O silêncio do quarto era quase opressor. Elise estava deitada na cama, olhando para o teto ornamentado, mas sua mente estava a mil. Apesar das exaustivas ordens de segurança dadas pelos médicos reais, sua mente se recusou a descansar. O que havia acontecido no jardim não parava de se repetir como um looping em sua cabeça.Ela sentiu, mais do que viu, aquela força que havia emergido de dentro dela. Não era apenas instinto de sobrevivência. Era algo maior, mais poderoso. Algo que, obviamente, ela não compreendia. O medo que sempre vinha à tona em momentos como aquele agora parecia confuso a uma centelha de curiosidade."Eu sou a chave... Mas a chave de quê?"Ela levou a mão até o ventre, em um gesto quase automático. Apesar de todo o caos, havia uma conexão ali que ela não conseguia explicar. Um fio invisível que parecia mais forte a cada dia.Os pensamentos foram interrompidos pela porta que se abriu lentamente. Lucian entrou primeiro, o olhar cuidadoso pousando sobre ela. Logo atrás,
A tensão era quase palpável no ar enquanto Elise, Astor e Lucian seguiam os guardas pelos corredores do castelo. O pedaço de tecido que ela segurava parecia estar queimado em suas mãos, como se carregasse uma energia maligna impregnada nele. O símbolo bordado não saiu de sua mente, evocando memórias distantes e pesadelos que ela mal conseguiu compreender.Quando chegou ao salão onde os invasores estavam detidos, Elise sentiu um arrepio percorrendo sua espinha. O ambiente foi tomado por uma energia opressiva, algo que ela não sabia dizer se era medo, ameaça ou um aviso silencioso.Os três homens estavam ajoelhados no chão de pedra fria, seus pulsos presos por correntes de ferro encantadas. Os guardas mantinham espadas apontadas para suas costas, mas os prisioneiros indiferentes à ameaça, como se informassem algo que os outros não sabiam.Astor foi o primeiro a falar, sua voz dura e sem paciência. — Quem foi que mandou vocês?Silêncio.Lucian se movia lentamente, sua presença imponente
A escuridão parecia não ter fim. Elise flutuava em um vazio sem forma, incapaz de distinguir o tempo ou o espaço ao seu redor. Vozes sussurravam ao longe, mas eram apenas ecos distantes, como se alguém tentasse alcançar-la através de uma névoa impenetrável.Então, um som mais forte cortou o silêncio.— Elise...A voz era grave, firme, transmitiu uma emoção que ela não conseguiu identificar de imediato.Lucian?Ela tentou abrir os olhos, mas as suas pálpebras pesavam como se fossem feitas de chumbo. Um segundo depois, sentiu algo quente segurando sua mão.— Ela está reagindo.Dessa vez, foi Astor quem falou. Houve um tom de interrupção, mas também tensão. Era tudo tão confuso, mas por um momento se sentiu segura.Com um esforço quase sobre-humano, Elise conseguiu abrir os olhos, piscando algumas vezes até a visão se ajustar à luz fraca do ambiente. O teto de pedra ornamentada indicava que estava em um dos aposentos do castelo, mas sua mente ainda estava nebulosa, incapaz de lembrar com
O silêncio do aposento não traz nenhum tipo de conforto. Pelo contrário, era um lembrete sufocante de tudo o que se acumulava sobre os seus ombros.Lucian estava sentado em sua mesa, os dedos pressionados contra a sua mão uma certa força enquanto sua mente revisava, pela centésima vez, os últimos acontecimentos. Ele sempre se orgulha de ser um homem metódico, racional. Sua exige isso. Como rei, não havia espaço para reações impulsivas ou decisões tomadas no calor da emoção, agir assim sem pensar poderia colocar tudo a perder.Mas Elise...Elise vinha desafiado todas as suas certezas.Primeiro, a descoberta do chá. Um detalhe que poderia ter passado despercebido, todavia, uma vez revelado, incendiou algo dentro dele que ele não sabia que existia. A ideia de que ela vinha consumindo aquilo em segredo, evitando intencionalmente uma gravidez, provocava um misto de raiva e frustração. Não porque desejava que ela estivesse grávida naquele momento, mas porque isso queria dizer que ela não co
A sala do conselho estava envolta de uma tensão sufocante. O ambiente iluminado por velas e tochas lançava sombras distorcidas sobre os rostos dos presentes, cada um carregando sua própria inquietação sobre os últimos acontecimentos.Lucian se mantinha firme, os olhos percorrendo os rostos dos conselheiros à sua frente. O ataque contra Elise havia desencadeado um estado de emergência dentro do reino, e o fato de ela ter demonstrado habilidades que ninguém compreendia apenas tornou tudo ainda mais perigoso.Astor estava ao seu lado, os braços cruzados e uma expressão sombria que espelhava sua própria frustração. Do outro lado da sala, Elise permanecia sentada, visivelmente desconfortável, mas com o queixo erguido, como se tentasse esconder o peso que carregava. Ele não queria que a tivessem obrigado a estar ali, Astor e ele tinham pedido que ela ficasse descansado, tinha sido muita coisa para lidar. Mas o conselho, como sempre, realizava as coisas ao seu bel prazer. E isso, estava o l
O ar ainda parecia pesado, como se o peso daquela reunião continuasse a pairar sobre Elise, mesmo depois de seu encerramento. O brilho quente das tochas nos corredores do castelo não dissipava a sensação sufocante que crescia vagarosamente dentro de dela, alimentada pelas palavras ditas naquela sala.Eles tinham medo. Medo dela e de seu filho.Mesmo depois de tudo que tinha passado, de quase perder sua vida naquele ataque, o que mais importava para os conselheiros não era a sua segurança, mas sim o perigo que ela representava a logo prazo.O seu poder. O que ele significava para eles? Para o reino.Para a criança que crescia dentro de si.Elise deslisou os dedos instintivamente sobre o ventre. Ainda era cedo demais para sentir algo, mas ela sabia. Consegui sentia. Um vínculo silencioso, frágil, mas totalmente real.Ela até poderia estava assustada. Mas, acima de tudo, estava determinada a não fugir da luta.Não importava o que eles pensassem. Não importava o que ainda estivesse por vi
O silêncio que se instalou entre os três foi denso e carregado. A incerteza pairava no ar, tornando cada respiração pesada. Astor e Lucian estavam firmes em suas palavras, e Elise sabia que não havia mais espaço para negar a realidade. Algo dentro dela estava despertando, algo que não podia mais ser ignorado.— Descansaremos esta noite, mas amanhã começaremos a buscar respostas — declarou Astor, sua voz grave e decidida, como a de um rei que já havia tomado sua decisão.Elise manteve o olhar fixo nos dois, sentindo a tensão em seu próprio corpo.— E onde começamos? — Sua voz saiu mais firme do que esperava.Lucian trocou um olhar significativo com Astor antes de responder:— Há um lugar que comentamos antes... Mas por causa dos último acontecimentos deixamos de lado. É uma biblioteca oculta. Poucos sabem de sua existência. Dizem que abriga registros antigos, conhecimentos proibidos... e maldições esquecidas.Elise sentiu um arrepio percorrer sua espinha.— E porque tanta hesitação? Vo
A noite parecia mais densa do que o normal, como se a escuridão carregasse um peso invisível. Elise depois do ataque da criatura precisou de um tempo para se recompor, até que sua visão e respiração fossem regularizadas para poderem seguir caminho em meio aquelas árvores densas.Sentia o frio percorrer sua pele, mesmo envolta no manto grosso que usava. Ao lado dela, Astor e Lucian mantinham uma postura rígida, os olhos sempre atentos aos arredores. A biblioteca oculta era um local que muitos preferiam esquecer, um vestígio sombrio de um tempo repleto de segredos proibidos.Desde a reunião com o conselho, a inquietação dentro de Elise só aumentara. Os olhares de julgamento, os cochichos abafados e a incerteza em relação ao futuro de seu filho a faziam se sentir cada vez mais isolada. Mas, acima de tudo, havia o medo. Medo do desconhecido, medo da criança dentro de si e medo daquilo que a atacara a pouquissimo tempo atrás. Seu poder despertara de forma avassaladora, e até mesmo os reis,