian conseguia perceber sua inquietação, pois compartilhava do mesmo fardo. A forma como Elise desmaiara em seus braços, a luz dourada em seus olhos antes de perder a consciência... Tudo aquilo era um enigma angustiante.E Astor odiava enigmas, essa característica tinha deixado para o irnão Lucian. Ele gostava de coisas palpáveis, ter a liberdade para agir e não ficar dependendo de circustâncias para tomar uma decisão. Era como sentir uma faca sendo enfiada e retirada continuamente de suas costas. Ser drámatico também era uma de suas "qualidades". Enquanto caminhavam pelos corredores sombrios da biblioteca oculta, os archotes projetavam sombras trêmulas sobre as paredes repletas de prateleiras ant