Nuria
O gosto dele ainda estava nos meus lábios.
O cheiro... amadeirado, selvagem, quente... impregnava cada canto daquele quarto, como se os próprios móveis soubessem que ele era meu.
Ou melhor... que eu era dele.
Ou talvez nenhuma das coisas. Talvez ambas.
Eu ainda não conseguia entender como aquele Alfa, bruto e dominante, podia ser o nome escrito na profecia da minha linhagem.
Será que a Deusa cometeu um erro?
Ou fui eu quem errou, ao deixá-lo chegar tão perto?
Stefanos estava ajoelhado entre minha
StefanosSaí do quarto como se estivesse fugindo de mim mesmo.Meus dedos ainda carregavam o cheiro dela. A boca, o gosto. E o corpo... o corpo inteiro gritava pra voltar e terminar o que começamos. Mas não dava.Não quando a porra do mundo decidiu desabar exatamente agora.O corredor estava vazio. Rylan, aquele beta esperto, não estava me esperando. Melhor assim. Se estivesse, teria virado carne moída encostada na parede.Meu lobo ainda estava em fúria. Meu controle? Em frangalhos.Entrei no quarto de hóspedes mais próximo e fui direto pro banheiro. Joguei água fria no rosto, mas não foi o suficiente.Tirei a camisa com um puxão bruto, chutei os sapatos pro canto e abri o chuveiro no máximo. Gelado. Letal.A água caiu como facas sobre minha pele, mas não esfriou o suficiente. Meu pau continuava duro, lateja
NuriaEu estava ficando louca.Completamente fora de mim.Ainda sentia o toque dele na minha pele. Os dedos. A língua. A boca.E o pior? Eu não conseguia me arrepender de absolutamente nada.A cabeça ainda latejava com tudo que tinha acontecido... e meu corpo...Meu corpo estava em um estado que eu nem sabia nomear.Como foi que eu, a mesma loba que quase morreu dias atrás, arranquei a roupa como se estivesse entregando o coração nas mãos de um inimigo? Como foi tão fácil me abrir daquele jeito pra ele
StefanosA tela ainda tremia. Ou talvez fosse só a minha mão fechada em punho, trincando os dedos até estalar os ossos.“Ele quer o quê?”Minha voz saiu baixa.Perigosa.O Alfa Supremo respirou fundo do outro lado da videoconferência, como se escolhesse cada palavra com cuidado pra não se cortar na minha fúria.“Solon está disposto a entregar os nomes dos envolvidos nos sequestros e nos sacrifícios… mas quer uma garantia de boa fé.”Minha mandíbula travou.
NuriaAcordei com o tipo de silêncio que não era paz.Era ausência.O quarto estava quieto demais. Denso demais. Como se o ar segurasse a respiração junto comigo.Não havia passos no corredor. Nem vozes sussurradas. Só o som abafado do meu coração… e o cheiro dele.Aquele maldito cheiro.Estava por toda parte. No travesseiro. No lençol. No meio das cobertas que eu mesma arrumei na noite anterior, tomada por um instinto que nem eu compreendi direito.Tudo intact
StefanosEla é minha. E ninguém toca no que é meu.A pergunta mal saiu dos lábios dela, e meu lobo rosnou alto dentro de mim, como se tivesse levado um golpe direto no coração.Você vai me entregar?Aquilo não foi uma dúvida.Foi uma acusação.Uma maldita faca cravada no peito... girando devagar.Fechei os olhos por um segundo, puxando o ar como se isso fosse o bastante p
StefanosEla ainda estava ali, parada diante de mim com os olhos marejados, como se cada palavra dita tivesse deixado uma cicatriz nova… mas também, como se algo dentro dela tivesse finalmente despertado.E eu ia alimentar esse algo até queimar o mundo."Vem aqui," murmurei, a voz grave, já puxando-a pela cintura.Ela não resistiu.Sentei-a com firmeza na beirada da minha mesa, as coxas pressionando as bordas de madeira enquanto me posicionava entre elas, como um aviso silencioso: Daqui ninguém te tira.Peguei a pasta atrás dela e retirei o papel."Está aqui." Coloquei o papel diante dela. "Declara&
NuriaA luz dourada da lareira dançava pelo pequeno salão enquanto o som do riso preenchia o ambiente. Meu pai serviu mais uma rodada de vinho, minha mãe cortava pedaços extras de torta para Elias, e Gael ainda insistia em me provocar."Você vai mesmo fazer isso?" Ele perguntou, encostado na mesa, os braços cruzados."Claro que vai," meu pai respondeu antes que eu pudesse dizer qualquer coisa. "Minha filha, primeira violinista da Orquestra Nacional!"O orgulho em sua voz fez meu peito vibrar. Ser escolhida para a Orquestra Nacional era um sonho que eu nem ousava imaginar, e agora estava diante de mim. Mas havia um preço."Se eu aceitar, terei que viver entre os humanos."O silêncio caiu por um instante.A Alcateia Lunar sempre fora meu lar. Uma comunidade fechada, isolada dos humanos, escondida entre as montanhas. Enquanto outras alcateias tentavam se misturar ao mundo moderno, a nossa se mantinha fiel às tradições antigas. Saindo dali, eu me tornaria mais uma loba aventureira."Você
NuriaSeis meses.Seis meses de agonia. De dor. De espera.Seis meses de um pesadelo sem fim, onde cada dia era um lembrete de que minha existência não me pertencia mais.O Alfa da Alcateia Invernal não era um homem. Era uma sentença.Desde a noite em que Solon marcou minha pele com seus dentes, eu me tornei sua propriedade. Seu experimento. Seu fracasso.Ele me trancou em um quarto, me forçou a beber seus chás, a suportar seus toques, a ouvir suas promessas doentias. Me reduziu a nada além de um ventre vazio, uma peça defeituosa no seu plano de grandeza.E agora, meu tempo acabou.A sentença seria cumprida.Meus olhos estavam fechados, mas eu já sentia tudo ao meu redor.O cheiro da terra úmida. O vento cortante da noite. As correntes frias ao redor dos meus pulsos e tornozelos. A respiração irregular das outras mulheres condenadas.O altar estava pronto.Eu seria sacrificada à Deusa.Um grito cortou o silêncio.Dessa vez, eu abri os olhos.A dor veio de imediato. O ferro cravado em