Stefanos
O médico me encarou com olhos arregalados, nitidamente abalado pela minha ordem. Suas mãos tremeram ao ajeitar os óculos, e senti minha paciência, já mínima, atingir níveis perigosamente baixos.
"O senhor quer dizer… sobre as Millenares?" Sua voz gaguejou, claramente desconfortável com o rumo daquela conversa. "Nunca tivemos… eu achei que fossem apenas uma lenda antiga, algo como um mito..."
"Mitos não sangram azul, doutor," respondi rispidamente, estreitando os olhos para enfatizar meu ponto. "Nuria é uma Millenar, e ela está morrendo. Preciso saber por que diabos isso está acontecendo, e você vai me ajudar. Vasculhe cada maldita página deste hospital, se precisar, mas trag
StefanosMinha pulsação estava acelerada, martelando violentamente em minhas têmporas, enquanto os médicos ao meu redor pareciam lutar inutilmente contra algo que não entendiam. Meu corpo inteiro estava rígido de tensão, e cada bip acelerado das máquinas ao lado de Nuria fazia meu coração saltar.“Senhor Varkas, por favor, se afaste!” um dos médicos exclamou, me empurrando suavemente, mas com firmeza. “Não há nada que o senhor possa fazer aqui.”Eu rosnei, com fúria pulsando em minha garganta.“Se eu não puder fazer nada, então ninguém p
StefanosO silêncio naquela sala pesava mais que o aço. Me levantei devagar, sentindo cada músculo tensionado pelo esforço das últimas horas. Mas nada doía mais do que vê-la ali, imóvel, deitada naquela cama branca e fria, cercada por fios e máquinas que sussurravam o que restava da vida dela.Me aproximei como quem teme assustar um sonho. Minha mão hesitou no ar antes de tocar seu rosto. A pele dela estava fria, pálida... Mas ainda era a dela. Ainda era a minha ruína.Passei os dedos pela curva de sua bochecha, traçando o contorno do maxilar com cuidado, como se aquele toque pudesse convencê-la a abrir os olhos. Um sorriso amargo escapou, sem vontade."Claro que seria você... a me deixar a
StefanosO ar dentro daquela casa era pesado, carregado de lembranças que não me pertenciam. Andar por entre os cômodos abandonados era como pisar em um santuário profanado. Tudo ali gritava o nome dela, mesmo no silêncio mais profundo.Caminhei devagar, analisando cada centímetro do ambiente. O sangue seco ainda marcava o chão de madeira, escuro e ressequido, mesmo com o tempo. Havia sinais de luta, de arrasto… e de dor. Me abaixei ao lado de uma dessas manchas, tocando com os dedos. Não estava ali por acaso. Alguém sangrou até o fim."Rylan..." minha voz ecoou baixa. "Você disse que os corpos tinham sido deixados aqui. Por que não estão?"Ele
StefanosA estrada de volta parecia mais longa do que jamais foi. Meus pés batiam com força contra o chão de mármore branco enquanto cruzava os corredores do hospital. O barulho da respiração pesada de Rylan atrás de mim era o único som que eu conseguia ouvir. Nada mais importava. Só ela.Entrei e fui direto para o vestuário, colocar uma roupa, mas o clima parecia mais pesado agora. Com olhares diferentes para mim."Quer que eu entre com você?" Rylan me questionou e neguei."Preciso me entender com ela, e achar uma forma de provar que a mereço."Assim que alcancei a ala da UTI, vi dois médi
NuriaO escuro ao meu redor era espesso, como se eu estivesse presa em um lago profundo. Não havia som, nem dor, nem forma. Só a sensação de flutuar, entre o que era e o que já não existia mais.Mas, aos poucos, algo rompeu essa bolha.Um cheiro.Forte. Familiar. Intenso.Stefanos.Era ele. E estava tão perto que senti o calor de seu corpo atravessando a escuridão que me envolvia. Mas havia algo estranho. O cheiro dele vinha misturado com algo salgado, quente...triste.
StefanosO céu lá fora ainda estava cinzento, coberto por nuvens pesadas que prometiam mais chuva. A cidade dormia, mas eu estava acordado há horas, encostado perto da janela do quarto. O silêncio era cortado apenas pelas batidas suaves do monitor cardíaco ao meu lado.Ela estava ali. Viva.De tempos em tempos, eu me virava só pra confirmar. Era irracional, talvez. Mas meu lobo ainda não tinha superado o susto.Minha ruína, inconsciente na cama, os cabelos espalhados sobre o travesseiro branco como uma coroa sombria. A cor da pele começava a voltar. O peito subia e descia com mais firmeza. O cheiro dela, antes tão fraco, agora preenchia o quarto com um aroma doce, in
NuriaEu ainda não conseguia entender o que estava acontecendo.A dor não era mais insuportável. O corpo começava a responder, aos poucos. Mas não era isso que me deixava confusa.Era ele.O maldito alfa da Boreal.Aquele lobo enorme, bruto, dominante até o último fio de cabelo... estava me cuidando como se eu fosse feita de cristal. Dormia ao meu lado, ou melhor, vigiava, como um guardião silencioso. Não deixava ninguém me tocar. Não permitia que eu me esforçasse. E mais do que isso... falava coisas que mexiam com partes de mim que eu nem sabia que ainda existiam.
NuriaTrês dias.Foi o tempo que meu corpo precisou pra entender que ainda existia vida aqui dentro. Que eu não estava morta, nem havia sido levada pela Deusa, por mais que, em alguns momentos, eu tivesse desejado.Acordei hoje com os olhos mais firmes. Com os músculos ainda fracos, mas obedecendo aos poucos. E com um cheiro no ar que denunciava que ele estava ali, rondando, cuidando.Sentado, em silêncio, no canto do quarto do hospital, como se a única função dele no mundo fosse vigiar minha respiração.Ele me olhou antes mesmo que eu o chamasse. Como se o instinto avisasse que eu havia acordado de verdade, dessa vez. Um calor estranho percorreu minha espinha, algo entre seguran&