Nuria
O escuro ao meu redor era espesso, como se eu estivesse presa em um lago profundo. Não havia som, nem dor, nem forma. Só a sensação de flutuar, entre o que era e o que já não existia mais.
Mas, aos poucos, algo rompeu essa bolha.
Um cheiro.
Forte. Familiar. Intenso.
Stefanos.
Era ele. E estava tão perto que senti o calor de seu corpo atravessando a escuridão que me envolvia. Mas havia algo estranho. O cheiro dele vinha misturado com algo salgado, quente... triste.
StefanosO céu lá fora ainda estava cinzento, coberto por nuvens pesadas que prometiam mais chuva. A cidade dormia, mas eu estava acordado há horas, encostado perto da janela do quarto. O silêncio era cortado apenas pelas batidas suaves do monitor cardíaco ao meu lado.Ela estava ali. Viva.De tempos em tempos, eu me virava só pra confirmar. Era irracional, talvez. Mas meu lobo ainda não tinha superado o susto.Minha ruína, inconsciente na cama, os cabelos espalhados sobre o travesseiro branco como uma coroa sombria. A cor da pele começava a voltar. O peito subia e descia com mais firmeza. O cheiro dela, antes tão fraco, agora preenchia o quarto com um aroma doce, in
NuriaEu ainda não conseguia entender o que estava acontecendo.A dor não era mais insuportável. O corpo começava a responder, aos poucos. Mas não era isso que me deixava confusa.Era ele.O maldito alfa da Boreal.Aquele lobo enorme, bruto, dominante até o último fio de cabelo... estava me cuidando como se eu fosse feita de cristal. Dormia ao meu lado, ou melhor, vigiava, como um guardião silencioso. Não deixava ninguém me tocar. Não permitia que eu me esforçasse. E mais do que isso... falava coisas que mexiam com partes de mim que eu nem sabia que ainda existiam.
NuriaTrês dias.Foi o tempo que meu corpo precisou pra entender que ainda existia vida aqui dentro. Que eu não estava morta, nem havia sido levada pela Deusa, por mais que, em alguns momentos, eu tivesse desejado.Acordei hoje com os olhos mais firmes. Com os músculos ainda fracos, mas obedecendo aos poucos. E com um cheiro no ar que denunciava que ele estava ali, rondando, cuidando.Sentado, em silêncio, no canto do quarto do hospital, como se a única função dele no mundo fosse vigiar minha respiração.Ele me olhou antes mesmo que eu o chamasse. Como se o instinto avisasse que eu havia acordado de verdade, dessa vez. Um calor estranho percorreu minha espinha, algo entre seguran&
NuriaEu pisquei. Uma. Duas vezes."O quê?""É que... estão dizendo por aí que você foi parar no hospital porque ele... perdeu o controle. Que você desafiou o Alfa e ele… bom… você sabe como os boatos correm."Soltei uma risada, baixa e incrédula."Stefanos pode até ser maluco, possessivo, controlador… Mas não é sádico. Se fosse o Solon, até dava pra acreditar. Mas ele? Não."Jenna me olhou como se esperasse uma justificativa melhor."Além do mais..." suspirei,
StefanosEu tentava manter distância.Dar a ela espaço. Permitir que se recuperasse sem me sentir como uma sombra constante. Mas era inútil.Meu corpo se virava na direção dela mesmo quando eu não queria.Meus sentidos gritavam pela presença dela mesmo quando a razão pedia distância.Era como se algo invisível me puxasse, me arrastasse... direto até ela.Cruzei o corredor do andar superior com passos pesados. Jenna vinha na direção oposta, com uma bandeja de chá nas mãos e um sorriso contido no rosto."Ela está acordada?", perguntei antes mesmo de pensar."Está", ela respondeu, animada. "Tá um pouco abatida ainda, mas está bem."Assenti e estendi a mão."Deixa que eu levo o chá pra ela."Jenna arqueou uma sobrancelha, claramente interessada."Tem certeza, senhor?
StefanosJohan não disse mais nada.Simplesmente virou as costas e sumiu pelo corredor, como um lobo ferido demais pra continuar latindo.Fiquei ali por alguns segundos, respirando fundo, tentando conter a fúria que ainda pulsava sob minha pele.Mas não era só raiva que queimava dentro de mim.Era ela.Apenas ela.O cheiro estava mais forte agora.Mais quente. Mais doce.Denso o suficiente pra grudar em cada parte do meu ser, me a
NuriaO gosto dele ainda estava nos meus lábios.O cheiro... amadeirado, selvagem, quente... impregnava cada canto daquele quarto, como se os próprios móveis soubessem que ele era meu.Ou melhor... que eu era dele.Ou talvez nenhuma das coisas. Talvez ambas.Eu ainda não conseguia entender como aquele Alfa, bruto e dominante, podia ser o nome escrito na profecia da minha linhagem.Será que a Deusa cometeu um erro?Ou fui eu quem errou, ao deixá-lo chegar tão perto?Stefanos estava ajoelhado entre minha
StefanosSaí do quarto como se estivesse fugindo de mim mesmo.Meus dedos ainda carregavam o cheiro dela. A boca, o gosto. E o corpo... o corpo inteiro gritava pra voltar e terminar o que começamos. Mas não dava.Não quando a porra do mundo decidiu desabar exatamente agora.O corredor estava vazio. Rylan, aquele beta esperto, não estava me esperando. Melhor assim. Se estivesse, teria virado carne moída encostada na parede.Meu lobo ainda estava em fúria. Meu controle? Em frangalhos.Entrei no quarto de hóspedes mais próximo e fui direto pro banheiro. Joguei água fria no rosto, mas não foi o suficiente.Tirei a camisa com um puxão bruto, chutei os sapatos pro canto e abri o chuveiro no máximo. Gelado. Letal.A água caiu como facas sobre minha pele, mas não esfriou o suficiente. Meu pau continuava duro, lateja